Zema, do alto de sua mediocridade, resolveu alardear ao Brasil inteiro ser o governador que mais critica o STF, como se isso fosse bandeira.

Dentre todos os políticos brasileiros, que ascenderam na era da anti-política, nenhum é mais medíocre que o mineiro Romeu Zema. Nem se fale de sua supina ignorância, do ridículo de comer banana com casca para aparecer em redes sociais, de sua dificuldade com a língua pátria. Mas também das leituras que faz da realidade política e das formas toscas de se projetar.
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Seu último feito é se anunciar como o governador que mais critica o Supremo Tribunal Federal (STF). Justo o STF, que, ao dispensá-lo do pagamento da dívida com a União, viabilizou uma gestão financeira caótica.
A gestão Fernando Pimentel (2015-2018) enfrentou a recessão da economia e decisões pesadas dos tribunais superiores, contaminados pelo espírito do impeachment e do delenda PT.
Para fechar as contas, Pimentel conseguiu aprovar uma lei permitindo ao Estado utilizar depósitos judiciais. O STF suspendeu a lei. Tentou impedir a União de bloquear receitas estaduais para pagar dívida federal. Mas decisões liminares do STF incluiu o estado em cadastros de inadimplentes, obrigando à execução da dívida com a União. E tudo isso sob o fogo cruzado da politização da Polícia Federal no estado, soltando denúncias a cada mês em cima de um mesmo fato que, depois, se comprovou falso.
Já o sábio Zema se valeu de todos os recursos da irresponsabilidade fiscal.
Conseguiu um presente do STF – que ele critica -, ao suspender os pagamentos devidos à União. Houve um aumento nominal das receitas, mas fruto da inflação, do aumento dos preços das commodities e da recuperação da economia.
Através de liminares, o STF autorizou a suspensão dos pagamentos da dívida. Ao não pagar mais a União, a dívida mineira saltou de R$ 114 bilhões em 2019 para R$ 160 bilhões. A folga foi aproveitada para uma esbórnia em incentivos fiscais: cerca de R$ 22,1 bilhões em 2024. Em 8 anos, foram R$ 128 bilhões.
Atualmente, discute-se no Congresso o Propac (Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados), que sugere:
Redução de Juros: Se o estado investir em ensino técnico ou infraestrutura, a taxa de 4% poderia cair para 1% ou 2%.
Entrega de Ativos: O abatimento do estoque da dívida mediante a federalização de estatais (como Cemig ou Copasa).
Incentivos destinam-se a estimular setores que enfrentam competitividade externa ou que sejam grandes geradores de emprego. Para tanto, são setores complexos, com redes de fornecedores.
Não é o caso das locadoras de automóveis. Por seu volume de compras, elas conseguem descontos de até 30% dos fabricantes de veículos. Não bastou. Zema concedeu incentivo para o setor. O IPVA normal para carros de passeio em Minas é de 4% do valor do veículo. Para as locadoras, Zema derrubou o IPVA para 1%. Estimativas divulgadas em reportagens e debates legislativos apontam para uma perda de mais de R$ 1 bilhão por ano.
Na outra ponta, as locadoras passaram a concorrer com a rede de concessionárias. A rede da Localiza, por exemplo, é um dos maiores canais de venda de automóveis usados. Em 2018, o maior financiador da campanha de Zema foi justamente Salim Mattar, da Localiza, com R$ 700 mil.
Jornal GGN