Quer uma marca de arroz que não fale mal do SUS? O MST tem um orgânico e com preço justo

O MST é o maior produtor de arroz orgânico da América Latina – Maiara Rauber

Fábio Rigo, herdeiro da marca de arroz Prato Fino, atacou SUS nas redes sociais nesta semana

Diferente de Fábio Rafael dos Santos Rigo, herdeiro da marca de arroz Prato Fino, que desfere ataques aos Sistema Único de Saúde (SUS), o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), o maior produtor de arroz orgânico da América Latina, publicou ainda no começo da pandemia, em março de 2020, 10 razões para defender o sistema.

Entre os 10 motivos, estão os seguintes: graças ao SUS, o Brasil está melhor posicionado no combate ao coronavírus; vacinação é direito; acesso a medicamentos gratuitos; atendimento médico para o campo; 1,5 bilhão de procedimentos realizados por ano; e maior sistema de saúde pública do mundo.

Rigo atacou o SUS nesta semana com xingamentos à imunização contra a covid-19 e menosprezando o impacto da doença que já matou quase 600 mil brasileiros. “E pau no cu do SUS. Quero é que seja vendido. Quem pode mais, chora menos. Lei da selva. Tive Covid e não me fez cócegas. Prefiro o Covid do que essa merda de vacina”, dizia o texto publicado em seu perfil no Twitter. Depois da repercussão, Rigo afirmou que sua conta foi invadida e, por isso, não foi o responsável pela publicação.

Herdeiro do arroz Prato Fino: “pau no cu do SUS, é lei da selva”

Arroz do MST

Além de atuar na defesa do SUS, o MST também consegue vender arroz orgânico a um preço justo diante da inflação de 37,5% que atinge o alimento, no acumulado de 12 meses, segundo um levantamento feito por Matheus Peçanha, pesquisador e economista do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (FGV IBRE).

Enquanto o MST vende 1kg de arroz integral orgânico a R$ 7,49, é possível encontrar o produto sem ser orgânico, na mesma quantidade, mas da marca de Fábio Rigo por até de R$ 10. Mas como isso é possível?

Um dos fatores que explicam a alta do preço no mercado é o dólar elevado, em torno de R$5,30. Isso faz com que os produtores brasileiros do agronegócio optem por vender o arroz no exterior, em dólar e, por conseguinte, recebendo mais por isso. Essa lógica, no entanto, não acontece nas produções familiares e agroecológicas do MST.

Nelson Krupinski é produtor de arroz orgânico no assentamento Jânio Guedes, em São Jerônimo, no Rio Grande do Sul. Ele explica que uma das prerrogativas das grandes indústrias é estocar o alimento e não vender, forçando o aumento dos preços.

Os pequenos produtores, contudo, sequer têm recursos para isso, e o objetivo nem mesmo é esse. Os agricultores procuram distribuir os benefícios da cultura do arroz ao longo da cadeia de produção.

“Esse debate sobre a alimentação saudável é um debate humanitário. Quando fala se preço justo é um preço que seja bom para todo mundo. Não precisa o mercado especular ou explorar agricultor e cooperativa. Quando nós falamos em preço justo, queremos distribuir isso com todos, queremos que chegue o alimento acessível e de qualidade para todas as pessoas”, explica Krupinski.

Da mesma maneira, Emerson Giacomelli, do Assentamento Capela, em Nova Santa Rita, no Rio Grande do Sul, afirma que o que permite o preço justo é a “manutenção dos critérios”, que tem sido mantida durante a alta do preço do arroz.

“Qual é a nossa compreensão do preço justo? O preço justo é quando a gente olha toda cadeia produtiva e todos conseguem ter viabilidade econômica na sua atividade. Estou falando do processo de produção, no recebimento, secagem, armazenagem, no beneficiamento, na entrega, de chegar ao consumidor com um preço acessível. Toda cadeia se viabiliza”, afirma Giacomelli.

Emerson e Nelson são sócios da Cooperativa dos Trabalhadores Assentados da Região de Porto Alegre (Cootap), que atualmente reúne 364 famílias produtoras de arroz orgânico, de 14 assentamentos, em 11 municípios do Rio Grande do Sul. Hoje, o estado tem o maior contingente de sem-terra produtores do alimento da América Latina.

Via Brasil de Fato

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