Dilma celebra a derrocada de seu algoz

– No Twitter, a ex-presidenta tira sarro e fala de golpe de Maia contra Temer – Derrubada pela articulação de seu vice, Dilma faz chacota da possibilidade de o presidente da Câmara substituir Temer Esta sexta-feira foi um dia de vingança para a presidente legítima Dilma Rousseff, derrubada por um golpe parlamentar liderado por Aécio Neves (PSDB-MG), recordista em inquéritos na Lava Jato, Eduardo Cunha, condenado a 15 anos e quatro meses de prisão, e Michel Temer, o primeiro ocupante da presidência da República denunciado por corrupção. “Desde [Karl] Marx sabemos: a história se repete, a primeira vez como tragédia e a segunda como farsa. Golpe 2016: tragédia. 2017: farsa das elites”, escreveu Dilma, em alusão à conhecida construção do filósofo alemão Karl Marx no livro 18 Brumário de Luís Bonaparte. Na sequência, Dilma lembrou a carta de Temer na qual reclamava do desprestígio que dizia sofrer. Na abertura da carta, Temer citou o provérbio em latim verba volant scripta manent, que quer dizer “as palavras voam, os escritos ficam”. “Em vez de carta, Twitter; verba volant scripta manent!”, postou Dilma, em referência aos movimentos de Rodrigo Maia (DEM-RJ), que foi ao Twitter prometer ao mercado as reformas que Temer não consegue mais entregar. Abaixo, reportagem da Reuters sobre a traição de Maia: BRASÍLIA (Reuters) – Sucessor imediato ao comando do país em caso de afastamento do presidente Michel Temer, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), defendeu nesta sexta-feira em mensagens no Twitter que é preciso ter “muita tranquilidade e prudência” no momento, e defendeu que se deve avançar na agenda de reformas no país. “Precisamos ter muita tranquilidade e prudência neste momento. Em vez de potencializar, precisamos ajudar o Brasil a sair da crise”, disse o deputado na rede social. Maia acrescentou que tem de ser estabelecida “o mais rápido possível” a agenda da Câmara. “Não podemos estar satisfeitos apenas com a reforma trabalhista. Temos Previdência, Tributária e mudanças na legislação de segurança pública”, afirmou. Embora venha evitando falar publicamente da denúncia que tramita na Câmara contra Temer, o presidente da Casa tem se movimentado sutilmente nos bastidores como fiador da agenda reformista. Temer será afastado do cargo se a Câmara autorizar que o Supremo Tribunal Federal (STF) julgue a acusação criminal contra ele pelo crime de corrupção passiva e a maioria dos ministros da Corte aceitar a denúncia. Maia, que cumpre agenda oficial na Argentina desde quinta até sábado, recebeu esta semana um importante apoio público. O presidente interino do PSDB, senador Tasso Jereissati (CE), disse que o deputado tem todas as condições para levar o país a uma mínima estabilidade até 2018 e afirmou –sem citar o governo Temer– que o Brasil está chegando a uma ingovernabilidade. No caso de afastamento de Temer, o presidente da Câmara assumiria o comando do país por até 180 dias, prazo para o Supremo julgar o peemedebista. Temer retornaria ao comando do país se o STF não o concluísse o julgamento até lá. Se Temer for condenado e afastado em definitivo, Maia teria 30 dias para conduzir o processo de uma eleição indireta — na qual ele próprio poderia ser candidato para o mandato-tampão até o final de 2018. (Por Ricardo Brito)
UFMG Montes Claros sediando SBPC Educação

– Conferência sobre gestão de políticas públicas proferida por Fernando Haddad, ex-ministro da Educação e professor da Universidade de São Paulo, vai abrir, no dia 6 de julho, no campus UFMG Montes Claros, a SBPC Educação – Fachada do campus da UFMG em Montes Claros O encontro reune 650 participantes, entre profissionais que atuam em educação básica em municípios mineiros, representantes de movimentos sociais e pesquisadores de diversos estados. Os educadores foram inscritos pelos parceiros envolvidos na realização do evento – a Secretaria de Estado de Educação, secretarias municipais e instituições que têm histórico de colaboração com a UFMG em projetos de extensão e de graduação. A escolha do Instituto de Ciências Agrárias (ICA) para sediar o evento não se deveu somente à existência de uma estrutura capaz de