Prestes a virar réu por corrupção, o senador Aécio Neves (PSDB-MG), responsável direto pelo golpe que destruiu o Brasil, publica artigo nesta segunda-feira, em que diz ter sido ingênuo no episódio em que pede R$ 2 milhões à JBS e sugere que as malas sejam entregues a “alguém que a gente possa matar antes de fazer delação” – no caso, o seu primo, Fred Pacheco. Segundo o ministro Luis Roberto Barroso, que integra a turma que deve julgá-lo, há poucas pessoas presas no Brasil com mais provas do que no caso Aécio. “Fui ingênuo, cometi erros e me penitencio diariamente por eles”, diz Aécio.

Sua excelência, o fato

Por Aécio Neves

A narrativa que se impõe como um tsunami no país tende a considerar, de antemão, todos os políticos culpados.
Fragmentos de imagens e manchetes repetidos à exaustão definem percepções. Vivemos o tempo da opinião muitas vezes desvinculada da informação.

Sou alvo de denúncia em função da delação da JBS. Aos que não conhecem o seu conteúdo, ofereço este esclarecimento. Ofereço mais, ofereço os fatos.

No início de 2017, precisei contratar advogados. Era uma despesa inesperada e eu não possuía recursos pessoais para enfrentá-la. Minha mãe colocou então à venda o apartamento em que reside há mais de 35 anos no Rio de Janeiro.

Minha irmã, Andrea, ofereceu o imóvel a alguns empresários, inclusive ao senhor Joesley Batista. Ela teve com ele, em toda a sua vida, um único encontro, a meu pedido, motivado por esse assunto familiar que nada teve a ver com política.

Mais tarde, de passagem pelo Rio, ela lhe telefonou, convidando-o para conhecer o imóvel. Ele preferiu não ir e pediu um encontro comigo.

Felizmente, esse telefonema, omitido pelo delator, foi recuperado pela Polícia Federal. Ele mostra, de forma inequívoca, o objetivo do contato feito: a venda do imóvel. Apesar da relevância, essa informação não foi mencionada na denúncia.

Recebi, de boa-fé, o delator no hotel em que estava e, numa conversa criminosamente gravada e induzida por ele, permiti-me usar um vocabulário inadequado e fazer brincadeiras injustificáveis e de enorme mau gosto, das quais me arrependo profundamente. Lamento, especialmente, o que esse episódio acarretou para outras pessoas.

Meu primo, Frederico, é uma pessoa absolutamente correta, íntegra e não tem nenhuma responsabilidade pelos fatos ocorridos. Limitou-se a me fazer um favor ao receber um empréstimo pessoal, a mim dirigido, que não tinha nenhuma vinculação com o cargo que ocupo. Reitero a ele e ao seu amigo Menderson, que o acompanhou, o meu pedido público de desculpas pelas consequências que eles e suas famílias vêm sofrendo.

Minha irmã, reconhecida até mesmo pelos meus adversários por sua seriedade e correção, foi injusta e covardemente exposta apenas por ter contatado o delator com a intenção de vender um imóvel.

Na gravação de que fui alvo, o delator atesta a origem lícita e particular dos recursos e deixa claro — também em depoimento— que partiu dele a decisão de que o empréstimo teria que ser feito em espécie, o que não é ilegal, uma vez constatada a licitude dos recursos.

Errei em aceitá-lo. Mas não cometi nenhum crime. Não houve nenhum prejuízo aos cofres públicos. Ninguém foi lesado.

Hoje, é fácil reconhecer que o objetivo dessa exigência era gerar as imagens para o seu extraordinário acordo de delação. Os recursos ficaram guardados, esperando serem formalizados, para que eu pudesse pagar honorários de advogados. Como isso não ocorreu, não foram usados e foram entregues à Justiça.

Mas vamos às acusações.

Sou acusado de corrupção passiva, crime que pressupõe que um agente público receba vantagem indevida em troca de contrapartida.

Não houve vantagem indevida, e a própria Procuradoria-Geral da República indicou que não houve nenhuma contrapartida no caso.

Na gravação, poucos se recordam de que rechacei prontamente a sugestão, feita por ele , para que apoiasse um nome para a presidência da Vale. A menção a diretorias da empresa se deu como forma de encerrar o assunto introduzido, premeditadamente, por ele. Prova de que essa questão nem sequer foi considerada é que absolutamente nenhuma iniciativa foi tomada nesse sentido.

Na minha vida pública, não existe um ato sequer em favor da JBS, o que foi confirmado pelos delatores.
Como falar em corrupção onde não existe dinheiro público ou contrapartida?

A segunda acusação, de tentativa de obstrução, é também desprovida de fundamento.

Basta dizer que o precedente citado em longas 15 páginas para justificar a denúncia contra mim foi arquivado pelo Supremo Tribunal Federal, a pedido da própria PGR. Ou seja, pelos critérios da própria instituição eu não deveria nem sequer estar sendo denunciado.

Acusam-me por votos que dei no Senado e por opiniões que externei em conversa particular, sem que tivessem nenhum desdobramento fático. Tenta-se, com isso, criminalizar opiniões e votos de congressistas cujas imunidades são garantidas pela Constituição. De forma seletiva, a denúncia ignora, por exemplo, que cheguei a apresentar emenda alterando o projeto original da Lei de Abuso de Autoridade, defendendo, justamente, o ponto de vista do Ministério Público Federal!

É, portanto, com o sentimento de grande impotência que vejo as versões devorarem os fatos.
O que me define são os meus 32 anos de vida pública honrada e não os poucos minutos de uma armadilha montada por criminosos.

