Ministro da Educação diz que diploma de universidade não adianta porque não tem emprego

Ministro da Educação questionou busca por ‘diploma na parede’, com uso do Fies: “Que adianta você ter um diploma na parede, o menino faz inclusive o financiamento do FIES que é um instrumento útil, mas depois ele sai, termina o curso, mas fica endividado e não consegue pagar porque não tem emprego”, disse. Logo a seguir, Milton Ribeiro falou no incentivo às escolas técnicas: “No entanto, o Brasil precisa de mão de obra técnica, profissional. E aí depois o moço ou a moça, elas fazem esse curso, arrumam um emprego, e depois falam: ‘O que eu gostaria mesmo é ser um doutor. Eu fiz um curso técnico em veterinário, já tenho um emprego, mas eu quero ser um médico veterinário’”. Milton Ribeiro em evento em Nova Odessa (SP) — Foto: Helen Sacconi/EPTV. Ele foi recebido em Nova Odessa com manifestação de estudantes, que foram retirados do local pela PM. Protesto Durante o evento, um grupo de estudantes fez um protesto contra o titular da pasta e por mais acesso à educação, e foi retirado à força pela Polícia Militar do portão do local. “Nós gostaríamos muito que ele estivesse nos recebendo no prédio do Ministério da Educação para uma reunião. Somos estudantes, não somos lixo, não somos ameaça. Mas ele nega a nos receber, então nós estamos aqui pra ver se ele passa a escutar os estudantes”, afirmou Rozana Barroso, presidente da União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (Ubes). Milton Ribeiro citou a manifestação dos estudantes, que classificou como “bagunça”. “Eu tenho certeza que nenhum desses meninos barulhentos pertencem às cidades de vocês. Estão estudando. Gente que estuda não tem tempo de fazer bagunça”, disse. Ele também disse que a manifestação foi de alunos que não querem estudar. “Se eu estivesse falando que as escolas tinham que estar fechadas, talvez muita gente não viria reclamar de mim, mas eu quero as escolas abertas.” Veja o vídeo abaixo:

Ministro da Educação de Bolsonaro disse que alunos com deficiência ‘atrapalham’

Milton Ribeiro afirmou que crianças com deficiências “atrapalhavam” os demais alunos sem a mesma condição quando colocadas na mesma sala de aula Uma nova declaração polêmica do ministro da Educação Milton Ribeiro está repercutindo nas redes sociais. Em entrevista ao programa ‘Sem Censura’, da TV Brasil, na última segunda-feira (9/8), o político disse que crianças com deficiências “atrapalhavam” os demais alunos sem a mesma condição quando colocadas na mesma sala de aula. “O que é inclusivismo? A criança com deficiência é colocada dentro de uma sala de alunos sem deficiência. Ela não aprendia, ela ‘atrapalhava’ – entre aspas, essa palavra eu falo com muito cuidado – ela atrapalhava o aprendizado dos outros, porque a professora não tinha equipe, não tinha conhecimento para dar a ela atenção especial”, declarou o ministro. Outras declarações feitas por Milton Ribeiro na mesma entrevista também causaram irritação em parte da população. Entre elas, o ministro disse que a “universidade deveria, na verdade, ser para poucos, nesse sentido de ser útil à sociedade”. “Tenho muito engenheiro ou advogado dirigindo Uber porque não consegue colocação devida. Se fosse um técnico de informática, conseguiria emprego, porque tem uma demanda muito grande”, completou. Além disso, ele também afirmou que reitores das universidades federais não podem ser ‘esquerdistas, nem lulistas’. “Alguns optaram por visões de mundo socialistas. Não precisa ser bolsonarista. Mas não pode ser esquerdidas, nem lulista. Reitor tem que cuidar da educação e ponto final. E respeitar todos que pensam diferente. As universidades federais não podem se tornar comitê político, nem direita, muito menos de esquerda”, disse. Via Estado de Minas