abrigar as dez mesas-redondas, a apresentação de pôsteres e a realização de oficinas. “Montes Claros é uma cidade-polo que envolve também o Jequitinhonha e o Vale do Mucuri, representando assim a região Norte, a maior de Minas, com muitos desafios e experiências inovadoras”, enfatiza Isabel Antunes, professora da Faculdade de Educação (FaE) que coordena a comissão organizadora. As dez mesas vão tratar dos temas Reforma do ensino médio, Educação integral e juventude, Educação: linguagens, tecnologia e novas mídias, Educação do campo, Educação, populações quilombolas e indígenas, Base Nacional Comum Curricular, Educação e democracia – gênero e sexualidade, Perspectivas da educação profissional, Educação de jovens e adultos e Educação especial e inclusão escolar. Outro aspecto relevante do encontro será a mostra de pôsteres, que reunirá trabalhos desenvolvidos em 14 escolas da rede estadual e 14 das redes municipais da região. Os pôsteres retratam tanto trabalhos acadêmicos realizados por professores e estudantes quanto projetos aplicados nas escolas, destinados às comunidades. Na tarde do dia 7, após a última mesa-redonda, serão realizadas oficinas de temáticas diversas, cujos temas acompanham a programação geral da SBPC Educação.
A educação fora da agenda

– Uma apresentação de carimbó abriu a SBPC Educação no campus regional da UFMG, em Montes Claros por Fernando Haddad O evento precede o encontro da Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência, que será realizado entre os dias 16 e 22 de julho no Campus Pampulha da UFMG, em Belo Horizonte. O grupo Saruê, da Unimontes, apresentou a dança típica do Belém do Pará antes da abertura oficial do encontro, convidando quem estava na plateia para dançar. Um deles: aquele que ministraria a conferência de abertura, ex- ministro da Educação do governo Lula e Dilma Rousseff e ex-prefeito da cidade de São Paulo. A cena: Fernando Haddad, professor da Universidade de São Paulo (USP), dançando carimbó antes de sua conferência sobre gestão de políticas públicas. Foto: Osger Machado/ UFMG“A educação nunca foi um gasto” foi uma das primeiras falas do ex-ministro do MEC. Haddad ministrou conferência a cerca de 600 pessoas, numa mesa composta pelo reitor da Universidade Federal de Minas Gerais, Jaime Ramirez, pela secretária da Educação do Estado, Macaé Evaristo, e pela vice-presidente da SBPC, Vanderlan Bonzani. “A educação não é a soma de disciplinas, nem apenas o domínio de instrumentos: a educação é um valor social”. “Infelizmente, pouca gente entende a educação como valor social”, disse Haddad, ao relacionar sua fala a um ditado que aprendeu com os coreanos: a educação é barata porque você só educa uma geração. Para o ex-ministro, a educação não pode ser vaidosa a ponto de permitir que apenas um indivíduo detenha todo o conhecimento para si. A educação deve ser universal, pois é ela quem permite ao individuo a possibilidade de retorno para a comunidade que o educa. “Estamos adequando a educação a estruturas precárias” A crítica política foi marca da conferência de Haddad, membro do Partido dos Trabalhadores. Segundo ele, a educação saiu da agenda nacional desde 2014, quando uma série de eventos culminou na crise política que o Brasil vive hoje. Citando a Reforma do Ensino Médio e a PEC do teto de gastos como políticas de desmonte dos direitos conquistados ao longo de uma década, o professor criticou as ações de “um governo ilegítimo, que não tem projeto para o país”. “Querem engessar a estrutura segmentada entre intelectuais e trabalhadores simples. Para os primeiros, um pouco mais de educação. Já as camadas mais simples não fazem jus a mais do que o necessário para se manterem. Seus direitos e sonhos não valem nada”, criticou. Vídeo: Osger Machado e Gabriel Araújo “Nunca um Brasil dependeu tanto de vocês quanto hoje” Sua esperança reside então numa juventude que não só está aberta, como protagoniza esse tipo de discussão. A SBPC Educação, em sua visão, “deve vir a público demonstrar resiliência para que as coisas voltem para o rumo”. Sua esperança reside então numa juventude que não só está aberta, como protagoniza esse tipo de discussão. A SBPC Educação, em sua