A Santa Sé “não participará do Conselho da Paz devido à sua natureza particular, que evidentemente não é a de outros Estados

O Vaticano anunciou que não participará do Conselho da Paz proposto pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para discutir o futuro da Faixa de Gaza. A decisão foi confirmada pelo cardeal Pietro Parolin, principal autoridade diplomática da Santa Sé.
O papa Leão 14, primeiro americano a ocupar o cargo, havia sido convidado em janeiro a integrar o grupo. Pontífices raramente participam de conselhos internacionais. Segundo Parolin, a Santa Sé optou por não aderir à iniciativa por entender que a condução de crises deve ocorrer em âmbito multilateral.
“A Santa Sé ‘não participará do Conselho da Paz devido à sua natureza particular, que evidentemente não é a de outros Estados’”, afirmou o cardeal. Ele acrescentou: “Uma preocupação é que, em nível internacional, deveria ser a ONU, acima de tudo, a responsável por gerir essas situações de crise. Este é um dos pontos em que temos insistido.”

Trump, ao centro, acompanhado por líderes de nações que integram o Conselho da Paz liderado pelo presidente dos EUA. Foto: Divulgação

A proposta foi formalizada por Trump em janeiro, durante evento em Davos, na Suíça. Na ocasião, o presidente criticou as Organização das Nações Unidas e disse que o conselho poderia ser “algo único para o mundo”, sinalizando intenção de ampliar sua atuação para além de Gaza.
A primeira reunião está prevista para quinta-feira (19), em Washington. Reino Unido, França e Alemanha não devem participar. Itália e União Europeia sinalizaram presença como observadores.
Entre os países que aderiram à iniciativa estão Arábia Saudita, Turquia e Emirados Árabes Unidos. O Brasil não aceitou o convite. Em conversa recente com Trump, o presidente Lula sugeriu que o foco se limitasse à Faixa de Gaza e incluísse assento para a Palestina.

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