MEIO PASSE ESTUDANTIL – Recadastramento começa nesta segunda-feira

A Prefeitura de Montes Claros anunciou o recadastramento do Meio Passe Estudantil para os alunos de baixa renda matriculados em instituições de ensino da cidade. A partir da próxima segunda-feira, 16, os interessados devem comparecer no setor de Gerência da Juventude, que fica na Praça de Esportes, das 8 às 16 horas. O prazo de recadastramento vai até o dia 30 de setembro. O período será maior justamente para evitar aglomerações. Todos os protocolos de segurança serão seguidos e não haverá contato físico entre os usuários. Os colaboradores realizarão medição de temperatura e cumprirão distanciamento e uso de máscaras para a segurança de todos. Para fazer o recadastramento, o candidato deve levar os seguintes documentos: identidades (RG) e CPFs do Estudante e do Responsável (caso o estudante seja menor de idade), declaração da instituição de ensino, comprovante de residência e Cartão Simcard do Meio Passe Estudantil. O Meio Passe é um benefício de auxílio estudantil, através do qual a Prefeitura custeia metade do valor da tarifa do transporte coletivo urbano correspondente ao percurso diário de ida e volta entre a residência e a instituição de ensino do estudante. Mais informações podem ser obtidas pelos telefones 2211-3387 e 2211-3388.

Prédio do Demc, símbolo de resistência dos estudantes no regime militar, continua deteriorado

O Dia do Estudante é comemorado em 11 de agosto e em Montes Claros o prédio do Diretório dos Estudantes Secundaristas (DEMC), um dos símbolos de resistência dos movimentos sociais na década de 1960, continua abandonado e servindo para usuários de drogas e incomodando os moradores da rua 31 de março. O atual presidente Pablo Alves Costa explica que a nova direção está tentando parcerias para reforma o prédio e por isso, abriu conversações com o promotor Paulo César Vicente Lima. No ano passado foi iniciada uma articulação para o local ser reformado e abrigar a Guarda Mirim de Montes Claros, mas a iniciativa acabou sendo cancelada, por falta de acordo. O Dia do Estudante celebra um direito básico dos cidadãos, e uma fase da vida onde nos dedicamos à busca do conhecimento, através do estudo constante sobre os temas que nos rodeiam. A data surgiu em 11 de agosto de 1827, quando o Imperador D. Pedro I instituiu no Brasil os dois primeiros cursos de ensino superior do país nas áreas de Ciências Jurídicas e Ciências Sociais. Eles tiveram lugar nas faculdades de Direito de Olinda, em Pernambuco, e na Faculdade de Direito do Largo São Francisco, em São Paulo. Antes, o acesso aos cursos superiores era limitado às famílias com posses, que tinham de deixar o Brasil para estudar na Europa. Segundo a história, esses não foram os primeiros cursos superiores do país. Os primeiros datam de 1808, embora a criação das universidades tenha sido aprovada anos depois. A relação do Dia do Estudante com a criação dos cursos de Direito é marcada pela importância que as Ciências Jurídicas têm na história da educação do nosso país. Na comemoração dos 100 anos do curso de Direito, em 1927, o advogado Celso Gand Ley, um dos participantes da celebração, propôs que o dia 11 de agosto ficasse registrado como o Dia Nacional do Estudante, que também pode ser chamado de “Dia do Aluno”. Esta data também possui outro significado bastante importante para a classe, pois em 11 de agosto de 1937 nascia a União Nacional de Estudantes – UNE, que protege os direitos e deveres de todos os alunos do país. (GA) Via Jornal Gazeta

Instituto de Ciências Agrárias oferece vagas para reopção de curso

Foi publicado o regulamento do processo seletivo para preenchimento de vagas remanescentes do primeiro período letivo de 2021 em cursos de graduação da Universidade Federal de Minas Gerais. O regulamento trata da modalidade de reopção de curso. Os interessados devem protocolar requerimento entre os dias 10 e 13 de agosto. Ao todo, são mais de 1.200 vagas, sendo cerca de 70 delas ofertadas no campus regional da UFMG em Montes Claros. O procedimento é para estudantes da UFMG matriculados em curso de graduação, que queiram mudar para outro curso na mesma Universidade e que tenham ingressado por meio de Concurso Vestibular ou pelo Sistema de Seleção Unificada (Sisu). É necessário que o estudante tenha cumprido o mínimo de 20 créditos desde o seu ingresso no curso de graduação e no máximo 75% da carga horária total exigida no percurso curricular. O Instituto de Ciências Agrárias da UFMG oferta seis cursos de graduação: Administração, Agronomia, Engenharia Agrícola e Ambiental, Engenharia de Alimentos, Engenharia Florestal e Zootecnia e todos oferecem vagas. Com exceção do curso de Administração, que é oferecido no turno da noite, todos os outros são diurnos. O quadro de vagas pode ser consultado na página do Departamento de Registro e Controle Acadêmico (DRCA). (Portal ICA/ UFMG)

Programa seriado: Unimontes dá andamento ao PAES/2020 visando aplicação de provas

A Unimontes desempenha todos os esforços para a realização das provas do Programa de Avaliação Seriada para o Acesso ao Ensino Superior (PAES/2020). A Universidade dá continuidade ao processo de licitação para a contratação de empresa especializada na logística da realização das provas. A sessão pública do processo licitatório com este objetivo está marcada para a próxima sexta-feira ( 13/08). O calendário de inscrições e o processo de aplicação de provas do PAES/2020 sofreram interrupções devido aos efeitos da pandemia da Covid-19. A Instituição também enfrentou dificuldades operacionais. No entanto, a Universidade desenvolveu todos os esforços para assegurar a aplicação das provas e evitar quaisquer prejuízos (impedindo a chamada “solução de continuidade”) para os estudantes, especialmente para aqueles que já foram inscritos no programa seriado e fizeram os testes no primeiro e no segundo ano do ensino médio. Conforme previsto em edital publicado pela Universidade, no PAES/2020 serão preenchidas 720 vagas em 63 cursos de graduação ministrados no campus-sede e nos demais campi da Unimontes no Norte de Minas, Noroeste do estado e no Vale do Jequitinhonha. A partir dos esforços empreendidos, a instituição informa que, para realização do PAES 2020, o ano de matrícula no Ensino Médio em 2020 corresponderá à etapa a ser realizada no Programa de Avaliação Seriada. A previsão da Unimontes é apresentar e executar o novo cronograma tão breve sejam concluídas as etapas da licitação em curso. Desta forma, a expectativa é que, dentro do espaço de tempo mais rápido possível, os estudantes deverão ter acesso ao cronograma do PAES, com a divulgação da data das provas e a abertura do sistema para efetivação das inscrições. A sessão pública da empresa especializada na logística da realização das provas do PAES/2020 está marcada para sexta-feira (13/08), às 9h, no campus-sede da Universidade. Via Ascom/Unimontes

Educação e esporte de mãos dadas no caminho para o futuro – Por Bruna Brelaz

A campeã olímpica Rebeca Andrade começou a treinar ainda criança num projeto social de esporte A educação e esporte dão perspectivas para crianças e jovens, são pilares para o futuro. Nos últimos dias, o Brasil parou para ver a gigante Rebeca Andrade nas Olimpíadas de Tóquio. Medalha de Ouro e de Prata, ela elevou ainda mais o legado brasileiro na ginástica artística e fez história Assim como ela, muitas crianças podem ter suas vidas transformadas com incentivo ao esporte. Rebeca começou a treinar aos quatro anos em um projeto social de iniciação ao esporte em Guarulhos. Como a educação, o esporte dá perspectivas a crianças e jovens. Ambos são pilares para o futuro. E toda a verba destinada a eles é investimento que garante desenvolvimento social e econômico. O Brasil já soma 19 medalhas nos Jogos Olímpicos. Conforme avançamos nas competições e nomes se destacam, surgem revelações sobre as reais condições do esporte de alto rendimento no Brasil. Na semana passada, informações levantadas em uma reportagem do Globo Esporte viralizaram no Twitter. Mais de 40% dos atletas brasileiros nesta edição das Olimpíadas, segundo o levantamento, não possuem patrocínio. Para participarem dos Jogos, 13% deles realizaram “vaquinhas” e financiamentos coletivos. Sem qualquer bolsa, 10% trabalham em outras funções para ter renda. Por exemplo, como motoristas de aplicativos. O Bolsa Atleta, que em 2020 não teve edital lançado pelo governo Bolsonaro, já teve seu orçamento reduzido em quase 20%, desde a última Olimpíada. Para a próxima geração do esporte brasileiro, sendo assim, os horizontes estão se estreitando. Hoje, um atleta de base tem direito a bolsa menor que mil reais, o que o faz ser necessário ter outra profissão para completar a renda. Aqueles que são estudantes, tem hoje o valor de R$ 370 para dedicar seu tempo ao treino.Vale lembrar que o Ministério do Esporte foi extinto assim que Bolsonaro assumiu a presidência em 2009, e reduzido a uma pasta dentro do Ministério da Cidadania. O investimento no esporte reduz os índices de criminalidade, por promover mudanças sociais profundas. Assegurado pela Constituição Federal de 1988 como um direito, a formação de base deve estar presente nas escolas de educação básica e também nas políticas públicas para crianças e jovens, para que eles conheçam as modalidades e se desenvolvam, formando um ciclo contínuo de renovação e aprimoramento do esporte. Nas universidades públicas e privadas, os estudantes podem receber bolsas por meio dessas iniciativas: as instituições podem oferecer bolsas internas e também auxílios, incentivando o esporte e as equipes internas, fortalecendo a Lei de Incentivo ao Esporte ( Lei nº 11.438/06). Educação e Esporte requerem projeto e continuidade. A necropolítica e o sucateamento promovidos pelo governo Bolsonaro levam a retrocessos imensos ao desenvolvimento e soberania do Brasil. Bruna Brelaz é estudante de Direito e presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE) Via Vermelho

Abandono escolar – Na volta às aulas, a ausência dos que tiveram que abandonar os estudos

