Seleção Brasileira somou mais um fracasso, desta vez contra a Noruega, e foi eliminado nas oitavas da Copa do Mundo de 2026

Zagueiro Marquinhos e lateral-esquerdo Douglas Santos disputam bola com atacante Haaland, em Brasil x Noruega (foto: Justin Setterfield/AFP)

Nova Jersey – O acúmulo de chances perdidas somada ao castigo de Erling Haaland provocou eliminação precoce do Brasil na Copa do Mundo de 2026 neste domingo (5/7). Na tentativa de “ser Brasil”, o time de Carlo Ancelotti se adiantou, contou com Neymar em campo, e a consequência foi ver o brilho coletivo norueguês, que havia sido protagonista no restante da partida. A queda mais precoce da Seleção Brasileira desde o Mundial de 1990 ocorreu com requintes de crueldade, até porque Bruno Guimarães desperdiçou pênalti, Endrick perdeu uma chance clara, e o time deixou a desejar mais uma vez – assim como em toda esta geração.
No MetLife Stadium, em East Rutheford, o Brasil deixou a Noruega dominar durante boa parte do confronto. A ideia de ser reativo quase funcionou, mas, no ímpeto de mudar a partida ainda no segundo tempo, o time se adiantou ainda com placar zerado, não conseguiu criar boas chances e levou dois gols do atacante Erling Haaland. Um placar de 2 a 1 justo pela estratégia perfeita de um time nórdico que entra para história. Já o Brasil coleciona outro fracasso e conviverá com o maior jejum da história de títulos.
Esta eliminação ainda contou com um capítulo que pode ter sido o final de Neymar com a camisa da Seleção Brasileira. O camisa 10 não foi bem, mas converteu pênalti no último minuto. No entanto, além de apenas um gol de honra, a troca de provocações com o goleiro Nyland, que fez incríveis quatro defesas, pode ter encerrado uma história que não foi como a maioria da torcida imaginava.
Por outro lado, festa merecida dos nórdicos. O próximo jogo da Seleção Norueguesa será no sábado (11/7), às 18h (de Brasília), no Hard Rock Stadium, em Miami. O adversário ainda está indefinido. Inglaterra e México medem forças às 21h (de Brasília), no Estádio Azteca, na Cidade do México. Caso avance, o Brasil joga às 16h de 15 de julho (quarta-feira), em Atlanta. A final está marcada para o mesmo horário de 19 de julho (domingo), novamente no MetLife Stadium, em Nova Jersey.

Como foi o duelo entre Brasil e Noruega pelas oitavas da Copa?
Gol anulado, pênalti perdido e jogo aberto – como esperado

As arquibancadas lotadas presenciaram jogo animado entre Brasil e Noruega desde o início, o que correspondeu às expectativas. Logo no terceiro minuto, em erro de passe de Bruno Guimarães, Ødegaard encontrou, livre na ponta direita, o atacante Sorloth, que rolou para Patrick Berg abrir o placar. Porém, o autor da assistência estava em posição irregular, e o impedimento foi marcado imediatamente.
Já aos 10, Rayan roubou, Bruno Guimarães recebeu e deu um belo toque para Gabriel Martinelli, que demonstrou muita visão para inverter para Matheus Cunha. Já dentro da área, o atacante foi derrubado por Kristoffer Ajer. No primeiro momento, o árbitro Ismail Elfath não assinalou o pênalti, mas, com a revisão do VAR, marcou. O Brasil não correspondeu. Responsável pela cobrança, Bruno Guimarães bateu “meia-altura” e no canto esquerdo de Nyland, que pulou corretamente e fez a defesa.


Só que o Brasil não sentiu o pênalti perdido. No minuto 29, Martinelli protagonizou grande jogada com Vini Jr., invadiu a área e cruzou forte. Nyland fez a defesa, impediu que a bola chegasse em Bruno e até gerou um rebote, mas Rayan ajeitou para Danilo, e o lateral furou. Cinco minutos depois, a Noruega reagiu em um contra-ataque que Ødegaard tentou uma vez e foi bloqueado por Gabriel Magalhães, companheiro de Arsenal. Na sequência, o meia tentou novamente e acertou a rede pelo lado de fora.
Em um jogo aberto – como era esperado pela ofensividade norueguesa e o talento brasileiro -, as equipes ainda trocaram boas oportunidades na reta final da primeira etapa. Ao todo, foram 12 finalizações, sendo oito da Seleção, apesar da posse de bola de apenas 35% na etapa final.
Outra boa chegada do time de Ancelotti ocorreu aos 39, quando Vini Jr perdeu a bola no ataque, mas recuperou ao desarmar Ødegaard na grande área nórdica. Martinelli rolou, o craque da Seleção driblou e bateu com a perna esquerda para mais uma defesa do goleiro Nyland. Oito minutos depois, Haaland foi travado por Magalhães, e a bola sobrou com Ødegaard, que chutou para grande intervenção de Alisson.

