Venezuela: uma oposição nada republicana

Era 1997, o conglomerado econômico da família Capriles tinha um problema: o representante dos seus interesses na política, deputado Armando Capriles do COPEI(1), decidira não renovar seu mandato. O grupo resolveu lançar o primo do parlamentar, Henrique Capriles Radonski. Afinal, era de suma importância se manter no governo da aliança COPEI – AD, que governou a Venezuela por quarenta anos.O objetivo era defender o projeto do conglomerado na área de lazer, comunicações e na distribuição da maior empresa de alimentos industrializados dos Estados Unidos: Kraft Foods Inc. Capriles se graduou em direito com especialização na questão tributária, passou pela Universidade Andrés Bello, UCV (Universidade Central da Venezuela) e pela Universidade Columbia, em Nova York. Sua descendência russa-polonesa não o impediu de deixar o judaísmo para juntar-se ao catolicismo, religião amplamente majoritária na Venezuela. Eleito em 1998 pelo Estado de Zulia e, pelo mesmo partido do seu primo, foi escolhido vice-presidente do congresso, alcançando a administração do parlamento por poucos meses, antes do presidente Hugo Rafael Chávez Frias aprovar a Lei Habilitante, convocando a Assembleia Nacional Constituinte. Depois da ascenção do chavismo ao governo, no ano 2000, constituiu um novo partido, o “Primero Justicia”, com o objetivo de demonstrar “modernidade” em contra ponto ao seu antigo. Assume a prefeitura de Baruta (região metropolitana de Caracas), com 62,69% dos votos, conseguindo a reeleição em 2004. Quatro anos mais tarde vence o pleito para governador de Miranda, também na área da grande capital. Volta a ser governador, posteriormente ao perder eleição para Chávez, e depois para Maduro (com a morte do presidente eleito) em 2013. Dentro da tentativa de golpe a Chávez, que contou com a participação de Capriles, contribui com um fato nada republicano. Diante da escalada de vandalismo, o então prefeito de Baruta em 12 de abril simplesmente negou fornecer destacamento policial para garantir a segurança da embaixada de Cuba que se encontrava numa área de sua jurisdição, a representação diplomática foi invadida e vasculhada a pretexto de estarem com exilados políticos, uma ação ordenada dentro do movimento golpista. O quadro político aproximou as duas lideranças da oposição ao chavismo. O processo de formação do partido contou com recursos vindos da petroleira PDVSA, através de um cheque emitido por Antonieta Mendoza(2) , então gerente de serviço de petróleo e gás da PDVSA e mãe de Leopoldo Lopez, outro líder da oposição venezuelana. Os recursos provindos da companhia foram depositados numa ONG que se transformou no “Primero Justicia”. Assim como o governador, López teve participação no golpe de 2002, seu grupo reteve o então ministro da justiça, Ramón Rodrigues Chacin, o que provocou uma condenação no judiciário, anistiada posteriormente. Em 30 de maio de 2013 a Promotoria Pública lhe imputou a responsabilidade em mais dois crimes(3) : tráfico de influência na doação da PDVSA, e o segundo se refere a crime de responsabilidade, por não ter repassado um fundo participativo da PDVSA para programa social, quando era prefeito de Chacao. Leopoldo Eduardo López Mendoza é economista, formado pela Universidade de Harvard, foi prefeito de Chacao entre 2000 a 2004 e reeleito até 2008. Em seu retorno a Venezuela, passa a exercer a função de analista financeiro, assessorando a diretoria de planejamento da PDVSA, a mesma empresa que sua mãe trabalhava. A sua família tem uma história dentro do Estado, seu avô, Eduardo Mendoza foi secretário de agricultura (1945-1948) do governo Rômulo Betancourt, e