Governador muda estratégia adotada em 2018 e deve ter a maior coligação na campanha neste ano

 A dois meses do início do prazo para as convenções partidárias, que é quando os partidos batem o martelo sobre quem vão apoiar, o governador Romeu Zema (Novo) deverá ter a maior coligação na campanha ao Palácio Tiradentes. Pelo menos dez legendas estão, neste momento, tendendo a apoiá-lo. Isso mostra uma mudança significativa em relação à eleição de 2018, quando Zema, avesso a acordos partidários, como candidato do Novo, fez campanha sozinho.

A maioria dos partidos afirma que a decisão só será concretizada com as convenções, cujo prazo terá início em 20 de julho, mas alguns acordos já são dados bem encaminhados. PP, União Brasil, Patriota, Avante e PSC estão entre os que devem apoiar o governador. Inclusive, os nomes do vice e do candidato ao Senado devem sair desses partidos: os deputados federais Marcelo Aro (PP) e Bilac Pinto (União).

Também estão pendendo a se juntar ao grupo Solidariedade, PMN, Agir e Podemos, cujas lideranças já manifestaram essa tendência. O Cidadania – apesar de ter feito federação com o PSDB, que tem um nome ao governo (Marcus Pestana) – também deverá seguir com Zema, como afirmou o presidente do partido em Minas, deputado estadual João Vítor Xavier.

Zema poderá contar ainda com mais duas legendas na coligação: PL e Republicanos. O senador Carlos Viana se filiou ao PL no fim da janela partidária (saiu do MDB) para ser candidato a governador e recebeu apoio do Republicanos. Mas a permanência de Viana até o fim da disputa ainda é a incógnita e vai depender se ele conseguirá crescer nas pesquisas até a convenção.

Ele mesmo já declarou que abriria mão da disputa se esta fosse a intenção do presidente Jair Bolsonaro (PL), para não dividir os votos da direita com o atual governador.

Se a candidatura de Viana não prosseguir, tanto PL quanto Republicanos devem embarcar na coligação de Zema. Até o MDB pode vir a se juntar, uma vez que o partido passou por turbulência no Estado, perdeu nomes históricos e tenta se encontrar.

Zema disse, nesta semana, que as alianças de campanha estão sendo lideradas pelo secretário de Estado de Governo, Igor Eto. A reportagem ligou e enviou mensagens para ele, mas não tinha tido retorno até o fechamento da edição.

PT, Rede, PV e PCdoB devem ir com Kalil

Segundo colocado nas pesquisas, Alexandre Kalil (PSD) ganhou apoio importante nesta semana. Com o quase acerto com o PT em Minas, que deverá indicar o vice da chapa, o ex-prefeito de BH deve ter Lula em seu palanque – o que é bom para o pessedista, conforme mostrou a última pesquisa DATATEMPO. Além do PT, PV e PCdoB, que estão unidos em federação com os petistas, e Rede devem caminhar com Kalil. A DC também pende para o ex-prefeito da capital.

“O Kalil tem problema sério, pois ele só é conhecido em BH e região. Para ele, era fundamental colar em alguém que tenha mais popularidade no interior, como o Lula. O ex-prefeito só tem chances se colar no ex-presidente. Então era essencial que essa aliança se consolidasse”, ponderou o cientista político Adriano Cerqueira.

Tucanos

O PSDB tenta se colocar no meio da disputa, mas esbarra na falta de apoio de outros partidos. Ao lançar Marcus Pestana como pré-candidato tardiamente, adiou as negociações e encontra dificuldades para compor uma chapa forte.

Partidos que sempre se alinhavam aos tucanos em Minas estão, em sua maioria, com Zema. “Em caso de não prosperar o nome tucano na disputa, a tendência, na minha opinião, é o apoio a Zema. E eu não vejo a candidatura de Pestana com força para obter algum sucesso”, afirmou Cerqueira.

Os tucanos estão em conversas com o PDT, mas este também tem seu nome ao governo: Miguel Corrêa. A pré-candidatura dele é uma forma de tentar garantir o palanque do presidenciável Ciro Gomes em Minas.

Os outros nomes na disputa são Lorene Figueiredo (PSOL) e Renata Regina (PCB). Com o fim do imbróglio PT-PSD, Saraiva Felipe (PSB) deve desistir.

Vantagem atrai mais partidos, diz cientista político

O cientista político e professor do Ibmec Christopher Mendonça analisa o cenário e vê situação favorável ao governador. “O Zema tem uma vantagem importante, tanto que as pesquisas mostram isso. E essa situação tende a chamar mais os partidos. O grupo que faz parte do centrão no cenário federal caminha com quem está na máquina pública em Brasília, e isso acaba, muitas vezes, se replicando em alguns Estados”, afirmou.

Paradoxo

O apoio de vários partidos mostra um paradoxo se comparado com a falta de apoio de Zema na Assembleia. Com uma base frágil, ele sofreu derrotas importantes nas votações.

“Há dois conceitos diferentes nesse caso. O primeiro é a base legislativa, que Zema teve e tem dificuldades para solidificar o apoio. E isso tem uma justificativa, a meu ver, que é a conduta do presidente da ALMG, que é quem controla a pauta, coloca o que vai ser votado, e é do partido do Kalil (rival de Zema)”, avalia Mendonça.

Situação, segundo o professor, diferente da vista no interior: “Já do ponto de vista eleitoral, o governador conseguiu regimentar apoios muito importantes até o momento. Até porque Zema é um governante municipalista, é forte no interior, e isso conta muito para o alinhamento político para as eleições. Além disso, é uma forma de buscar ter uma base mais sólida em eventual segundo mandato”.

Calendário

20/7 a 5/8
Prazo para realização de convenções partidárias
15/8
Limite para que os partidos façam pedido de registro de candidaturas
16/8
Início da propaganda eleitoral na internet, caminhadas e comícios
26/8
Início da propaganda eleitoral na TV e no rádio
2/10
Primeiro turno
30/10
Segundo turno

Fonte: O Tempo

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