visão, “deve vir a público demonstrar resiliência para que as coisas voltem para o rumo”. SBPC Educação Jaime Ramírez: SBPC em Montes Claros discute relação entre ciência, sociedade e formação de recursos humanos. Foto: Marcílio Lana/ UFMGPara o reitor Jaime Ramirez, a SBPC Educação, evento que integra as comemorações dos 90 anos da UFMG, representa a oportunidade de refletir sobre o futuro de todas as escolas públicas e gratuitas do país. “É um chamado a todos nós para repercutir a relação entre ciência, sociedade e formação de recursos humanos. São inquietantes os desafios que nos aguardam no caminho de defender nossas instituições e atuar na construção do país. A UFMG nunca deixará de resistir”, disse o reitor, destacando o orgulho por ser natural de Montes Claros, cidade que sedia o evento. Vanderlan da Silva Bolzani, vice-presidente da SBPC, faz coro à fala do reitor: “Só o conhecimento é capaz de tirar a sociedade de apatia e da desesperança. Aqui estão profissionais que podem mudar o destino da nação. É preciso pegar pelas mãos as crianças e mostrar que, por meio da educação, elas vão descobrir os segredos do mundo e se tornar profissionais éticos e felizes”. Edição: Gabriel Araújo sob supervisão de Alessandra Ribeiro
Revista Veja ironiza deputada Raquel Muniz

– Uma cicerone perfeita – Deputada que entrou para a história no impeachment de Dilma acompanha estudantes interessados em como a imprensa lida com a corrupção – A Revista Veja, de maior circulação no Brasil, ironizou a deputada montes-clarense Raquel Muniz, na edição que circulou nesse final de semana, por ter levado um grupo de estudantes para saber como a imprensa lida com a corrupção. Com o título “Uma cicerone perfeita – Deputada que entrou para a história no impeachment de Dilma acompanha estudantes interessados em como a imprensa lida com a corrupção”, o jornalista Gabriel Mascarenhas publicou na coluna Radar, que “Raquel Muniz (PSD-MG), uma das deputadas que compuseram a claque de Michel Temer no pronunciamento da última terça-feira, aproveitou o vazio da semana de São João para passear pelo Congresso com estudantes que queriam entrevistar parlamentares sobre como a imprensa trata a corrupção”. Vai além: “Cicerone melhor, impossível. Para quem não lembra, durante a sessão em que a Câmara aprovou o impeachment de Dilma Rousseff, a excelência entrou para a história. Ao votar “sim”, Raquel fez um discurso em defesa da ética e usou o marido, prefeito de Montes Claros, Ruy Muniz, como exemplo de conduta. No dia seguinte, ele foi preso pela Polícia Federal. Não se sabe se os estudantes entrevistaram a deputada…”. A deputada Raquel Muniz assumiu destaque essa semana no jornalismo digital também, pois vários deles, como o UOL, do Grupo Folha de São Paulo, publicou a participação dela no ato realizado pelo presidente Michel Temer contra o procurador geral de Justiça, Rodrigo Janot. O curioso é que no mesmo dia o procurador tinha pedido o arquivamento de um dos três processos contra Raquel Muniz, dessa vez por fraudes em certificados da Soebras/Funorte. Com informação de Girleno Alencar – Jornal Gazeta
Geddel, parceiro de Temer é preso pela PF

– Peça chave da queda de Dilma, o ex-ministro braço-direito de Michel Temer já está na Superintendência da Polícia Federal em Brasília, onde chegou no início desta madrugada – – O ex-ministro Geddel Vieira Lima, um dos principais assessores de Michel Temer, foi preso na segunda-feira 3 pela Polícia Federal, na Bahia. Decisão foi do juiz Vallisney de Souza, titular da 10ª Vara Federal de Brasília, tomada no âmbito da Operação Cui Bono, deflagrada em janeiro deste ano, e que investiga fraudes em créditos da Caixa Econômica Federal, onde ele ocupava o cargo de vice-presidente. De acordo com o Ministério Público Federal, Geddel “valeu-se de seu cargo na Caixa para, de forma orquestrada, beneficiar empresas com liberações de créditos dentro de sua área de alçada e fornecer informações privilegiadas para outros membros da quadrilha composta, ainda, por Eduardo Cunha” e outros. O suposto esquema de fraudes na liberação de créditos da Caixa ocorreu entre 2011 e 2013. GEDDEL É PRESO, MAS NÃO ENCONTRA MÃE DE ZÉ DE ABREU NA CADEIA