Justiça dá razão ao TCE e volta a suspender modelo de escolas cívico-militares em Minas

Na decisão, o magistrado reforçou que o pedido do TCE para suspender o programa embasado dentro da legalidade O Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) suspendeu novamente o programa de escolas cívico-militares proposto pelo governador Romeu Zema (Novo). A decisão, publicada no início da tarde desta quinta-feira (5/2), é válida já para o ano letivo de 2026 e referenda o parecer do Tribunal de Contas do Estado (TCE-MG) que pediu a descontinuidade do modelo.O órgão recorreu do parecer que havia retomado o funcionamento do programa, após recurso do governo estadual. O despacho é assinado pelo desembargador Pedro Carlos Bitencourt Marcondes. Na decisão, o magistrado reforçou que o pedido do TCE para suspender o programa embasado dentro da legalidade, “especialmente quanto à ausência de lei formal que institua o modelo cívico-militar da rede pública estadual de ensino, bem como à irregularidade orçamentária verificada”.O desembargador deu razão ao TCE, que apontou um desacordo com o Plano Plurianual de Ação Governamental (2024–2027), com a Lei Orçamentária Anual de 2025, além de comprometer as metas previstas no Plano Estadual de Educação. Segundo o magistrado, a resolução conjunta nº 1/2024, firmada entre a Secretaria de Estado de Educação e o Corpo de Bombeiros Militar não possui força normativa para criar um programa educacional como o proposto por Zema. “A decisão do Tribunal de Contas, ao determinar a interrupção do programa instituído pela Resolução-Conjunta nº 1/2024, não se mostra, em análise superficial, como ingerência política, mas sim como medida assecuratória da legalidade orçamentária, diante da ausência de lei formal e de previsão específica da Lei Orçamentária Anual para o incremento de despesas que a expansão e a continuidade do modelo cívico-militar acarretaria”, diz trecho da decisão.Além de indeferir o pedido do estado para baixar a decisão do TCE, o desembargador indeferiu pedido do estado para assegurar oitiva prévia antes da apreciação da tutela de urgência. SuspensãoAo suspender o programa de escolas cívico-militares, o relator do processo no TCE, o conselheiro em exercício Adonias Monteiro justificou a determinação citando a inexistência de uma previsão orçamentária compatível para a implementação do modelo. Monteiro ainda frisou que a interrupção do modelo nas instituições já habilitadas não vão gerar prejuízos e insegurança à comunidade escolar. Adonias ainda argumentou que indicadores educacionais não apresentaram evolução com a implementação do programa. O TCE também contestou a convocação de militares da reserva para o projeto. No escopo pretendido pelo governo, oficiais já aposentados poderiam atuar como supervisores e monitores. A configuração foi considerada incompatível com a necessidade de “execução contínua e por prazo indeterminado das atividades das escolas cívico-militares”. Além disso, segundo o Tribunal, o pagamento desses militares da reserva com recursos da segurança pública configura ‘desvio de finalidade’. ModeloEm Minas Gerais, nove escolas da rede estadual adotam o modelo cívico-militar, mesmo após o Decreto Federal nº 11.611, assinado em 2023 pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que extinguiu o Programa Nacional das Escolas Cívico-Militares (PECIM). São instituições nas cidades de Belo Horizonte, Contagem, Itajubá, Santos Dumont, São João del-Rei e Três Corações. No ano passado, a Advocacia-Geral da União (AGU) e a Defensoria Pública da União (DPU) questionaram o programa junto ao Supremo Tribunal Federal (STF) alegando incompatibilidade com o Plano Nacional de Educação. O modelo, no entanto, foi mantido pelo Governo de Minas.

Há 10 anos sem concurso, professor doutor recebe como mestre e especialista na Unimontes

Segundo o Sindicato, parte dos professores contratados no último processo seletivo não recebe salários compatíveis com sua titulação * Por Waldo Ferreira Professores doutores da Universidade Estadual de Montes Claros (Unimontes) recebem salários inferiores à sua titulação, equivalentes ao que é pago a mestres, enquanto esses têm salários de especialistas. A distorção é denunciada pela Associação dos Docentes da Universidade Estadual de Montes Claros (Adunimontes).Além disso, a universidade não realiza concurso público para professor há mais de 10 anos e paga salários com defasagem de mais de 82%, segundo o presidente do Sindicato, Wesley Helker Felício da silva, para quem está em curso um processo de precarização total dos salários da categoria “Sem concursos e com salários defasados, a tendência é a universidade sofrer com uma fuga constante de cérebros, quando pesquisadores qualificados deixam a região em busca de outras universidades públicas que valorizem sua formação e seu trabalho”, destacou o presidente da Adunimontes.Para aprofundar o que ele chama de “pacote de maldades”, há uma pressão por parte do governo Zema e da Reitoria para realizar o concurso nos moldes parecidos com o último processo seletivo, ou seja, aumentando a carga horária dos professores efetivos, ao mesmo tempo em que os sub-remunera, agravando um quadro que já inclui mais de 10 anos sem o pagamento das Dedicações Exclusivas. A Adunimontes avalia que o cenário atual é um desastre não apenas para os professores, mas para toda a comunidade acadêmica e para o desenvolvimento regional, porque ameaça diretamente a qualidade do ensino, da pesquisa e da extensão na Unimontes.

Analfabetismo entre pessoas idosas negras cai em 11 anos

Uma pesquisa realizada pelo Cedra (Centro de Estudos e Dados sobre Desigualdades Raciais), a partir dos dados da PNAD Contínua (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios), de 2012 a 2023, com recorte racial quanto à escolaridade, mostra que a taxa de analfabetismo entre pessoas idosas negras (60+) foi de 36,0% e, entre as brancas, ficou em 15,4%, em 2012. Em 2023, foi de 22,1% para idosos negros e 8,7% para brancos. Embora o analfabetismo tenha sido reduzido nos dois grupos, de 20,6 pontos percentuais (p.p.) para 13,4 p.p., a diferença permanece expressiva. Impacto Para o membro do conselho deliberativo do Cedra, Marcelo Tragtenberg, o analfabetismo entre pessoas negras idosas é algo que choca pelo impacto na vida delas. “Houve melhora, mas não sabemos se é por motivo geracional, se os novos idosos estão mais escolarizados ou pelo processo de urbanização. Para isso, seria importante uma busca ativa para matrículas em EJA (Educação de Jovens e Adultos) e até uma política de incentivos, como o programa Pé de Meia, mas voltada para a população mais velha que não chegou aos níveis básicos de escolaridade”, disse Tragtenberg. A análise mostrou também que a taxa de analfabetismo dos jovens negros era de 2,4% e dos jovens brancos de 1,1% em 2012. Em 2023, a taxa dos jovens negros passou para 0,9% e dos jovens brancos, 0,6%. O analfabetismo diminuiu nos dois grupos, assim como a diferença entre eles, que foi de 1,3 ponto percentual (p.p.) em 2012 para 0,3 p.p. em 2023, com melhora mais expressiva entre negros. Também houve queda nas taxas de analfabetismo na população jovem (25 a 29 anos) que, entre 2012 e 2023, foi de 1,3% para homens brancos, 2,8% para homens negros, 0,7% para mulheres brancas e 1,3% para mulheres negras. Em queda Segundo o estudo do Cedra, entre as pessoas negras de 30 a 39 anos, a taxa de analfabetismo era de 7,0% e a de pessoas brancas, 2,5% em 2012. Em 2023, a taxa de pessoas negras caiu para 2,2% e a de pessoas brancas foi para 1,1%. Apesar da queda significativa entre os grupos, pessoas negras estavam, em 2023, em situação parecida com a das brancas em 2012. A taxa de analfabetismo entre mulheres negras acima de 15 anos era 10,8% e, entre mulheres brancas, de 5,1% em 2012. Em 2023, a taxa de analfabetismo caiu nos dois grupos, ficando em 6,6% para mulheres negras e 3,3% para as brancas. Apesar da redução de 5,7 pontos percentuais em 2012 para 3,3 p.p. em 2023, a diferença entre elas permanece expressiva.

Enem privilegia direitos humanos e cidadania ao abordar envelhecimento na redação

