
Uma década de omissão do governo do Estado com os professores da Unimontes
Em audiência pública, professores da Unimontes cobraram do governo o cumprimento do compromissode valorizar a carreira, firmado em 2016 e nunca cumprido * Por Waldo Ferreira Com defasagem salarial que beira 80%, professores da Universidade Estadual de Montes Claros(Unimontes) reforçaram a cobrança por recomposição e valorização da carreira, durante reunião daComissão de Educação, Ciência e Tecnologia da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG),realizada em Montes Claros semana passada.Há 10 anos a categoria, tendo à frente a Associação dos Docentes da Unimontes (Adunimontes), cobra dogoverno do Estado o cumprimento de acordo que pôs fim à greve de 2016. Nele, o Estado se comprometecom a melhoria da carreira e da estrutura salarial dos docentes, reconhecendo a importância dessa medidacomo garantia para a qualidade das atividades de ensino, pesquisa e extensão na universidade.Para conseguir que o governo se comprometesse com a pauta à época, a categoria paralisou as atividadesdurante quase um ano, se somados os meses das greves de 2016 e 2018. O acordo foi firmado, mas jamaiscumprido, segundo o presidente da Adunimontes, Wesley Helker Felício Silva. O principal problema é aestrutura salarial precária dos professores da Unimontes, tendo em vista que o salário se baseia emgratificações. Em alguns casos elas representam até 60% da renda dos professores. A categoria defende aincorporação das gratificações ao vencimento básico, pois elas deixam de ser pagas em situações comoafastamentos por motivo de saúde ou qualificação. “Ou seja, nessas situações o professor é punidosalarialmente por adoecer ou se qualificar”, denuncia. Outra distorção apontada pela Adunimontes é o fatode professores com doutorado estarem recebendo salários equivalentes aos de mestres ou especialistas, oque pode representar perdas de até 30%.O não pagamento das dedicações exclusivas também é motivo de denúncia. Wesley informou que apenascerca de 16% dos docentes da Unimontes recebem nesse regime, percentual muito inferior ao registradoem universidades federais, onde o índice chega a cerca de 80%. No regime de dedicação exclusiva oprofessor dedica-se apenas à pesquisa, ensino e extensão da universidade. “É um regime de trabalhocomum nas universidades públicas e nas mais conceituadas do Brasil, onde o percentual supera os 80%.Na Unimontes elas deixaram de ser pagas desde 2016”, reforça o presidente da entidade sindical.“É uma tragédia aprofundada ao longo do governo Zema/Simões, já que temos dezenas de professores nafila para receber suas dedicações exclusivas, enquanto desenvolvem suas atividades e atraem recursospara a universidade, fortalecendo a graduação e a pós-graduação da Unimontes”, argumenta Wesley.A audiência pública foi solicitada pela deputada estadual Beatriz Cerqueira, a pedido da Adunimontes. Eladestacou a necessidade de salários mais atrativos para evitar a evasão de professores qualificados dainstituição. O encontro, porém, não se limitou às questões salariais. Também foi defendido o projeto de lei5365/2026, que muda o processo de escolha da reitoria. A matéria coloca fim à lista tríplice e permite queo candidato mais votado pela comunidade acadêmica seja empossado como reitor. * Jornalista