Bruno Guimarães lamenta pênalti perdido em Brasil x Noruega – (foto: ELSA/AFP)

O castigo ao tentar “ser Brasil”
O segundo tempo começou com a posse de bola da Noruega, mas sem infiltrações. Bem postado, o Brasil conseguiu escapar em contra-ataque que poderia ser fatal no minuto 13. Casemiro roubou, fez bom passe para Vini Jr, e o craque da Seleção encontrou lançamento perfeito para Endrick. Um minuto após entrar na vaga de Matheus Cunha, o atacante recebeu livre, invadiu a área e tentou a cavadinha, mas a bola foi para fora.
Dois minutos depois, Magalhães ajeitou de cabeça, e Rayan bateu com a perna direita para defesa de Nyland. O goleiro apareceu novamente no lance seguinte em chute à queima-roupa de Bruno Guimarães – só que o impedimento de Rayan, que deu passe, havia sido marcado. A Seleção Norueguesa até tentou reagir, mas não conseguiu levar perigo ao gol de Alisson. Enquanto isso, o lado “brasileiro” do estádio se animou com a mudança de Ancelotti na metade da etapa final: entrada de Neymar.
Só que a tentativa de protagonismo do Brasil custou caro. Mais ofensivo, o Brasil tentou atacar, e a Noruega aproveitou para contra-atacar. Após Haaland disputar, a bola ficou na esquerda com Schjelderup: chute forte para mais uma defesa do goleiro Alisson. Já no minuto 34, o castigo final. Schjelderup fez a jogada pela esquerda, teve liberdade para cruzar, e Haaland subiu de forma soberana para cima de Gabriel Magalhães, dando um cabeceio certeiro: 1 a 0.
Com a necessidade fazer o gol para tentar arrastar o jogo para a prorrogação, no mínimo, o Brasil teve duas grandes chances. Na primeira oportunidade, quase foi um gol contra, mas Nyland apareceu novamente para evitar – a bola ainda bateu na trave. Na sequência, Casemiro recebeu de Danilo Santos dentro da área e bateu com a perna esquerda para fora.
Só que Erling Haaland queria mais. E conseguiu. Aos 44 do segundo tempo, o centroavante dominou na entrada da área e confirmou com um grande chute: a Noruega jamais perdeu para o Brasil na história. Desta vez, a maior vitória da história da Noruega foi carimbada pelo sétimo gol da máquina de ataque no Mundial e com mais um trágico momento da Seleção diante de países europeus: 2 a 0.
No último minuto da partida, Casemiro sofreu pênalti após cotovelada, e Neymar conseguiu converter, marcando o 80º gol com a camisa da Seleção: 2 a 1. Só que não foi o bastante, e o Brasil foi eliminado pela Noruega.

Brasil 1 x 2 Noruega
Brasil
Alisson; Danilo, Marquinhos, Gabriel Magalhães e Douglas Santos; Casemiro, Bruno Guimarães (Éderson 33 do 2º) e Gabriel Martinelli (Danilo Santos 22 do 2º); Rayan (Neymar 22 do 2º), Matheus Cunha (Endrick 12 do 2º) e Vini Jr.
Técnico: Carlo Ancelotti
Noruega
Ørjan Nyland; Julian Ryerson, Kristoffer Ajer, Torbjorn Heggem e David Wolfe; Patrick Berg, Sander Berge e Martin Ødegaard; Alexander Sørloth (Bobb intervalo), Erling Haaland e Antonio Nusa (Schjelderup intervalo).
Técnico: Ståle Solbakken
Local: MetLife Stadium, em East Rutheford
Motivo: oitavas de final da Copa do Mundo de 2026
Gols: Haaland 34 e 44 e Neymar 54 do 2º
Árbitro: Ismail Elfath (EUA)
Assistentes: Corey Parker e Kyle Atkins (EUA)
Quarto árbitro: Said Martínez (HON)
Cartões amarelos: nenhum
Cartão vermelho: nenhum
Público: 80.663 pessoas

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