Empurrado pela torcida , Galo dominou a partida, mas não conseguiu superar a defesa gremista e está fora da competição

Atlético ficou no empate em 1 a 1 com o Grêmio na Arena MRV Foto: Fred Magno/O Tempo

A torcida fez a sua parte, o Atlético pressionou, tentou de diferentes maneiras, mas não conseguiu alcançar mais uma virada histórica. Após perder por 2 a 0 em Porto Alegre, o Galo empatou em 1 a 1 com o Grêmio, na noite deste sábado (7/11), na Arena MRV, e foi eliminado na semifinal da Copa do Brasil. Renan Lodi abriu o placar para os donos da casa, mas Carlos Vinícius empatou ainda no primeiro tempo, em mais uma partida em que a equipe de Eduardo Domínguez voltou a sentir falta de presença de sua principal estrela, o meia Fred, e também da ausência de um centroavante para concluir as 27 finalizações que o time teve na partida.
O Atlético entrou em campo precisando vencer por pelo menos três gols de diferença para garantir a classificação à final. E, antes mesmo de a bola rolar, a torcida atleticana mostrou que acreditava em mais uma noite histórica. Quase 43 mil torcedores compareceram à Arena MRV. Horas antes da partida, a tradicional “Rua de Fogo” tomou conta da Via Expressa, com sinalizadores e uma recepção especial ao ônibus da delegação. Dentro do estádio, a festa continuou, criando o ambiente de decisão que o Galo precisava para tentar reverter a desvantagem.
Com o apoio vindo das arquibancadas, Domínguez apostou em uma formação ofensiva, mas com uma escolha que chamou a atenção: nenhum centroavante de ofício entre os titulares. Recuperado de lesão, Cassierra, único jogador da posição relacionado para a partida, começou no banco de reservas e foi acionado durante o confronto.
O Galo começou o jogo com Alan Minda aberto pela esquerda e Cuello pela direita, buscando dar amplitude ao ataque e acelerar as jogadas pelos lados do campo. Por dentro, Igor Gomes atuava como referência, muitas vezes fazendo o pivô, enquanto Bernard, Kevin Castaño e até Alan Franco se aproximavam da área para aumentar as opções ofensivas. Já que não tinha um atacante fixo, Domínguez teve como plano encher a área adversário de seus jogadores, mas a estratégia não funcionou.
Do outro lado, o Grêmio adotou a postura esperada. Com a vantagem construída no primeiro confronto, a equipe de Renato Gaúcho se posicionou em bloco baixo, com linhas compactas e pouco espaço entre os setores. A prioridade era proteger a própria área e aproveitar para buscar o contra-ataque. O gol marcado pelo Tricolor Gaúcho saiu na única finalização ao alvo feita pela equipe em toda a partida.
O Atlético assumiu o controle da partida desde os primeiros minutos. Com dificuldades para encontrar espaços pelo centro, o Galo apostou nas jogadas pelos lados, nas bolas aéreas e nas finalizações de média distância. Domínguez também promoveu inversões de posicionamento entre Minda e Cuello, na tentativa de desorganizar a marcação gremista.
A pressão atleticana se refletiu nos números. No primeiro tempo, o Galo teve impressionantes 79% de posse de bola e acumulou 15 finalizações, contra apenas quatro do Grêmio, que ficou com a bola em 21% do tempo.
Depois de insistir e desperdiçar algumas chances, o Atlético finalmente conseguiu abrir o placar aos 26 minutos. Bernard encontrou Renan Lodi por dentro, e o lateral arrancou em direção ao ataque antes de acertar um belo chute de fora da área, sem chances de defesa para Weverton.
O gol fez a Arena MRV explodir. A torcida aumentou o volume e o Atlético ganhou ainda mais confiança para pressionar o adversário. Mesmo em vantagem, o Galo não diminuiu o ritmo. A equipe continuou trabalhando a bola no campo ofensivo, tentando movimentar a defesa gremista e encontrar espaços para chegar ao segundo gol. O Grêmio, por sua vez, permanecia fechado, praticamente sem conseguir ameaçar Everson.
Mas o futebol voltou a cobrar caro pela falta de eficiência atleticana. Aos 38 minutos, em uma das raras chegadas dos visitantes ao ataque, Noriega cruzou para a área e Carlos Vinícius apareceu livre para finalizar e empatar a partida.
O gol foi um balde de água fria na Arena MRV. Depois de tanto pressionar e conseguir abrir o placar, o Atlético viu o Grêmio aproveitar uma desatenção defensiva para empatar o confronto.
Com a vantagem no placar agregado, o Grêmio voltou para a segunda etapa ainda mais confortável com o cenário da partida. A equipe de Renato Gaúcho procurou diminuir o ritmo do confronto, administrar a posse de bola quando possível e interromper a sequência de ataques atleticanos. Domínguez, por sua vez, optou por não fazer alterações no intervalo e manteve a estrutura que havia utilizado no primeiro tempo.
O Atlético continuou tentando encontrar espaços na defesa gremista, enquanto a torcida, mesmo diante de uma missão cada vez mais complicada, seguia incentivando a equipe.
Entretanto, o problema que marcou os últimos compromissos do Galo voltou a aparecer. A equipe conseguiu chegar ao campo ofensivo, mas encontrava dificuldades para transformar a posse de bola em chances claras.
A situação piorou ainda mais durante o segundo tempo. A partir dos 35 minutos, um verdadeiro temporal atingiu a Arena MRV. Com o campo molhado – e com poças em certos lugares -, o Atlético passou a ter dificuldade para tocar a bola e perdeu totalmente o controle do jogo. Nem mesmo as mudanças de Domínguez, como as entradas de Fred, Scarpa e Cassierra, ajudaram a melhorar o cenário.

