Movimento inclui uma reaproximação com o pastor-empresário Silas Malafaia

O senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) tenta reforçar alianças com lideranças religiosas e ampliar sua base de apoio evangélico ao consolidar articulações com grandes congregações e buscar novas adesões para a disputa presidencial de 2026. O senador do PL avançou em negociações com igrejas influentes e lideranças do segmento, fortalecendo sua presença entre os fiéis e ampliando o alcance político nesse eleitorado estratégico, informa a Folha de São Paulo.
O pré-candidato retomou o diálogo com o pastor-empresário Silas Malafaia, da Assembleia de Deus Vitória em Cristo, após um período de distanciamento provocado por divergências com aliados do senador. A reaproximação ocorreu em março e sinalizou um entendimento político entre ambos, com previsão de formalização do apoio em um evento público após o período de desincompatibilização.
Além disso, Flávio Bolsonaro intensificou a aproximação com outras denominações relevantes. O PL filiou o deputado federal Cezinha de Madureira (SP), ligado à Assembleia de Deus Ministério de Madureira, uma das maiores correntes pentecostais do país. Também foi fechado apoio da Assembleia de Deus Ministério do Belém, tradicional em São Paulo. Nos bastidores, aliados avaliam que há otimismo quanto à possibilidade de reunir cinco grandes grupos evangélicos na campanha.
Apesar da movimentação, a adesão do Ministério de Madureira ocorre com cautela. Parte da liderança da congregação defendia neutralidade eleitoral e demonstrava resistência a uma associação direta com o bolsonarismo. Interlocutores indicam que a postura supostamente mais moderada de Flávio, em comparação a Jair Bolsonaro (PL), facilitou a aproximação. Ainda assim, a formalização do apoio dependerá do registro das candidaturas.
O cenário político também envolve tentativas de aproximação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) com o mesmo segmento. Em 2024, Lula recebeu lideranças da igreja no Palácio do Planalto e participou de encontros com pastores, incluindo celebrações relacionadas ao Dia Nacional da Música Gospel. No entanto, a estratégia não se consolidou, e a percepção de distanciamento do governo em relação aos evangélicos abriu espaço para o avanço de Flávio.
Aliados do senador avaliam que há ambiente favorável para ampliar o diálogo com outras denominações, como a Igreja do Evangelho Quadrangular e a Igreja Universal do Reino de Deus, liderada pelo bispo Edir Macedo. A expectativa é de que novos encontros ocorram nas próximas semanas, incluindo participação em cultos e eventos religiosos.
Em uma demonstração simbólica dessa aproximação, Flávio Bolsonaro participou de um culto na Assembleia de Deus Ministério do Belém, onde foi ungido pelo pastor José Wellington Bezerra da Costa, que conduziu uma oração pedindo que o senador alcance a Presidência.
O avanço nas articulações ocorre em um momento de vantagem eleitoral no segmento evangélico. Pesquisa Datafolha divulgada em março indica que Flávio registra desempenho expressivo entre esses eleitores, chegando a dobrar as intenções de voto nesse grupo em comparação com outros recortes religiosos.