Carnaval 2025 no Rio promete ser uma celebração poderosa da herança africana e sua influência indelével na cultura brasileira

Império Serrano, carnaval de 2022 | Foto: Rodrigo Souza/Expresso Carioca

O Carnaval do Rio de Janeiro, a maior festa popular do Brasil, promete uma edição de 2025 especialmente marcante com a predominância de temas que celebram a negritude e a história afro-brasileira. Com sete das nove escolas do Grupo Especial que já revelaram seus temas focando em aspectos da afrodescendência, o evento destaca a relevância cultural e histórica dessa comunidade na construção social e cultural do país.

A Estação Primeira de Mangueira, uma das escolas mais tradicionais e vitoriosas, apresentou o enredo “À Flor da Terra – No Rio da Negritude entre Dores e Paixões”. O tema explora a presença e influência negra no centro do Rio de Janeiro, desde a era dos bantus até os dias atuais, destacando a luta contra o apagamento de suas histórias e contribuições.

“Escavando o passado, seguimos os vestígios da viva presença negra na região central do Rio de Janeiro desde a influência do povo bantu até a realidade atual dessa população. São corpos assolados pelo apagamento de suas vidas, vivências e possibilidades”, explica a escola no X (ex-Twitter).

O enredo aborda especificamente o Cais do Valongo, um local histórico que foi o principal ponto de entrada de africanos escravizados no Brasil. Atualmente, esse sítio destruído, situado na região conhecida como Pequena África, serve como um memorial doloroso mas necessário, retratando as lutas e as resiliências que formaram a identidade carioca.

Outras escolas e seus enredos

Outra grande escola, a Acadêmicos do Salgueiro, escolheu o tema “Salgueiro de Corpo Fechado”, desenvolvido pelo carnavalesco Jorge Silveira. O enredo investiga as diversas manifestações de fé e proteção espiritual dentro das tradições afro-brasileiras, uma exploração carnavalesca de ritos e rituais que moldaram a cultura e a espiritualidade da comunidade.

 

Além dessas, a Unidos do Viradouro contará a história de Malunguinho, líder quilombola que resistiu à escravidão em Pernambuco. A Paraíso do Tuiuti homenageará Xica Manicongo, considerada a primeira travesti do Brasil, enquanto a Portela, maior campeã do carnaval carioca, com 22 conquistas, prestará tributo ao icônico Milton Nascimento, destacando sua influência na música brasileira. A Unidos da Tijuca focará em Logunedé, figura respeitada nos candomblés, e a Imperatriz Leopoldinense explorará uma narrativa sobre Oxalá visitando o reino de Oyó.

Outras escolas

Em contrapartida, a Beija-Flor de Nilópolis e a Acadêmicos do Grande Rio optaram por temas distintos. A Beija-Flor prestará homenagem a Laíla, um influente carnavalesco falecido em 2021, enquanto a Grande Rio focará no estado do Pará, destacando a riqueza cultural dessa região.

Com três escolas ainda por anunciar seus enredos, o carnaval de 2025 promete não só entretenimento, mas também uma profunda reflexão sobre a história, a cultura e a importância da população afrodescendente no Brasil. Este carnaval será um palco para debates, celebração e, acima de tudo, reconhecimento da contribuição inestimável da negritude à sociedade brasileira.

com informações de agências

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