O ator Zé de Abreu, conhecido nas redes sociais por entrar em discussões com políticos por conta de seu posicionamento alinhado à esquerda, ironizou, nesta segunda-feira (3), a prisão do ex-ministro de Temer, Geddel Vieira Lima. “Tadinha da minha mãe, morreu há tanto tempo. Já ele foi pra cadeia mesmo”, tuitou o ator. A provocação se deu por conta de uma resposta grosseira do ex-ministro em 2015. Abreu havia, na ocasião, questionado Geddel sobre uma possível prisão. De forma mal educada, então, o ex-ministro respondeu: “Só se for para visitar sua mãe”. Agora, pouco mais de 18 meses depois da provocação, Geddel foi preso pela Polícia Federal no âmbito da Operação Cui Bono, a mesma que prendeu Eduardo Cunha, por tentar atrapalhar as investigações. Via 247 e Revista Fórum
Papa Francisco vai reparar injustiça contra Boff

– O Papa Francisco vai convocar Leonardo Boff ao Vaticano para promover o que ele considera uma “reparação” à perseguição sofrida pelo teólogo brasileiro; o teólogo foi interrogado pela igreja para dar esclarecimentos sobre a Teologia da Libertação, da qual ele é um dos ideólogos, e forçado a largar a batina em 1991 – Do blog Mondolivro – O Papa Francisco vai convocar Leonardo Boff ao Vaticano para promover o que ele considera uma “reparação” à perseguição sofrida pelo teólogo brasileiro. Perseguição esta que o fez sentar na cadeira na qual Giordano Bruno e tantos outros hereges, na época da Inquisição, estiveram para se submeterem a um interrogatório que terminava, quase sempre, na fogueira. Boff ali sentou-se para dar esclarecimentos sobre a Teologia da Libertação, da qual ele é um dos ideólogos. Nossa sorte é que o querido ex-Frei não foi queimado – mas forçado a largar a batina, em 1991. Ouçam Afonso Borges na Rádio BandNews Belo Horizonte, teclando AQUI.
Governo credencia hospital alvo de corrupção

Para manter no poder, Temer ignora irregularidades e libera R$ 3 milhões para hospital da deputada Raquel Muniz O ministro da Saúde Ricardo Barros autorizou na última sexta-feira (30), em Montes Claros, o início do processo de credenciamento do Hospital das Clínicas Mário Ribeiro, o mesmo hospital que foi alvo de corrupção, por fraudar documentos para permitir que ele fosse credenciado ao SUS sem passar por processo licitatório, na gestão de Ruy Muniz a frente da Prefeitura de Montes Claros, tendo recebido um repasse de R$ 1 milhão de recursos do SUS. Além disso, de acordo com a PF, somente em outubro de 2015, o grupo de Muniz retirou cerca de 26 mil consultas especializadas e 11 mil exames dos hospitais públicos municipais. Além de favorecer seu hospital, Ruy Muniz ainda denegria a imagem de hospitais públicos e filantrópicos da região, inclusive utilizando veículos de comunicação da região, segundo denúncia da Polícia Federal na época da operação Máscara da Sanidade II – Sabotadores da Saúde, que investigou fraudes para favorecer o dito hospital. Na ocasião, a PF prendeu Ruy Muniz, um dia depois da sua mulher deputada Raquel Muniz, ter elogiado o então prefeito de Montes Claros, ao votar a favor do processo de impeachment de Dilma Rousseff. “Meu voto é pra dizer que o Brasil tem jeito, o prefeito de Montes Claros mostra isso para todos nós com sua gestão”, afirmou. O histerismo da deputada Raquel Muniz gritando sim, sim, sim, no dia do impeachment de Dilma Rousseff e a prisão do seu marido Ruy Muniz, no dia seguinte Ruy Muniz (PSB) foi preso pela Polícia Federal no dia 18 de abril e ficou trancafiado até o 27 de julho do ano passado. Dia 15 de setembro, ele teve sua prisão decretada novamente, mas fugiu, reaparecendo quatro dias depois, quando conseguiu salvo-conduto da justiça eleitoral.Na época, o delegado da Polícia Federal Marcelo Eduardo Freitas, declarou que a fraude e o ataque às outras instituições de saúde do município estão relacionados. “O credenciamento do Hospital das Clínicas Mário Ribeiro e o ataque aos hospitais públicos e filantrópicos da região eram fatos absolutamente conexos e visavam beneficiar o grupo econômico do governo municipal”, esclareceu Freitas.Agora, mesmo diante de várias irregularidades, o governo de Michel Temer autorizou R$ 3 milhões para o credenciamento do