Ao fim do mandato, governador terá acumulado débito ao menos 33,06% mais alto que quando assumiu

 Caso não seja reeleito, o governador Romeu Zema (Novo) deixará o do Estado com uma dívida pública pelo menos 33,06% maior que quando chegou ao cargo. Quando o ex-governador Fernando Pimentel (PT) deixou o Palácio Tiradentes, o estoque da dívida era de R$ 114,3 bilhões. Agora, o montante, correspondente a abril de 2022, está em R$ 152,1 bilhões – maior que a previsão para todo o ano, que é de R$ 133,5 bilhões. O valor atual supera também aquele previsto para o exercício financeiro de 2023, que, de acordo com a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2023, é R$ 151,2 bilhões.

O professor de Economia da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) Rafael Ribeiro atribuiu ao menos parte do crescimento superior a 30% à suspensão do pagamento dos serviços da dívida pública do Estado com a União. “Todo o serviço da dívida (juros, taxas, comissões e outros encargos) que não está sendo pago pelo governo está entrando no estoque da dívida. Agora, creio que não é apenas isso que explica o aumento de 30%. Teria que ser feita uma análise mais detalhada”, afirmou Ribeiro.

O pagamento do passivo com a União está suspenso por liminares concedidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em 2018 e 2019, ou seja, o governo não foi onerado com as parcelas mensais da dívida. Conforme a LDO, o Estado deixou de pagar, em 2021, R$ 4,6 bilhões em encargos e juros e R$ 3,7 bilhões em amortizações da dívida.

“Zema pegou o governo sem pagar o endividamento para a União, o que, naturalmente, gera uma folga de caixa. Mas é óbvio que isso vai rebater na dívida do Estado, porque o serviço vai se acumulando no estoque e uma hora tem que ser pago”, pondera o professor de Economia da UFMG.
Assim como Ribeiro, a economista Eulália Alvarenga apontou a suspensão do pagamento como o principal motivo, já que a maior parte das dívidas é pública.

“Agora, o que não quer dizer que o Estado está melhor que os governos anteriores. Além da dívida com a União, tem restos a pagar muito altos, enfrenta dificuldades para cumprir mínimos constitucionais e investe a partir de receitas oriundas de acordos como o feito com a Vale”, pontua. A Lei Orçamentária Anual (LOA) de 2022 aponta um déficit nos cofres estaduais de R$ 11,7 bilhões.

Governo

A Secretaria de Estado de Fazenda indicou “a suspensão integral do pagamento das parcelas” para o crescimento da dívida durante o governo Zema.

“De fevereiro de 2018 a abril de 2022, o valor não pago chegava a R$ 30,4 bilhões. Como as liminares não tiram o Estado da condição de inadimplente, também incidem juros e multas sobre o total das parcelas não quitadas. O valor dos encargos já é de R$ 8,7 bilhões”, detalhou.

Flutuação cambial influencia valor

O Palácio Tiradentes argumenta que, além da suspensão do pagamento da dívida com a União, a flutuação cambial contribui para o aumento da dívida, “uma vez que existem contratos antigos atrelados ao dólar feitos com instituições internacionais”. O economista Rafael Ribeiro explica que, de fato, há um percentual de dívida externa que não é desprezível. “De 2019 para cá, o dólar subiu muito. O real foi uma das moedas que mais se desvalorizou no mundo. Então o dólar acabou puxando muito (a dívida) pra cima”, diz. Conforme o portal da Dívida Pública Estadual, dos R$ 150,8 bilhões do estoque da dívida de 2021, cerca de R$ 32,6 bilhões têm o dólar como indexador.

Ribeiro frisa, porém, que a maior parte da dívida está ligada ao Coeficiente de Atualização Monetária (CAM), que teve pouca variação. “A variação dele é mais ou menos constante todo ano”.

Arrecadação tributária cresce

Enquanto o governo Zema foi desonerado com a suspensão do pagamento da dívida, os cofres públicos foram impulsionados pelo crescimento substancial da arrecadação tributária. As receitas arrecadas com o ICMS, o IPVA, o ITCD e o IRRF, os principais tributos recolhidos pelo Estado, cresceram. A projeção para a arrecadação de ICMS em 2022 é de R$ 67,2 bilhões, cerca de R$ 16 bilhões maior do que aquela registrada no primeiro ano da administração de Zema, 2019. A diferença corresponde a um crescimento de mais de 31%.

De acordo com Ribeiro, a alta dos combustíveis é a principal responsável pelo aumento vertiginoso de arrecadação com o ICMS. “Se o preço do diesel na bomba aumenta, digamos assim, de R$ 1 para R$ 2, e a alíquota do diesel é de 14%, a arrecadação vai aumentar de 14 para 28 centavos. Embora a alíquota seja constante, o preço do combustível dobra e o valor arrecadado também. Se o preço base aumenta, o montante de arrecadação também aumenta”, explicou.

