Cooperação econômica Brasil-China se fortalece, com perspectivas de novos negócios

O ex-chanceler Celso Amorim, que hoje é assessor especial do presidente Lula para assuntos internacionais, disse em entrevista exclusiva ao Global Times que o Brasil está aberto a estudar sua adesão à iniciativa “Belt and Road” (Cinturão e Rota), também conhecida como Nova Rota da Seda, um mega programa de investimentos internacionais da China em infraestrutura.

“Estamos interessados em ver como podemos fazer a adesão, mas para nós é muito importante entender quais são os projetos concretos que virão. Estamos abertos em estudar e ver como podemos fazer algo realmente importante”, disse Amorim em entrevista concedida ao jornal do Partido Comunista chinês na sexta-feira (14), quando Lula fez a visita ao presidente Xi Jinping no Palácio do Povo.

Cooperação com Huawei

O assessor especial de assuntos internacionais da Presidência também fez comentários sobre a possibilidade de cooperação com a Huawei, em meio à pressão dos Estados Unidos sobre aliados contra a realização de negócios com a empresa de tecnologia chinesa. Ao citar uma frase de Deng Xiaoping, líder máximo da China entre 1978 e 1992, de que não importa a cor do gato, contanto que ele cace o rato, Amorim frisou que tecnologia não tem ideologia.

A posição do Brasil, disse, será de buscar a oferta que seja a mais economicamente viável e que melhor possa atender as necessidades do país, sem considerações ideológicas ou mesmo geopolíticas.

“Na verdade, se pudermos diversificar nossas fontes de tecnologia, será o melhor para nós. Então, estamos muito abertos. Já temos uma cooperação. A Huawei já está presente no Brasil e já é muito importante”, declarou o ex-ministro das Relações Exteriores.

Moeda comum em transações 

Na esteira dos acordos entre Brasil e China para que os países realizem negócios em moeda local, e da proposta de Lula de uso de uma moeda comum nas transações entre países emergentes, Amorim considerou natural a busca pelo uso de moedas próprias entre parceiros.

“Isso requer algumas adaptações das regras do FMI Fundo Monetário Internacional, mas é natural porque o dólar se tornou dominante após a Segunda Guerra Mundial. Antes, era a libra. Então, agora, se pudermos trabalhar nisso, com uma cesta de moedas, e se você puder usar a própria moeda para ampliar fluxos, é a melhor coisa”, declarou Amorim.

Para ele, é importante os países se libertarem da dominância de uma única moeda também por a hegemonia do dólar ser, algumas vezes, usada politicamente para impedir transações com países sob sanções. Ele citou como exemplo o Irã, com quem o Brasil tem dificuldades para ampliar o comércio.

Conheça a história da milenar Rota da Seda

A Rota da Seda foi uma rede de trajetos interconectados por onde era comercializada a seda que saia do Oriente em direção à Europa. A rota desempenhou papel fundamental no desenvolvimento das civilizações ao estabelecer profundas relações comerciais entre as regiões por onde passou. Sua influência econômica, cultural, política e religiosa se deu entre o século II AEC e o século XVII EC.

A China foi uma das precursoras do comércio na rota, iniciando o transporte da luxuosa seda durante a Dinastia Han (207 AEC – 220 EC). Os chineses descobriram como fabricar o tecido a partir das fibras dos casulos dos bichos da seda, e mantiveram o segredo dessa produção muito bem guardado. A qualidade e exclusividade do produto fizeram muitas pessoas de cidades que ficavam na Ásia Central e no Ocidente desembolsarem boas quantias de dinheiro.

Embora a rota comercial tenha ficado famosa por causa da seda, muitos livros atribuem a ela o nome de “Rota da Jade”: de acordo com registros históricos, antes da comercialização do tecido, os trajetos eram usados para transporte de jade – considerada a pedra da realeza na Era das Dinastias da China. A Rota da Jade esteve em uso desde 5.000 AEC, e ainda é utilizada entre Xinjiang e o Leste da China.

A Rota da Seda passou por muitas alterações ao longo dos anos, estimulando o desenvolvimento de muitos impérios, como o Egito Antigo, a Mesopotâmia, Roma e Pérsia. Seu declínio aconteceu em 1720 com o colapso da Safávidas, o maior império iraniano a governar a Pérsia.

Pintura mostra uma caravana na Rota da Seda, em 1.380 EC

O governo chinês anunciou na década de 2010 a iniciativa “Belt and Road Initiative”, uma tentativa de restabelecer a rota comercial entre a China e países que fazem fronteira por terra ou mar. A iniciativa ultrapassou os planos iniciais, chegando a 68 países nos 5 continentes. A ideia do presidente da China, Xi Jinping, é estabelecer a cooperação entre os países nas áreas de tecnologia e inovação, transportes, energia e telecomunicações. As parcerias se estendem também ao Brasil, um dos maiores parceiros comerciais dos chineses.

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