Presidente Lula recebe alta hospitalar depois de hemorragia e operação

Ele agradece equipe médica, relata episódio da queda e reforça compromisso com o país O presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebeu alta hospitalar neste domingo (15), após se recuperar de uma cirurgia no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo. A equipe médica informou que o pós-operatório transcorreu conforme o esperado, mas que Lula ainda precisará de repouso e cuidados médicos nos próximos dias. De acordo com os médicos, o presidente não pode realizar atividades físicas ou viagens internacionais no momento. A previsão é que ele retorne a Brasília na próxima quinta-feira (19), onde fará uma tomografia de controle para monitorar a cicatrização interna. Durante esse período, ele está autorizado a receber visitas, realizar reuniões e continuar atividades de trabalho moderadas, desde que respeite as orientações médicas. A equipe médica destacou que a evolução de Lula é positiva, mas a recuperação completa demandará acompanhamento nas próximas semanas, incluindo exames regulares e repouso. O retorno às atividades em Brasília será gradual e monitorado
Só os homens do dinheiro continuam intactos na estrutura do golpe

A prisão do general Braga Netto aciona a repetição de obviedades. A primeira é a que anuncia para breve a prisão de Bolsonaro. Seria o que resta para que o roteiro seja encerrado, depois do cumprimento de todas as etapas e com todos os personagens envolvidos. * Por Moisés Mendes Não é bem assim. O roteiro estará incompleto, mesmo se Bolsonaro e outros generais forem encarcerados. Ficará faltando o elo empresarial do golpe, o setor que movimentou milionários e uma dinheirama incalculável, desde muito antes do 8 de janeiro. O mecanismo que, na máquina do fascismo, sustentou a disseminação em massa de ódio e mentira, já em 2018. Que deu suporte financeiro à rede do gabinete das milícias digitais do Planalto. Que muitas vezes subiu em palanques para pregar o golpe, se Bolsonaro falhasse na eleição. Que depois da eleição incitou as turbas a irem para as estradas. Que, quando os patriotas vacilavam e ouviam as manifestações de fé de Braga Netto, apelou para que não saíssem das rodovias. O setor empresarial que sustentou as máquinas bolsonaristas acionadas pela delinquência digital não é o mesmo dos laranjas que pagavam despesinhas. É o grupo com dinheiro grosso e capacidade de retórica e militância nas redes, até agora o único intocável, o mais impenetrável, o que não sofreu nenhum dano. Polícia Federal, Ministério Público e Alexandre de Moraes já desvendaram e alcançaram os idealizadores, os planejadores, os executores e os mandaletes do golpe, os civis e os fardados. Mas a facção do setor empresarial, que agiu também na pandemia com a produção e propagação de fake news, está intacta. Se Moraes teve a coragem de tirar de Braga Neto a chance de participar da divisão do panetone da família, às vésperas do Natal, é certo que terá, e logo, a mesma disposição para chegar ao núcleo endinheirado do golpismo. Uma estrutura empresarial que, pelo poder econômico, deve se sentir imune e inalcançável. Mas Moraes sabe, todos sabemos, que também essa ala não tem mais o suporte de ninguém. Leia também: STF rejeita recurso de Bolsonaro para afastar Moraes do inquérito do golpe Xandão manda prender Braga Netto, vice de Jair Bolsonaro, por obstrução judicial Braga Netto, Bolsonaro, Anderson Torres, Mauro Cid, todos foram abandonados pelos parceiros políticos e pela elite empresarial da velha direita, que apenas fingem protegê-los. Por isso, não temam reações a um cerco aos empresários golpistas. A maioria, apesar de milionários, nunca seria convidada a sentar-se à mesa com os rapazes de Campos Neto na Faria Lima. São de outras milícias periquitas que nem os talheres sabem usar. Essa facção, que reuniu conhecidos tios do zap, não tem nada, além de investigações intermináveis, que a imobilize, como aconteceu com os outros setores do golpe amordaçados por medidas cautelares. Continua atuando e se rearticulando. A inteligência da Polícia Federal deve saber em detalhes o que eles fazem. Os arapongas da Abin são sabedores. Moraes sabe o que eles continuam planejando. Se não abatumarem o panetone dessa facção, o serviço ficará pela metade. É preciso tirar do conforto os tios milionários líderes do fascismo, ou eles passarão o Natal e o Ano Novo como os únicos intocáveis da estrutura extremista em funcionamento desde a eleição de Bolsonaro em 2018. Moisés Mendes é jornalista em Porto Alegre, autor de “Todos querem ser Mujica” (Editora Diadorim) – https://www.blogdomoisesmendes.com.br/
