Vereador põe dedo na ferida e aponta omissões de concessionária da BR-135

Rodrigo Cadeirante contestou informações da Eco 135 e fez cobranças, durante encontro de representantes da empresa com vereadores

Por Waldo Ferreira*

A reunião dos vereadores de Montes Claros com representantes da Eco 135, que administra a BR-135, na tarde de terça-feira (16), foi marcada por questionamentos do vereador Rodrigo Cadeirante sobre as omissões da concessionária no cumprimento do contrato firmado com o governo do Estado.

A Ecorodovias pretendeu apresentar aos parlamentares um plano de melhorias exigidas pelo contrato de concessão, mas não convenceu o vereador, crítico da forma como a empresa vem atuando na rodovia, principal ligação do Norte de Minas com Belo Horizonte.

Desde que começou a cobrar pedágio, em 1º de abril de 2019, a concessionária vem sendo alvo de inúmeras críticas de caminhoneiros, motoristas e moradores de comunidades rurais com acesso pela estrada. Os valores cobrados para transpor as plataformas – R$ 8 para automóvel, R$ 4 para moto e montantes que vão de R$ 12 a R$ 80, dependendo do porte do veículo – representam um dos pedágios mais caros praticados em Minas Gerais e no Brasil.

O atraso no cronograma para a construção de passarelas e rotatórias, bem como para a duplicação da pista, foi abordado durante a reunião, que contou ainda com a presença do secretário municipal de Serviços Urbanos e vice-prefeito Guilherme Guimarães. Os moradores das comunidades rurais são uma das partes mais prejudicadas, obrigados a pagar pedágio para acesso às suas propriedades e escoarem suas pequenas produções agrícolas.

Na sua manifestação Rodrigo Cadeirante defendeu que o encontro deveria ter caráter de audiência pública e não ser realizado em recinto fechado, visto que o assunto é de interesse da população. O vereador contestou algumas informações dadas pelo diretor superintendente da Eco 135, Marcelo Bevilaqua, entre as quais o suposto desafogo de 6.000 atendimentos médicos que o Samu-192 teria deixado de fazer pelo fato de a concessionária ter assumido essa demanda.

Rodrigo rebateu, afirmando que foi informado que o atendimento efetivo em caso de acidente é realizado em sua grande maioria exatamente pelo Samu-192. Outra discordância dele diz respeito à postura da concessionária frente à pandemia do coronavírus.

Ele revelou que passou no local várias vezes e que, apesar de gastar até R$ 80 de pedágio, não presenciou esse cuidado da concessionária com o usuário, muito menos a distribuição e frutas, como foi dito pelo representante da empresa.
“Não me lembro de distribuição de máscara nem das frutas. Álcool em gel, sim, mas isso é disponibilizado em qualquer lugar”, argumentou. “Isso é muito pouco para quem está há 960 dias arrecadando na rodovia”, acrescentou. Na sua fala, Rodrigo Cadeirante avaliou que a população é espoliada, pois pagou para construir a rodovia e agora paga caro para poder utilizá-la, sem ter a contrapartida que deveria.

Aproveitamento político – O vereador criticou o fato de a empresa ter montado palanque para o governador Romeu Zema (NOVO) fazer festa em Bocaiuva, no lançamento das obras de duplicação, com a cumplicidade de deputados votados no Norte de Minas. “Fazer a obra é uma obrigação já prevista em contrato. Não é nenhum favor da concessionária e nem deveria ser motivo de confraternização”, avaliou Rodrigo.

De acordo com ele, criou-se uma situação esdrúxula, em que quem deu a concessão vem confraternizar com quem recebeu, quando o papel do primeiro é justamente fiscalizar. O vereador lembrou que o fato ocorre justamente no ano anterior às eleições

Rodrigo Cadeirante também desafiou a concessionária a cumprir os prazos anunciados pelo superintendente e previstos no contrato de concessão para as melhorias ao longo da estrada. “Sugiro uma aposta: quem perder faz a doação de cestas básicas para famílias desassistidas”, provocou.

Rampa de acesso – Rodrigo também cobrou da concessionária a construção de rampas de acesso às margens da rodovia. Caixas de areia ou de brita, elas servem para caminhões e ônibus que não conseguem frear durante a descida. A medida simples pode aumentar a segurança nas rodovias e foi motivo de requerimento dele, ainda não atendido, a Eco 135.

* Jornalista

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