seu tio, Rafael López Ortega, ministro da educação do presidente López Contreras (1935-1941). No campo de luta política, Capriles e López militaram no mesmo partido, apesar do segundo defender claramente o rompimento com a democracia como possibilidade de chegar à presidência, o primeiro somente chega a esta prática em 2017. Insatisfeito com sua reduzida participação após uma eleição interna, López abandona o partido em 2006, fundando o “Voluntad Popular” e o movimento “La Salida”, com objetivo de depor o chavismo do poder, mesmo este sendo eleito democraticamente. A tônica do seu discurso era o incentivo a mobilizações violentas contra o governo e marchas no sentido de chegar ao Palácio Miraflores,o que vai gerar um dos maiores registros de violência da história venezuelana. O “La Salida” produziu em fevereiro de 2014, 43 mortos , em torno de 800 feridos e 1853 detidos. Em setembro de 2015 veio a condenação de López a 13 anos e 5 meses de prisão, convertidos em domiciliar em julho de 2017. Do mesmo modo que López provoca uma nova condenação, Capriles aumenta sua ficha corrida, mas num polo distinto, o tributário. Através de sonegação fiscal na sua gestão no governo estadual nos anos de 2011, 2012 e primeiro trimestre de 2013 a “província” de Miranda recebeu recursos do governo inglês e polonês sem declarar para Receita Federal. Apesar de não gerar a perda do cargo, inabilitou(5) o governador (06/04/2017) para a gestão pública por 15 anos. Em meio às batalhas construídas pela oposição, desde 12 de abril de 2014 a família de Doris Elena Lobo(4/6) não tem mais sua presença, ela é uma das 43 mortes provocadas pela “La Salida” de Leopoldo López. É difícil apontar isenção diante de parte de uma comunidade internacional que atribui prisão política a um líder partidário que na cobiça de chegar ao poder, provocou mortes previsíveis. Mesmo que a oposição reivindique um papel democrático na história que não possui, a verdade que se apresenta é sua prática de repetir o modelo violento e terrorista. Seja 2002, 2014 ou 2017, a cartilha é a mesma, tanto para López como Capriles, servir ao norte mesmo que sacrificando vidas. O Cafezinho
Receita perdoa dívida de R$ 200 milhões de Neymar

– O caso de uma suposta sonegação fiscal de Neymar entre 2011 e 2013 teve um ponto final – Depois de obter vitória no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf), Neymar viu na terça-feira (08/08) a Receita Federal desistir do recurso contra esta decisão no processo fiscal que chegaria hoje a R$ 200 milhões (com correção monetária). “A procuradoria desistiu do recurso porque nós obtivemos a vitória no caso. O caso está encerrado, nada mais pesa contra nós“, disse o CEO das empresas de Neymar, Altamiro Bezerra. Neymar vendeu para as empresas do pai os direitos sobre a exploração de sua imagem. Em contrapartida, a NR Sports e a N & N Consultoria pagaram um valor fixo ao jogador e passaram a ficar com as suas receitas de imagem, marketing e patrocínios. Segundo a acusação Receita, esses valores pertenceriam a pessoa física de Neymar – a alíquota nesse caso seria de 27,5%, contra 15% a 20% no caso de imposto de renda de pessoa jurídica, ou 9% em contribuição sobre o lucro de empresas. O argumento da defesa de Neymar, acolhido pelo Carf, foi pautado no fato de que o jogador e as empresas são entes diferentes: o novo camisa 10 do Paris Saint-Germain não é sócio em nenhuma delas. Por isso, seria perfeitamente normal que possa negociar seus direitos de imagem com elas sem que haja simulação. Na Espanha, Neymar ainda briga nos tribunais, já que ainda será julgado acusado de corrupção na polêmica transferência do Santos para o Barcelona.