Bolsonaro quebra silêncio, se junta a Mourão e choraminga sobre prisão de Braga Netto

O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) quebrou o silêncio e criticou a prisão do general Walter Braga Netto, ex-ministro de seu governo e seu companheiro de chapa na eleição de 2022. Em publicação no X, antigo Twitter, na noite de sábado (14), o ex-capitão questionou: “Como alguém, hoje, pode ser preso por obstruir investigações já concluídas? Há mais de 10 dias o ‘Inquérito’ foi concluído pela PF, indiciando 37 pessoas e encaminhado ao MP”. Hamilton Mourão (Republicanos-RS), ex-vice-presidente de Bolsonaro e atual senador, também choramingou contra a prisão do general. Mourão classificou a ação como “atropelo das normas legais” e defendeu Braga Netto, afirmando que ele “não representa nenhum risco para a ordem pública”. A declaração foi feita nas redes sociais. O General Braga Netto não representa nenhum risco para a ordem pública e a sua prisão nada mais é do que uma nova página no atropelo das normas legais a que o Brasil está submetido. — General Hamilton Mourão (@GeneralMourao) December 14, 2024 Prisão de Braga Netto A prisão de Braga Netto foi decretada pelo STF, com base em suspeitas de obstrução à justiça no inquérito que apura a tentativa de golpe de Estado de 2022. Segundo a Polícia Federal (PF), a operação também cumpriu mandados de busca e apreensão e outras medidas cautelares relacionadas a atividades que estariam interferindo na instrução processual penal. A defesa de Braga Netto ainda não se pronunciou. O general foi detido no quartel da 1ª Divisão do Exército, no Rio de Janeiro, por decisão judicial. As investigações apontam que ele teria participado de reuniões que incluíram discussões sobre um suposto plano para assassinar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), seu vice, Geraldo Alckmin e Alexandre de Moraes, ministro do STF. Esses encontros, de acordo com a PF, teriam ocorrido na casa de Braga Netto e faziam parte da trama golpista organizada por núcleos bolsonaristas. PGR deu aval à prisão de Braga Netto e disse ser imprescindível O procurador-geral da República (PGR), Paulo Gonet (foto), concordou com a prisão do general Walter Braga Netto, no mesmo dia em que o ministro Alexandre de Moraes assinou a decisão, no último dia 10 de dezembro (terça-feira). “O pedido da autoridade policial (PF) convence da imprescindibilidade da providência em prol do avanço das investigações (…)”, disse o procurador. Gonet explicou no parecer que haveria “clara pertinência lógica”, e que haveria “necessidade”, “adequação” e “proporcionalidade da medida”. Por isso, a prisão preventiva seria uma medida capaz de garantir a ordem pública, segundo Gonet, para evitar a “continuidade do esquema criminoso deflagrado” e também a “interferência nas investigações que seguem em curso”. Ainda de acordo com o PGR, a partir do que se colheu de provas, são necessárias mais diligências para um juízo adicional e mais abrangente sobre a autoria dos crimes. O procurador-geral também identificou que existem provas o suficiente para as medidas de busca e apreensão nas casas dos investigados. Isso porque há, na avaliação do PGR, fortes indícios dos crimes de tentativa de abolição violenta do Estado democrático, golpe de Estado, dano qualificado pela violência e grave ameaça contra o patrimônio da União, e com considerável prejuízo para a vítima, além de deterioração do patrimônio tombado. Na decisão que autorizou a prisão, Moraes diz que a PF identificou que o general tentou obter detalhes da delação do tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro, prestada em setembro do ano passado, o que fica caracterizada obstrução de Justiça. Ele fez contatos com o pai de Mauro Cid, o general Mauro César Lourena Cid. Mauro Cid confirmou a tentativa do general à Polícia Federal. Outro argumento aponta que a PF, no dia 8 de fevereiro deste ano, data da deflagração da operação “Tempus Veritatis”, encontrou papeis na mesa do coronel Flávio Botelho Peregrino, assessor de Braga Netto, que orientariam perguntas e respostas sobre delação.
MOBILIDADE- Obra de ponte sobre o Rio São Francisco será retomada

Governo do Estado anunciou emissão da ordem de serviços nesta sexta-feira (13/12). O custo é estimado R$ 158,6 milhões Paralisadas há um ano e sete meses, as obras da ponte sobre o Rio São Francisco, no município homônimo, no Norte de Minas, serão retomadas no começo do próximo ano, assim que terminar o período chuvoso. O governo de Minas, por meio do Departamento Estadual de Estradas de Rodagem (DER –MG), emitiu a ordem de serviços para o reinício das obras nesta sexta-feira (13/12). Aguardada há mais de 70 anos, a obra foi iniciada em 2022, mas parou em maio de 2023, com apenas 20% de conclusão, tendo os serviços interrompidos pela empresa responsável pela execução. A ponte será uma das maiores já construídas em Minas, com 1.120 metros de extensão e 13,8 metros de largura. A assinatura da ordem de serviços foi anunciada em Montes Claros, no Norte de Minas, pelo vice-governador Mateus Simões em encontro com lideranças da região, durante o Fórum das Águas, promovido pela Sociedade Rural de Montes Claros, com o apoio do Banco do Nordeste e outros parceiros. Leia também: Apresentadas propostas para construção da maior ponte sobre o Rio São Francisco Os serviços de conclusão da ponte vão custar R$ 158,6 milhões. A licitação foi vencida pelo consórcio PRSF, formado pelas empresas S. A. Paulista de Construções e Comércio, Azevedo e Travassos Infraestrutura Ltda (de São Paulo) e Benito Roggio e Hijos Sociedad Anonima (da Argentina). O resultado da concorrência tinha sido anunciado em 5 de novembro. A construção da ponte vai acabar com o transtorno da travessia por meio de balsas e barcos, o que representa a esperança de desenvolvimento e de melhor qualidade de vida dos moradores da cidade de São Francisco, às margens do Velho Chico. A nova estrutura vai fazer a conexão com o município de Pintópolis, pela rodovia MG-402. A travessia de balsa costumava ser demorada, trazendo prejuízos para o motoristas de carros pequenos e de veículos de cargas e também para os pacientes transportados de ambulâncias. “Essa ponte, juntamente com a conclusão da rodovia Pintópolis-Urucuia, criará um novo eixo de ligação entre Montes Claros e Brasília, transformando a logística e a economia do Norte de Minas”, destacou Mateus Simões. “À medida que a nova estrutura encurta distância e diminui o tempo de deslocamento, também influencia a forma como as cidades se desenvolvem, o que gera reflexos importantes na economia”, avalia o diretor-geral do DER MG, Rodrigo Tavares. Leia também: Tragédia de Brumadinho viabilizará a construção da ponte no Velho Chico A ponte está incluída no programa Caminhos pra Avançar. A verba é oriunda do acordo firmado entre o governo de Minas e a mineradora Vale, para reparar perdas e danos decorrentes do desastre com o rompimento da barragem da Mina do Córrego do Feijão, ocorrido em Brumadinho, em janeiro de 2019. A construção da travessia sobre o Velho Chico é reivindicada desde 1950, época em que Juscelino Kubitschek, ainda candidato ao governo de Minas, tinha como mote de campanha “Energia e Transporte”. De acordo com o edital de licitação, o consórcio vencedor do certame terá o prazo de 720 dias para execução dos trabalhos, contado a partir da assinatura da ordem de início. (Jornal Estado de Minas)
Xandão manda prender Braga Netto, vice de Jair Bolsonaro, por obstrução judicial

