Anitta não vence a categoria de artista revelação do Grammy 2023

A cantora Anitta não venceu a categoria de artista revelação no Grammy 2023. A artista perdeu o prêmio para Samara Joy. Mesmo assim, a Poderosa fez história como a primeira brasileira indicada em quase 50 anos em uma das categorias principais do prêmio, o principal da música. As informações são do portal Metrópoles. Anitta concorria ao lado de Muni Long, Latto Måneskin, DOMi & JD Beck, Tobe Nwigwe, Omar Apollo, Samara Joy, Molly Tuttle e Wet Leg A Billboard, revista especializada em música e considerada a mais influente no ramo nos EUA, colocou a “Girl from Rio” como uma das quatro prováveis vencedoras. Ela também aparece nas apostas da Time e da agência Associated Press. “Menina, é uma loucura. Me sinto fazendo história. 50 anos que o brasil não é nomeado em uma categoria do Grammy. Quase 50, faz 49. É tanto trabalho, a gente escuta tanto não. Estou super feliz. Eu acho que a determinação e a vontade de conseguir é a mesma. Eu vou atrás, estudo até que realmente eu esteja ali… É um caminho muito grande e não tinha ninguém que a gente olhava. Espero que isso abra espaços para um montão de brasileiros”, disse a cantora ao TNT, antes do evento.

Dados preliminares ligam vacina bivalente da Pfizer com AVC

Apesar das suspeitas, autoridades sanitárias e de saúde dos EUA mantêm a recomendação de se imunizar contra a covid; na foto, profissional de saúde aplicando vacina da Pfizer Um relatório preliminar do CDC (Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA) e da FDA (Federal Drug Administration, a agência reguladora de medicamentos dos EUA) mostrou uma possível ligação entre a vacina bivalente da Pfizer contra a covid com a ocorrência de AVC (acidente vascular cerebral) em idosos. Segundo o estudo, entre 550 mil pessoas de 65 anos ou mais que receberam a vacina, 130 tiveram um AVC nas primeiras 3 semanas. Esse número reduz consideravelmente nas semanas seguintes. Nenhuma morte foi relatada. Eis a íntegra do relatório (2 MB). As vacinas bivalentes são, segundo os fabricantes, capazes de imunizar contra mais de uma versão de um vírus de uma só vez. No caso da Pfizer, a farmacêutica usa a tecnologia do mRNA com 2 códigos genéticos. O CDC afirmou em comunicado que os dados são preliminares e precisam ser investigados. Explicou que são usadas informações de diversos bancos de dados para monitorar a segurança das vacinas e apenas 1 indicou o possível problema. “Frequentemente, esses sistemas de segurança detectam sinais que podem ser devidos a outros fatores além da própria vacina”, disse, salientando a necessidade de apurar. “Todos os sinais requerem mais investigação e confirmação de estudos epidemiológicos formais.” O órgão ressaltou também que grandes estudos recentes e a análise de outros bancos de dados não mostraram risco de AVC em vacinados. A vacina da farmacêutica Moderna, largamente aplicada nos EUA, foi considerada segura. Enquanto apura o caso, o CDC optou por manter a recomendação para a vacinação contra a covid, incluindo de idosos. O órgão considera ser “muito improvável que a vacina represente um verdadeiro risco clínico”. O CDC recomenda que pessoas a partir de 6 meses tomem a vacina contra a covid. “Manter-se atualizado com as vacinas é a ferramenta mais eficaz que temos para reduzir mortes, hospitalizações e doenças graves por covid-19, como já foi demonstrado em vários estudos realizados nos Estados Unidos e em outros países”, concluiu o comunicado.