Em 2025, a redação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) trouxe o tema “Perspectivas acerca do envelhecimento na sociedade brasileira”. Neste domingo (9), além da prova de redação, os candidatos fazem as questões de linguagens e códigos e de ciências humanas. A prova termina às 19h (horário de Brasília). Para a professora Viviane de Souza, que dá aula em pré-vestibulares de Fortaleza (CE), a escolha da temática segue uma linha já adotada em outras edições do exame. “O Enem seguiu o raciocínio dos anos anteriores ao privilegiar o debate sobre direitos humanos e cidadania e envolver um grupo minoritário para isso”, avalia. Ela lembra que o tema é bastante atual, tendo em vista os dados revelados pelo Censo Demográfico 2022, o qual mostrou que o total de pessoas com 65 anos ou mais no país chegou a 10,9% da população, com alta de 57,4% frente a 2010, quando esse contingente era de pouco mais de 14 milhões, ou 7,4% da população. “A temática é de grande relevância, tendo em vista o processo de envelhecimento populacional pelo qual vem passando a sociedade há anos, com uma projeção de que, em 2070, os idosos representarão cerca de 37,8% da população, totalizando 75,3 milhões de pessoas, segundo o IBGE”, destaca Sousa. A professora de Redação avalja que os aspectos exigidos na prova são acessíveis aos diversos níveis dos participantes. “Inúmeras ações já existem e podem ser citadas, como o Estatuto da Pessoa Idosa, o qual reforça os direitos constitucionais dessa parcela, bem como ações de valorização desse público, a exemplo do Dia Nacional do Idoso.” Ela reforça que os candidatos devem refletir ainda sobre os entraves ainda enfrentados, como a falta de acesso aos serviços de saúde, questões previdenciárias e o preconceito social. Etarismo Professores ouvidos pela Agência Brasil também destacaram a oportunidade de debater o etarismo, tendo em vista que mais de 4,8 milhões de pessoas fazem a prova. Para a professora de redação Bárbara Soares, que atua em Brasília, o exame trouxe, mais uma vez, um tema relevante e atual, tendo em vista o envelhecimento da população e a necessidade de combate ao etarismo. Além disso, relações possíveis com violações de direitos, como a descoberta sobre os desvios de recursos das aposentadorias de brasileiros e a necessidade de novas políticas públicas poderiam ser abordadas na prova. “Há uma grande preocupação de como proteger essas pessoas. O Enem coloca uma lupa sobre um problema que está relacionado a grupos mais vulneráveis e de que premissas constitucionais estão sendo violadas”, afirmou a docente. O professor Thiago Braga, que dá aulas no Rio de Janeiro, também destaca a mudança na pirâmide etária brasileira. “É uma discussão feita interdisciplinarmente na escola. Todos eles sabem, por exemplo, que a pirâmide etária brasileira está passando por uma transformação importante nesse momento”, pondera. O projeto de texto, com informações, fatos e opiniões relacionados ao tema proposto, deverá defender um ponto de vista – uma opinião a respeito do tema proposto -, apoiada em argumentos consistentes, estruturados com coerência. O candidato também deverá elaborar uma proposta de intervenção social (solução) para o problema apresentado no desenvolvimento do texto. Essa proposta deve respeitar os direitos humanos. Propostas que desrespeitem os direitos humanos receberão nota zero. Constituem desrespeito aos direitos humanos propostas que, por exemplo, incitem as pessoas à violência ou tenham referências racistas.

