Candidatos assinam acordo para respeitar resultados eleitorais na Venezuela; ultraliberal se recusa

Nicolás Maduro reforçou importância do documento e celebrou a assinatura do texto e afirmou que o governo “sempre assinará” tudo que seja feito para garantir a paz e estabilidade da Venezuela – Federico PARRA / AFP

Candidatos à presidência da Venezuela foram ao Conselho Nacional Eleitoral (CNE) nesta quinta-feira (20) assinar um acordo para reconhecer os resultados das eleições presidenciais de 28 de julho. O documento havia sido proposto pelo presidente da Câmara dos Deputados, Jorge Rodríguez na semana passada.
Dos 10 candidatos, 8 estiveram presentes. Somente o ex-embaixador Edmundo González Urrutia, do grupo Plataforma Unitária, e Enrique Márquez, do partido Centrados, não participaram. González Urrutia já havia se recusado a assinar o documento e nesta quinta, em publicação na rede social X (ex-Twitter), voltou a criticar o documento. Segundo ele, o texto já está contemplado no ponto 12 do acordo de Barbados –assinado entre governo e parte da oposição para definir as características das eleições.
O documento assinado pelos candidatos também reconhece que o CNE cumpriu com todas as etapas do processo estabelecido no cronograma, está de acordo com o acordo de Barbados e define que a corrida será feita em um clima de “respeito, paz e participação democrática” para que “a vontade do povo da Venezuela não seja interferida ou ignorada com atos de violência e desestabilização que ameaçam o bem estar do país”.
O presidente Nicolás Maduro celebrou a assinatura do texto e afirmou que o governo “sempre assinará” tudo que seja feito para garantir a paz e estabilidade da Venezuela.
Já Urrutia afirmou que o documento assinado em Barbados já foi “violado” pelo governo “ao revogar o convite à observação internacional da União Europeia e ao aumentar a perseguição contra líderes e simpatizantes da nossa campanha”. Ele substituiu a ex-deputada ultraliberal María Corina Machado na corrida eleitoral, que está inabilitada pela Justiça venezuelana por 15 anos. Para ele, a campanha é “desigual” e afirmou que vai trabalhar para vencer ”de forma justa”.
De acordo com o acordo de Barbados, o pleito deveria ser realizado no segundo semestre do ano e contaria com missões de observação da União Europeia, do Centro Carter (EUA) e da Organização das Nações Unidas (ONU).
Em março, o CNE anunciou ter convidado uma série de instituições de todo o mundo para acompanhar as eleições, entre elas, a União Europeia. Dois meses depois, no entanto, o órgão eleitoral cancelou o convite ao bloco depois que a UE anunciou o aumento da validade das sanções contra a Venezuela até 10 de janeiro, data da posse do presidente eleito.
A discussão sobre um acordo para reconhecer os resultados das eleições no país também foi ventilada pelo presidente da Colômbia, Gustavo Petro. Em março, durante visita a Caracas, o mandatário colombiano sugeriu a Nicolás Maduro a realização de um plebiscito antes do pleito do dia 28 de julho. A ideia era que a iniciativa garanta que o vencedor das eleições não persiga o perdedor, seja governo ou oposição. A proposta foi apoiada pelo presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

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