Lula inicia caravana pelo Nordeste

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva inicia nesta quinta-feira (17) sua caravana pelos estados do Nordeste. Serão cerca de 4 mil quilômetros percorridos, com atividades confirmadas em 25 municípios. O objetivo do projeto “Lula pelo Brasil” é debater um modelo de desenvolvimento para o Brasil, que, segundo o ex-presidente, foi “abandonado” pelo governo de Michel Temer. “A maior aula que tive sobre o Brasil foi viajando o país. Por isso, vou fazer novamente as caravanas. Agora com mais experiência e mais organização para entender as necessidades do povo”, disse Lula, quando anunciou a viagem. Já nesta quinta, Lula embarca para Feira de Santana (BA), onde será recebido com um ato público, às 19 horas, em defesa das políticas para o semiárido e agricultura familiar. Ainda na programação, está prevista participação no lançamento da 3ª Fase do Memorial da Democracia, em Salvador, às 10 horas do sábado (19). Também na capital baiana, o ex-presidente participa de mais um ato de lançamento do livro Comentários a uma Sentença anunciada – O Processo Lula, já lançado em eventos no Rio de Janeiro e em São Paulo. Já no dia 26, ele estará no ato de trabalhadores em defesa da indústria petroquímica e naval. Durante o percurso, Lula se encontrará com políticos, empresários e sindicalistas, como o ex-ministro Jaques Wagner (PT) e o governador do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB). Lula também seguirá para Recife, João Pessoa, Campina Grande (PB), Currais Novos (RN) e Mossoró (RN). No dia 29, o ex-presidente chega ao Ceará, onde estão previstas atividades em Quixadá e Juazeiro do Norte. Na sequência, ele passará por Granito (PE), Marcolândia (PI), Picos (PI), Teresina e Timon (MA), encerrando as atividade em São Luís, no dia 5 de setembro. O projeto das novas caravanas está sendo organizado pelo PT e pelo Instituto Lula, com participação da Fundação Perseu Abramo. Prêmios e títulos Durante a viagem pelo Nordeste, Lula receberá quatro títulos de Doutor Honoris Causa: na Universidade Federal do Recôncavo da Bahia, em Cruz das Almas, na sexta (18); na Universidade Federal do Sergipe, no dia 21; na Universidade Estadual de Alagoas, no dia 23; por último, na Universidade Federal da Paraíba, no dia 26.
PMDB expulsa Kátia Abreu e protege os corruptos

Por que nunca puniram nenhum filiado condenado e preso por crimes graves como corrupção e formação de quadrilha? Questionou a senadora. A Comissão de Ética e Disciplina do PMDB Nacional decidiu, por unanimidade, expulsar nesta quarta-feira 16 a senadora Kátia Abreu (PMDB-TO). O motivo: ela feriu, na opinião dos nove membros do colegiado, a ética e a disciplina partidária, com críticas à legenda, a Michel Temer e por ter votado contra matérias defendidas pelo governo. A expulsão atendeu a uma representação do diretório regional do Tocantins. Para a acusação, ao discursar contra a aprovação da Reforma Trabalhista e criticar peemedebistas como o governador do Tocantins, Marcelo Miranda, Temer e Romero Jucá, a parlamentar praticou atos “nocivos, provocativos e desrespeitosos” e promoveu “inequívoca afronta ao partido”. Até mesmo o presidente da República foi denunciado pela Procuradoria-Geral da República”, atacou.Kátia foi expulsa porque votou contra matérias de interesse do ilegítimo Michel Temer, tais como a reforma trabalhista, e tem combatido os retrocessos provocados pelo golpe.Além da expulsão de Kátia, a executiva do PMDB também quer expulsar o senador Roberto Requião (PMDB-PR).Na tarde de hoje, Requião usou a tribuna para contra-atacar. Ele pediu a expulsão do ex-deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) e do presidente da legenda, Romero Jucá (PMDB-RR), investigado por corrupção no STF.Enquanto isso, nas redes sociais, há um forte movimento pedindo para que Requião deixe o PMDB para se filiar no PT.
Sérgio Moro cuspe no prato que comeu

– JUIZECO VÊ BRASIL GOVERNADO POR GÂNGSTERS E DIZ QUE NÃO SERÁ CANDIDATO – Em evento na Joven Pan, o serviçal dos coxinhas comparou o Brasil de hoje à Geórgia de dez anos atrás, que, segundo ele, era governada por gângsters e disse que não será candidato em 2018. No entanto, ele contribuiu para a derrubada da presidente legítima e honesta Dilma Rousseff, ao divulgar grampos ilegais, e para a ascensão de Michel Temer, denunciado por corrupção. Moro defendeu também o financiamento privado de campanha que foi criminalizado pela Lava Jato – O juiz Sérgio Moro, da Lava Jato, comparou nesta terça-feira 15 o Brasil de hoje à Geórgia de dez anos atrás, que, segundo ele, era governada por gângsters, e disse que não será candidato em 2018. “Em 2006, a Geórgia, ex-integrante da União Soviética, era um país governado por gângsters… Ocupava a 79ª posição no ranking da Transparência Internacional. Agora está na posição 44. O Brasil, coincidentemente, está na mesma posição da Geórgia de dez anos atrás. Quem sabe daqui a dez anos mostremos o mesmo avanço da Geórgia”, afirmou, em evento realizado pela Jovem Pan que debate a Justiça brasileira. Sobre aparecer nas pesquisas eleitorais, declarou: “Eu já falei mais de uma vez: eu acho que as profissões políticas são das mais belas. Nós temos eventualmente imagens pejorativas por causa de escândalos de corrupção, mas temos bons políticos, é uma minoria que adere a práticas criminosas. Mas é preciso ter um perfil e eu não me vejo com esse perfil. Então reitero que não sou candidato e não serei candidato”. Vale lembrar que Moro contribuiu para a derrubada da presidente legítima e deposta Dilma Rousseff, ao divulgar grampos ilegais, e para a ascensão de Michel Temer, denunciado por corrupção. Na entrevista, o magistrado defendeu também regras mais duras para o financiamento privado de campanha que foi criminalizado pela Lava Jato e criticou o financiamento público defendido por parlamentares na reforma política. “Há uma tendência de quem está dentro do sistema de querer ficar dentro”, disse. “Com todo respeito ao nosso Parlamento, esta reforma política que está sendo pensada não é uma reforma”, completou.
Por que o povo não está nas ruas?

– Esta é uma pergunta cuja resposta é decisiva para a esquerda e para o futuro do nosso país. Sem ela ficará difícil reconstruir a hegemonia política com a criação de bases sociais amplas e sólidas que permitam conter a onda da direita – * Por Aldo Arantes Que assegurem o avanço na reconquista da democracia e dos direitos do povo, criando condições para as reformas estruturais do estado brasileiro. Os fatos são mais do que evidentes. Apesar das medidas radicais adotadas contra os trabalhadores, o povo e a soberania nacional as manifestações estão longe da necessidade imposta pela gravidade da situação. É bem verdade que existiram manifestações importantes como a greve geral do dia 28 de abril deste ano e as manifestações contra as reformas e o governo Temer. Todavia elas incorporam, sobretudo, os setores mais politizados do movimento social. A própria greve não atingiu, no fundamental, o setor produtivo. Mais recentemente as manifestações arrefeceram. No dia da votação do processo por corrupção passiva contra o ilegítimo Temer o que se viu foram pequenas manifestações. Defronte do Congresso, local de históricas manifestações, não havia ninguém. Tal fenômeno se torna mais difícil de entender à medida em que as pesquisas constatam que Temer conta com 94% de reprovação do povo. Várias são as razões que podem tentar explicar tal situação. Dentre elas estão a perplexidade, a rejeição à política e aos partidos, o desemprego e, principalmente, a indignação contra a corrupção. Pesquisa divulgada pelo jornal O Estado de São Paulo, de 13 de agosto, revelou que 86% dos eleitores não se sentem representados pelos políticos nos quais votaram. E 94% responderam que os políticos que estão no poder não representam a sociedade. A pesquisa avaliou, também, que 9 entre 10 pesquisados concordam com o fato de que “o Brasil poderia ser um país do primeiro mundo se não fosse a ação da corrupção”. A pesquisa concluiu o que, numa avaliação empírica, se pode constatar: a questão mais importante que maioria do povo indica para explicar a crise que o país enfrenta é a corrupção. Isto foi incutido na sociedade pela grande mídia desde o tal Mensalão. Com isto procuram fugir do debate de conteúdo relacionado às medidas colocadas em pratica pelos governos Lula e Dilma para suscitar o combate a uma falsa moralidade. A propaganda da grande mídia, tomando por base a ação da Lava Jato, atuou no sentido de caracterizar a corrupção atual como “novidade”, responsabilizando o PT e o Ex-presidente Lula. Com tal tática conseguiram sensibilizar amplas camadas da sociedade ao afirmarem que todos partidos e políticos são corruptos e não merecem a confiança do povo. Tudo isto resultou na conquista, pelas forças conservadoras e de direita, da hegemonia política e de ideias no país. Tal resultado foi fruto de um plano elaborado e conduzido a longo prazo, pelo professor Norte-americano Gene Sharp. O plano está contido no livro de sua autoria intitulado Da Ditadura à Democracia onde o autor descreve os passos a serem dados para executar o chamado “golpe brando”. Ele destaca, como primeiro passo, a necessidade de “promover ações para gerar um clima de mal-estar social, utilizando os meios de comunicação”, e descreve o segundo passo ao afirmar “fazer denúncias fundadas ou não para debilitar a base de apoio de governo e criar um descontentamento social crescente”. No Brasil o falso combate à corrupção foi o mote da agitação necessária para o golpe contra a presidenta Dilma. E continua sendo agora com o objetivo de aprofundar as reformas antipopulares e antinacionais e inviabilizar a candidatura do ex-presidente Lula à presidência. Na América Latina o modelo teve características próprias. O agente secreto de Cuba, Raúl Antonio Capote Fernandez, que durante 10 anos foi infiltrado na CIA, em declarações Site Sul 21, afirmou ter a agência constatado que o crescimento da esquerda no continente teve início nas Universidades. Para reverter esta situação elaborou um plano para criar um pensamento em defesa do mercado, nas instituições de ensino superior da região. O resultado, no Brasil, foi o crescimento do pensamento conservador entre boa parcela dos estudantes. Tal estratégia teve como uns seus pilares a criação de institutos para desenvolver ideias em defesa de seus pontos de vista e de combate ao projeto de nação da esquerda e as ideias