Inventor da World Wide Web quer devolver aos usuários controle de dados pessoais

A coleta de dados e o uso de informações pessoais para o direcionamento de anúncios é um assunto polêmico, e uma notícia reacendeu a discussão nesta quarta-feira (3), quando o inventor da World Wide Web, Tim Berners-Lee, declarou que quer devolver o controle de dados privados aos usuários. Berners-Lee passou a apoiar a tecnologia de código aberto Solid, criada para extrair informações pessoais das empresas que direcionam anúncios ou das que participam de esquemas de manipulação política. Com a iniciativa, ele também anunciou seu apoio à startup Inrupt, que pretende comercializar a tecnologia. A partir da Solid, usuários poderiam armazenar seus dados em “casulos online” gerenciáveis. Dessa forma, seria possível compartilhar as informações quando quiser e também impedir o uso de determinados dados pessoais. “Queremos usar a tecnologia para fazer uma correção no meio do caminho”, comentou Berners-Lee. “Estamos vendo uma enorme reação contra a distopia do mundo da tecnologia”. As declarações foram dados durante uma conferência em São Francisco, na Califórnia. O evento foi realizado pela empresa Okta, que atua no setor da tecnologia de autentificação online. Essa não é a primeira vez que Berners-Lee pede uma reforma da web desde que escreveu e compartilhou o software inicial para que as pessoas pudessem publicar seus próprios sites e ler outros. Há anos, o inventor vem pedindo melhorias no ambiente virtual e acrescentou as notícias falsas e a adulteração de eleições à sua lista de “doenças” que estão contaminando a internet. No aniversário de 30 anos da World Wide Web no início deste ano, ele pediu ações coletivas para resolver seus problemas. E agora a sua esperança recai sobre a Solid. Contudo, Lee reconhece as dificuldades para que a nova tecnologia dê certo no ambiente online. Será preciso persuadir muitos desenvolvedores a criarem um software que funcione com a Solid e ainda convencer os usuários comuns a financiarem a internet. Hoje, esse papel é desempenhado pelos anúncios. Segundo ele, sites dirigidos por anúncios podem ser ruins por espalharem notícias falsas na esperança de conseguir mais cliques. “‘Hillary realmente queria que Trump ganhasse’ foi a melhor manchete em termos de receita publicitária”, disse. Compartilhando dados selecionados Em um mundo com a tecnologia Solid, você pode compartilhar informações seletivas sobre saúde ou condicionamento físico com seu médico, e o profissional consegue compartilhar partes importantes de um resultado de laboratório com você. O controle de dados é do proprietário dos dados. Mais tarde virão os aplicativos que, uma vez que você concedeu permissão e possivelmente pagou pelos serviços que eles oferecem, irão acessar os dados do seu “casulo online”. Só que chegar até lá pode ser difícil. Os aplicativos poderiam quebrar se as pessoas revogassem a permissão de acesso aos dados. Um amigo pode compartilhar fotos de uma festa com outra pessoa, mas a segunda pessoa pode não ser capaz de encaminhar as fotos para outro participante. Imagine um mundo em que você recebe muitas solicitações para atualizar as configurações de permissão para diferentes arquivos e categorias de dados. Mas para Berners-Lee, vale a pena enfrentar esses problemas. “Não há mais a Cambridge Analytica tentando coletar dados de milhões de usuários para análise política. O projeto Solid é sobre transformar a forma como a web funciona”, disse. Fonte: Thaís Augusto – CNET

