O Esporte não é moeda da troca

Por Juca Kfouri (@BlogdoJuca), no UOL

Ana Moser e o presidente Lula na posse, em 1º de janeiro de 2023. Foto: Ricardo Stuckert/PR

Quem disse o que faz as vezes de título desta nota foi o presidente Lula, em reunião com esportistas ainda em setembro do ano passado, às vésperas da eleição.

Então, se comprometeu com a recriação do ministério do Esporte e, eleito, escolheu Ana Moser para ser a ministra, ex-campeoníssima de vôlei e com excelente trabalho social na área desde que abandonou as quadras.

Séria, cuidadosa, Moser não é propriamente política, o que nem a desqualifica nem a qualifica para o posto.

Sua vivência e compromisso com o país sim, a credenciam.

Políticos há da melhor estirpe para ocupar cargos públicos, como também há não políticos — basta lembrar do cardiologista Adib Jatene no governo FHC e, agora mesmo, da cientista Nísia Trindade Lima, ambos no ministério da Saúde.

É igualmente certo que partidos políticos mirem nos espaços ocupados por não-políticos para aumentar suas quotas no governo, assim como é comum que o governo negocie em busca de apoio e, às vezes, até com dor, entregue os anéis para fortalecer os dedos.

Dito isso, tudo ponderado, será retrocesso brutal entregar o ministério do Esporte para quem quer que seja e interromper o promissor trabalho de Ana Moser.

O Esporte não pode ser moeda de troca como disse Lula e nem está à venda, como dizem todos que olham para ele como fator de saúde pública — e não apenas para fazer campeões, objetivo importante, mas não excludente.

Ana Moser tem o apoio irrestrito dos progressistas que vivem o esporte brasileiro.

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