Fui ingênuo, cometi erros e me penitencio diariamente por eles. Mas não cometi nenhuma ilegalidade.
Por isso, não esmoreço. Em nome da minha história, da minha família e de todos aqueles que confiaram a mim a esperança de uma Minas Gerais e de um Brasil melhor, sigo em frente, porque sei que a verdade vai prevalecer.

Apesar do tsunami.

AÉCIO NEVES é senador (PSDB-MG). Foi candidato à Presidência em 2014 e governador de Minas Gerais de 2003 a 2010

 

O “INGÊNUO” MAIS ESPERTO DO MUNDO

Por Rogério Correia

Na semana em que provavelmente virará réu por corrupção, o ainda senador Aécio Neves publica artigo hoje na Folha de São Paulo. Nega qualquer ilegalidade. E diz que, se errou, foi por ser “ingênuo”.

Aécio é, portanto, o “ingênuo” que aparelhou o governo mineiro, quebrando o estado com as amigas e amigos nos cargos mais importantes da máquina estatal. E com essa estrutura construiu a Cidade Administrativa, um elefante branco para o qual foram gastos bilhões que hoje estão sendo investigados pelo Ministério Público.

É também Aécio o “ingênuo” que foi o maior beneficiário da Lista de Furnas. E que, não satisfeito, montou uma operação abafa para qualifica-la como fraudulenta. Conseguiu até uma capa na revista Veja, que fazia acusações à minha pessoa. Depois, o “ingênuo” e sua turma até ameaçou meu mandato como como deputado estadual na Assembleia Legislativa. Tudo porque denunciei a Lista de Furnas que, depois, como se sabe, revelou-se verdadeira.

É o “ingênuo” que mandou prender o jornalista Marco Aurélio Carone porque era criticado. Carone ficou nove meses na cadeia e só foi solto cinco dias depois que Aécio, o “ingênuo”, foi derrotado por Dilma, em 2014.

Aécio Neves é o mais citado entre os delatados da Lava Jato. Segundo um dos delatores, o “ingênuo” era o “mais chato” na cobrança de propina.

O senador “ingênuo” é também aquele que era dono da rádio Arco Íris, também investigada pelo MPF por receber uma grana preta do governo do estado comandado pela irmã Andrea e pelo próprio Aécio.

“Ingenuamente”, também, Aécio pediu R$ 2 milhões para o “empresário” Joesley Batista, e combinou um jeito de pegar o dinheiro – não, a bufunfa não poderia ser depositada em conta corrente, como fazem os normais, mas buscada em malas.

Ele também foi muito “ingênuo” ao combinar que um primo buscasse a grana na JBS. E também foi inocência afirmar que poderia matar o primo antes que este delatasse.

Aécio Neves é, como se vê, o ingênuo mais espertalhão do mundo…

* Rogério Correia, é deputado do PT de Minas Gerais

 

AÉCIO QUER SEGUIR ENROLANDO INGÊNUOS QUE ACREDITARAM NELE

O jornalista Luis Costa Pinto criticou o artigo do senador Aécio Neves desta segunda-feira, 16, no qual ele diz que foi “ingênuo” ao pedir propina à JBS e sugerir matar o primo; “Aécio Neves, que é um desqualificado e escroque, alimenta ainda a esperança de seguir enrolando os ingênuos, os hipócritas e os cretinos que um dia acreditaram nele. O artigo que assina hoje na Folha de S Paulo, defendendo-se pela pena de um consórcio de advogados e assessores (ele não consegue redigir três linhas com nexo), é uma peça que se localiza entre o infantil e o ardil”

Por Luis Costa Pinto, em seu Facebook – Aécio Neves, que é um desqualificado e escroque, alimenta ainda a esperança de seguir enrolando os ingênuos, os hipócritas e os cretinos que um dia acreditaram nele.

O artigo que assina hoje na Folha de S Paulo, defendendo-se pela pena de um consórcio de advogados e assessores (ele não consegue redigir três linhas com nexo), é uma peça que se localiza entre o infantil e o ardil. Não vale nada.

Aliás, como o signatário da peça. Não reproduzo porque esse é um espaço qualificado.

 

DCM: FRACO, AÉCIO FOI ENGOLIDO PELO ABISMO DO GOLPE QUE CAVOU

 – O jornalista Kiko Nogueira, editor do Diário do Centro do Mundo (DCM), criticou o artigo do senador Aécio Neves (PSDB), publicado na Folha de S. Paulo nesta segunda-feira, 16, no qual ele diz ter sido “foi ingênuo” ao pedir propina à JBS e sugerir matar o primo.

“Aécio Neves poderia poupar seus eleitores — os que sobraram, naturalmente — do espetáculo de auto vitimização que vem empreendendo. Amanhã, o STF decidirá se ele vira réu na ação penal por corrupção no caso JBS. Mesmo levando em conta o Supremo e tudo o que os juízes significam hoje, é difícil crer que a corte vá livrar sua cara novamente”, diz Nogueira.

Para o jornalista, Aécio é o álibi perfeito do Judiciário para contrabalançar a perseguição a Lula. “O desgaste com a palhaçada envolvendo Alckmin foi enorme e pegou mal até na mídia que blinda Geraldo desde criancinha”, diz ele.

“Aécio é, sobretudo, um fraco. Foi engolido pelo abismo do golpe que cavou com os pés. Se está dando piti agora, imagine-se o que não fará com a perspectiva de uma prisão e um acordo de delação premiada”, diz Kiko Nogueira.

Leia o texto na íntegra no DCM.

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