Hospital Mário Ribeiro, que já foi apelidado de hospital das fraudes. “Vou autorizar R$ 3 milhões para o credenciamento do Hospital Mário Ribeiro. O valor significa uma disponibilidade do ministério para os serviços que forem prioritários, dentro do entendimento da região da necessidade de saúde”, afirmou. Compra de votosRecentemente, o deputado federal Givaldo Carimbão, do PHS de Alagoas, disse que o Michel Temer tem comprado deputados para aprovar as reformas trabalhista e previdenciária; “Para aprovar a reforma Trabalhista e da Previdência, Michel Temer está comprando deputados na Câmara Federal. Ele [Temer] me propôs escolher cargos em Alagoas. Eu poderia escolher qualquer cargo e a presidência ainda me liberaria emendas para adquirir tratores e outros veículos para a agricultura familiar. Prontamente, respondi que ele ficasse com o dinheiro e cargos, pois preferia a aposentadoria do trabalhador”, denunciou Carimbão, que defende eleições diretas para presidente.Será que este credenciamento do Hospital das Clínicas Mário Ribeiro, mesmo sendo alvo de corrupção, não seria para comprar o voto da deputada Raquel Muniz? Deputada Raquel Muniz (ao fundo) quando apareceu ao lado de Temer durante discurso de defesa atacando o procurador-geral da República, Rodrigo Janot
FIM DO AUMENTO DO BOLSA FAMÍLIA

O intuito era conceder aumento de 4,6% no benefício como uma maneira de aumentar a popularidade do governo. Por conta da crise financeira, a equipe econômica avaliou que não há espaço no Orçamento para a medida. De acordo com assessores de Temer, não há previsão para retomar a discussão do assunto. O aumento seria de um ponto percentual acima da inflação dos últimos 12 meses. No entanto, com a menor arrecadação, as contas do governo pioraram muito. Para compensar a suspensão do reajuste, o governo quer incluir mais 150 mil famílias no programa. No entanto, a fila daqueles que pleiteiam o benefício é de cerca de 420 mil famílias, segundo o Ministério do Desenvolvimento Social. Em seu primeiro ano de governo, Temer concedeu um aumento de 12,5% nos pagamentos do Bolsa Família. Via Uol
STF DECRETOU O FIM DA LAVA JATO

– E nenhum coxinha bate mais panelas, pois os ladrões são seus ídolos – Era inevitável: depois que a Lava Jato fugiu do script original, que previa a destruição do PT e do ex-presidente Lula, e passou a atingir também as forças golpistas – leia-se o PMDB e de Michel Temer e o PSDB de Aécio Neves – o Supremo Tribunal voltou a ser garantista; num mesmo dia, o senador Aécio Neves (PSDB-MG) teve seu mandato devolvido e o homem da mala Rodrigo Rocha Loures foi solto; constrangidos, os jornais que apoiaram o golpe agora retratam esse novo velho Brasil – O novo Brasil que seria “salvo” pela Operação Lava Jato voltou a ser o velho Brasil de sempre, onde o Poder Judiciário atua de forma “garantista” em relação aos poderosos. Para que a mudança ocorresse, foi necessário que a Lava Jato saísse do script original. O roteiro inicial previa a derrubada da presidente legítima Dilma Rousseff, a destruição do Partido dos Trabalhadores e a inelegibilidade do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. No entanto, como os dois principais protagonistas do golpe de 2016, o senador afastado Aécio Neves (PSDB-MG) e o peemedebista Michel Temer, foram flagrados nos grampos da JBS em conversas nada republicanas, foi preciso dar um freio de arrumação. Ontem, na sexta-feira gorda de junho, Aécio teve seu mandato devolvido pelo ministro Marco Aurélio Mello e Temer pôde respirar aliviado com a liberdade concedida a seu homem da mala Rodrigo Rocha Loures pelo ministro Edson Fachin. Constrangidos, os jornais que se associaram ao golpe que desmoralizou o País – a ponto de o Brasil ter se tornado incapaz de participar da reunião do G20 – tiveram que noticiar essa volta à velha ordem. No Globo, noticia-se “Um passo atrás – STF devolve mandato a Aécio e liberta Rocha Loures”. Na Folha, um editorial de Otávio Frias Filho aponta que as evidências contra os dois são devastadoras. No Estado de S. Paulo, o que mais descaradamente defende o golpe, há um certo clima de alívio com a libertação de Rocha Loures. Afinal, o Brasil voltou a ser o Brasil.