Japonvar deixa Lontra para trás e fica em primeiro lugar no acesso à educação

Levantamento realizado pela Veredas Assessoria em Políticas Públicas Ltda, mostra que no norte de Minas, a qualidade da educação municipal é melhor em pequenos municípios. Os municípios com menos de 10 mil habitantes, no norte de Minas, têm melhor qualidade de ensino nas suas redes municipais do que aqueles com maior população e maior número de matriculados, na educação infantil (creche e pré-escola) e no ensino fundamental (5ª até a 9ª série). É o que demonstra um levantamento realizado pela Veredas Assessoria em Políticas Públicas Ltda, a partir da arrecadação do ICMS Educação, em 2.024. Em 2.024, os municípios de Japonvar e Lontra com menos de 9 mil habitantes e cerca de 1.000 alunos matriculados nas suas redes municipais de ensino, desbancaram Montes Claros com seus 418.381 habitantes e 48.547 alunos matriculados. Enquanto Japonvar arrecadou R$ 2.690.115, e Lontra R$2.614.937, Montes Claros arrecadou R$ 2.489.480,53, um pouco mais do que a capital do norte de Minas. Parece estranho, mas não é. A qualidade da educação é o maior parâmetro para o cálculo da pontuação e posterior arrecadação de cada município. A Lei nº 24.431, de 14/09/2023 alterou a Lei nº 18.030, de 12 de janeiro de 2009,(Lei Robin Hood) que dispõe sobre a distribuição da parcela da receita do produto da arrecadação do ICMS pertencente aos municípios. Em Minas, 10% da arrecadação do ICMS deve ser distribuído para os municípios. Os principais critérios são: Índice de Desempenho Escolar; Adoção de medidas de equidade expressas no Índice de Rendimento Escolar; Atendimento Educacional e Gestão Escolar Que critérios são esses? Índice de Desempenho Escolar – taxa de participação dos estudantes nas avaliações; indicadores de nível socioeconômico dos estudantes, observadas as desigualdades entre os distintos grupos raciais e entre estudantes residentes em áreas urbanas e rurais. Este é o fator principal para ter uma boa arrecadação. Adoção de medidas de equidade expressas no Índice de Rendimento Escolar a) redução das desigualdades de acesso e permanência na educação básica, observadas as desigualdades entre estudantes negros e não negros e entre estudantes residentes em áreas urbanas e rurais; b) progressão dos estudantes com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades/superdotação, dentre eles os estudantes com transtorno do espectro autista – TEA. Atendimento Educacional, com apuração da taxa de atendimento educacional nos níveis e modalidades de ensino de responsabilidade do município, observando a) a oferta de educação em tempo integral; b) a ampliação do atendimento aos estudantes quilombolas e residentes em áreas rurais; c) a ampliação da taxa de alfabetização e escolaridade da população com 15 anos ou mais; Gestão Escolar – dados do censo escolar e indicadores de infraestrutura escolar, os recursos de acessibilidade, a formação dos profissionais de educação e a efetividade da gestão democrática das escolas, como eleição de diretores e participação social da comunidade escolar. Os dados são registrados e avaliados pela Secretaria de Estado da Educação. Esta elabora um Relatório e pontuação de cada município na área da educação. Encaminha à Fundação João Pinheiro que, junto com a Secretaria da Fazenda de Minas, calcula o índice de participação anual do ICMS de cada município. Os índices publicados em um ano são de informações e dados gerais de segundo ano anterior. Exemplo: os índices publicados, para o exercício de 2024, foram baseados em dados de 2022. Essa breve análise é sobre o valor da arrecadação. Estudos estão sendo feitos para avaliação e comparação dos critérios educacionais. BREVE ANÁLISE DO CRITÉRIO EDUCAÇÃO NA ARRECADAÇÃO DO ICMS, EM 2.024. REDE MUNICIPAL DE EDUCAÇÃO MUNICÍPIOS DO MÉDIO SÃO FRANCISCO DADOS COMPARATIVOS Critério ICMS – Educação Relatório Anual até 31 de agosto – SEE-MG A pontuação do critério Educação na distribuição do ICMS estadual garante um percentual significativo do total repassado aos municípios. Nos Critérios de distribuição percentuais do ICMS, o VAF – Valor Adicionado Fiscal tem 75,00% e a Educação tem 10,00%. Pontuação no ICMS Observa-se que o número de alunos matriculados, a partir da lei24.431/2023, não tem peso relevante nos novos índices calculados. A avaliação qualitativa é fundamental no estabelecimento de novos parâmetros. A tabela acima mostra que municípios com menos alunos matriculados receberam, em 2024, valores bem maiores que outros com grande número de alunos. Outro exemplo: Ibiracatu com seus 567 alunos matriculados, arrecadou R$ 2.378.673,67. Mais do que Januária com 4.716 matriculados que amealhou R$ 1.736.686,82, e Pirapora, com 4.653 matriculados, tendo a arrecadação de R$ 1.644.971,38. Outros municípios com menos de 10 mil habitantes e menos de 800 alunos matriculados como Campo Azul, Bonito de Minas, Luislândia e Verdelândia também superam Januária e Pirapora. “Os gestores municipais da educação devem repensar seus planos, programas e projetos, avaliando suas diretrizes, objetivos e metas, tendo como referência experiências exitosas de seus vizinhos muitas vezes desprezados”. comentou o presidente da Veredas Assessoria em Políticas Públicas Ltda, Álbano Silveira Machado Para mais informações  (38) 99878-4055 Email: veredas.consultoria1@gmail.com

Lula anuncia investimento de mais de R$ 100 milhões para cursinhos populares em 2026

