Deu no New York Times. O jornal americano compara a disparidade entre os sistemas políticos nos Estados e no Brasil.

Por um lado, os ex-presidentes Jair Bolsonaro, do Brasil, e Donald Trump, dos Estados Unidos, compartilharam comportamentos notavelmente semelhantes após perderem as eleições, com alegações de fraude eleitoral e invasões de prédios do governo por seus apoiadores. No entanto, suas trajetórias políticas tiveram desfechos opostos. Enquanto Trump permanece uma figura influente e pode concorrer novamente à presidência, Bolsonaro foi barrado pelo tribunal eleitoral brasileiro pelo abuso de seu poder ao questionar a integridade do sistema de votação.

Bolsonaro foi declarado inelegível pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) até 2030.

Nos EUA, a Constituição não impede que um indivíduo concorra a um cargo mesmo quando acusado ou indiciado. Trump, embora enfrente acusações, pode oficialmente ser candidato à presidência em 2024.

Por outro lado, no Brasil, a legislação estabelece que políticos que abusam de seus cargos podem ser temporariamente inelegíveis. Essa abordagem mais proativa dos tribunais brasileiros, em vez de deixar o destino nas mãos dos eleitores, deixou Bolsonaro inelegível – sem o direito de disputar um mandato político – pelo resto da década.

Essa disparidade nas consequências reflete diferenças fundamentais entre os sistemas políticos e governamentais dos dois países. Nos Estados Unidos, as eleições são conduzidas pelos estados, com poucos obstáculos para a candidatura, permitindo que Trump persista como uma figura influente. Já no Brasil, as eleições são regidas pelo TSE, que impõe restrições aos candidatos, como vimos com Bolsonaro.

O sistema político centralizado do Brasil também impediu que Bolsonaro travasse uma batalha prolongada sobre os resultados eleitorais, semelhante à experiência de Trump nos EUA.

No Brasil, o sistema de votação eletrônica agiliza a contagem dos votos, e a autoridade eleitoral central declara rapidamente o vencedor, evitando a incerteza prolongada que ocorreu nos EUA após a eleição de 2020.

Enquanto isso, o Brasil adotou uma abordagem mais agressiva contra a desinformação e teorias antidemocráticas, por meio de ações rigorosas dos tribunais. No entanto, essa postura centralizadora também gerou críticas por restringir a participação do eleitor e aumentar o poder dos juízes.

Em última análise, apesar das semelhanças nas condutas de Bolsonaro e Trump, as diferentes estruturas políticas de seus países resultaram em resultados políticos contrastantes. O sistema dos EUA deixou o destino de Trump nas mãos dos eleitores, enquanto o sistema brasileiro agiu de forma mais assertiva para proteger a jovem democracia do país, segundo o jornal The New York Times.

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