‘Minha aluna desmaiou de fome’: professores denunciam crise nas escolas brasileiras

De acordo com estudo da Universidade Livre de Berlim, a insegurança alimentar grave atingia 15% dos domicílios brasileiros em dezembro de 2020, estatística que se reflete nas escolas públicas brasileiras, onde alunos passam mal devido à fome que atinge o país
Professores da rede pública de ensino do Brasil têm relatado casos de alunos passando mal por causa da fome. De acordo com estudo da Universidade Livre de Berlim, a insegurança alimentar grave atingia 15% dos domicílios brasileiros em dezembro de 2020, percentual que chegava a 20,6% nos lares com crianças e jovens de 5 a 17 anos. Os relatos foram publicados em reportagem da BBC.

Um dos casos aconteceu na rede municipal do Rio de Janeiro, com uma aluna de 8 anos, negra e que estuda em uma escola localizada em um complexo de favelas na Zona Norte carioca. “Essa aluna chegou bem atrasada. Ela bateu na porta da sala de aula, eu abri e notei que ela não estava bem, mas não consegui entender o porquê. Passei álcool na mão dela e senti a mão muito gelada, em um dia em que não estava frio para justificar”, disse.

“Ela sentou e abaixou a cabeça na mesa. Eu estranhei e chamei ela à minha mesa. Ela veio e eu perguntei se ela estava bem. Ela fez com a cabeça que estava, mas com aquele olhinho de que não estava. Perguntei se ela tinha comido naquele dia, ela disse que não”, complementou. “Fui pegar algo para ela na minha mochila — porque eu sempre levo um biscoitinho ou uma fruta para mim mesma. Mas não deu tempo. Ela desmaiou em sala de aula”.

Para ajudar alunos, educadores organizam coletas de alimentos, e direcionam as crianças e famílias que estão passando por necessidade à rede pública de assistência social. “Procuro manter meu coração sempre firme, não cair em desespero”, diz uma professora de língua portuguesa na rede estadual do Paraná, com quase 30 anos de profissão.

“A gente respira fundo e vai fazer campanha para cesta básica, para coleta de alimentos, para mantê-los em sala de aula. Eu me sinto às vezes cansada, mas me sinto na obrigação de me manter firme e fazer algo por essas crianças, para que eles sintam que podem contar conosco, que não seremos mais um a abandoná-los”.]

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