Brasil e Cuba marca restabelecimento das relações diplomáticas

Petista e Díaz-Canel conversaram sobre políticas para reforçar a integração entre os países da América Latina (Lula e o presidente cubano – Ricardo Stuckert) Os presidentes do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, e de Cuba, Miguel Díaz-Canel, tiveram uma reunião bilateral nesta terça-feira (24/01), durante a sétima edição da Cúpula da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac). Este é o primeiro encontro entre os dois mandatários e o primeiro diálogo de Lula com um líder cubano neste seu terceiro mandato. Em seus dois primeiros períodos no Palácio do Planalto, Lula teve diferentes reuniões com dois presidentes que governaram Cuba no período: o líder histórico da Revolução Cubana, Fidel Castro, e seu irmão, Raúl Castro, que assumiu o poder em 2008. Segundo a agência cubana Prensa Latina, Lula e Díaz-Canel conversaram sobre políticas para reforçar a integração entre os países da América Latina, além de possíveis acordos comerciais e de ajuda mútua no setor da saúde. Encontro com o presidente de Cuba, Díaz-Canel. O Brasil restabelecendo suas relações diplomáticas no mundo. ????: @ricardostuckert pic.twitter.com/B1RLaNId4r — Lula (@LulaOficial) January 24, 2023 A agência também ressaltou que os dois presidentes já haviam trocado telefonemas ao menos duas vezes durante este mês: no dia seguinte à posse de Lula e após a tentativa de golpe de Estado por parte de bolsonaristas no dia 8 de janeiro, quando o mandatário cubano expressou seu apoio ao homólogo brasileiro. Por sua parte, Lula assegurou que, em seu governo, o Brasil voltará a ser um defensor de Cuba em instâncias internacionais, especialmente contra o bloqueio econômico, comercial e financeiro imposto pelos Estados Unidos há mais de seis décadas. Em sua conta de Twitter, o presidente brasileiro publicou uma foto sua com Díaz-Canel e comentou que este era mais um exemplo de como “o Brasil está restabelecendo suas relações diplomáticas no mundo”.

Líderes aplaudem a volta do Brasil à Cúpula da América Latina e Caribe

Alberto Fernández, que deixa hoje a presidência temporária da entidade, destacou que agora “temos uma Celac completa” Em discurso de abertura, Fernández mencionou os bloqueios à Cuba e Venezuela, tema que levou à Cúpula das Américas no ano passado. – Reprodução A abertura da 7ª Cúpula da Comunidade dos Estados da América Latina e do Caribe (Celac), em Buenos Aires nesta terça-feira (24), contou com um discurso do mandatário argentino Alberto Fernández, atual presidente temporário do bloco. Além de elogiar a volta do Brasil à comunidade – abandonada pelo governo Bolsonaro -, ele criticou o avanço da ultra-direita contra as instituições democráticas em toda a região, os bloqueios contra Cuba e Venezuela e os efeitos econômicos e sanitários do mundo globalizado sobre os países latino-americanos e caribenhos. Fernández adiantou que a presidência da Argentina será concluída hoje. O novo país nomeado para o comando temporário da Celac será conhecido após a plenária, que acontece de forma privada entre os chefes e representantes de Estados e, portanto, não será transmitida. Ao iniciar sua fala, Fernández pediu um aplauso pelo retorno do Brasil. “Uma Celac sem o Brasil é uma Celac muito mais vazia. Por isso, sua presença hoje nos completa”, comemorou o presidente argentino, e logo destacou alguns dos problemas do ano que coincidiu com sua presidência do bloco. “Passamos pela pandemia, pela guerra e com nossas economias em crise.” No primeiro ponto de sua fala, o presidente argentino destacou os efeitos desiguais sobre os países caribenhos em tempos de emergência climática. “Vivemos no continente mais desigual do mundo e devemos, de uma vez por todas, encarar um processo que nos leve à igualdade e à justiça social”, disse Fernández. Nesse sentido, mencionou o Fundo de Assistência para o Caribe destinado ao enfrentamento das consequências das mudanças climáticas, que afetam especialmente essa região. Em seguida, destacou o bloqueio econômico contra Cuba e Venezuela empregado pelos Estados Unidos, um tema que levou como presidente da Celac à Cúpula das Américas, em Los Angeles, no ano passado. “Os bloqueios são métodos muito perversos de sanção não aos governos, mas aos povos. Não podemos continuar permitindo isto”, disse. Neste sentido, ressaltou a necessidade de trabalhar regionalmente para garantir a institucionalidade dos países. “A democracia está definitivamente em risco. Depois da pandemia, vimos como setores da ultra-direita se colocaram de pé e estão ameaçando cada um de nossos povos. Não podemos permitir que essa direita recalcitrante e fascista coloque a institucionalidade dos nossos povos em risco”, enfatizou. Como exemplo, Fernández mencionou ainda os ataques bolsonaristas em Brasília, no último dia 8, a tentativa de assassinato da vice-presidenta argentina Cristina Kirchner e o golpe na Bolívia em 2019. Comemorou a vitória do retorno da democracia ao país e se dirigiu ao atual presidente, Luis Arce – a quem se referiu carinhosamente como “Lucho” Arce –, um dos mais de 15 mandatários presentes em Buenos Aires. Além de Arce, participam pessoalmente da cúpula o presidente colombiano Gustavo Petro; Gabriel Boric, presidente do Chile; Xiomara Castro, presidenta de Honduras; Mario Abdo Benítez, presidente do Paraguai; Mia Mottley, de Barbados, Miguel Díaz-Canel, presidente de Cuba; e Luis Lacalle Pou, presidente do Uruguai, próximo destino do presidente Lula, quem também está presente na Celac em Buenos Aires. Alberto Fernández defendeu o trabalho em união entre os países, para fazer efetiva essa integração tão mencionada durante a cúpula. “Vejo que se abre uma nova oportunidade. A Celac voltou, agora completa com o Brasil, e com uma oportunidade na região. O mundo mudou, e a pandemia evidenciou as carências do sistema econômico. Dez pessoas no mundo tem o patrimônio de 40% da humanidade. Na pandemia, 90% das vacinas eram destinadas centralmente a 10 países, que representa 10% da humanidade. Temos a oportunidade de desenvolvermos unidos. O que temos que fazer é aprofundar nosso diálogo e respeitar nossas diferenças”, disse o mandatário. Mencionou os acordos assinados com Lula no dia anterior como um exemplo do que deve acontecer nos próximos anos na região. “Avançamos na nossa relação bilateral entre Argentina e Brasil, e devemos avançar deste modo em todo o continente”, disse. “Temos que transformar todas essas palavras em fatos, e fazer com que a integração seja uma realidade.” Logo, concluiu sua fala com o que pode ser interpretado como um recado para Lacalle Pou, que tem interesse em fechar acordos diretamente com a China, por fora do bloco do Mercosul. “Sozinhos, valemos pouco. Unidos, podemos ser muito fortes. Chegou o momento que o Caribe e a América Latina sejam uma só região que defenda os mesmos interesses para o progresso dos nossos povos.” Posteriormente, o chanceler argentino Santiago Cafiero enumerou os cinco eixos temáticos de ação que foram desenvolvidos entre os países da região durante a presidência pro tempore da Argentina em 2022. Os eixos destacados foram: a recuperação social econômica e produtiva pós-pandemia, com a implementação de um plano de autossuficiência sanitária de países da região; a ciência e tecnologia e a inovação para o desenvolvimento e a inclusão; a cooperação ambiental e a gestão de risco e desastres em um contexto de mudança climática; a cultura e a educação para os povos; e o empoderamento das mulheres e as ações em questões de gênero. Em termos de agenda extrarregional, o chanceler destacou o vínculo regional com a China, a relação da Celac com a União Africana, com a Associação das Nações do Sudeste Asiático (Asean), a retomada da relação da Celac com a Índia e a confirmação de uma cúpula do bloco com a União Europeia. “Após 4 anos de silêncio, pudemos ativar o mecanismo Celac-UE, com uma agenda de trabalho consensuada durante o ano passado e que se concretizará com um encontro em meados do ano.” Fonte: Brasil de Fato