progressistas. Para isto foi executado um trabalho de formação da consciência conservadora aliado à massificação da luta contra a corrupção para conquistar parcelas expressivas da juventude. O mesmo se deu, com suas particularidades, junto aos demais segmentos sociais. Este resultado foi facilitado pela despolitização da sociedade. Com isto boa parcela dos estudantes e do povo passou a colocar a responsabilidade da crise nos “políticos corruptos”, sobretudo do PT. Esqueceram dos benefícios que as políticas dos governos Lula e Dilma trouxeram para os trabalhadores e o povo. Tal situação está ancorada, também, na campanha de despolitização desencadeada pelo neoliberalismo. A negação da política, dos políticos e dos partidos é fundamental para colocarem em prática a reforma do estado que atenda aos interesses do capital financeiro. O combate à política é o combate à democracia. Visa retirar o povo das ruas e entregar a direção do país aos gestores, representantes do capital financeiro. Isto tudo criou um campo não só para a articulação dos grupos conservadores, mas também dos grupos de direita e extrema direita. No entanto a sociedade enfrenta uma contradição flagrante. Por um lado, há um profundo descontentamento com a atual situação política, as reformas em curso e o agravamento da situação com a crise, o desemprego e os cortes dos recursos das áreas sociais. Por outro há uma ausência de amplas manifestações populares para lutar contra esta situação. Isto pode indicar que está havendo uma dissintonia entre os dirigentes políticos e sociais e as massas. A grande massa do povo perdeu a confiança ou está sem entender as orientações dadas por sua representação. O dirigente deve, em sintonia com as massas, indicar os caminhos a serem perseguidos na luta. Quando, por qualquer razão, esta sintonia é rompida as
Marina Silva queimou caravelas

– APOIO AO IMPEACHMENT TIROU CHANCES DE MARINA EM 2018, DIZ FUNDADOR DA REDE – – Um dos fundadores e ex-membro da Rede Sustentabilidade, o cientista político e antropólogo Luiz Eduardo Soares disse que a ex-senadora Marina Silva, principal liderança do partido, “queimou caravelas” e perdeu a chance de disputar a Presidência da República na posição de favorita após apoiar o impeachment que tirou Dilma Rousseff do poder no ano passado. “Quando ela assumiu essa posição, extremamente irresponsável do ponto de vista da democracia, acho que ela queimou as caravelas relativamente ao campo das esquerdas. Não só do PT, das esquerdas”, avaliou. “Isso circunscreve o seu potencial eleitoral e político”, completou Soares em entrevista à BBC Brasil (leia aqui a íntegra). Ele conta que sua “divergência com a Marina teve a ver com seu apoio ao impeachment”. “Ela tinha sempre se manifestado contrária. O [deputado federal Alessandro] Molon entrou para o partido depois que ela se comprometeu a ser contrária. E uma semana antes da votação, ela se pronunciou a favor do impeachment, sem nos consultar”, relatou. “Ser a favor do impeachment significava entregar o país ao núcleo mais perigoso da política nacional, o PMDB. Quando ela assumiu essa posição, extremamente irresponsável do ponto de vista da democracia, acho que queimou as caravelas relativamente ao campo das esquerdas. Não só do PT, das esquerdas”, avaliou. Para ele, “retirar a Dilma para levar o representante do PMDB para o poder em nome da ética é despudoradamente hipócrita”. “Ela hoje teria todas as condições de ser favorita nas eleições de 2018 se tivesse se mantido contra o impeachment. Poderia unificar o campo das esquerdas com um discurso palatável, capaz de suscitar respeito entre eleitores do centro, e a população evangélica também se reconheceria nela. Ela viria com um potencial eleitoral muito grande”, destacou. “Ela deixou de ser espontânea e genuína. Essa era a sua marca. Passou a estar sempre numa posição ambígua, com poucas definições claras, e a jogar o jogo mais tradicional. Mas sem dúvida é uma candidatura forte potencialmente”, completou Soares. Ele destaca que para 2018, “Lula é um forte candidato, porque para a maioria da população fez o melhor governo que experimentaram. E de fato os resultados foram notáveis, superiores aos governos anteriores em termos de crescimento e de redução de desigualdades. Ele saiu com 85% de aprovação popular. Isso é um patrimônio extraordinário, que está sendo erodido pelas denúncias constantes da mídia”.
