Lula e Marina assinam pacotão ambiental no primeiro dia de governo

Reativação do Fundo Amazônia, alteração em punições administrativas e no funcionamento do Fundo Nacional do Meio Ambiente estão na lista Logo nas primeiras horas de seu governo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) assinou uma série de decretos e ações para alterar as políticas ambientais brasileiras e ampliar medidas de combate ao desmatamento. Foram cinco decretos e um despacho assinados ainda no dia 1º e publicados no Diário Oficial da União (DOU) desta segunda-feira (2). As novas regras criam uma comissão interministerial para o setor, revoga programa de apoio à mineração artesanal, reativa o Fundo Amazônia, remodela o Fundo Nacional do Meio Ambiente e altera processos de apuração e punição de ilícitos ambientais. O primeiro dos decretos é o 11.367, que “institui a Comissão Interministerial Permanente de Prevenção e Controle do Desmatamento, restabelece o Plano de Ação para a Prevenção e Controle do Desmatamento na Amazônia Legal (PPCDAm) e dispõe sobre os Planos de Ação para Prevenção e Controle do Desmatamento no Cerrado, na Mata Atlântica, na Caatinga, no Pampa e no Pantanal”. No caso da comissão, serão membros, além da ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, que será a sexcretária-executiva do grupo, os titulares da Casa Civil (Rui Costa), Agricultura e Pecuária (Carlos Fávaro), Ciência, Tecnologia e Inovação (Luciana Santos), Justiça e Segurança Pública (Flávio Dino), Integração e Desenvolvimento Regional (Waldez Góes), Relações Exteriores (Mauro Vieira), Defesa (José Múcio), Fazenda (Fernando Haddad), Planejamento e Orçamento (Simone Tebet), Minas e Energia (Alexandre Silveira), Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (Paulo Teixeira), Pesca e Aquicultura (André de Paula), Gabinete de Segurança Institucional (Gonçalves Dias), Trabalho e Emprego (Luiz Marinho), Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Geraldo Alckmin), Gestão e Inovação (Esther Dweck), Transportes (Renan Filho) e Povos Indígenas (Sônia Guajajara). Lula também assinou decreto para dispor sobre a governança do Fundo Amazônia. As mudanças destravam o fundo, já que permitem que outros países voltem a investir na iniciativa, que havia sido interrompida em razão de divergências com o governo Bolsonaro. As novas regras determinam que caberá ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) fazer a captação das doações e emitir diploma para reconhecer a contribuição dos doadores. O Ministério do Meio Ambiente e Mudança Climática vai definir, todo ano, os limites de captação para efeito da emissão do diploma e definirá a metodologia de cálculo do limite de captação e considerará os seguintes critérios: redução efetiva de Emissões de Carbono Oriundas de Desmatamento (ED), atestada pelo CTFA; e valor equivalente de contribuição, por tonelada reduzida de ED, expresso em reais por tonelada de carbono. Semestralmente um comitê irá apresentar informações sobre a aplicação dos recursos e, anualmente, haverá um relatório de atividades. O presidente também revogou o decreto 10.966/2022, que instituía o Programa de Apoio ao Desenvolvimento da Mineração Artesanal e em Pequena Escala e a Comissão Interministerial para o Desenvolvimento da Mineração Artesanal em Pequena Escala. Essas iniciativas buscavam permitir a mineração em terras indígenas. No Diário Oficial da União também saiu a alteração do decreto 10.224/2020, que regulamenta a Lei 7.797/89 e que criou o Fundo Nacional do Meio Ambiente. As alterações tratam do conselho deliberativo do fundo, que será comandado pela ministra do Meio Ambiente e terá representantes do Planejamento, Povos Indígenas, Secretaria Nacional de Juventude, Secretaria-Geral da Presidência, Ibama, Instituto Chico Mendes e Agência Nacional de Águas (ANA), entre outros. O decreto 11.373, por sua vez, alterou uma legislação de 2008 para dispor sobre novas regras para apuração e sanções administrativas ao meio ambiente, estabelecendo processo administrativo federal para apuração dessas infrações. Por fim, um despacho da Presidência pede providências para correções nas distorções do funcionamento do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama). “Tendo em vista o esvaziamento do Conselho Nacional do Meio Ambiente – Conama, órgão consultivo e deliberativo, criado em 1981, de relevante papel na proteção do meio ambiente, com a participação da sociedade civil, determino a adoção de providências pelo Ministro de Estado Chefe da Casa Civil da Presidência da República e Presidente do Conselho do Programa de Parcerias de Investimentos da Presidência da República e pela Ministra de Estado de Meio Ambiente e Mudança do Clima para que seja revisto o teor do Decreto nº 11.018, de 30 de março de 2022, para eliminar os retrocessos realizados na estrutura e no funcionamento do Conama, e com vistas a dar cumprimento à decisão do Supremo Tribunal Federal na ADPF 623, a servir de fundamento para nova regulamentação do Conama, no prazo de quarenta e cinco dias, a fim de garantir a ampla participação da sociedade na definição das políticas públicas ambientais do País”, diz o despacho.

Sônia Guajajara será ministra dos Povos Indígenas

Ministério será criado no governo Lula A deputada federal eleita Sonia Guajajara (PSOL-SP) foi escolhida para ser a ministra dos Povos Indígenas. O anúncio oficial deve ser feito por Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nos próximos dias, junto com o restante dos escolhidos para ocupar a Esplanada, informa a Folha de S.Paulo. Guajajara foi um dos três nomes enviados pela Apib (Articulação dos Povos Indígenas do Brasil) como sugestões para o cargo mais alto da pasta, que será criada pelo próximo governo. Na lista de cotados também estavam Joênia Wapichana, deputada federal não reeleita da Rede de Roraima, e o vereador de Caucaia (CE) Weibe Tapeba (PT). Segundo pessoas envolvidas na estruturação do ministério, ele abraçará a Funai (Fundação Nacional do Índio) e pode funcionar com o seu orçamento em um primeiro momento.

Três municípios do Norte de Minas são premiados no ‘Jovens Mineiros Sustentáveis’

Os municípios de Manga e Taiobeiras, além da escola municipal Lidonio Felix, de Padre carvalho, foram premiados no programa Jovens Mineiros Sustentáveis, realizado pela Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável pelas ações de educação ambiental nas escolas municipais. O evento ocorreu no Centro Mineiro de Referência em Resíduos (CMRR) e marcou a consagração do Programa Jovens Mineiros Sustentáveis, lançado oficialmente em 2022, com seleção, via edital, de 65 municípios para a implantação de ações de educação ambiental nas escolas municipais. Cerca de 450 pessoas participaram da cerimônia de premiação, entre elas prefeito, secretários municipais de educação e meio ambiente, além de alunos. Entre as autoridades, estava presente o secretário-geral do Governo de Minas, Mateus Simões; a secretária de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, Marília Melo; o subsecretário de Gestão Ambiental e Saneamento, Rodrigo Franco; e o deputado estadual Noraldino Júnior. Durante a cerimônia, a Secretária Marília Melo lembrou-se do início do programa quando, em 2021, foi lançado o projeto-piloto em quatro cidades. “Chegamos a 65 municípios, alcançando 115 escolas, num total de 4,3 mil alunos. Mais do que os números é o resultado que temos. Prefeitos nos contam as mudanças que isso tem provocado nas crianças, nos professores, nas cidades. A educação ambiental propicia essa nova realidade de comportamento em várias esferas”, comentou a secretária. O secretário Mateus Simões, elogiou o programa e disse que a sensibilização dos alunos para a temática ambiental é fundamental para as mudanças de atitudes. “Os jovens mais conscientes sobre o papel que eles têm para o futuro é o único resultado possível. Espero que vocês, estudantes, sejam sempre reconhecidos por serem tocados pela importância de se pensar no mundo, no outro”, disse. “Na nossa experiência, os municípios são a peça-chave para levar resultados à população, e as ações do Programa Jovens Mineiros Sustentáveis contribuem para a formação cidadã e integral em meio ambiente de crianças e adolescentes, que se preparam para uma cidadania pautada na sustentabilidade”, conclui o subsecretário de Gestão Ambiental e Saneamento, Rodrigo Franco. Ao todo, dez escolas foram premiadas, escolhidas por apresentarem maior engajamento e comprometimento com as metas e diretrizes do programa. Além de certificados de “Escolas Sustentáveis”, elas ganharam dois computadores. Doze municípios receberam certificados de “Boas práticas pedagógicas”. Do Norte de Minas, a escola municipal Lidônia Félix de Padre Carvalho foi a única premiada. Manga e Taiobeiras também foram os únicos municípios da região premiados como destaques ‘Boas práticas pedagógicas em educação ambiental”

Montes Claros estrutura galpões e capacita catadores

A reciclagem é uma das maneiras mais importantes ferramentas para a preservação do meio ambiente, uma vez que retira da natureza materiais como plástico, vidro e papel. Embalagens de agrotóxico, por exemplo, são verdadeiras arqui-inimigas do meio ambiente, pois descartadas de forma irregular podem contaminar mananciais, solo e lençóis freáticos. Para estimular a prática da reciclagem em Montes Claros, a Prefeitura criou o projeto RECICLA AOS MONTES, que além de estruturar galpões de reciclagem ainda cuida da capacitação e apoio aos catadores. A catação é de suma importância e são os catadores que atuam na linha de frente, recolhendo os recicláveis e levando-os aos galpões. O vice-prefeito e secretário de Serviços Urbanos de Montes Claros, Guilherme Guimarães, ressalta que o RECICLA AOS MONTES é um projeto de grande magnitude, haja vista que promove capacitação, estruturação e valorização dos galpões e catadores da cidade.

Conselho Ambiental de MG sofre ‘renúncia coletiva’ de ONGs, que acusam governo

Copam autorizou o licenciamento total para o Complexo Minerário Serra do Taquaril, na serra do Curral — Foto: Videopress Produtora Entidades afirmam que Executivo transformou conselhos em ‘teatros’ para ‘legitimar decisões autocráticas’ Organizações Não Governamentais (ONGs) que participavam do Conselho Estadual de Política Ambiental (Copam) e do Conselho Estadual de Recursos Hídricos (CERH) anunciaram “renúncia coletiva” nesta quinta-feira (17). As entidades acusam o governo de Minas de transformar os conselhos em “teatros” para “legitimar decisões autocráticas”. Superintendente da Associação Mineira de Defesa do Meio Ambiente (AMDA), uma das sete entidades signatárias, Maria Dalce Ricas diz que o Executivo excluiu da sociedade civil organizada a gestão dos recursos naturais. “Não podemos mais legitimar isso. O governo ignora a competência do Copam e faz mudanças nas leis ambientais sem ouvir o Conselho”, afirma. A decisão das ONGs foi informada nesta em reunião, ministrada pela secretária Executiva da Secretaria de Estado do Meio Ambiente (Semad), Valéria Cristina. A titular da pasta, Marília Melo, está no Egito onde participa da COP-27, convenção que trata de mudanças climáticas. Críticas As organizações afirmam que as compensações ambientais foram desmanteladas nos últimos anos e que a legislação é interpretada de maneira a “fragmentar o licenciamento ambiental”. Também acusam o governo de ser favorável “à concessão de licenças a projetos que preveem grandes desmatamentos, instruídos com estudos insuficientes, ignorando, muitas vezes, pesquisas da comunidade científica, presença de comunidades tradicionais, denúncias das comunidades e até dados técnicos publicados pelo próprio governo”. Para as ONGs, o governo “não demonstra interesse em discutir e implantar políticas públicas que sejam capazes de reverter o desmatamento no Estado, ao mesmo tempo que assume internacionalmente metas de redução de emissão de carbono e desmatamento sem consequências práticas”. A reportagem questionou a Semad sobre a decisão das organizações e aguarda retorno. O texto será atualizado quando houver resposta. Assinam o documento: Associação Mineira de Defesa do Ambiente – Amda Associação para a Gestão Socioambiental do Triângulo Mineiro – Angá Associação Pró Pouso Alegre – Appa Espeleogrupo Pains – EPA Fundação Relictos de Apoio ao Parque do Rio Doce Instituto Guaicuy – SOS Rio das Velhas Movimento Verde de Paracatu – Move  

Descarte irregular de garrafas de vidro é notificado pela Prefeitura de Montes Claros

A Prefeitura de Montes Claros, por meio da Secretaria Municipal de Meio Ambiente (SEMMA), Secretaria Municipal de Serviços Urbanos (SSU) e Centro de Controle de Zoonoses (CCZ) da Secretaria de Saúde (SMS), realizaram fiscalização em um depósito de garrafas de vidro no bairro Olga Benário, região sul da cidade. No local, foram encontradas diversas irregularidades ambientais, em desacordo com a Lei 5.177, de 06 de setembro de 2019, que dispõe sobre a obrigatoriedade da coleta, armazenamento e destinação final de embalagens de vidro não retornáveis. De acordo com a Lei, nos casos em que seja constatado o descarte incorreto, o notificado tem um prazo de até 24 horas para apresentar todos os documentos exigidos. Caso o proprietário não o faça, estará sujeito às penas previstas na Lei. No local, foram encontradas garrafas espalhadas sem controle algum e em grande quantidade, muitas com água acumulada, o que pode causar o aparecimento de focos do mosquito da Dengue.

NATUREZA EM MONTES CLAROS – Pequi, o Fruto do Norte de Minas Gerais

Em Montes Claros, assim como em todo o Norte de Minas, já se pode sentir o aroma do fruto mais querido da nossa região: o pequi. Além de ser uma estrela da nossa culinária, trazendo seu sabor e cheiro inconfundíveis para uma infinidade de pratos, o pequi garante renda a milhares de famílias da zona rural. A Secretaria de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (SEMMA) da Prefeitura de Montes Claros atua de forma efetiva na proteção do pequizeiro: quem derruba a árvore incorre em crime ambiental, estando sujeito a responder dentro dos rigores da lei. O pequi é utilizado como alimento puro, além de integrar a tradicional dupla “arroz com pequi”. Também é utilizado como medicamento fitoterápico no tratamento de várias enfermidades. Sua polpa pode ser encontrada para venda. O vendedor ambulante Gilvani Freitas Melo, mais conhecido como Lorim, garante que o comércio do pequi é garantia de uma renda a mais e que, nessa época do ano, já faz compromissos financeiros contando com o lucro da venda desse fruto.

Botumirim – Espinhaço, rico pela própria natureza

Espinhaço Setentrional, um dos vários sertões de Guimarães Rosa. Beleza e endemismo (Manoel Freitas) Cenário deslumbrante é palco de programa nacional de conservação * Por Manoel de Freitas – O Norte É nos campos de altitudes, nas montanhas de Minas, que a biodiversidade revela toda grandeza da maior savana do mundo. Sua espinha dorsal, a Serra do Espinhaço, atravessa os vários sertões de Guimarães Rosas, numa beleza cênica adornada por espécies endêmicas que encantam e reclamam proteção. E é nesse cenário de ecossistema único, que o Ministério do Meio Ambiente implementa na atualidade o Programa Nacional para a Conservação de Espécies Ameaçadas de Extinção (Pró-Espécies), através do Projeto Estratégia Nacional para a Conservação de Espécies Ameaçadas de Extinção,  englobando outros 12 estados brasileiros. Cuidado que a gente sertaneja agradece e, através da Universidade Estadual de Montes Claros (Unimontes), coloca seu time de pesquisadores em campo para documentar – nos campos rupestres do sertão mineiro – parte desses tesouros, muitos dos quais guardados nos 36.188 hectares do Parque Estadual de Botumirim. Desse modo, a unidade de conservação, criada pelo Instituto Estadual de Florestas em julho 2018, possibilita o avanço da pesquisa científica no momento em que empossa mês que vem seu Conselho Consultivo, ferramenta necessária para implantação do Plano de Manejo. Na segunda quinzena de outubro, O NORTE escalou a montanha e pôde seguir as trilhas que conduziram grupo de biólogos da Unimontes, coordenados pela pesquisadora Maria das Dores Magalhães Veloso, doutora em Ciências Florestais e professora do Departamento de Biologia Geral, até a Orthophytum humile, bromélia endêmica do Espinhaço. Até então, restrita apenas aos campos rupestres das cidades vizinhas Cristália e Grão Mogol. Entretanto, a coleta dessa planta de distribuição restrita para ser estudada no herbário onde funciona seu laboratório de Ecologia Vegetal/Biologia, só foi possível no quarto dia de campo. É que são poucos indivíduos distribuídos em uma área muito grande: a joia estava incrustada nas fendas dos paredões de “Encantado”, dentro do Parque Estadual de Botumirim. Na verdade, o achado coroou criterioso trabalho de campo iniciado dia 19 de outubro, do qual participaram  cinco pesquisadores, que no caminho encontraram ainda outros exemplares da flora do Espinhaço, como a Drosera graomogolensis, espécie de planta carnívora nativa do Estado de Minas Gerais que cresce no habitat dos campos rupestres. Rolinha do Planalto, símbolo para a conservação do Cerrado Missão cumprida pelos biólogos da universidade, no dia seguinte a vez de O NORTE acompanhar no Espinhaço o ambientalista Gustavo Malacco, mestre e doutor em Engenharia Florestal, que há 15 anos coordena em Januária (Extremo Norte de Minas) o Projeto Bicudo, na Reserva Particular Porto Cajueiro, que objetiva a reintrodução do Bicudo (Sporophila maximiliani) no Cerrado mineiro, ave cada vez mais rara na natureza por força do tráfico de animais silvestres e da excelência de seu canto. Desta feita, ele que é um dos mais respeitados fotógrafos de aves do Brasil, para documentar a Rolinha do Planalto (Columbina cyanopis), em Reserva Natural criada em 2015 para proteger essa que é uma das aves mais raras do mundo. Isso, em mês no qual pesquisadores e observadores de três países europeus fizeram o mesmo, para gravar o canto e a imagem da pomba que não é encontrada em nenhuma outra parte do planeta. É que, como a espécie reapareceu 75 anos depois de considerada extinta, passou a ser dentro do Parque Estadual de Botumirim símbolo para a conservação do espinhaço mineiro, chamando a atenção de observadores de inúmeros países para outras aves endêmicas e consideradas raras, a ponto de Botumirim ser considerada pela Sociedade para a Conservação das Aves do Brasil (Save) como uma das áreas importantes para conservação de aves no mundo, daí a explicação de atrair o ano inteiro observadores de várias nacionalidades, visitação internacional  superior a do Parque Nacional Cavernas do Peruaçu, em Januária, tão rico que lança ano que vem sua candidatura a Patrimônio Natural e Cultural da Humanidade. Riqueza florística a ser preservada Com o propósito de fundamentar ainda mais o trabalho que é feito pelo Governo Federal e Organizações Não Governamentais para proteção da fauna e flora do Espinhaço Setentrional, O NORTE ouviu dois personagens importantes, sem os quais não teria sido possível desenvolver esse enredo. Nesse sentido, a reportagem procurou primeiramente a pesquisadora Maria das Dores Magalhães Veloso, doutora em Ciências Florestais e professora do Departamento de Biologia Geral, ela que é curadora do Herbário de Montes Claros, único da região, cujo acervo beneficia professores e acadêmicos da comunidade científica da Unimontes e de outras instituições de ensino das regiões Norte, Noroeste, Vales do Mucuri e Jequitinhonha, além do Centro-Oeste mineiro. Dora Veloso explicou que “pelo percurso que fizemos em quatro dias no Espinhaço Setentrional, em pontos distintos, em busca de espécies alvo do Projeto Pro Espécies, pudemos observar que a região apresenta uma riqueza florística exuberante, com várias espécies endêmicas e habitats diversificados”. Observou que o cenário variou “desde afloramentos rochosos secos, ambientes arenosos, turfosos, áreas de veredas, cerrados a paredões rochosos úmidos, sendo possível constatar que mesmo naqueles locais que sofreram a ação do homem, como é o caso de uma área que foi utilizada pela mineração e posteriormente abandonada, encontramos representantes do gênero que estamos buscando, o que nos anima a uma segunda visita para verificação em período de floração da espécie Cuphea rubro-virens, uma das espécies da família Lythreaceae, endêmicas do Espinhaço e ameaçada de extinção. No seu modo de entender, “a Serra do Espinhaço possui uma riqueza florística muito grande e isto requer uma proteção especial, haja vista que a sua vulnerabilidade pode acarretar na extinção de espécies endêmicas e pouco conhecidas”.  Mais ainda, chamou a bromélia encontrada no trabalho de campo “que faz parte do grupo de espécies alvo do Espinhaço, a Sincoraea humilis, endêmica da Serra do Espinhaço, que ocorre em campos rupestres com 850 – 1000m de altitude, em rochas úmidas e secas, próximas a margens de rios e lagos, em locais expostos à luminosidade, cujas populações não são facilmente encontradas, o que as coloca dentro do grupo de espécies alvo”. Ecossistema

Zema entrega parques à Vale e à iniciativa privada

PASSANDO A BOIADA Após negar para seus eleitores parceria com Bolsonaro, governador vira cabo eleitoral em Minas Às vésperas do primeiro turno, visando angariar os votos dos eleitores de Lula (PT), Romeu Zema (Novo) chegou a declarar que nunca fez campanha para Jair Bolsonaro (PL) e que não havia apoio selado entre os dois. No entanto, neste novo momento do pleito, o reeleito governador mineiro se tornou a referência para a campanha do atual presidente. Enquanto cumpre suas atividades como principal cabo eleitoral de Bolsonaro em Minas Gerais, nos últimos 15 dias, Romeu Zema também teve agendas com o governo federal. No último dia 11, o executivo mineiro se reuniu com o ministro do Meio Ambiente, Joaquim Leite, para formalizar o repasse de R$ 150 milhões a sete parques ambientais. O recurso é oriundo de uma multa aplicada pelo Ibama à mineradora Vale em decorrência do crime em Brumadinho. Em 2020, um acordo entre os governos federal, estadual e a mineradora converteu a penalidade em investimentos em parques ambientais no estado. A decisão é questionada pelo Ministério Público Federal de Minas Gerais e criticada por movimentos sociais ligados à defesa ambiental. Para o setor, a punição foi transformada em uma recompensa para a mineradora, que terá acesso a locais estratégicos, antes não acessados por ela. “No Parque da Gandarela, a Vale tem um grande projeto com expectativa de exploração de 40 milhões de toneladas por ano. Durante muito tempo, a população tem conseguido barrar o avanço desse projeto, mas esse acordo coloca tudo em risco”, declarou na época Luiz Paulo Siqueira, do Movimento pela Soberania Popular na Mineração (MAM), em entrevista ao Brasil de Fato MG. As reservas em questão são os parques nacionais da Serra da Gandarela, da Serra do Cipó, da Serra da Canastra, do Caparaó, Grande Sertão Veredas, Cavernas do Peruaçu e Parque Nacional das Sempre-Vivas. Segundo o governo, o montante de R$ 150 milhões será gasto com a construção de trilhas, aquisição de veículos, computadores, kits de energia solar e sistemas de comunicação. Toda a aplicação e gestão dos recursos será feita pela própria mineradora. Privatização das BRs 381 e 262 Em outra reunião com o governo federal, dessa vez com o Ministério de Infraestrutura no dia 10 de outubro, Romeu Zema recebeu a afirmativa da destinação de R$ 5,4 bilhões ao estado. O recurso será destinado, segundo o próprio governo, para a duplicação e revitalização das rodovias federais BR-381 – que liga Belo Horizonte a Governador Valadares – e BR-262 – no trecho entre Betim e Uberaba. Os leilões de licitação para privatização das vias estão previstos para dezembro deste ano. Venda dos parques do Ibitipoca e Itacolomi Na terça-feira (18), o Instituto Estadual de Florestas publicou o edital de privatização dos parques estaduais Ibitipoca, na Zona da Mata, e Itacolomi, na região Central do estado. O certame concede os patrimônios à iniciativa privada por um prazo de 30 anos, e o leilão de privatização está previsto para 15 de dezembro. Além desses, Zema também pretende entregar outros 20 parques estaduais à iniciativa privada. O governo mineiro é criticado por ambientalistas por não criar nenhuma reserva ambiental durante toda sua gestão. Comunicação pública ou comunicação do governo? Na segunda-feira (3), logo após o primeiro turno, foi divulgado no perfil oficial da Rádio Inconfidência no Instagram um post de propaganda do governo. A emissora é de caráter público, ou seja, não se trata de um veículo governamental. A publicação, que também foi veiculada em perfis de secretarias do Executivo, ressaltava o governo de Romeu Zema e comemorava a vitória da reeleição. Após questionamento do Sindicato dos Jornalistas Profissionais de Minas Gerais, o post foi excluído da conta, o governo também informou ao sindicato que a publicação foi um engano. Edição: Larissa Costa Brasil de Fato

