Senador mineiro, é contra o voto impresso defendido por Bolsonaro (foto: Gladyston Rodrigues/EM/D.A Press)

Enquanto ataca integrantes do Judiciário, Bolsonaro defende auditoria nas eleições de 2022; proposta está na pauta da Câmara para esta terça (10/8)

Defensor ferrenho das urnas eletrônicas, o senador Antonio Anastasia (PSD-MG) não crê que a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) do voto impresso será aprovada pelos integrantes do Senado Federal. A contagem em papel, reivindicação do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), está na pauta da reunião plenária desta terça-feira (10/8) na Câmara dos Deputados. Ao Estado de Minas, o parlamentar disse que, mesmo com eventual aval do Parlamento, é impossível tirar a ideia do papel até a eleição do próximo ano.
“Estamos gastando energia imensa com o voto impresso sabendo que, para 2022, isso é inexequível. É um tema que conheço bem: não há como licitar uma solução tecnológica a tempo”, garantiu, nesta segunda-feira (9).

Há seis anos e meio no Congresso Nacional, Anastasia aposta que os senadores também vão rechaçar o modelo do “distritão”, em que, nos pleitos legislativos são eleitos os candidatos mais votados. Atualmente, as vagas são conquistadas de forma proporcional, levando em conta o desempenho de candidatos e partidos. As legendas com as maiores somas arrebatam mais cadeiras e, assim, “distribuem” os postos aos filiados de maior sucesso nas urnas.

“Não posso responder pela Câmara, mas no ambiente do Senado, acho que dificilmente seria aprovada qualquer tipo de alteração (na votação exclusivamente eletrônica). Nem mesmo essa alteração que a Câmara pretende, de voto de distritão ou de mudança nas coligações, também passa no Senado”, disse, em menção à tentativa de parlamentares de permitir o retorno das coligações partidárias em eleições para vereadores e deputados. O mecanismo está vetado desde o pleito de 2020.

Voto impresso na Câmara
A PEC do voto impresso foi derrotada na Comissão Especial criada para debater o tema. O presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), porém, resolveu levar a matéria ao plenário, onde os 513 parlamentares federais podem emitir opinião.

O regimento da Casa permite que o tema siga para análise do conjunto de deputados mesmo após um comitê temático recomendar o arquivamento de uma proposição. “Pela tranquilidade das próximas eleições vamos levar o voto impresso para o Plenário. Os deputados que foram eleitos pela urna eletrônica irão escolher”, sustentou Lira, na última sexta (6).

À rádio “CBN”, nesta segunda, ele avaliou como baixas as chances de a medida passar pelo crivo do plenário.

O voto impresso é fruto de texto apresentado por Bia Kicis (PSL-DF), bolsonarista de primeira hora. A proposta é que, após escolher seus candidatos na máquina eletrônica, o cidadão possa visualizar um comprovante de papel com os votos dados. O documento seria impresso e depositado em uma urna transparente e lacrada, para a conferência do eleitor.
Anastasia: se democracia for ameaçada, reação será ‘muito forte’
Ex-governador mineiro, Anastasia confia que qualquer ameaça às instituições democráticas serão rapidamente repelidas. Segundo ele, ao menos por ora, as ações contrárias às eleições do próximo ano não passam de “questão retórica”

“Se houver algum fato concreto que demonstre que está havendo algum risco à Constituição, às instituições ou à lisura das eleições, evidentemente haverá reação muito forte”, assegura o pessedista.

Para o senador, as urnas eletrônicas são absolutamente confiáveis. Por isso, sustenta, não há motivo para pôr em xeque a eficiência da Justiça Eleitoral. Apesar da escalada de Bolsonaro contra o poder Judiciário – em especial a Luis Roberto Barroso, presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) -, Anastasia acredita que a democracia brasileira é capaz de suportar as falas.

“Bolsonaro tem um estilo próprio, que o elegeu. Quem votou nele, votou conhecendo esse estilo verbal e a personalidade forte que ele tem. As instituições são sólidas e continuo acreditando nelas. Não vejo riscos à instituição democrática, mas é um ambiente de radicalização que não gosto. Tem gente que gosta. Cada um tem seu estilo. Não gosto desse ambiente de brigas”.

Jornal Estado de Minas

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