Solange Maria Olímpio e os três filhos, Francisco Lairton, Soraya e Richarlisson (Nicolas Leiva) O desafio da volta às aulas com a pandemia. Alunos contam porque desistiram da escola em Fortaleza (Ceará) Por Beatriz Jucá – Via El País Érika Maciel de Souza dos Santos, de 16 anos, queria ser médica. Mas às vésperas do vestibular, ela está frustrada. Há meses deixou de acompanhar regularmente as aulas do 3º ano do Ensino Médio e desistiu de prestar o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), sua esperança de ingresso na universidade. No início da pandemia, ela morava na casa da avó no bairro Goiabeiras, na periferia de Fortaleza. Acompanhava as aulas à distância por meio de um celular emprestado, mas só depois de meses o pai conseguiu ajudá-la a colocar Wi-fi em casa e lhe deu um aparelho próprio. Mesmo assim, um problema burocrático com o e-mail institucional (requisito para o contato por vídeo por alguns professores) a fez ser rejeitada duas vezes nas videochamadas com o professor. Foi a gota d’água. “Faz quatro meses que eu não faço as atividades e também desisti de ir atrás. Tava difícil aprender”, conta. As dificuldades enfrentadas pelos estudantes pobres brasileiros durante o ensino remoto estão aumentando a distância entre eles e suas escolas. Principal porta de entrada no Brasil para as universidades, o Enem foi um termômetro do problema: teve neste ano apenas 3,1 milhões de inscrições confirmadas, o menor número desde 2005, uma consequência, segundo especialistas, também da perda de vínculo dos alunos com a escola durante o longo período de ensino remoto limitado. No ano passado, o primeiro da pandemia, 172.000 crianças entre 6 e 17 anos abandonaram a escola no país, segundo estimativa de um relatório do Banco Mundial. No momento em que Estados e municípios começam a discutir uma retomada presencial, estima-se que 1,5 milhão de jovens estejam fora da escola. Érika já não fazia as atividades escolares regularmente nem tinha esperanças de passar no curso de medicina, um dos mais concorridos do país, no momento em que abriram as inscrições para o Enem. “Me sinto desmotivada. Acho difícil que vá conseguir ser médica um dia”, conta. Ela até considera voltar à escola para concluir o Ensino Médio, mas não sabe quando, talvez depois que toda a população for vacinada. Por enquanto, ela se dedica ao surf e se prepara para competir. “Já sei que para mim a medicina não vai dar. Estou vendo o que fazer”. Érika Maciel de Souza dos Santos, de 16 anos. Nicolas Leiva Quando o smartphone de segunda mão que Solange Maria Olímpio dos Santos comprou parcelado em quatro vezes caiu no chão e apagou para sempre, abriu-se de vez o abismo entre seus três filhos e a escola. Francisco Lairton (16 anos), Richarlisson (15 anos) e Soraya (12 anos) contam que revezaram por meses o celular da mãe, em um verdadeiro malabarismo para seguir estudando à distância enquanto a pandemia do coronavírus mantinha as escolas fechadas. A vizinha emprestou a senha do Wi-Fi e cada um tinha um horário para usar o aparelho. Às vezes, vinham os problemas de choque de horários das atividades. Ou acontecia de tudo travar e os exercícios dos mais novos chegarem aos montes. “Chegava tudo de uma vez, e a gente não tinha tempo de fazer todas as tarefas”, lembra Richarlisson. Mas todos iam levando como dava e tentando abraçar pelo menos parte do conteúdo e das aulas oferecidas. Até o celular pifar de vez no primeiro semestre deste ano. “Agora estão os três sem estudar. Não teve jeito, eu não posso comprar outro”, lamenta Solange, em pé na pequena sala da casa que alugou por 300 reais no bairro Barra do Ceará, na periferia de Fortaleza. Os 1.200 reais que ela, mãe solo, consegue juntar por mês com seu trabalho lavando roupa, o que recebe de programas sociais e uma “ajuda” muito esporádica do pai dos dois caçulas já não dão conta de custear o básico. Comprar celular novo para os meninos estudarem, então? “Impossível. Não posso”, ela diz, mostrando um caderno com os pontos da rifa de um perfume que pegou fiado com uma amiga revendedora. É com a venda destes pontos que ela espera pagar o tal perfume e lucrar 80 reais para melhorar o orçamento do próximo mês. “Tenho que me virar e mesmo assim não sobra. É muito difícil.” Francisco Lairton, o filho mais velho, conta estar tentando conseguir um dos 150.000 tablets que começaram a ser distribuídos pelo Governo do Ceará neste ano aos alunos no 1° ano do Ensino Médio, mas, sem sucesso até agora, acredita que ele e os irmãos só conseguirão retomar os estudos quando as escolas voltarem presencialmente. As secretarias de educação do Estado e do município de Fortaleza afirmam que têm distribuído tablets e chips com pacote mensal de 20GB de internet móvel para tentar reduzir o problema da exclusão digital dos estudantes. O programa, na esfera estadual, deve se tornar permanente. Mas, por enquanto, Francisco conta que ainda não tem um aparelho para voltar a estudar e usa seu tempo ajudando a mãe em casa e dando aulas de surf no bairro. Ele diz querer concluir o Ensino Médio “para ter um emprego bom no futuro”, mas mesmo com a iminência da volta gradual das aulas presenciais, vê novos abismos se formarem diante de si e na contramão da conclusão do colégio. As escolas estaduais no Ceará devem começar a ser reabertas a partir de agosto e as do município de Fortaleza em setembro, mas ambas em um sistema híbrido (ou seja, com parte das aulas presenciais e outra parte remota). Até lá, o segundo semestre do ano letivo será retomado ainda na modalidade à distância. Sem internet própria nem equipamentos para acessar conteúdos, os filhos de Solange acham que continuarão sem estudar no curto prazo. “Não desisti totalmente da escola, mas ficamos mais ainda sem condição de estudar”, afirma Francisco. Um estudo do Banco Mundial dá a dimensão do problema em todo o país:

Alunos da rede municipal de Montes Claros retornam às aulas na próxima segunda-feira, 2

A Prefeitura de Montes Claros já está preparada para a volta às aulas na próxima segunda-feira, 2. Assim, uma série de medidas foram adotadas para garantir o cumprimento dos protocolos de prevenção à Covid-19. Durante o mês de julho, os profissionais da educação participaram de um congresso online com orientações sobre a volta às aulas. Além disso, cantineiras e serventes também passaram por treinamento para preparar a merenda e servir de acordo com os protocolos sanitários necessários. É importante destacar ainda que, para a segurança dos profissionais da educação, todas as escolas já receberam máscaras, álcool em gel e demais equipamentos de proteção adequados. Além disso, todas as escolas foram demarcadas para receber os alunos de acordo com as determinações dos decretos municipais. Vale destacar ainda que as turmas dos níveis infantil e fundamental terão somente 50% da sua capacidade, em um sistema de revezamento. Diversas vídeo-aulas já foram gravadas para que os alunos possam acompanhar o conteúdo quando estiverem em casa. O revezamento entre as turmas será semanal, de acordo com o planejamento de cada unidade escolar. Para garantir o transporte seguro, os transportadores urbanos e rurais passaram por treinamento específico. Assim, todos tiveram que adequar os veículos para garantir o espaçamento adequado. Além das medidas de segurança, é importante destacar que todos os profissionais da educação já estão vacinados com pelo menos uma dose da vacina contra a Covid-19. De acordo com a secretária municipal de educação, Rejane Veloso, a segurança de profissionais e de alunos estará garantida com as medidas adotadas. “Neste momento o retorno às aulas é opcional, mas os pais que optarem por enviar os seus filhos podem ter certeza que os protocolos de segurança serão seguidos. A prefeitura se preparou e adotou todas as medidas exigidas para garantir este retorno”, explica. Via Prefeitura de Montes Claros

Jovem Pan vende discurso negacionista de ministro da Educação. Professores rebatem