Governo faz leilão de terminais portuários com lance mínimo de R$ 1

O governo faz hoje seu quarto leilão para concessão de infraestrutura no país em menos de cem dias desde a posse do presidente Jair Bolsonaro (PSL). Desta vez serão leiloados seis terminais portuários no estado do Pará, com lance mínimo de R$ 1. Os investimentos previstos nos seis terminais –cinco em Miramar, no Porto Organizado de Belém, e uma no Porto de Vila do Conde, em Barcarena– são de R$ 430,6 milhões. Todas as áreas leiloadas são destinadas à movimentação e armazenagem de granéis líquidos (combustíveis). A abertura dos envelopes com as propostas está marcada para as 10h na B3, a Bolsa de Valores, em São Paulo. O ministro da Infraestrutura, Tarcísio Gomes de Freitas, afirmou que o objetivo do leilão é fazer investimentos e aumentar a capacidade de movimentação de cargas nesses portos. “A entrega da capacidade vai trazer redução dos custos beneficiando toda a população do estado”, disse Freitas. Para o secretário Nacional de Portos e Transportes Aquaviários do Ministério da Infraestrutura, Diogo Piloni, a expectativa para o leilão é muito positiva, já que último leilão portuário do governo, feito em 22 de março, teve um “resultado extraordinário na arrecadação de outorgas”. O mercado tem demonstrado agressividade, no que diz respeito aos lances, e isso demonstra a confiança dos investidores nos ativos portuários. Diogo Piloni, secretário Nacional de Portos e Transportes Aquaviários Os três leilões anteriores aconteceram no mês passado. O primeiro foi a concessão de 12 aeroportos, que garantiu uma arrecadação de R$ 2,377 bilhões para os cofres públicos. Em seguida, o governo leiloou quatro terminais portuários (três na Paraíba e um no Espírito Santo). O último leilão foi o de um trecho da ferrovia Norte-Sul, vencido pela Rumo. Mesma empresa não poderá arrematar 2 áreas No leilão, os proponentes, isolados ou em consórcio, não poderão arrematar mais de duas áreas, exceto nos casos de propostas únicas. Com isso, o governo espera incentivar a concorrência do certame. “O benefício é o de não excluir a oportunidade de distribuição dos arrendatários distintos para vários empreendimentos. Isso vai proporcionar um novo cenário de organização de operadores com o foco no incentivo a concorrência”, afirmou o Ministério da Infraestrutura. Veja quais são as áreas que serão leiloadas pelo governo: Porto de Belém BEL 09 – investimento previsto: R$ 128 milhões pelo prazo de 20 anos BEL 08 – investimento previsto: R$ 89 milhões pelo prazo de 20 anos BEL 02A – investimento previsto: R$ 48,3 milhões pelo prazo de 15 anos BEL 02B – investimento previsto: R$ 27,4 milhões pelo prazo de 15 anos BEL 04 – investimento previsto: R$ 11,6 milhões pelo prazo de 15 anos Porto de Vila Conde Terminal VDC12 – investimento previsto: R$ 126,3 milhões pelo prazo de 25 anos Fonte: UOL

Economia não decola com Bolsonaro e mercado revisa para baixo crescimento do PIB pela quinta vez

Segundo boletim Focus do Banco Central, instituições financeiras do mercado projetam crescimento menor que 2% em 2019 O governo Bolsonaro não consegue fazer a economia decolar e o mercado reduz novamente a projeção de crescimento da economia de 2% para 1,98% até o final deste ano, segundo relatório Focus mais recente, divulgado todas as segundas-feiras pelo Banco Central e elaborado com base nas estimativas e instituições financeiras sobre os principais indicadores econômicos. Na semana passada, a estimativa dos analistas do mercado financeiro era uma expansão do Produto Interno Bruto (PIB) no país de 2%, já revendo a estimativa de crescimento da economia em 2019 que antes estava prevista e 2,4%. A título de comparação, projeção de crescimento do PIB na primeira semana de janeiro do boletim Focus foi de 2,53% para o ano. Além de revisar o crescimento de 2019, os analistas recuaram as projeções para 2020 de 2,78% para 2,75%. No mês passado o Ministério da Economia também reduziu a projeção de crescimento da economia brasileira de 2,5% para 2,2% até o final deste ano. Enquanto isso, as projeções para a inflação, calculada pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), permanecem estáveis em 3,89% neste ano, e em 4% para 2020. Ainda não há impacto entre os analistas da visita de Bolsonaro à Israel, com a abertura do escritório de negócios em Jerusalém e a repercussão negativa nos países árabes (4º maiores exportadores da carne brasileira). Por isso, em relação a balança comercial, o mercado aumentou levemente a previsão de superávit de US$ 50,50 bilhões para US$ 50,25 bilhões, em 2019. O Banco Central prevê ainda que, até o final do ano, o dólar ficará em torno de R$ 3,70 e aumentou levemente a expectativa de investimento estrangeiro direto no país de US$ 81 bilhões para US$ 81,89 bilhões. Fonte: Jornal GGN