Agora canalha? Renan reconhece o erro

– Depois de renunciar à liderança do PMDB na quarta-feira, chamando Temer de covarde e apontando a influência de Eduardo Cunha em seu governo, o senador Renan Calheiros reconheceu que o impeachment da presidente eleita Dilma Rousseff foi um erro pelo qual o país está pagando caro. – É claro que foi um erro. A ideia de que todos os problemas se resolveriam com o afastamento dela foi uma estratégia do Eduardo Cunha para governar sob as costas do Michel. Quando ela entregou a coordenação política ao Temer, eu tentei mostrar que aquela era uma aliança temerária. Todos os problemas se agravaram e agora a crise política está chegando a uma situação-limite, está cobrando uma saída, seja com a antecipação de eleições, como defendeu o Fernando Henrique, seja com a adoção do parlamentarismo. Agora que me liberei do desconforto da liderança espero poder contribuir mais neste sentido. Renan votou a favor do impeachment mas tenta mitigar sua participação no “erro” que foi o golpe lembrando ter sido ele o articulador da solução que preservou os direitos políticos da ex-presidente. Esta indulgência, entretanto, não alterou a natureza do golpe nem evitou suas consequências. Outro apoiador do golpe que deu o braço a torcer foi o prefeito de São Paulo, João Dória, ao dizer nesta sexta-feira em Brasília que a situação pós-impeachment “é triste”. Embora evitando mencionar as graves acusações que pesam contra Temer e a possibilidade de seu afastamento do cargo, Dória faz uma autocrítica dissimulada: – É óbvio que eu não esperava também que, depois de Lula e depois de Dilma, tivéssemos essas circunstâncias que hoje temos. É triste. Reconheço que é triste. É triste mas os tucanos continuam integrando o governo e dando apoio a Temer. A Renan, deve-se reconhecer a capacidade que sempre teve de saltar de barcos furados na primeira hora, credenciando-se a participar da nova configuração de poder. Ele repete agora, com Temer, o mesmo caminho que seguiu em relação a Collor de Mello, com o qual rompeu ainda antes do impeachment. No discurso e nas entrevistas que deu após renunciar à liderança do PMDB, um dos argumentos que ele mais repisou foi o de que Eduardo Cunha continua dando as cartas no governo de Temer. Ninguém da equipe palaciana desmentiu sua afirmação de que, na semana passada, a ministra-chefe da AGU, Grace Fernandes, esteve para ser demitida e substituída por Gustavo Rocha, secretário de Assuntos Jurídicos da Casa Civil, ligado a Eduardo Cunha, para atender a uma exigência dele, vinda lá do presídio de Curitiba. “Temer acabou recuando na última hora”, assegura Renan. Ele evita fazer prognósticos sobre a votação, pela Câmara, do pedido de licença do STF para que Temer seja julgado por corrupção passiva, insistindo na busca de uma solução pactuada. – O entorno do atual presidente apodreceu, tal como em 1954 com Getúlio. Quando isso acontece, o tecido institucional se fragiliza muito. Não se pode perder tempo. Getúlio resistiu a tirar uma licença do cargo, como lhe pediam os militares. Quando ele finalmente se dispôs a aceitar esta imposição, os militares não queriam mais e tivemos aquele desfecho trágico. Não sei quanto tempo ainda vai durar o atual governo mas as forças políticas responsáveis precisam dialogar em busca de uma saída. A crise está chegando a seu limite. Nada indica, entretanto, que alguma pactuação poderá acontecer antes da votação do pedido de licença pela Câmara, possivelmente em agosto.