Ele atuou na tentativa de golpe de estado contra o presidente Lula. Walter Braga Netto é o primeiro general quatro estrelas do Exército preso na história do Brasil. A Polícia Federal prendeu, na manhã deste sábado (14), o general da reserva Walter Braga Netto, ex-ministro da Casa Civil do governo Jair Bolsonaro (PL) e candidato a vice-presidente na chapa derrotada de 2022. A operação, realizada na residência de Braga Netto no Rio de Janeiro, também incluiu buscas e apreensões em endereços associados ao militar. Ele está detido no Comando Militar do Leste, onde permanecerá enquanto seguem as investigações. Leia a nota da Polícia Federal: A Polícia Federal cumpre, na manhã deste sábado (14/12), mandados judiciais expedidos pelo Supremo Tribunal Federal em face de investigados no inquérito que apurou a tentativa de golpe de Estado para impedir a posse do governo legitimamente eleito em 2022. Estão sendo cumpridos um mandado de prisão preventiva, dois mandados de busca e apreensão e um a cautelar diversa da prisão contra indivíduos que estariam atrapalhando a livre produção de provas durante a instrução processual penal. As medidas judiciais têm como objetivo evitar a reiteração das ações ilícitas. Walter Braga Netto é o primeiro general quatro estrelas do Exército preso na história do Brasil. “Nem na ditadura outro general quatro estrelas havia sido preso. Na época, eles foram mandados para a reserva”, indica Lauro Jardim, em sua coluna no jornal O Globo. Braga Netto, ex-chefe da Casa Civil e ex-ministro da Defesa de Jair Bolsonaro, foi detido em Copacabana, onde mora no Rio de Janeiro, e será entregue ao Comando Militar do Leste. Ele ficará sob custódia do Exército. “A propósito, Braga Netto vai ficar detido no mesmo pelotão que comandou em 2016, nas Olimpíadas do Rio”, lembra o jornalista. A seguir, veja o que se sabe sobre a investigação Qual é o inquérito? Quem é Braga Netto? Quais são os mandados? Por que Braga Netto foi preso? Quais suspeitas que recaem sobre Braga Netto? O que diz a defesa? O que diz o exército? Qual é o inquérito? A Polícia Federal investiga uma tentativa de golpe de Estado no Brasil. A conclusão do inquérito aponta uma organização criminosa que atuou de forma coordenada na tentativa de golpe para manter Bolsonaro após derrota na eleição de 2022. A investigação começou no ano passado e foi concluída dois dias após a Polícia Federal (PF) prender 4 militares e um policial federal acusados de tentar matar Lula, Alckmin e Moraes. Em novembro, 37 pessoas foram indiciadas suspeitas de: abolição violenta do Estado democrático de Direito, golpe de Estado e organização criminosa. Quem é Braga Netto? Braga Netto é um dos alvos da operação da PF por tentativa de dar golpe de Estado — Foto: André Dusek/Estadão Conteúdo Braga Netto é um dos alvos da operação da PF por tentativa de dar golpe de Estado — Foto: André Dusek/Estadão Conteúdo Walter de Souza Braga Netto é general da reserva do Exército, ex-ministro-chefe da Casa Civil e da Defesa do governo Bolsonaro e candidato a vice na chapa que perdeu a eleição presidencial de 2022. Nascido em Belo Horizonte (MG), o militar tem 67 anos. Ele entrou para o Exército em 1975. Em 2018, foi nomeado interventor da Segurança no Rio de Janeiro, durante o governo de Michel Temer (MDB), comandando as polícias Civil e Militar, o Corpo de Bombeiros e o sistema penitenciário do estado. Em fevereiro de 2020, Braga Netto entrou no governo Bolsonaro como ministro da Casa Civil. No ano seguinte, trocou de posição e assumiu o Ministério da Defesa. Um ano depois, deixou o ministério no prazo para concorrer às eleições de 2022 – ele acabou sendo o candidato a vice-presidente na chapa derrotada de Jair Bolsonaro. Quais são os mandados? A Polícia Federal cumpriu o mandado de prisão e fez buscas na casa do general, no Rio de Janeiro. Segundo apuração, o celular dele foi apreendido. Além disso, o Exército confirmou que foi feita uma busca na casa do Coronel Flávio Botelho Peregrino, também da reserva, em Brasília. Por que Braga Netto foi preso? Ao pedir a prisão preventiva de Braga Netto neste sábado, a PF argumentou a liberdade de Braga Netto representa um risco à ordem pública devido à possibilidade de voltar a cometer ações ilícitas. Teve participação relevante nos atos criminosos. Nas palavras de um investigador, era “a cabeça, o mentor do golpe- mas sob comando de Bolsonaro”. A Polícia Federal diz que Braga Netto: Coordenou ações ilícitas executadas por militares com formação em Forças Especiais (“kids pretos”) Entregou dinheiro em uma sacola de vinho para financiar as operações Tentou obter dados sigilosos do acordo de colaboração de Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Bolsonaro. Tentou controlar as informações fornecidas e alinhar versões entre os investigados Teve ação efetiva na coordenação das ações clandestinas para tentar prender e executar o ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes Quais suspeitas que recaem sobre Braga Netto? Ele é suspeito de participar de uma tentativa de golpe de Estado e de assassinato de autoridades. Plano, elaborado pelo general da reserva Mario Fernandes, foi apresentado a Braga Netto em reunião na casa dele em novembro de 2022. Na casa de Braga Netto, o tenentes-coronéis Mauro Cid e Ferreira Lima, e o major Rafael de Oliveira discutiram o plano junto a Braga Netto, que teria aprovado o documento. Braga Netto também é destacado como arquiteto da trama e alguém que atuou ativamente para reunir apoio ao plano golpista, segundo a Polícia Federal. Novos elementos também dão conta de que Braga Netto teria inclusive atuado nos financiamentos das ações ilegais, ao fazer repasses em dinheiro vivo a militares das Forças Especiais, os chamados “kids pretos”, usando até embalagens de vinhos. O que diz a defesa? A defesa de Braga Netto ainda não se pronunciou. Em novembro, depois de ser indiciado, Braga Netto disse que ‘nunca se tratou de golpe’ e nem de ‘plano de assassinar alguém’. O que diz o exército? Em nota, o Centro de Comunicação
STF rejeita recurso de Bolsonaro para afastar Moraes do inquérito do golpe

Decisão de 9 a 1 confirma legitimidade de Moraes e afasta alegação de parcialidade; durante julgamento virtual, prevaleceu o voto de Barroso, relator do caso Nesta sexta-feira (13), o Supremo Tribunal Federal (STF) rejeitou, por 9 votos a 1, o recurso apresentado pela defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro para afastar o ministro Alexandre de Moraes da relatoria do inquérito que investiga a tentativa de golpe de Estado. A decisão mantém Moraes no comando das investigações, reforçando o entendimento de que ele não figura como vítima direta nos crimes apurados. A defesa de Bolsonaro argumentou que Moraes estaria impedido de atuar por ser suposta vítima, mas a maioria dos ministros não viu fundamentos para tal afastamento. O relator do caso, ministro Luís Roberto Barroso, afirmou que os crimes em questão afetaram a coletividade e não um indivíduo específico. “A simples alegação de que o ministro Alexandre de Moraes seria vítima dos delitos em apuração não conduz ao automático impedimento de sua excelência para a relatoria da causa, até mesmo porque os crimes de abolição violenta do Estado Democrático de Direito e de tentativa de golpe de estado têm como sujeito passivo toda a coletividade, e não uma vítima individualizada”, explicou Barroso. Seu voto foi seguido pelos ministros Flávio Dino, Edson Fachin, Gilmar Mendes, Cristiano Zanin, Dias Toffoli, Cármen Lúcia, Luiz Fux e Nunes Marques. André Mendonça O único voto favorável ao impedimento de Moraes foi do ministro André Mendonça. Para ele, Moraes está na condição de vítima e não pode continuar comandando o inquérito. “Ao constatar que o eminente ministro arguido sofreria, direta e imediatamente, consequências graves e tangíveis, como prisão – ou até mesmo morte –, se os relatados intentos dos investigados fossem levados a cabo, parece-me presente a condição de diretamente interessado”, justificou Mendonça. Em novembro, a Polícia Federal (PF) indiciou Bolsonaro e outros 36 aliados pela tentativa de golpe, revelando planos que incluíam o assassinato de Alexandre de Moraes, do presidente Lula e do vice-presidente Geraldo Alckmin. Com a decisão, Alexandre de Moraes permanece à frente do inquérito, consolidando a postura do STF contra ações antidemocráticas e investigações relacionadas a ataques às instituições.
Lula sanciona lei que regula mercado de carbono no Brasil

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou a lei que regulamenta no Brasil o mercado de créditos de carbono e cria o Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões de Gases de Efeito Estufa (SBCE). A Lei 15.042/24 foi publicada na edição desta quinta-feira (12) do Diário Oficial da União (DOU). O mercado de carbono permite que empresas e países compensem as emissões por meio da compra de créditos vinculados a iniciativas de preservação ambiental. A intenção do marco regulatório é incentivar a redução das emissões poluentes e amenizar as mudanças climáticas. O SBCE divide o mercado de crédito de carbono brasileiro em dois setores: o regulado e o voluntário. O primeiro envolve iniciativas do poder público. Já o segundo se refere à iniciativa privada, mais flexível. Para o chamado setor regulado, o texto prevê a criação de um órgão gestor responsável por criar normas e aplicar sanções a infrações cometidas pelas entidades que se sujeitarão a ele. Será o caso das próprias iniciativas governamentais ou de organizações que emitam mais de 10 mil toneladas de dióxido de carbono equivalente (CO2e) por ano. O CO2 equivalente é uma medida usada para comparar as emissões de diferentes gases de efeito estufa, que leva em conta o potencial de aquecimento global de cada substância e representa o total em quantidade de gás carbônico que teria o mesmo potencial. A Petrobras, por exemplo, emitiu 46 milhões de toneladas de CO2e em 2023, segundo relatório da estatal. As organizações sujeitas à regulação deverão fornecer plano de monitoramento e relatórios das atividades ao órgão gestor. O setor do agronegócio, no entanto, não será atingido pelo projeto. Já o mercado voluntário é caracterizado por transações de créditos de carbono ou de ativos integrantes do SBCE, voluntariamente estabelecidos entre as partes, para fins de compensação voluntária de emissões de gases de efeito estufa (GEE), e que não geram ajustes correspondentes na contabilidade nacional de emissões. Com o Protocolo de Kyoto, de 1997, a redução das emissões de gases do efeito estufa passou a ter valor econômico. Esse entendimento ganhou força com o Acordo de Paris, em 2015. Por isso, o crédito é como um certificado que países, empresas ou pessoas compram para mitigarem a emissão dos gases. Os mercados de crédito de carbono permitem que empresas, organizações e indivíduos compensem as emissões de gases de efeito estufa a partir da aquisição de créditos gerados por projetos de redução de emissões e/ou de captura de carbono. A ideia é transferir o custo social das emissões para os agentes emissores, o que ajuda a conter o aquecimento global e as mudanças climáticas. No Câmara, o projeto que originou a lei (PL 182/24) foi aprovado em novembro deste ano.
Bolsonarismo avalia romper com Zema e articular candidatura própria em minas

O cenário político mineiro está se desenhando de forma diferente para as eleições de 2026. O governador Romeu Zema (Novo), que já sinalizou sua preferência pelo vice-governador Mateus Simões (Novo) como sucessor, pode enfrentar uma situação inédita: o rompimento do apoio do bolsonarismo, que avalia lançar um candidato próprio ao governo de Minas Gerais. Entre os nomes mais cotados estão o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) e o senador Cleitinho Azevedo (Republicanos-MG). Essa possível divisão seria a primeira desde que Zema chegou ao poder em 2018, sempre contando com o apoio indireto do grupo bolsonarista. Em 2022, o Partido Liberal (PL) chegou a lançar Carlos Viana como candidato ao governo, mas, na prática, Jair Bolsonaro e outras lideranças do partido apoiaram a reeleição de Zema. Contudo, o distanciamento entre o governador e o ex-presidente tornou-se evidente nos últimos meses. A relação entre Zema e Bolsonaro esfriou após o governador mineiro evitar comentar o indiciamento de Bolsonaro por tentativa de golpe e sua ausência em um evento com o ex-presidente durante a última campanha em Belo Horizonte. Além disso, Zema optou por apoiar um candidato