O novo edital, previsto para ser publicado em dezembro, prevê R$ 108 milhões de investimento para até 500 cursinhos O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) participou neste sábado (18) de um encontro com estudantes da rede de cursinhos populares do ABC paulista em São Bernardo do Campo. No Ginásio Poliesportivo Adib Moysés Dib, onde também ocorreu um aulão preparatório para o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), o petista discursou em favor da educação e anunciou a ampliação da Rede Nacional de Cursinhos Populares (CPOP). “Hoje, 384 cursinhos populares estão sendo apoiados pelo Ministério da Educação e pelo governo do presidente Lula. Vamos anunciar aqui o novo edital que vai ser aberto em dezembro e vamos chegar a 500 cursinhos em todo o Brasil”, disse o ministro da Educação, Camilo Santana, durante o evento. “Falar em democracia é falar em educação, falar em soberania é falar em educação.” Na ocasião, Lula falou sobre a importância de ofertar ensino de qualidade para toda a população. “Esse país está na mão de vocês, e vocês serão os responsáveis. Se eu cheguei, vocês podem chegar; se eu não tive chance, vocês estão tendo chance. Pelo amor de Deus, agarrem essa chance com as duas mãos, se dediquem”, afirmou. “Nós também fizemos a Universidade da América Latina em Foz do Iguaçu. A gente quer formar uma doutrina latino-americana com professor latino-americano, com estudantes latino-americanos, para que a gente possa sonhar que esse continente um dia vai ser independente, que nunca mais um presidente de outro país ouse falar grosso com o Brasil, porque a gente não vai aceitar”, disse Lula. A declaração ocorre em meio às negociações entre Brasília e Washington para suspender as tarifas impostas a produtos brasileiros pelo presidente Donald Trump de 50% no início de agosto. As taxas foram uma tentativa por parte do republicano de pressionar o Judiciário brasileiro no processo contra o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), condenado pela Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) a 27 anos e três meses de prisão por tentativa de golpe de Estado. No mesmo evento, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, que também é ex-ministro da Educação, declarou que a mudança do perfil dos estudantes que acessam a universidade no país dependeu do trabalho do presidente Lula. “Não caiu do céu. Depende de ter uma liderança da qualidade do presidente Lula à frente do executivo federal”, disse. O chefe da pasta repetiu o discurso clássico do presidente ao afirmar que colocar o “pobre no orçamento e o rico no Imposto de Renda” incomoda a elite econômica brasileira. “No Brasil, quem paga imposto, com certeza, é a classe trabalhadora. Se você vai subindo nas classes sociais, você vai subindo degrau, chega uma hora que o Estado não te alcança mais e você não paga imposto”, disse Haddad. De acordo com o governo federal, atualmente, 12,1 mil estudantes são atendidos em 384 cursinhos populares em todo o país com um investimento de R$ 74 milhões. O novo edital, previsto para ser publicado em dezembro, prevê R$ 108 milhões de investimento para até 500 cursinhos em 2026. “Cada cursinho contemplado [no primeiro edital] recebeu até R$ 163,2 mil para pagamento de professores, coordenadores e equipe técnico-administrativa, além de auxílio-permanência de R$ 200 mensais para até 40 alunos por unidade”, informou o governo por meio de nota.

Veto a celular leva 80% dos alunos a prestar mais atenção nas aulas

Pesquisa aponta impacto positivo da medida, mas alerta para desafios como tédio, ansiedade e bullying Mais de 80% dos estudantes brasileiros afirmam que passaram a prestar mais atenção nas aulas após a restrição ao uso de celulares em sala. Os dados fazem parte de uma pesquisa divulgada pela Agência Brasil, realizada pela Frente Parlamentar Mista da Educação em parceria com o Equidade.info, iniciativa ligada ao Lemann Center da Stanford Graduate School of Education. O levantamento mostra que o impacto é mais perceptível nos primeiros anos do Ensino Fundamental I, onde 88% dos estudantes disseram estar mais concentrados. Já no Ensino Médio, o índice chega a 70%. Para os organizadores da pesquisa, os números comprovam que a lei sancionada em janeiro de 2025, que proíbe o uso de celulares em escolas, trouxe efeitos práticos para o ambiente de aprendizado. Redução do bullying virtual e desafios comportamentais A pesquisa também revelou que 77% dos gestores e 65% dos professores perceberam queda no bullying virtual, fenômeno comum no ambiente escolar digitalizado. No entanto, apenas 41% dos alunos disseram sentir essa mudança, o que sugere subnotificação de casos ou dificuldade de percepção pelos próprios estudantes. Apesar dos avanços, o estudo aponta efeitos colaterais: 44% dos alunos disseram sentir mais tédio nos intervalos e recreios, índice que sobe para 47% entre estudantes do Fundamental I. Além disso, 49% dos professores relataram aumento da ansiedade entre os jovens, especialmente pela ausência do celular como meio de interação. Diferenças regionais e percepções políticas Regionalmente, o Nordeste apresentou o melhor resultado: 87% dos estudantes apontaram avanços na atenção e no ambiente escolar. No Centro-Oeste e no Sudeste, os índices foram menores, com 82% de avaliação positiva. O presidente da Frente Parlamentar Mista da Educação, deputado Rafael Brito, destacou a importância da medida: “Proteger nossos estudantes do uso do celular em sala de aula é garantir um ambiente mais saudável e focado no aprendizado. O resultado que vemos hoje é a confirmação de que a educação precisa ser prioridade, com políticas que cuidem do presente e preparem o futuro dos nossos jovens.” Já a presidente do Equidade.info, Claudia Costin, alertou que ainda há obstáculos a enfrentar: “Houve uma queda significativa no bullying virtual na visão dos gestores, mas é crucial ouvirmos os estudantes que ainda sentem o problema. Ou seja, a conclusão é que a restrição foi positiva, mas sozinha não basta: as escolas precisam criar alternativas de interação e estratégias específicas para cada idade.” Estratégias pedagógicas e futuro da lei Para o coordenador do Equidade.info e docente da Stanford, Guilherme Lichand, os dados reforçam a necessidade de estratégias pedagógicas adaptadas: “Os resultados confirmam que a regulação do uso de celulares trouxe ganhos importantes para o aprendizado. Mais do que limitar o uso do telefone celular, a lei abre espaço para repensarmos como a escola se conecta com os alunos. O próximo passo é garantir que a aplicação da lei seja efetiva em todas as etapas, respeitando as particularidades de cada contexto escolar.” Segundo Lichand, a meta é transformar a restrição em política duradoura, unindo desempenho acadêmico e bem-estar estudantil. Metodologia da pesquisa O estudo ouviu 2.840 alunos, 348 professores e 201 gestores em escolas públicas municipais, estaduais e privadas de todas as regiões do país, entre maio e julho de 2025.

Brasil perde o talento da professora bocaiuvense Gilca Alves Wainstein

A gloriosa educadora, natural de Bocaiúva, faleceu em 9 de setembro de 2025, na cidade de Campinas, onde vivia. Seu corpo foi cremado no Complexo Memorial Hortolândia, localizado na cidade de Hortolândia, no Estado de São Paulo. Por Juca Brandão* Gilca Alves Wainstein foi sempre conhecida por nós, desde as nossas infâncias, como Gilca de Dr. Gil e de dona Carmélia Alves. Ela que sempre foi elogiada por sua estupenda inteligência, erudição, fidalguia e por ser, também, uma mulher de peregrinos encantos. Reafirmando-se, igualmente, que Gilca tornou-se bastante famosa nas altas esferas culturais, pelo seu alto grau de conhecimento humanístico e também, pela sua capacidade administrativa. Como diria o Sr. Romeu Barcellos Costa, se vivo fosse: uma mulher de nomeada, ou seja: de merecida fama, de grandioso nome e de excelente reputação. Viveu na sua Bocaiuva, em época de: “quando as próprias mulheres defendiam as tradições por mais que pensassem sobre elas. As próprias mães educavam os filhos e as filhas, transmitindo às mesmas regras e normas recebidas de seus pais, sem questionar, por falta de coragem ou medo de ousar, se eram muitas mentiras ou verdades aquilo que lhes passavam. É ela quem escreveu: “Os meus pais foram criados em Sabará e lá se conheceram e noivaram. Casaram-se em Belo Horizonte e rumaram para Bocaiuva onde se instalaram e tiveram grande prole, oito filhos. Ele, médico recente formado pela U.F.M.G., e ela, professora primária. Sou a mais velha e em Bocaiuva nasci, me criei e teci minha estória de infância e juventude. As brincadeiras de criança, as amiguinhas, as casinhas de bonecas e suas roupinhas e as correrias na praça em volta do correto. O Natal, ah! O Natal. Sempre com cheiro de terra recém molhada e carregado de desejos nem sempre realizados. O Grupo Escolar Cel.Fulgêncio, as professoras queridas e  lembradas, as coleguinhas e o colégio interno. Às férias, o reisado, os catopês e a Fazenda da Cachoeira. Os muitos amigos que sempre me acompanharam e participaram de todas as estripulias. Quanta recordação deliciosa guardo desse tempo. E os sonhos e anseios de mocinha? A festa do Senhor do Bom Fim – uma semana de acontecimentos excitantes e inesquecíveis, um desfile ininterrupto de moda, todas de vestidos novos criados para essa estreia anual-, o Bocaiuva Club, os bailes, as paixões escondidas e jamais insinuadas, os segredos não divididos, as lembranças guardadas. Saudades de tudo, também da infelicidade causada pelo desencontro sentimental de meus pais. Contudo, a discrição de meus conterrâneos, a fineza de seus sentimentos e a refinada solidariedade de toda uma cidade, me resguardava do constrangimento da situação e me aquecia o coração. Em Bocaiuva me fiz e meus laços de vida aí me fizeram.” A doutora Gilca foi sempre vitoriosa por onde andou. Vejamos: Art. 1º – Fica concedido o título de Cidadã do Estado do Rio de Janeiro à Professora GILCA ALVES WAINSTEIN. Art. 2º – Esta Resolução entrará em vigor na data de sua publicação, revogadas as disposições em contrário. Sala das Sessões, 17 de outubro de 1995. DEPUTADA TÂNIA JARDIM As mais de três décadas de atuação da FUNDEP foram marcadas por fatos, mudanças e conquistas. Confira um pouco da história da Fundação: 29 de novembro de 1974 – aprovação do estatuto da FUNDEP pelo Conselho Universitário da UFMG. 17 de fevereiro de 1975 – nomeação da primeira secretária-executiva da FUNDEP, Dra. Gilca Alves Wainstein, e início das atividades da Fundação, com sede no prédio da Reitoria da UFMG. 17/02/1975 a 06/05/1979 – Período de gestão da Dra. Gilca Alves Wainstein De 1975 a 1978 – Intensa atividade da instituição em projetos de pesquisa e extensão da Universidade. Os primeiros anos de atividade da FUNDEP são marcados por uma ampla mobilização, tanto no atendimento às demandas internas da UFMG quanto numa intensa política em busca de identificação de oportunidades de captação de recursos. 1977 a 1979 – Paralelo às atividades de apoio à pesquisa e gestão de recursos, a FUNDEP desenvolve, também, alguns projetos classificados na categoria de programas especiais e de ação cultural. Incluem-se nessa categoria: o projeto Museu do Homem; o Simpósio sobre Ciência e Tecnologia (1977); a Exposição de Arte Pré-histórica e Arte da Gravura Dinamarquesa; e um planejamento Básico direcionado para o aproveitamento do patrimonial cultural do Caraça. Não se esquecendo que ela dirigiu por muitos anos o CEDATE (Centro de Desenvolvimento e Apoio Técnico à Educação) em Brasília e ora extinto. Deixou dois filhos: Dr. Alberto Julius Alves Wainstein-médico cirurgião ongologista em Beagá e Dr. BernardoJulius Wains tein, Juiz Federal no Estado de São Paulo. Em outubro de 2024 ela esteve em Bocaiuva, por ocasião da colocação do busto de seu pai, Dr. Gil Alves, em área na entrada do Hospital de Bocaiuva. Fez um breve e excelente discurso e pareceu se despedir de sua terra. * José Henrique (Juca) Brandão é jornalista, advogado, cronista, escritor e historiador – Bocaiuva (MG) (Acervo particular e dados colhidos na Wikipédia) ____________________________________________________________________________________ “A universidade tem esse papel: desestabilizar para melhorar.” Gilca Alves Wainstein A professora Gilca Alves Wainstein não foi só uma doutora. Foi uma mulher que ousou liderar quando era raro ver mulheres em posição de liderança. Uma referência que seguirá viva em nossas ideias, em nossas lutas e em nossos sonhos. ‎ Veja abaixo, a entrevista com Darcy Ribeiro e Gilca Wainstein, mediada pelo reitor da Universidade Federal do Rio de Janeiro, em 1984 Memória Uerj: Entrevista com o então vice-governador Darcy Ribeiro e a professora Gilca Wainstein, da CEDATE, mediada pelo reitor Charley Fayal de Lyra, no Centro de Tecnologia Educacional da Uerj (CTE UERJ). Alguns registros biográficos de Gilca Waistein: Em 1975, a Fundep UFMG iniciou suas atividades, começou a atuar com sede no prédio da Reitoria e a professora Gilca Wainstein foi nomeada secretária executiva. Ao ser homenageada com a Medalha Darcy Ribeiro, em 2011, a professora Zuleima de Oliveira Faria relembrou fatos marcantes da história da UENF, inaugurada em 1991, “como o movimento pró-UENF, a decisão do governador Brizola de implantar a Universidade, a

UFMG 98 anos: rumo ao centenário com ciência, memória e democracia

Solenidade no dia 08 de setembro marca abertura do ciclo de conferências “Centenária: Universidade e Democracia”, com fala de Margareth Dalcolmo No dia 08 de setembro, às 19h, a Universidade Federal de Minas Gerais realizará a solenidade oficial em comemoração ao seu 98º aniversário. O evento acontecerá no auditório da Reitoria, localizado no campus Pampulha, às 19h, e marca o início das celebrações que conduzem à chegada do centenário da instituição, previsto para 2027. A cerimônia será também o ponto de partida do ciclo de conferências UFMG Centenária: Universidade e Democracia. A conferência inaugural, intitulada Brasil envelhece: Cuidado como direito, será proferida pela renomada pneumologista e pesquisadora Margareth Dalcolmo, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), reconhecida nacionalmente por sua atuação na área da saúde pública. Durante a pandemia de covid-19, Margareth se destacou como uma das principais especialistas sobre a doença no país. Na mesma noite, após o fim das atividades no auditório, será realizada a abertura oficial da exposição UFMG Centenária, que reúne textos, imagens e vídeos que narram a trajetória da Universidade e sua atuação contemporânea. A mostra estará aberta à visitação no saguão da Reitoria e pretende envolver a comunidade acadêmica e o público externo em uma jornada celebratória da UFMG em seus espaços, seus cursos, produções de pesquisa e inovação, ações de extensão, cultura, comunicação e serviços. A Universidade convida toda a sua comunidade, ex-alunos, parceiros institucionais e a sociedade civil a participarem deste momento simbólico e inspirador, que reafirma o compromisso da instituição com a produção de conhecimento, a defesa da democracia e o cuidado com as pessoas. (Assessoria de Imprensa da UFMG)

Unimontes terá Inteligência Artificial e Engenharia Elétrica/Eletrônica

A Universidade Estadual de Montes Claros (Unimontes) vai oferecer mais dois cursos de graduação: Inteligência Artificial e Engenharia Elétrica/Eletrônica. A criação das novas graduações foi aprovada pelo Conselho Universitário (Consu) da Unimontes em reunião ordinária realizada na tarde desta quarta-feira (30/07), na Sala dos Conselhos, no prédio da Reitoria. Na mesma sessão, foi aprovada também a instalação do curso de Letras/Português em São Francisco. As vagas para as primeiras turmas dos novos cursos serão disponibilizadas no Vestibular Próprio 2025 e no Sistema Enem/Sisu. Os cursos de Inteligência Artificial e de Engenharia Elétrica/Eletrônica serão vinculados ao Centro de Ciências Exatas e Tecnológicas (CCET). “Os cursos de Inteligência Artificial e Engenharia Elétrica/Eletrônica foram criados em atendimento às demandas da comunidade e do mercado de trabalho. Com isso, a nossa universidade demonstra que está conectada com a inovação, a modernidade e as necessidades do mercado profissional, dentro do compromisso da nossa gestão”, afirma o reitor da Unimontes, professor Wagner de Paulo Santiago, que presidiu a reunião do Conselho Universitário. Com a decisão do Consu, a Unimontes atinge o total de novos seis cursos de graduação criados durante a atual gestão da Reitoria. Já foram implantados, anteriormente, os cursos de Psicologia, Farmácia, Cinema e Audiovisual e Tecnólogo em Apicultura e Meliponicultura, este último no campus de Bocaiuva. Curso de Inteligência Artificial A Unimontes ofertará 20 vagas semestrais para o curso de Inteligência Artificial, com previsão de início no primeiro semestre de 2026. A graduação terá duração de quatro anos (oito períodos). De acordo com o diretor do CCET, professor José Augusto dos Santos Neto, o curso terá perfil interdisciplinar, formando profissionais com sólida base em matemática, estatística e computação, aliada a competências em ética e responsabilidade social. O conteúdo programático abrange desde fundamentos teóricos, como algoritmos e estruturas de dados, até temas avançados, como aprendizado de máquina, processamento de linguagem natural, visão computacional e sistemas inteligentes. Além disso, o curso contará com disciplinas humanísticas e de gestão, visando a uma formação integral que prepare os alunos para atuar em diversos setores, como tecnologia, saúde, finanças e indústria, com capacidade para resolver problemas complexos e promover inovação. Curso de Engenharia Elétrica/Eletrônica O curso de Engenharia Elétrica/Eletrônica ofertará 20 vagas anuais, com início previsto para o primeiro semestre de 2026. A graduação terá duração de cinco anos (10 semestres). Segundo o professor José Augusto dos Santos Neto, o curso visa formar profissionais com sólida base científica e tecnológica, capazes de absorver e desenvolver novas tecnologias, atuando de forma criativa na resolução de problemas de engenharia. “O egresso do curso deverá possuir conhecimentos avançados em eletricidade e eletrônica, além de habilidades em modelagem e integração de sistemas elétricos e eletrônicos. O conteúdo programático inclui disciplinas como Cálculo, Física, Circuitos Elétricos, Eletrônica Digital, Sistemas de Controle, Sistemas Microcontrolados, entre outras, com ênfase em atividades práticas em laboratórios e estágios supervisionados. O curso também contempla componentes humanísticos e de gestão, visando à formação integral do profissional”, destaca o diretor do CCET.