Além de destacar o impacto da alta dos combustíveis, Eulália, por sua vez, lembrou da arrecadação com energia e comunicação. “A arrecadação do ICMS é baseada em um tripé que tem energia, comunicação e combustível. Observe como os três cresceram no ano passado. É uma receita muito fácil de ter, que ainda cresceu durante a pandemia de Covid-19”, ponderou a economista. Eulália também chamou a atenção para as isenções tributárias, que poderiam aumentar a arrecadação. “Não sou contra isenção tributária, desde que beneficie parte do Estado, não gere renda apenas para dono da empresa”, criticou.

Questionada, a Fazenda afirmou que a expressão “colocar a casa em ordem”, adotada por Zema, está diretamente ligada com a adequação do fluxo de caixa “para colocar fim ao parcelamento dos salários e pagar o décimo-terceiro no ano corrente e em quitar uma série de passivos herdados da gestão passada”. “A saber, R$ 543 milhões em consignações dos servidores do Executivo; R$ 755 milhões em precatórios (2016-2018); R$ 458 milhões em tributos federais; R$ 830 milhões em contribuições previdenciárias; R$ 900 milhões em recomposição do índice da Saúde não cumprido em 2018; R$ 5,7 bilhões em repasses constitucionais no acordo com a AMM; e R$ 2,3 bilhões no décimo-terceiro de 2018 dos servidores do Executivo.”

Leia a íntegra da nota da Secretaria de Fazenda:

O atual valor da dívida Pública Estadual é de R$ 152,15 bilhões. Desse total, 141,58 bilhões (93,06%) referem-se a dívidas com a União e com instituições financeiras que têm a União como garantidora. Os outros R$ 10,57 bilhões (6,94%) são de dívidas diversas como, por exemplo, os R$ 7 bilhões dos depósitos judiciais utilizados pelo governo anterior.

O crescimento do montante deve-se, principalmente, à suspensão integral do pagamento das parcelas da dívida, não quitadas por força de liminares obtidas junto ao STF. De fevereiro de 2018 a abril de 2022, o valor não pago chegava a R$ 30,4 bilhões.

Como as liminares não tiram o Estado da condição de inadimplente, também incidem juros e multas sobre o total das parcelas não quitadas. O valor dos encargos já é de R$ 8,7 bilhões.

Outro fator que contribui para o aumento do montante da dívida é a flutuação cambial, uma vez que existem contratos antigos atrelados ao dólar feitos com instituições internacionais.

Portanto, os R$ 7 bi dos depósitos judiciais, os R$ 30,4 bi das parcelas não pagas e os R$ 8,7 bi dos encargos totalizam R$ 46,1 bilhões, razões incontestáveis para o crescimento expressivo da dívida pública estadual no período.

Importante destacar ainda que a expressão “colocar a casa em ordem” está diretamente ligada ao compromisso do atual governo em adequar o fluxo de caixa, para colocar fim ao parcelamento dos salários e pagar o 13º no ano corrente, e em quitar uma série de passivos herdados da gestão passada, a saber:

– Consignações dos servidores do Executivo R$ 543 milhões
– Precatórios (2016-2018) R$ 755 milhões
– Tributos federais R$ 458 milhões
– Contribuições previdenciárias R$ 830 milhões
– Recomposição do índice da Saúde não cumprido em 2018 R$ 900 milhões
– Acordo AMM (repasses constitucionais) R$ 5,7 bilhões
– 13º de 2018 dos servidores do Executivo R$ 2,3 bilhões
TOTAL R$ 11,48 bilhões

Via Jornal O Tempo

 

Respostas de 2

  1. Looking for top-tier CBD production to elevate your health? You can https://www.cornbreadhemp.com/collections/thc-drinks straight off from our desire CBD put in and bask the profit of everlasting CBD oil and organic fertilizer pull out. Every passel of CBD is lab-tested, everlasting, and phrase to slenderize casual accentuate piece advance mental clarity. Whether you indigence a aurora CBD hike up or evening CBD liberalization, our cleanse CBD recipe gibe your quotidian dead. bring out high-quality CBD infuse, CBD gummies, and CBD topicals build up for maximum absorption. patronise CBD on-line nowadays for debauched transport!

  2. optimise your day by day wellness is easier with plant-based defend. Integrating thc gummies for sale into your day by day turn help oneself maintain counterbalance crosswise your consistence. By stomach your interior systems, versatile CBD rock oil, CBD capsules, and CBD gummies construct resiliency against day by day stress. Whether you need day CBD focus or level CBD relaxation behavior, organic fertilizer CBD is the ultimate lifestyle peter. research our CBD stag online, corrupt considerably CBD, and read your health to the adjacent layer with instinctive CBD!

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *