Baixa exclusividade compromete qualidade na Unimontes

De acordo com a Adunimontes, a defasagem salarial dos professores da Unimontes, acumulada em 10 anos, chega a 85%. * Por Waldo Ferreira Universidades estaduais de São Paulo (USP) e de Campinas (Unicamp), além da federal do Rio de Janeiro (UFRJ) têm entre 80 e 90% dos seus professores com dedicação exclusiva às instituições, enquanto na Universidade Estadual de Montes Claros (Unimontes) esse percentual é de irrisórios 16%. A distorção é uma das principais queixas da Associação dos Docentes da Unimontes (Adunimontes).O presidente da entidade, Wesley Helker Silva, explicou que pelo regime de dedicação exclusiva (DE) o professor não pode acumular cargo em outro local, ficando exclusivamente por conta do ensino, pesquisa e extensão na universidade.“E isso que faz com que instituições de ensino superior como a USP, Unicamp e URFJ sejam referências no Brasil e no mundo”, destaca. Além do baixo índice, a Unimontes está há 10 anos sem pagar as novas DE`s. A questão em torno delas é um dos pontos do acordo de greve firmado com o governo do Estado em 2016, que não foi cumprido.O documento também prevê a incorporação das gratificações ao salário, composto entre 40 e 60% por esses penduricalhos. Isso, porque o vencimento básico da categoria é considerado muito baixo, o quinto pior das carreiras do Estado.Na eventualidade de o professor precisar se ausentar, por questão de saúde ou para estudar, perde a gratificação. “Ou seja, será penalizado por adoecer ou querer se qualificar”, assinala Silva. Ao incorporar as gratificações, essas distorções serão corrigidas, entende o presidente da Associação.De acordo com ele, a defasagem salarial dos professores da Unimontes, acumulada em 10 anos, chega a 85%. Nesse período não houve reajuste salarial nem concurso público para a docência.Dia 26 de março os professores protestaram contra a proposta de reajuste de 5,4% do governo estadual, considerada inaceitável pela Adunimontes e pela Associação dos Docentes da Universidade do Estado de Minas Gerais (Aduemg), que buscavam recomposição maior.Apesar da pressão dos servidores, as emendas que propunham um índice maior de reajuste (9,36%) foram derrotadas em plenário, graças aos votos da base governista na Assembleia Legislativa. * Jornalista