Tadeuzinho será o presidente da ALMG e Leninha, a vice (Fotos: divulgação- ALMG)

Desde 1975 que o Norte de Minas não ocupa a cadeira de presidente da Assembleia Legislativa de Minas Gerais. O último a presidir aquela casa foi o então deputado Antônio Dias, durante a 8. ª legislatura (1975 a 1979), eleito pela Aliança Renovadora Nacional (ARENA), sendo o presidente mais jovem da ALMG até hoje, aos 31 anos de idade. Antônio Dias faleceu no último dia 29 de novembro, aos 78 anos.

Agora, após 47 anos, o deputado estadual Tadeu Martins Leite (MDB) será candidato único à presidência da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG).

O nome do deputado estadual Tadeu Martins Leite (MDB) ganhou ainda mais força para presidir a Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) nesta terça-feira (24/1). Os 20 parlamentares à esquerda fecharam apoio unânime ao emedebista: 12 do PT, quatro do PV, dois da Rede, um do Psol e outro do PCdoB. Ele também já conta com apoio da bancada do PL, a segunda maior da Casa, com nove políticos; e do PDT, que conta com dois.

O apoio da esquerda vinha sendo costurado há dias e foi fechado nesta terça-feira em uma reunião. Parte dos deputados participaram de maneira remota, enquanto outros se encontraram com Tadeu Martins Leite pessoalmente. “Não queremos extensão do Poder Executivo no poder Legislativo. Queremos construir pontes e diálogos para a prática da melhor política em Minas e manter a independência do parlamento”, diz a deputada Leninha (PT).

O líder da minoria, deputado Ulysses Gomes (PT), foi na mesma linha de Leninha. “Um Legislativo forte, com autonomia e capaz de cuidar do povo mineiro como ele merece. É o que defendemos e queremos para Minas Gerais. O Poder Legislativo precisa de ter a sua frente alguém comprometido com o nosso estado e com a fiscalização das ações do Executivo. Estamos muito confiantes de que este é o melhor projeto para o parlamento”, escreveu no Instagram.

Para o parlamentar Leleco Pimentel (PT), Tadeuzinho dialogou de “maneira respeitosa” durante as tratativas, o que aproximou a esquerda de sua candidatura. “O bloco apoia a candidatura de Tadeuzinho porque ele constrói junto uma proposta. Não como vem fazendo Zema, que apresenta candidatos para destruir um candidato que constrói com todos dialogando. Por isso, é importante que o fortalecimento dessa candidatura seja a autonomia deste poder, que é o poder mais ligado ao povo”, diz.

Tadeuzinho, como é conhecido pelos colegas, carrega o favoritismo na disputa que acontece em fevereiro por ser visto como conciliador, diante do diálogo aberto com os diferentes blocos da Casa. Pela proximidade com o atual presidente Agostinho Patrus (PSD), o nome do MDB não é visto com os melhores olhos pelo governo Romeu Zema (Novo), que tentou emplacar Roberto Andrade (Patri), fora da disputa desde sábado (21/1).

DEFINIÇÃO
Governo Zema desiste de candidatura e Tadeu será candidato único na ALMG
Governador tomou a decisão após iminente derrota de candidato governista na eleição para comandar o Legislativo
Após lançar dois candidatos que não se firmaram, o governador Romeu Zema (Novo) declarou nesta terça-feira (24) que o melhor para Minas Gerais é que haja candidato único na eleição para presidente da Assembleia Legislativa (ALMG).

Na prática, isso significa que o governo desistiu de lançar um nome e irá compor com Tadeu Martins Leite (MDB), que já era o favorito para vencer a eleição e agora será candidato único. Tadeuzinho, inclusive, está reunido com Zema na Cidade Administrativa na noite desta terça-feira (24).

“A eleição da Mesa é um tema interno da Assembleia, mas tenho certeza de que a unificação dos deputados ao redor de uma candidatura única seria o melhor para os mineiros”, afirmou o governador em declaração enviada a O TEMPO.

O governador decidiu convidar o deputado para o encontro após passar a tarde reunido com o núcleo duro do governo, formado pelo vice-governador, Mateus Simões (Novo), o secretário de Governo, Igor Eto (Novo), e o deputado federal Marcelo Aro (PP).

A chapa de Tadeu para a Mesa Diretora terá a deputada estadual Leninha (PT) como vice-presidente e Antônio Carlos Arantes (PL) como 1º secretário. O PT e os demais partidos de esquerda da oposição (PCdoB, PV, PSOL e Rede) foram fundamentais para o emedebista já começar a disputa com 20 votos, enquanto o apoio de oito dos nove deputados do PL praticamente definiu a eleição a favor de Tadeuzinho.

Zema decidiu não lançar candidatura de alguém da base do governo no momento em que o entorno de Tadeu Martins Leite afirma ter cerca de 45 votos. Desses, 38 já eram declarações públicas, apenas um menos do que os 39 votos necessários.

O Palácio Tiradentes decidiu entrar na disputa para a presidência da ALMG após o atual presidente, Agostinho Patrus (PSD) atuar como oposição a Zema durante o primeiro mandato e travar o andamento dos projetos do governador no Legislativo.

O maior temor do Palácio Tiradentes é que a situação se repita no segundo mandato. Um dos assuntos que devem ser discutidos entre Zema e Tadeu é justamente a tramitação das propostas do governo na Casa. Aliados do emedebista afirmam que, se eleito, ele manterá a independência do Legislativo, mas que está disposto a ajudar o governo.

O governo Zema inicialmente lançou Roberto Andrade (Patriota) como candidato ao comando da ALMG. A candidatura sofreu um baque após o PL, segunda maior bancada, com nove deputados, e base de apoio do governador, declarar apoio a Tadeu na sexta-feira (20).

No domingo, Zema retirou a candidatura de Andrade e lançou Duarte Bechir (PSD). A aposta era que, ao contrário do deputado do Patriota, visto como alguém muito próximo do governo, Bechir conseguiria virar votos dos parlamentares que estavam com Tadeuzinho, principalmente no PSD (bancada com 9 deputados) e no PT (12 deputados).

O movimento não surtiu efeito. O governo, então, sondou o atual vice-presidente da ALMG, Antônio Carlos Arantes (PL), e o deputado Gustavo Valadares (PMN) sobre a possibilidade deles se lançarem como candidatos. Ambos rejeitaram a proposta.

*Com jornal O Tempo

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