PGR não encontrou crime envolvendo Lula

Por isso, Rodrigo Janot desistiu da complementação da delação da Andrade Gutierrez contra Aécio Neves A pouco mais de um mês de deixar o cargo, o procurador-geral da República, enviou sinais de que não quer mais saber do assunto. A desistência ocorreu após procuradores questionarem se haveria relatos de crime envolvendo o ex-presidente Lula eteles e receberem um não como resposta. A avaliação da força-tarefa da Lava Jato em Curitiba e em Brasília é que, sem Lula e sem teles, a complementação da delação da Andrade Gutierrez traria poucas novidades. A empresa, que nasceu em Belo Horizonte, tem relações com o senador Aécio Neves (PSDB-MG), mas os procuradores avaliam que os relatos dela sobre o tucano pouco acrescentariam ao que foi relatado pela Odebrecht e por Joesley Batista. Os procuradores tinham interesse em três casos envolvendo empresas de telecomunicações porque a Andrade Gutierrez é uma das sócias da Oi e controlava a Telemar. As informações são de reportagem de Mario Cesar Carvalho na Folha de S.Paulo.
Seguidores do Pato da Fiesp estão indignados

Decisão de milionária de ajudar Lula revolta brasileiros que pensam que são ricos *Por Joaquim de Carvalho O dinheiro é dela, mas os coxinhas querem decidir como deve gastar. Vista de longe, a neta do banqueiro suíço Roberta Luchsinger poderia ser confundida com uma batedora de panela, dessas que gravam vídeo para dizer “sou rica, sou rica”, têm horror a pobres e fingem se importar com eles. Roberta foi educada pelas melhores escolas, costuma se deslocar de helicóptero e recebia do avô banqueiro uma mesada de 28 mil francos suíços, o equivalente a 97 mil reais, segundo informa a jornalista Eliane Trindade, em sua coluna na Folha. A família de Roberta foi alvo de texto até de João Doria Júnior, que tem um faro especial para negócios que envolvem milionários — em 2016, em sua coluna na revista Istoé, Doria escreveu sobre uma disputa por herança na família. Só que Roberta não é como seu pares no Brasil, meritocratas da boca para fora, que não largam a teta do Estado. Não é tampouco bolivariana, socialista ou comunista. É alguém que entendeu a importância das políticas de inclusão social no Brasil. “Esse ódio exacerbado contra os partidos de esquerda, principalmente contra o PT, chegou ao ponto de cegar parte da sociedade. Virou moda se referir a Lula como ladrão”, afirmou ela à Folha. “Esses que hoje o demonizam se esquecem de que Lula foi bom para os pobres e também para os ricos e deixou a Presidência com 90% de aprovação”. Roberta é filiada ao PCdoB, partido que conheceu quando esteve casada com o ex-delegado da Polícia Federal Protógenes Queiroz, que foi deputado. Mas não segue a cartilha marxista, como de resto o PCdoB e a maior parte dos partidos de esquerda — Marco Aurélio Garcia, que foi um influente conselheiro de Lula, já dizia que ficaria de joelhos agradecendo a Deus se, pelo menos, o Brasil se aproximasse da social-democracia. O casamento de Roberta terminou de maneira rumorosa, com a declaração dela de que foi traída pelo ex. “Cansei de ser chifrada”, disse à Veja. Roberta, no entanto, soube separar as coisas e hoje continua apoiando o ex-delegado, asilado na Suíça por conta de uma condenação Brasil, por desvio funcional no caso da operação Satiagraha, que prendeu o banqueiro Daniel Dantas. Roberta também permaneceu filiada ao PCdoB, partido de Protógenes, e só separou depois da campanha de 2014, para não atrapalhar a campanha à reeleição do então marido. Sua página no