do Republicanos, e não Bruno Engler, o nome do PL, no primeiro turno das eleições municipais. Somente no segundo turno, ele declarou apoio ao candidato bolsonarista. Aliados de Zema, no entanto, refutam a tese de afastamento. Mateus Simões afirma que o governador sempre esteve alinhado à direita, mas nunca fez parte diretamente do grupo bolsonarista. “Nós somos da direita, sempre fomos. Não pertencemos propriamente ao grupo do Bolsonaro, mas estivemos ao lado dele nas eleições e estaríamos de novo, se necessário”, disse Simões. O vice-governador destaca ainda que a estratégia de Zema é manter a direita unida para evitar que a esquerda tenha chances de ir ao segundo turno nas eleições estaduais. Segundo ele, a possibilidade de uma divisão só beneficiaria adversários políticos. “Eles [Nikolas e Cleitinho] têm legitimidade para querer concorrer. Nunca disseram nada disso para o governo, mas as declarações que tenho visto sinalizam para esse caminho”, afirmou. Entre os nomes cotados pelo bolsonarismo para concorrer ao governo mineiro, Cleitinho Azevedo tem se mostrado mais explícito em suas intenções. Recentemente, ele declarou no Senado estar à disposição para a disputa e reforçou que há um diálogo com Nikolas Ferreira sobre apoio mútuo. “Se o Nikolas quiser ser candidato, estarei aqui para apoiá-lo. Caso contrário, estou à disposição de Minas Gerais”, disse Cleitinho, que garantiu que não permitirá o retorno de governos passados ao poder no estado. Nikolas, por outro lado, tende a se candidatar novamente a deputado federal, segundo integrantes do PL mineiro. O objetivo seria alavancar votos para fortalecer a bancada federal, já que o deputado obteve 1,5 milhão de votos em 2022, resultado que ajudou a eleger outros parlamentares da sigla. Cleitinho, que tem mandato de senador até 2030, não enfrentaria riscos ao tentar o governo estadual. Ele é conhecido por sua popularidade nas redes sociais, onde utiliza um discurso crítico à política tradicional e ao governo Lula. Recentemente, porém, surpreendeu ao elogiar a proposta do governo de isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil e ao apoiar uma PEC que extingue a escala de trabalho de seis dias com um dia de folga. Cleitinho afirmou que recebeu um convite do Novo para ser candidato ao governo mineiro pela legenda, mas essa informação foi negada por Christopher Laguna, presidente estadual do partido. “Convidamos Cleitinho para integrar o Novo no ano passado, mas não existe compromisso para que ele seja candidato a governador. Nosso compromisso é com Mateus Simões”, declarou Laguna. Simões, no entanto, pode estar de saída do Novo para o PSD, sigla liderada nacionalmente por Gilberto Kassab. Caso isso se concretize, o cenário político mineiro se tornaria ainda mais complexo, já que o PSD é atualmente aliado de Lula e deve apoiar a candidatura de Rodrigo Pacheco ao governo estadual em 2026. Essa movimentação colocaria em xeque a articulação da direita no estado. Nos bastidores, as discussões continuam. Enquanto Zema busca alinhar seu grupo em torno de Mateus Simões, o bolsonarismo avalia qual estratégia adotar para conquistar o Palácio Tiradentes. Apesar das declarações de unidade, a tensão entre os dois grupos é evidente e promete ser um dos fatores decisivos para a próxima eleição em Minas Gerais. O desfecho dessa disputa política em Minas Gerais dependerá da capacidade de articulação de Zema e de seu grupo para manter a direita unida, além das decisões estratégicas do PL e do Republicanos. A possibilidade de o bolsonarismo romper definitivamente com o governador, apresentando uma candidatura própria, não apenas abriria espaço para uma disputa mais fragmentada, mas também poderia alterar significativamente o equilíbrio de forças na política estadual. Com o cenário ainda indefinido, resta aguardar os próximos movimentos das lideranças envolvidas para entender qual será o rumo da direita mineira nas eleições de 2026. Certo é que, independentemente dos desdobramentos, a disputa pelo governo de Minas promete ser uma das mais intensas e polarizadas do próximo pleito.