Meio Ambiente monitora sucuri ‘gigante’ vista no rio São Francisco em Minas Gerais

Vídeos de uma sucuri, vista às margens do rio São Francisco, na cidade mineira de Lagoa da Prata, têm circulado na internet e chamado bastante atenção pelo tamanho imenso da cobra, aproximadamente cinco metros e meio. Um dos vídeos, publicados há alguns dias nas redes sociais, mostra a cobra em uma tentativa de acasalamento com dois machos. Ao saber das imagens, o ambientalista Saulo de Castro, servidor da Secretaria Municipal de Meio Ambiente, esteve no local e fez novas imagens do animal. Em entrevista ao site local Sou+Lagoa, ele disse que vem monitorando a sucuri desde sua primeira aparição na área, em 2019. “No momento em que tomei conhecimento dela na região das Tabocas, área próxima ao Rio São Francisco, me desloquei até o local com outras pessoas e conseguimos filmá-la para que ficasse bem documentado. Com certeza, trata-se do mesmo animal, pois ela possui uma característica única que eu já havia observado em 2019 que é a cauda amputada. Ela é cotoca”, relatou. O ambientalista também contou ao site que a margem do rio São Francisco é o habitat natural da sucuri, no entanto, o local está vulnerável à sua sobrevivência e também à segurança de pessoas que passam por lá sem saber de sua existência. “O ponto onde ela escolheu ficar, e parece que de forma permanente, já que se trata do mesmo lugar onde foi vista três anos atrás, me parece muito vulnerável tanto para o animal quanto para pessoas que, por ventura, passarem pelo local sem saber de sua presença”, explicou o Saulo. Além da sucuri “gigante”, outras sucuris, assim como uma variedade de repteis, mamíferos e aves, vivem às margens do trecho do rio São Francisco da município de Lagoa da Prata e de toda a sua extensão. O ambientalista explica que não há registro de ataques a humanos recentes na região, no entanto é necessário tomar cuidado ao avistar qualquer tipo de animal silvestre, sendo importante sempre aumentar a distância para evitar qualquer acidente. Em caso destes animais aparecerem em áreas urbanas, é importante fazer contato com órgãos ambientais ou com o Corpo de Bombeiros para fazer o resgate. “Não que seja um animal perigoso com histórico de ataques, mas é um animal silvestre, e como regra, animais selvagens tendem a se defender quando se sentem acuados. Estamos preocupados sim, pois alguém sem muita noção pode querer fazer algum mal para ela”, comentou. Saulo ainda falou sobre a importância de ações de preservação das espécies e do potencial turístico que a biodiversidade da fauna e flora do rio São Francisco pode proporcionar às cidades por onde passa. “Temos um potencial enorme para desenvolver o ecoturismo e turismo de observação em nossa cidade. Milhares de pessoas pelo mundo pagariam muito dinheiro para ter o privilégio de ver uma sucuri desse porte em seu ambiente natural. Tudo o que precisamos para desenvolver e implantar o ecoturismo em nossa cidade, e já estamos trabalhando nisso, é políticas públicas aliadas à iniciativa privada voltadas para esse fim”, finalizou Saulo. Em entrevista ao canal TV Lagoa, Andersom Andrade, Secretário de Meio Ambiente de Lagoa da Prata, informou que fez contato com o Ibama para que o órgão possa ir à cidade fazer uma inspeção no local e avaliar a possibilidade de transferir a sucuri para um local mais apropriado. A cobra vive na região conhecida como Tabocas, local próximo a uma estrada com movimentação constante de veículos, ciclistas, pescadores e também de trabalhadores que cuidam de criações de gado. Apesar da vulnerabilidade de seu habitat e da amputação observada de sua calda, aparentemente, ela apresenta boas condições de saúde. A pasta sugeriu ao Ibama que a sucuri fosse removida para uma área conhecida como Volta Grande, destinada a receber animais silvestres. O local é mais protegido, tem mais água e maior disponibilidade de alimento para animais deste tamanho.