Em jogo marcado por saída de Hulk no vestiário, Atlético foi goleado pelo Flamengo na Arena MRV e vê drama aumentar no Brasileiro

Nada deu certo para o Atlético na noite deste domingo (26/4). Amplamente dominado do início ao fim, o Galo foi atropelado e perdeu por 4 a 0 para o Flamengo na Arena MRV, em Belo Horizonte, em duelo pela 13ª rodada da Série A do Campeonato Brasileiro.
O rubro-negro carioca abriu o placar logo aos sete minutos de jogo, com o centroavante Pedro. Aos 30, o meia-atacante equatoriano Gonzalo Plata ampliou com golaço de fora da área e, nos acréscimos do primeiro tempo, o meia uruguaio Arrascaeta fez 3 a 0 por meio de cabeçada. Aos 39 minutos do segundo tempo, Pedro voltou a marcar para dar números finais à goleada. Furiosa com a atuação do time, a torcida do Galo – que compareceu em bom número ao estádio – bradou cantos contra Rubens e Rafael Menin, acionistas majoritários da Sociedade Anônima Futeblística (SAF) do Galo, e contra o elenco, com o clássico “Time sem vergonha!”. A torcida do Flamengo chegou a cantar “olé” diversas vezes no segundo tempo. Com o resultado, o Galo passa a “flertar” seriamente com a zona de rebaixamento do Campeonato Brasileiro. Os comandados do argentino Eduardo Domínguez somam 14 pontos e ocupam a 15ª colocação, mas empatados com o 16º, Internacional, e o 17º, Santos, que abre o Z4. O alvinegro mineiro está acima da dupla por ter uma vitória a mais.
ATLÉTICO
Atlético: titular diz quando ficou sabendo de saída de Hulk e reage a extracampo
Flamengo comemora gol contra o Atlético na Arena MRV (foto: Leandro Couri/EM/D.A Press)
Já o Flamengo dá sequência ao momento “mágico” que vive com o português Leonardo Jardim, ex-técnico do Cruzeiro. O rubro-negro emplaca a sétima vitória seguida e é o vice-líder da elite nacional, com 26 pontos, seis a menos que o líder Palmeiras, que soma 32.
Crise interna do Atlético aumenta
A derrota “acachapante” só aumenta a turbulência interna do Atlético. O primeiro baque veio antes ainda do início do jogo – minutos antes do pontapé inicial, Hulk deixou o vestiário da Arena devido à possibilidade de se transferir. Logo após divulgar a escalação, o Galo informou que liberou o jogador para “avaliar a possibilidade” de deixar o Galo após receber “sondagem de outro clube do futebol brasileiro”. Caso atuasse no duelo, o camisa 7 completaria o 13º jogo pelo Brasileiro e não poderia mais jogar na competição por outra equipe. Após a partida anterior do Atlético – a vitória por 2 a 1 sobre o Ceará, na Arena MRV, pela ida da quinta fase da Copa do Brasil, na quinta-feira (23/4) -, Hulk já havia dito que “pela conversa que teve com quem manda”, pode sair no meio ou no fim de 2026 – ele tem contrato até dezembro. No início do ano, o atacante esteve próximo de deixar o clube e ir para o Fluminense – na ocasião, chegou a ir às redes sociais para desabafar, criticando a diretoria e dizendo que havia se sentido desvalorizado pela instituição. Também depois do jogo contra o Vozão, o lateral-esquerdo Renan Lodi deu declaração polêmica ao SporTV: “Primeiro que nós temos que dar resposta o quanto antes, porque a gente sabe que não vem em um momento muito bom – por vários fatores, não só dentro de campo, mas fora de campo também. Isso tem que reconhecer e ninguém vê o que está acontecendo no dia a dia”. A reportagem do NA pôde apurar mais sobre o tema na última sexta-feira (24/4). Fontes ouvidas pela reportagem asseguraram que alguns jogadores estão descontentes com o que caracterizam como “distanciamento dos gestores” perante ao elenco e também com promessas não cumpridas. No sábado (25/4), o próprio Atlético admitiu as turbulências publicamente e fez reunião que envolveu Rafael Menin, membros da diretoria e grupo de jogadores.
O jogo
O Atlético tomou banho de água fria logo nos primeiros minutos de jogo – aos sete, o Flamengo construiu bela jogada desde a defesa que foi finalizada com maestria pelos atacantes Samuel Lino e Pedro. O primeiro recebeu de Arrascaeta na ponta-esquerda, infiltrou a área e deu passe perfeito para o segundo, que balançou as redes com o gol “escancarado”: 1 a 0. Já baqueados pela saída surpreendente de Hulk do vestiário, os jogadores do Galo demonstravam pelas feições que estavam completamente abatidos. A primeira boa chance do alvinegro veio somente aos 28 minutos, com chute cruzado do lateral-direito Natanael para boa defesa do goleiro argentino Rossi. No escanteio gerado pelo lance, o atacante argentino Cuello cabeceou e viu o compatriota fazer outra grande defesa, seguida por toque da bola no travessão. Justamente quando o Galo esboçava reação, recebeu outro balde de água fria – aos 30, logo depois das duas boas chances, o meia-atacante equatoriano Gonzalo Plata “tirou coelho da cartola” para fazer golaço. Ele recebeu na ponta-direita, superou o lateral-esquerdo alvinegro Pascini com facilidade, costurou toda a defesa atleticana e finalizou da pequena área, colocado, para acertar a a gaveta direita de Everson: 2 a 0. O Flamengo “se esbaldava” do espaço deixado pelo Atlético nas costas dos volantes e jogava com facilidade, “desfilando” na Arena MRV. Aos 46, Arrascaeta fez o terceiro – o meia recebeu cruzamento do lateral-direito uruguaio Varela e, mesmo sem estatura privilegiada, subiu mais que o centroavante Pedro e a defesa alvinegra para acertar cabeceio digno de um “matador”: 3 a 0. O rubro-negro carioca não acumulava chances, mas dominava espiritualmente e tecnicamente a partida e mostrava-se impecável – das seis finalizações no primeiro tempo, cinco acertaram o gol e três terminaram nas redes de Everson.
Segundo tempo
O Atlético até melhorou no primeiro tempo com as entradas de Tomás Pérez e Alan Minda, mas sem conseguir criar grandes chances. A única veio aos 19, quando o atacante equatoriano recebeu na altura da marca da cal e finalizou para grande defesa de Rossi. A bola ainda bateu na trave na sequência, antes de voltar para os braços do argentino. O Flamengo administrava a vantagem sem sofrer. Os comandados de Leonardo Jardim esbanjava segurança em campo e jogava tranquilo, sem acumular chances, mas evitando com certa tranquilidade as investidas do Galo. Os comandados de Eduardo Domínguez tentavam diminuir o vexame, mas estavam afobados e ansiosos em campo pela grande desvantagem. Aos 40 minutos do segundo tempo, o rubro-negro – que ouvia gritos de “olé” – foi coroado com um gol que deixou a goleada ainda mais irrefutável. Após tranquila troca de passes do Flamengo no campo de defesa do Atlético, Luiz Araujo, Plata e Pedro fizeram linda triangulação na área alvinegra – o centroavante completou para as redes, novamente escancaradas, com Everson totalmente superado no lance. O tento foi confirmado depois de revisão do VAR: 4 a 0. Aos 48 minutos do segundo tempo, Evertton quase fez o quinto do Flamengo – após belo contra-ataque, ele finalizou de chapa ao receber boa ajeitada de cabeça de plata e acertou a trave de Everson. O Flamengo finalizou a partida com metade das finalizações do Atlético – sete, contra 14 alvinegras. O dado só evidencia a alta eficiência do ataque rubro-negro e amplia o feito dos cariocas, que sequer precisaram empilhar grandes chances para dominar por completo a partida.
ATLÉTICO 0 X 4 FLAMENGO
Atlético
Everson; Natanael, Ruan, Vitor Hugo e Pascini; Maycon (Scarpa, aos 29′ do 2ºT), Alan Franco (Pérez, no intervalo) e Victor Hugo; Bernard (Minda, no intervalo), Cassierra e Cuello (Dudu, aos 29′ do 2ºT).
Técnico: Eduardo Domínguez
Flamengo
Rossi; Varela, Ortiz, Léo Pereira (Vitão, aos 42′ do 2ºT) e Alex Sandro (Ayrton Lucas, aos 39′ do 2ºT); Evertton Araujo, Jorginho (Saúl, aos 29′ do 2ºT) e Arrascaeta; Plata, Samuel Lino (Luiz Araújo, aos 29′ do 2ºT) e Pedro.
Técnico: Leonardo Jardim
Motivo: 13ª rodada da Série A do Campeonato Brasileiro
Data: 26/4/2026
Estádio: Arena MRV, em Belo Horizonte
Árbitro: Rafael Rodrigo Klein (RS)
Assistentes: Danilo Ricardo Simon Manis (SP) e Maira Mastella Moreira (RS)
VAR: Caio Max Augusto Vieira (GO)
Gol: Pedro (Flamengo, aos 7′ do 1ºT e aos 39′ do 2ºT), Plata (Flamengo, aos 30′ do 1ºT) e Arrascaeta (aos 46′ do 2ºT)
Cartões amarelos: Tomás Pérez (Atlético); Samuel Lino e Varela (Flamengo)
Cartão vermelho: não houve
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