Senado aprova projeto de regulamentação da reforma tributária

O Senado Federal aprovou, nesta quinta-feira (12), o maior projeto de regulamentação da reforma tributária, encaminhando-o novamente à Câmara dos Deputados para análise final antes da sanção presidencial, prevista para este ano. A proposta é considerada uma das reformas mais importantes das últimas três décadas, promovendo mudanças significativas no sistema tributário brasileiro. O texto aprovado regulamenta os novos impostos criados pela reforma: a Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), de âmbito federal, e o Imposto sobre Bens e Serviços (IBS), de âmbito estadual e municipal, que substituirão tributos como IPI, ICMS, ISS, PIS e Cofins. A alíquota padrão estimada da reforma foi elevada para 28%, tornando-se uma das mais altas do mundo. No entanto, o relator Eduardo Braga (MDB-AM) prevê uma redução gradual com a transição do sistema tributário e o combate à sonegação fiscal. Entre os destaques, as armas e munições foram excluídas do Imposto Seletivo, após pressão do PL e outros partidos. Bebidas açucaradas, como refrigerantes e sucos industrializados, também foram retiradas do rol de produtos com taxação adicional. Por outro lado, bens minerais continuarão a ser tributados pelo Imposto Seletivo, com uma alíquota máxima de 0,25%, aplicada na extração, independentemente da destinação. O texto manteve a tributação sobre apostas, veículos, embarcações e aeronaves, e incluiu uma transição escalonada para cigarros entre 2029 e 2033. Já bebidas alcoólicas artesanais poderão ter uma alíquota diferenciada, a ser regulamentada por lei ordinária. Itens da cesta básica, como carnes, queijos e erva-mate, permaneceram com alíquota zero. Produtos como biscoitos e bolachas foram incluídos na lista de alíquotas reduzidas em 60%, enquanto óleos de milho e soja passaram a ter desconto aplicado durante a produção. Medicamentos para tratamentos oncológicos, doenças raras, DST/AIDS e diabetes foram isentos de tributos, mas a lista de produtos será detalhada por lei complementar, garantindo maior transparência. Medicamentos adquiridos por órgãos públicos, hospitais e fundações que atendem ao SUS também terão alíquota zero. O setor de saneamento básico foi incluído na alíquota reduzida de 60%, evitando aumento nas tarifas de água. Serviços de saúde veterinária e dispositivos de home care também foram contemplados. Educação cultural, esportiva, recreacional e serviços funerários terão desconto de 60%, enquanto academias e profissionais liberais contarão com redução de 30%. O agronegócio foi beneficiado com a inclusão de defensivos agrícolas na alíquota reduzida de 60%, e as áreas de livre comércio do país tiveram seus benefícios prorrogados até 2073. As transações imobiliárias terão alíquota reduzida em 50%, enquanto locadores de imóveis com renda anual inferior a R$ 240 mil e até três propriedades estarão isentos de tributação sobre consumo. Motoristas de aplicativos e entregadores terão tributação limitada a 25% de sua receita bruta, sendo classificados como nanoempreendedores se os ganhos estiverem abaixo do teto para MEIs. A regulamentação prevê a criação do Comitê Gestor do IBS para administrar o recolhimento e a redistribuição dos tributos locais, atendendo a pedidos do Ministério da Fazenda. O órgão será estruturado para implementar o sistema de *split payment*, garantindo maior eficiência no recolhimento de impostos durante a transição para o novo modelo tributário, que deve ser concluída até 2026.
Cleitinho lidera disputa eleitoral para governo de Minas, aponta Quaest

Uma pesquisa da Quaest divulgada nesta quinta-feira (12) aponta que políticos de direita lideram a corrida pelo governo de Minas Gerais nas eleições de 2026. O senador Cleitinho (Republicanos) desponta como o favorito, com 26% das intenções de voto. Na segunda posição está o deputado federal e ex-governador Aécio Neves (PSDB), que aparece com 15%. A diferença entre os dois é de nove pontos percentuais. Alexandre Kalil (Republicanos), ex-prefeito de Belo Horizonte, surge logo em seguida, com 14%, enquanto o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD), registra 7%. A pesquisa apresenta uma margem de erro de três pontos percentuais para mais ou para menos, conforme informado pelo instituto. O levantamento reflete o atual cenário político mineiro, com uma ampla vantagem para Cleitinho na disputa pelo Executivo estadual.