Ministro da Educação, Milton Ribeiro, falou à Jovem Pan: quer o retorno imediato às aulas presenciais Apresentadores defenderam ministro da Educação, Milton Ribeiro, e atacaram sindicatos, que para eles “não gostam de trabalhar; são um câncer” no Brasil O Sindicato dos Professores do ABC divulgou nesta quarta-feira (21) nota de repúdio aos ataques a sindicatos, especialmente os que representam os docentes, desferidos por apresentadores da rádio Jovem Pan. Na edição de hoje do programa Morning Show, que vai ao ar das 10h às 11h30, a equipe de comentaristas procurou vender o discurso negacionista do ministro da Educação Milton Ribeiro. E esculachou professores e sindicalistas. Na noite de ontem, em cadeia nacional, o ministro conclamou a população à volta às aulas presenciais. “O Brasil não pode continuar com as escolas fechadas, gerando impactos negativos nestas e nas futuras gerações”, disse. E reafirmou que o governo Bolsonaro não pode interferir. Ribeiro tem repetido publicamente que, caso contrário, “todas as escolas estariam reabertas”. Pressão dos sindicatos Um dos comentaristas, Adrilles Jorge, afirmou que as aulas presenciais demoram a retornar por causa da pressão exercida pelos sindicatos. “É uma estupidez, boçalidade… A gente sabe que sindicato não gosta de trabalhar, gosta de mamar na teta… Sindicato de professor, todo sindicato.” A fala acabou endossada pelos demais. “Os profissionais da Educação em momento algum reduziram sua carga de trabalho. Muito pelo contrário. Toda a classe precisou se reinventar, comprar – do próprio bolso – recursos multimídias para que as aulas tivessem continuidade no formato remoto e atender, sem horário de expediente respeitado, alunos e responsáveis para sanar dúvidas. Tudo porque sabem de sua missão, mesmo que sem suporte de autoridades políticas ou empresários mantenedores de escolas”, diz trecho da nota de repúdio Confira a íntegra da nota Nota de Repúdio – Jovem Pan Com consternação e repulsa, recebemos, na manhã desta quarta-feira (21/7), trechos do programa transmitido pela Rádio Jovem Pan, Morning Show, com ataques e difamações a sindicatos, em especial aos que representam professores. Em comentários sobre a fala do ministro da Educação, Milton Ribeiro, a bancada atacou, de forma veemente e ignorante, a atuação do movimento sindical durante o enfrentamento à pandemia. Os ditos “comentaristas” afirmaram que as aulas presenciais demoraram a retornar por conta da pressão exercida pelos sindicatos e por comodismo da classe docente. Se por um lado podemos nos sentir lisonjeados pelo reconhecimento à força que os movimentos sérios têm em nosso País, por outro, infelizmente, somos tomados de indignação às falas que apenas retrataram desconhecimento da realidade. É de conhecimento público que o Brasil patinou em todas as esferas por incompetência e incapacidade de gestão do Governo Federal, que sempre minimizou a gravidade da situação, negligenciou a compra de vacinas e apenas atrasou o restabelecimento sanitário, econômico e social. Se a nação tivesse sido devidamente respaldada por uma autoridade presidencial responsável, certamente o cenário poderia ser outro. Os profissionais da Educação em momento algum reduziram sua carga de trabalho. Muito pelo contrário. Toda a classe precisou se reinventar, comprar – do próprio bolso – recursos multimídias para que as aulas tivessem continuidade no formato remoto e atender, sem horário de expediente respeitado, alunos e responsáveis para sanar dúvidas. Tudo porque sabem de sua missão, mesmo que sem suporte de autoridades políticas ou empresários mantenedores de escolas. “Lamentamos que use do microfone para disseminar, de forma desrespeitosa, ódio e ignorância, enaltecendo, assim, que de Educação ele nada entende ou pratica” Ao se referir aos sindicatos, o pseudo intelectual Adrilles Jorge usou termos como “não gostam de trabalhar, gostam de dinheiro e de mamar na teta; nefastos; câncer; burros, boçais, canalhas, ratos, vigaristas e criminosos de vagabundagem remunerada”, “que ceifam o direito moral, social e intelectual das crianças”. A ele, apenas lamentamos que use do microfone para disseminar, de forma desrespeitosa, ódio e ignorância, enaltecendo, assim, que de Educação ele nada entende ou pratica. Por fim, ressaltamos que comparar o Brasil com países bem sucedidos, que já retomaram as atividades presenciais, reiteram a falta de parâmetros e de compreensão da realidade. Cobrem, senhores locutores, ação do Governo Federal que vocês, sim, tanto defendem por interesses políticos. O movimento sindical luta bravamente para resistir diante das precarizações nas relações trabalhistas defendidas por empresários que colocam em primeiro lugar exclusivamente o lucro. Para nós, vidas, trabalho, saúde, educação e dignidade importam. Se desconhecem a seriedade dos sindicatos e a rotina dos professores, ao menos não reverberem discursos ignorantes. Sindicato dos Professores do ABC