Futuro do Atlético
Com a eliminação, o Atlético terá que virar a chave rapidamente para os compromissos restantes da temporada. O principal objetivo agora passa a ser a final da Copa Sul-Americana, marcada para o dia 21 de novembro, contra o Boca Juniors (ARG), em Barranquilla, na Colômbia.
Antes da decisão continental, o Galo ainda tem um compromisso importante pelo Campeonato Brasileiro. No próximo dia 14, a equipe enfrenta o Mirassol, pela 35ª rodada da competição.
Atualmente, o Atlético ocupa a sétima colocação do Brasileirão, com 50 pontos, quatro a menos que o Athletico-PR, primeiro clube dentro da zona de classificação para a Libertadores.
A eliminação na Copa do Brasil também tira uma das três chances que o Atlético tinha de se classificar para a Copa Libertadores, restando agora apenas uma vaga pelo Brasileirão ou conquistar a Copa Sul-Americana.

Atlético 1 x 1 Grêmio
Motivo: semifinal da Copa do Brasil – jogo de volta (Ida: 0 x 2)
📍Local: Arena MRV, Belo Horizonte (MG).
📅Quando: sábado, 7 de novembro de 2026, às 18h
⚖️Arbitragem: Ramon Abatti Abel (SC); Auxiliares: Bruno Raphael Pires (GO) e Nailton Junior de Sousa Oliveira (CE); VAR: Rodolpho Toski Marques (PR)
Cartões amarelos: Alan Franco, Bernard e Castaño (Atlético) / Gabriel Grando e Enamorado (Grêmio)
Cartão vermelho: Vitão (Atlético)
Gols: Renan Lodi (26’/1°T) e Carlos Vinícius (38’1°T)
Público: 42.922
Renda: R$ 5.457.622,94

Atlético: Everson; Natanael (Scarpa), Vitão, Vitor Hugo e Renan Lodi; Alan Franco (Preciado), Igor Gomes (Cassierra), Kevin Castaño (Fred) e Bernard; Alan Minda (Dudu) e Cuello. Técnico: Eduardo Domínguez
Grêmio: Weverton; Kannemann, Balbuena e Wallace; João Pedro (Marcos Rocha), Noriega, Villasanti e Marlon (Caio Paulista); Amuzu (Tetê), Enamorado (Dodi) e Carlos Vinícius (Braithwaite). Técnico: Renato Gaúcho

Respostas de 2

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *