Efeito Lula: desemprego no Brasil cai para 5,6% e repete recorde histórico

Brasil tem menor taxa de desocupação desde o início da série em 2012 A taxa de desemprego no Brasil recuou para 5,6% no trimestre encerrado em agosto de 2025, mantendo-se no menor nível da série histórica iniciada em 2012. O índice representa queda de 0,6 ponto percentual em relação ao trimestre anterior e de 1 ponto percentual frente ao mesmo período de 2024. Segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a população desocupada somou 6,08 milhões de pessoas, a menor já registrada. Ocupação em alta e renda estável A população ocupada alcançou 102,4 milhões de trabalhadores, com aumento de 555 mil pessoas no trimestre e 1,9 milhão em relação a 2024. O nível de ocupação permaneceu no recorde de 58,8%. O rendimento médio real foi de R$ 3.488, estável em relação ao trimestre anterior, mas 3,3% maior que no ano passado. A massa de rendimento habitual chegou a R$ 352,6 bilhões, crescendo 5,4% em um ano. Subutilização e desalento em queda A taxa de subutilização caiu para 14,1%, também o menor patamar da série, enquanto o número de desalentados recuou para 2,7 milhões — o menor desde janeiro de 2016. Emprego formal bate recorde O setor privado registrou 52,6 milhões de empregados, novo recorde histórico. Entre eles, 39,1 milhões possuíam carteira assinada, crescimento de 3,3% em um ano. Em contrapartida, os trabalhadores sem carteira caíram para 13,5 milhões. O setor público manteve 12,9 milhões de empregados, enquanto os trabalhadores por conta própria chegaram a 25,9 milhões. Setores em destaque A agricultura, pecuária e pesca cresceram 4,4% no trimestre, enquanto a administração pública, saúde e educação avançaram 1,7%. Já os serviços domésticos tiveram queda de 3%. No rendimento médio, agricultura, construção, administração pública e serviços domésticos apresentaram ganhos significativos na comparação anual.
Cassação de Eduardo Bolsonaro – PT pede suspeição de Marcelo Freitas

O líder do PT, deputado Lindbergh Farias, argumenta que a escolha de Freitas para relatar o processo de cassação de Eduardo não foi “neutra” O líder do PT na Câmara dos Deputados, Lindbergh Farias (RJ), pediu à presidência de Hugo Motta (Republicanos-PB) a troca do parlamentar definido pelo Conselho de Ética para relatar o processo de cassação de Eduardo Bolsonaro (PL-SP). Os petistas argumentam que o Delegado Marcelo Freitas (União Brasil-MG), escolhido como relator, mantém ligações políticas e pessoais com Bolsonaro, o que colocaria em xeque a imparcialidade da ação. “O risco à imparcialidade é, portanto, duplo: de um lado, a relação de amizade pessoal e vínculos funcionais com Eduardo Bolsonaro; de outro, a convergência ideológica e política com as pautas defendidas pelo investigado e por seu grupo político”, argumenta Farias. O ofício foi protocolado nesta segunda-feira (29/9). O PT avalia, ainda, que a manutenção da escolha feita dará um caráter de “julgamento de cartas marcadas” à ação. O partido também cita que a continuidade da relatoria com Marcelo Freitas transformará o Conselho de Ética “em instância de blindagem política”. O pedido é despachado à direção da Câmara e também menciona suposta suspeição do presidente da comissão, deputado Fábio Schiochet (União Brasil-SC). “Tanto o relator quanto o presidente já se manifestaram publicamente em defesa do investigado, em franca violação aos princípios que devem reger este processo”, alega o PT. Não há previsão de resposta do presidente Hugo Motta sobre a requisição feita. Cassação O deputado Marcelo Freitas pretende apresentar até quarta-feira (1º/10) o relatório preliminar sobre o processo de cassação de Eduardo Bolsonaro. Nesta etapa inicial, ele indicará se a ação deve seguir ou não para análise do Conselho de Ética. A expectativa é que o parecer sobre a admissibilidade do processo seja levado à votação no dia 7. Em caso de aprovação, começa a fase de instrução do processo. Nessa etapa, Eduardo Bolsonaro poderá indicar até oito testemunhas para prestar depoimento ao Conselho. O prazo regimental para a conclusão do processo é de 90 dias. No entanto, a intenção de Marcelo Freitas é concluir o caso antes do fim do ano, de preferência no mês de novembro. Dessa forma, o processo não se arrastaria até o ano eleitoral. Marcelo Freitas tem histórico de proximidade com a família Bolsonaro e apoiou as duas campanhas do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) ao Palácio do Planalto. Governistas resgataram vídeos do parlamentar ao lado de Eduardo, como um de 2019 em que ele chama o colega de “amigo”, para criticar sua nomeação. Também citaram que ele votou de forma alinhada a pautas bolsonaristas, como a urgência do PL da Anistia e a PEC da Blindagem. Ao final do processo, o relator pode pedir a absolvição ou a condenação de Eduardo Bolsonaro. Se ele sugerir censura, advertência, suspensão de até seis meses do mandato, a decisão é definitiva dentro do próprio colegiado. Mas se a pena proposta for a de cassação do mandato, o parecer precisa ser votado em plenário da Câmara, em votação aberta e com maioria absoluta (257 deputados).
Veto a celular leva 80% dos alunos a prestar mais atenção nas aulas

Pesquisa aponta impacto positivo da medida, mas alerta para desafios como tédio, ansiedade e bullying Mais de 80% dos estudantes brasileiros afirmam que passaram a prestar mais atenção nas aulas após a restrição ao uso de celulares em sala. Os dados fazem parte de uma pesquisa divulgada pela Agência Brasil, realizada pela Frente Parlamentar Mista da Educação em parceria com o Equidade.info, iniciativa ligada ao Lemann Center da Stanford Graduate School of Education. O levantamento mostra que o impacto é mais perceptível nos primeiros anos do Ensino Fundamental I, onde 88% dos estudantes disseram estar mais concentrados. Já no Ensino Médio, o índice chega a 70%. Para os organizadores da pesquisa, os números comprovam que a lei sancionada em janeiro de 2025, que proíbe o uso de celulares em escolas, trouxe efeitos práticos para o ambiente de aprendizado. Redução do bullying virtual e desafios comportamentais A pesquisa também revelou que 77% dos gestores e 65% dos professores perceberam queda no bullying virtual, fenômeno comum no ambiente escolar digitalizado. No entanto, apenas 41% dos alunos disseram sentir essa mudança, o que sugere subnotificação de casos ou dificuldade de percepção pelos próprios estudantes. Apesar dos avanços, o estudo aponta efeitos colaterais: 44% dos alunos disseram sentir mais tédio nos intervalos e recreios, índice que sobe para 47% entre estudantes do Fundamental I. Além disso, 49% dos professores relataram aumento da ansiedade entre os jovens, especialmente pela ausência do celular como meio de interação. Diferenças regionais e percepções políticas Regionalmente, o Nordeste apresentou o melhor resultado: 87% dos estudantes apontaram avanços na atenção e no ambiente escolar. No Centro-Oeste e no Sudeste, os índices foram menores, com 82% de avaliação positiva. O presidente da Frente Parlamentar Mista da Educação, deputado Rafael Brito, destacou a importância da medida: “Proteger nossos estudantes do uso do celular em sala de aula é garantir um ambiente mais saudável e focado no aprendizado. O resultado que vemos hoje é a confirmação de que a educação precisa ser prioridade, com políticas que cuidem do presente e preparem o futuro dos nossos jovens.” Já a presidente do Equidade.info, Claudia Costin, alertou que ainda há obstáculos a enfrentar: “Houve uma queda significativa no bullying virtual na visão dos gestores, mas é crucial ouvirmos os estudantes que ainda sentem o problema. Ou seja, a conclusão é que a restrição foi positiva, mas sozinha não basta: as escolas precisam criar alternativas de interação e estratégias específicas para cada idade.” Estratégias pedagógicas e futuro da lei Para o coordenador do Equidade.info e docente da Stanford, Guilherme Lichand, os dados reforçam a necessidade de estratégias pedagógicas adaptadas: “Os resultados confirmam que a regulação do uso de celulares trouxe ganhos importantes para o aprendizado. Mais do que limitar o uso do telefone celular, a lei abre espaço para repensarmos como a escola se conecta com os alunos. O próximo passo é garantir que a aplicação da lei seja efetiva em todas as etapas, respeitando as particularidades de cada contexto escolar.” Segundo Lichand, a meta é transformar a restrição em política duradoura, unindo desempenho acadêmico e bem-estar estudantil. Metodologia da pesquisa O estudo ouviu 2.840 alunos, 348 professores e 201 gestores em escolas públicas municipais, estaduais e privadas de todas as regiões do país, entre maio e julho de 2025.
Atlético-MG vence o Bolívar e avança para a semifinal da Sul-Americana

No embalo da torcida, mais de 34 mil torcedores empurraram o Atlético para a classificação na Sul-Americana. Galo quer manter o ritmo para a sequência de jogos na Arena MRV Quando o Atlético vivia o seu pior momento na temporada, com sete jogos seguidos sem vencer, a torcida foi quem empurrou o clube para uma vitória que pode significar muito na temporada alvinegra. Na noite dessa quarta-feira (24), mais de 34 mil torcedores acompanharam a classificação do Galo na Copa Sul-Americana na Arena MRV, após bater o Bolívar (BOL) por 1 a 0. Agora, time e torcida querem seguir o embalo para retomar às vitórias no Brasileirão. A classificação para as semifinais da Copa Sul-Americana foi essencial para o Atlético. A equipe vive a expectativa de brigar pelo último grande título na temporada e, não apenas isso, por uma vaga na Copa Libertadores do próximo ano. Ocupando a 16ª posição na tabela do Brasileirão, o Galo é o primeiro time fora da zona de rebaixamento, três pontos à frente do Vitória, e está há 12 pontos do Bahia, o primeiro colocado na zona de classificação para a Libertadores. Por isso, conquistar a Sul-Americana é de suma importância para o Atlético. Mas, até lá, a equipe precisa voltar a vencer no Brasileirão para escapar de qualquer risco de rebaixamento. Para isso, o Galo quer contar com o apoio da torcida nos dois próximos jogos, contra Mirassol, no sábado (27), e contra o Juventude, na terça-feira (31). As duas partidas fecham uma sequência de três jogos na Arena MRV que podem dar novo significado para a temporada do Atlético. Vencer os dois jogos pode significar um salto para a décima posição na tabela. Além disso, diminuiria a distância até os 45 pontos, número mágico para as equipes que desejam fugir do rebaixamento no Brasileirão. O Atlético ainda tem duas partidas a menos na competição, contra Sport e Fortaleza, a serem realizadas
Arbitragem errou em 1 de cada 5 lances polêmicos no 1º turno do Brasileirão

Levantamento é baseado em pareceres de comitê de especialistas da CBF Os árbitros que atuaram na primeira metade da Série A do Campeonato Brasileiro e nas oitavas de final da Copa do Brasil acertaram 53 dos 65 lances polêmicos que foram alvos de contestações pelos clubes envolvidos. Assim, o índice de acerto foi de 82%, o que equivale a um erro da arbitragem a cada cinco marcações. Os números fazem parte de relatório divulgado pela CBF nesta quarta-feira (24), baseado em documento estatístico elaborado pela Comissão de Arbitragem. Ele reúne todos os pareceres produzidos pelo Comitê Consultivo de Especialistas Internacionais (CCEI) da confederação. O CCEI foi criado no início do ano e se reúne semanalmente para debater lances polêmicos nas rodadas do Brasileirão. Formado pelos ex-árbitros Néstor Pitana (Argentina), Nicola Rizzoli (Itália) e Sandro Meira Ricci, que atuaram nas Copas do Mundo de 2014 e 2018, o comitê analisa as marcações e avalia se a atuação do árbitro foi correta. Ao todo, 62 lances polêmicos de jogos do primeiro turno do Brasileirão e três de partidas da Copa do Brasil foram analisados. Desse total, o CCEI considerou que 12 delas tiveram decisões equivocadas por parte dos árbitros. CBF exalta baixo índice de erros de arbitragem no universo de marcações Apesar dos erros em jogadas consideradas decisivas, a Comissão de Arbitragem ressalta que o número é pequeno entre todos os lances importantes analisados pelos árbitros a cada partida. “Considerando que cada partida demanda, em média, 30 grandes decisões por partes dos árbitros, em 19 rodadas com 10 partidas, o número de grandes decisões é de 5.700. Dentro deste total, os 12 erros identificados pelo CCEI correspondem a 0,21% de todos os lances importantes analisados”, informou a CBF.
Ex-governadores enviam carta a Zema contra locação de Palácio da Liberdade para eventos privados

Eduardo Azeredo, Antonio Anastasia, Aécio Neves e Fernando Pimentel assinam texto que critica medida do governo de Minas sobre prédio histórico Quatro ex-governadores de Minas Gerais enviaram uma carta ao atual chefe do Executivo estadual, Romeu Zema (Novo), se posicionando contra à locação do Palácio da Liberdade, na região Centro-Sul de Belo Horizonte, para eventos e atividades privadas. O texto, assinado por Eduardo Azeredo (1995 a 1998), Aécio Neves (2003 a 2010), Antonio Anastasia (2011 a 2014) e Fernando Pimentel (2015 a 2018), foi divulgado nesta quarta-feira (24/9), cinco dias após uma portaria da Fundação Clóvis Salgado autorizar o espaço a se tornar palco de eventos particulares. Na carta, os ex-governadores citam o fato do Palácio da Liberdade ser um Patrimônio Histórico do Estado. O espaço era sede do governo de Minas, antes da transferência para a Cidade Administrativa. O edifício também chegou a ser usado como residência de diversos chefes do Executivo estadual. Azeredo, Neves, Anastasia e Pimentel relatam “inegável surpresa” ao tomarem conhecimento da portaria que autorizou a locação do Palácio da Liberdade para eventos privados. “Tal deliberação, a nosso ver, macula as mais legítimas tradições de nossa história política, pois o símbolo máximo do Poder Público do Estado deixa a sua função essencial e se transforma em cenário de exibição de interesses privados. É fato que o Palácio da Liberdade já serviu de palco para diversas manifestações culturais, sociais e gastronômicas, mas todas elas de iniciativa oficial e com reconhecido caráter de interesse público.” Os ex-governadores temem que, com a locação, haja uma “banalização” do edifício que, hoje, compõe o Circuito Liberdade. A carta, que uniu figuras do PSDB e do PT, reforça que a preocupação vai além de posicionamento político, partidário ou ideológico. “Em outras palavras, na prática, assistiremos à privatização do uso do Palácio, na contramão do simbolismo adquirido pela edificação ao longo da história, qual seja, o de representar, com altivez, a defesa dos valores de Minas”, dizem os ex-governadores. A autorização para locação do Palácio da Liberdade foi publicada no último dia 19 de setembro. A medida libera a utilização de áreas internas e externas do prédio, como o alpendre, hall de entrada, escadaria principal, Sala Rosada, Sala Vermelha, torreões, cinema, tenda e jardins. Os espaços poderão receber tanto ações públicas e institucionais quanto eventos privados, como casamentos, aniversários, confraternizações, coquetéis, lançamentos de produtos e produções audiovisuais.
CCJ do Senado rejeita PEC da Blindagem por unanimidade e enterra proposta da Câmara

Após aprovação expressiva da Câmara dos Deputados, colegiado do Senado aprovou relatório contra a proposta BRASÍLIA – A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado Federal rejeitou, nesta quarta-feira (24/9), por unanimidade, a PEC da Blindagem, que amplia a proteção de parlamentares contra investigações na Justiça. Com 26 votos a favor e nenhum contra, os senadores aprovaram o relatório do senador Alessandro Vieira (MDB-SE), que pediu rejeição integral da matéria —aprovada na Câmara dos Deputados com ampla maioria. Para Vieira, a proposta de emenda à Constituição protegeria “autores de crimes como corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa, o que configura claro desvio de finalidade e inconstitucionalidade”. Vieira também rejeitou uma emenda sugerida pela oposição ao governo, que buscava limitar a ampliação das prerrogativas a processos por crimes contra a honra, como calúnia, difamação e injúria. O presidente da CCJ, senador Otto Alencar (PSD-BA), afirmou que, apesar da rejeição no colegiado, que em tese encerraria a tramitação, há um acordo com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), para levar o texto ao plenário. Sendo assim, o plenário deve confirmar rejeição. Após a leitura do parecer de Vieira, na manhã desta quarta-feira, os senadores discutiram a PEC e criticaram colegas da Câmara. A oposição, embora tenha apoiado a rejeição do texto, fez ressalvas ao Judiciário. Aprovada às pressas pelos deputados federais, a proposta gerou críticas nas redes e protestos em várias cidades do país no domingo (21/9). Diante da repercussão negativa, deputados passaram a justificar seus votos. A PEC foi articulada pelo Centrão e deputados do PL, com o apoio do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB). Ele afirma que, apesar do que dizem os críticos, o texto não blinda parlamentares de processos por crimes comuns. Para ele, o objetivo é conter excessos do Judiciário e “fortalecer o livre exercício do mandato”. Principais pontos O texto altera aspectos sensíveis da legislação, como regras sobre medidas cautelares, instauração de processos e foro privilegiado para presidentes de partidos. Ele modifica um trecho da Constituição sobre imunidade parlamentar, já retificado em 2001 pela Emenda Constitucional nº 35. O novo substitutivo, porém, resgata a exigência de autorização do Congresso para que parlamentares respondam a processos criminais e inclui dispositivos que endurecem as condições para investigação e prisão de deputados e senadores. As mudanças poderiam afetar, por exemplo, apurações relacionadas ao uso indevido de emendas. Pela proposta, a Casa à qual o parlamentar pertence deve deliberar, em votação secreta, sobre a abertura de investigação em até 90 dias após o recebimento da ordem do Supremo Tribunal Federal (STF). Caso a autorização seja negada, o processo judicial permanecerá suspenso enquanto durar o mandato. Essa exigência do voto secreto chegou a ser derrubada com a aprovação de um destaque. No entanto, em uma manobra regimental por meio de emenda aglutinativa, deputados do Centrão reverteram a derrota. A proposta também estende o foro privilegiado a presidentes de partidos políticos em casos de infrações penais comuns. Hoje, a medida poderia beneficiar dirigentes como Edinho Silva (PT), Gilberto Kassab (PSD), Antonio Rueda (União), Valdemar Costa Neto (PL) e Carlos Lupi (PDT). O projeto é mais um capítulo na escalada de tensão entre o Legislativo e o Judiciário. Parte do Congresso defende que o parlamento precisa “dar o troco” ao STF, em reação a investigações sobre a transparência nas emendas e crimes contra a democracia.
IFNMG terá curso técnico em Inteligência Artificial 100% a distância a partir de 2026

Serão 1.120 vagas para o primeiro semestre; edital do Processo Seletivo deve ser publicado ainda neste mês de setembro O Instituto Federal do Norte de Minas Gerais (IFNMG), por meio do Centro de Referência em Formação e Educação a Distância, Desenvolvimento Regional e Projetos de Inovação (Ceadi), acaba de anunciar a criação do primeiro curso técnico em Inteligência Artificial de toda a Rede Federal de Educação Profissional e Tecnológica. O curso será gratuito e totalmente na modalidade a distância, com primeiras turmas a partir do primeiro semestre de 2026. O edital do Processo Seletivo deve ser publicado ainda neste mês de setembro. No cenário atual, em que a inteligência artificial (IA) mostra-se como motor principal para a inovação, a competitividade e o desenvolvimento econômico, as universidades têm respondido com novos cursos de graduação na área. O mercado de trabalho, no entanto, mostra uma necessidade ainda mais urgente: profissionais técnicos, capazes de aplicar no dia a dia as ferramentas de IA já disponíveis, de forma prática e eficiente. É nesse contexto que surge o novo curso do IFNMG. Setores como o comércio e os serviços, além de áreas estratégicas como o agronegócio, a indústria 4.0, a saúde e o setor financeiro, demandam profissionais que saibam usar essas soluções de maneira concreta para melhorar processos, otimizar resultados e gerar inovação. A formação a ser ofertada também levará em conta o desenvolvimento de um senso crítico sobre o uso da IA, para compreensão de impactos, limites e riscos, de forma a promover o uso consciente da tecnologia. Inteligência artificial A IA pode ser entendida como a capacidade que se dá às máquinas para aprender com dados e, a partir daí, gerar previsões, criar conteúdos, sugerir caminhos ou tomar decisões que impactam diretamente tanto o mundo digital quanto o físico. Os profissionais técnicos a serem formados pelo IFNMG serão qualificados para aplicar e integrar soluções aplicadas de IA, utilizando fundamentos de programação, ciência de dados e aprendizado de máquina, com uma atuação crítica, ética e inovadora. A formação será multi e interdisciplinar, influenciada por áreas como psicologia, filosofia e neurociência. Ao final do curso, o profissional terá adquirido habilidades e competências para: aplicar modelos de aprendizado de máquina e redes neurais para análise de dados, automação e suporte a decisões empresariais; integrar aplicações baseadas em IA para segmentação de clientes, análise preditiva, reconhecimento de imagens e processamento de linguagem natural; atuar na área comercial e de serviços, trazendo a inovação das ferramentas de IA para o dia a dia das empresas, melhorando e agilizando seus processos internos para aumentar a produtividade; criar e gerenciar negócios inovadores utilizando IA, aplicando conhecimentos adquiridos em empreendedorismo digital e engenharia de prompt; desenvolver sistemas considerando aspectos legais, privacidade e impactos sociais da IA, de forma ética e responsável. O curso O curso técnico em Inteligência Artificial do IFNMG será ofertado na forma subsequente, ou seja, para quem já tiver concluído o ensino médio na data de matrícula. A duração será de 18 meses, com carga horária total de 1.200 horas. Será integralmente na modalidade a distância, ou seja, não estão previstos encontros presenciais obrigatórios, sendo todas as interações e avaliações realizadas por meio do Ambiente Virtual de Aprendizagem e de ferramentas de webconferência. As atividades a distância ocorrerão em momentos síncronos e assíncronos. As atividades síncronas são aquelas que acontecem em tempo real e devem ser acompanhadas simultaneamente por todos os alunos, sendo previamente agendadas, como seminários e plantões de dúvidas. Já as atividades assíncronas são as que os estudantes podem realizar em momentos diferentes, cada um escolhendo o melhor horário, de acordo com sua rotina. Esse é o caso, por exemplo, das videoaulas e dos fóruns de discussão. Parte da carga horária do curso será destinada a práticas profissionais planejadas e articuladas às disciplinas, com aplicação prática dos conhecimentos teóricos estudados no curso, a exemplo de análise de situação-problema, elaboração e execução de projetos. Essas práticas profissionais ocorrerão ao longo do curso e também poderão contemplar atividades de pesquisa e extensão voltadas para o atendimento e/ou desenvolvimento da comunidade. Não será exigido estágio curricular supervisionado como requisito obrigatório para a conclusão do curso. Um grande diferencial são as certificações intermediárias a que o aluno terá direito antes mesmo de se formar como técnico em Inteligência Artificial, ao final do curso: após o primeiro semestre, ele receberá certificação como Assistente em Inteligência Artificial e Dados Aplicados; e, ao concluir o segundo semestre, como Desenvolvedor Júnior em Inteligência Artificial e Linguagem Natural Aplicada. Processo Seletivo Para o primeiro semestre de 2026, o IFNMG abrirá 1.120 vagas para o curso técnico em Inteligência Artificial, divididas entre os campi e polos do IFNMG, conforme relação abaixo: Unidade Polo Vagas CEADi CEADi – Montes Claros 160 Almenara Campus Almenara 40 Araçuaí Campus Araçuaí 40 Itinga 40 Arinos Campus Arinos 80 Urucuia 40 Flores de Goiás 40 Janaúba Nova Porteirinha 40 Verdelândia 40 Januária Campus Januária 40 Montes Claros Campus Montes Claros 40 Pirapora Campus Pirapora 160 Porteirinha Riacho dos Machados 40 Serranópolis de Minas 40 Salinas Campus Salinas 40 Teófilo Otoni Capelinha 40 Carlos Chagas 40 Governador Valadares 40 Itambacuri 40 Nanuque 40 Teófilo Otoni 40 Total 1.120 A seleção dos alunos será por meio de análise curricular (histórico escolar). O edital com todas as regras e datas da seleção deve ser publicado ainda neste mês de setembro, com ampla divulgação neste portal eletrônico e no Instagram @ifnmg_oficial. Implantação Para implantar o curso técnico em Inteligência Artificial, o Ceadi/IFNMG contou com uma comissão de servidores, presidida pelo professor Petrônio Cândido de Lima e Silva, que é doutor em Inteligência Computacional. E, para a oferta da formação, foi convocado um time de professores do próprio Ceadi e também dos campi Almenara, Arinos, Januária, Montes Claros e Pirapora. A implantação do curso foi aprovada pelo Conselho Superior do IFNMG neste mês de setembro. Para mais informações, confira o Projeto Pedagógico do Curso Técnico em Inteligência Artificial.
Justiça indeniza vítima do transporte coletivo na cidade

Ação contou com a intermediação do vereador Rodrigo Cadeirante. Mulher teve o braço mutilado em lotação e receberá R$ 22 mil * Por Waldo Ferreira O Moc Bus, Consórcio que explora o transporte coletivo em Montes Claros, foi condenado pela Justiça a pagar mais de R$ 22 mil a uma usuária que teve o braço esmagado pela porta traseira de um lotação. A indenização é resultado de um processo movido pela vítima com intermediação do gabinete do vereador Rodrigo Cadeirante, que colocou seu departamento jurídico à disposição das pessoas que sofrem acidentes em decorrência da má qualidade na prestação serviço de transporte público na cidade. Antes de ser eleito vereador, o próprio Rodrigo Cadeirante já havia ganho ação dos concessionários, alegando que os ônibus não ofereciam acessibilidade. Ele, que tem severas limitações motoras e se vale de uma cadeira de rodas para transitar, foi indenizado em R$ 53 mil. Na época, anunciou que usaria parte desse recurso para ajudar outras vítimas que não tivessem condições de custear ações judiciais contra o prestador.. “Vi nessa iniciativa uma forma de motivar as vítimas desse descaso a procurarem orientação jurídica, para fazer valer seus direitos. Faço questão de usar a tribuna da Câmara e minhas redes sociais para colocar meu mandato à disposição dessas pessoas”, reforçou. Posteriormente, Rodrigo Cadeirante vem, reiteradamente, denunciando as omissões praticadas pelo Moc Bus e seus descumprimentos do contrato de prestação de serviço com o município. Suas críticas já lhe valeram vários processos por parte dos empresários do setor, mas o vereador venceu todos, num total de 9. O último foi justamente o ganho de causa na ação indenizatória à senhora que machucou o braço depois que a porta traseira foi fechada com o veículo superlotado. Tratou-se de uma demanda por danos materiais e morais. “Eu denunciei aqui o episódio que vitimou uma senhora que teve o braço mutilado pela porta. Ela foi espremida e jogada para fora no momento em que a porta fechou. O juiz já intimou o Moc Bus a pagar R$ 22, 164 mil a ela”, revelou. Uma das mazelas apontadas pelo vereador diz respeito à obrigação dos motoristas terem que desempenhar múltiplas funções, como, por exemplo, fazer as vezes de cobrador, recebendo a passagem e passando o troco; embarcar e desembarcar cadeirantes, além de dirigirem o veículo. “Isso, num trânsito que nós sabemos não ser dos melhores. Ou seja, esses trabalhadores também são vítimas dessas empresas picaretas”, considera. Cadeirante denuncia ainda que as empresas pararam de pagar o plano de saúde, o que comprometeu o tratamento de uma de suas funcionárias, que lutava contra um câncer e acabou falecendo por mais essa omissão. Outro problema está relacionado às más condições dos carros para trafegar. Só na semana passada, três deles tiveram problemas mecânicos enquanto transportavam os passageiros. No início do mês, um ônibus pegou fogo na rua Dr. Santos, pleno centro da cidade. * Jornalista
Lula é aclamado na ONU ao defender soberania e chamar Trump de autocrata

Além de expor o golpe de Bolsonaro, presidente brasileiro, diante dos olhos de todo o mundo, enviou duro recado à extrema direita e aos “falsos patriotas” que atentam contra a democracia O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, logo no início de seu discurso na abertura da 80ª Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova York (EUA), nesta terça-feira (23), enviou um duro recado à extrema direita mundial e fez referência direta às recentes retaliações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ao Brasil – que incluem o tarifaço de 50% sobre as exportações brasileiras e sanções contra membros do governo e ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). Segundo Lula, tais medidas configuram “atentados à soberania” e evidenciam uma crise do multilateralismo e enfraquecimento da democracia. Adotando um tom firme, o presidente garantiu que o Brasil resistirá a qualquer ataque ou tentativa de interferência externa. “O multilateralismo está diante de nova encruzilhada. A autoridade desta organização está em xeque. Assistimos à consolidação de uma desordem internacional marcada por seguidas concessões à política do poder. Atentados à soberania, sanções arbitrárias e intervenções unilaterais estão se tornando regra. Existe um evidente paralelo entre a crítica do multilateralismo e o enfraquecimento da democracia. O autoritarismo se fortalece. Quando a sociedade internacional vacila na defesa da paz, soberania e direito, as consequências são trágicas”, declarou Lula. Na sequência, o presidente brasileiro fez referência direta à cultura da violência presente no bolsonarismo e na extrema direita como um todo e expôs para o mundo todo a tentativa de golpe de Estado deflagrada por Jair Bolsonaro – bem como a condenação do ex-presidente. Lula ainda mencionou, indiretamente, o deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) ao falar em “falsos patriotas” que promovem ações contra o Brasil. “Em todo o mundo, forças antidemocráticas tentam subjugar as instituições e sufocar as liberdades. Cultuam a violência, exaltam a ignorância, atuam como milícias físicas e digitais e cerceiam a imprensa. Mesmo sob ataques sem precedentes, o Brasil optou por resistir e defender a democracia reconquistada há 40 anos pelo seu povo, depois de duas décadas de governos ditatoriais. Não há justificativa para as medidas unilaterais e arbitrárias contra nossas instituições e economia. A agressão contra a independência do poder judiciário é inaceitável. Essa ingerência em assuntos internos conta com o auxílio de uma extrema direita subserviente e saudosa de antigas hegemonias. Falsos patriotas arquitetam e promovem publicamente ações contra o Brasil. Não há pacificação com impunidade. Há poucos dias e pela primeira vez em quinhentos e vinte e cinco anos de nossa história, um ex-chefe de estado foi condenado por atentar contra o Estado Democrático de Direito. Foi investigado, indiciado e julgado e responsabilizado pelos seus atos em um processo minucioso. Teve amplo direito de defesa prerrogativa que as ditaduras negam as suas vítimas”, pontuou. Aclamado Na sequência, Lula reforçou que a soberania do Brasil não está em negociação, se referindo a Trump como “candidato a autocrata” e, neste momento, foi aclamado com aplausos pela plateia. “Diante dos olhos do mundo o Brasil deu um recado a todos os candidatos a autocratas e aqueles que os apoiam: nossa democracia e nossa soberania são inegociáveis”. “Seguiremos como nação independente e como povo livre de qualquer tipo de tutela”, emendou o mandatário. Veja vídeo Lula é aclamado na ONU ao defender soberania, chamar Trump de autocrata e expor golpe de Bolsonaro Veja vídeo: pic.twitter.com/GvqZXvbqUO — Revista Fórum (@revistaforum) September 23, 2025