Facebook revela um pouco do que pensa. Ela postou uma reportagem sobre o prefeito de São Paulo e escreveu: “Doria e seu sonho de ser o Lula”. Crítica da Lava Jato e ironizou a notícia de que Adriana Ancelmo, depois de presa, se separaria do ex-governador Sérgio Cabral: “Acabou a mamata, acabou o amor… será que algum dia ele existiu?” Chamou o impeachment pelo que é: golpe. Na rede, não deixa de falar de suas preferências pessoais, como vestido de casamento e música. Roberta namorou o ex-prefeito de Jaguariúna, depois da separação de Protógenes, se preparou para desfilar em escola de samba e planejou escrever um livro para dar dicas de gastronomia para quem quer emagrecer – ela disse que perdeu mais de 30 quilos mudança de hábitos alimentares. Aos 32 anos, Roberta, no campo pessoal, tem sonhos e planos como toda mulher da sua idade. O que a difere é a sensibilidade social. Depois que anunciou que doaria 500 mil reais a Lula e sugeriu uma vaquinha, foi criticada por gente que acredita pertencer ao mesmo mundo que ela. “Que tal doar para mim também? Perdi quase tudo que meu suor conquistou com as trapalhadas dos socialistas. Aceito $ 100.000,00. Já ajuda”, escreveu um deles na rede social. Os outros vão na mesma linha. São provavelmente da mesma massa que se informa pelo Jornal Nacional e não entenderam nada sobre o que foi governo Lula nem sobre os propósitos de Roberta. Roberta acredita que, com o golpe que derrubou Dilma, o Brasil foi na contramão da história e isso é ruim para os negócios. Para ela, o país precisa reduzir a desigualdade social para crescer e não cortar direitos sociais, que, no curto prazo, beneficiam apenas uma parcela muito pequena da sociedade. “Independentemente de (Lula) ser ou não candidato, este dinheiro vai permitir a Lula sair pelo Brasil espalhando esperança. Não podemos perder a crença na política. Precisamos de união”, disse. Os críticos de Roberta, seguidores do Pato da Fiesp, se comportam como os brancos pobres da época em que a sociedade ainda era escravocrata. Repetem o que ouvem e acham que são ricos. Não passam de massa de manobra de uns poucos brasileiros. Quem conhece a riqueza sabe que, até para explorar, o Brasil precisa de inclusão social, e não o contrário. Joaquim de Carvalho é jornalista, com passagem pela Veja, Jornal Nacional, entre outros. joaquimgilfilho@gmail.com
Roberta Luchsinger justifica doaçao para Lula

– Minha luta é pelo social, diz herdeira de banco suíço que doou R$ 500 mil ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva A herdeira da família fundadora do banco Credit Suisse Roberta Luchsinger, que causou polêmica na última sexta-feira ao decidir doar R$ 500 mil ao ex-presidente Lula, depois que o ex-presidente teve todos os seus bens e investimentos bloqueados por decisão do juiz Sergio Moro, comentou o seu gesto. “Minha luta é pelo social!!!”, postou ela em sua página no Facebook na sexta-feira (11), em resposta aos críticos. Ontem (sábado 12), ela divulgou uma nova mensagem sobre o seu gesto. Leia abaixo a íntegra: “Venho por meio dessa mensagem ressaltar a todos vocês que a causa que defendo com meu coração, minha alma e meus recursos, é a causa social – a causa dos menos favorecidos. Meu objetivo é fomentar a educação de qualidade para todos os cidadãos brasileiros, assim como acesso à saúde , à tecnologia e cultura. Ressalto ainda , que meu engajamento na política terá como objetivo maior a erradicação da pobreza e da miséria. Conto com a compreensão e apoio de todos vocês, porque juntos somos mais fortes”.