Brasil e Argentina devem iniciar estudos para uma moeda comum, aponta Financial Times

Uma união monetária que abrangesse toda a América Latina representaria cerca de 5% do PIB global – Alberto Fernández (à esq.), Luiz Inácio Lula da Silva e a reportagem do Financial Times (Foto: Ricardo Stuckert | Reprodução) – Os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva (Brasil) e Alberto Fernández (Argentina) discutirão esta semana um acordo para a criação de uma moeda comum ao latino-americano. A informação foi publicada pelo jornal Financial Times. De acordo com a reportagem do período britânico, uma união monetária que abrangesse toda a América Latina representaria cerca de 5% do Produto Interno Bruto (PIB) global. A maior união monetária do mundo, o euro, abrange cerca de 14% do PIB mundial quando medido em dólares. O ministro da Economia da Argentina, Sergio Massa, disse que a ideia é “começar a estudar os parâmetros necessários para uma moeda comum, o que inclui tudo, desde questões fiscais até o tamanho da economia e o papel dos bancos centrais”. “Não quero criar falsas expectativas. . . é o primeiro passo de um longo caminho que a América Latina deve percorrer”. Segundo o ministro, o projeto é bilateral inicialmente. Depois vai ser oferecido a outras nações da América Latina. “Isso é Argentina e Brasil convidando o restante da região”, continuou Massa. O presidente Lula viajou para a Argentina para uma cúpula na terça-feira (24) da Comunidade Latino-Americana de 33 nações e Caribenhos (CELAC).

Com risco de prisão no Brasil, Bolsonaro cogita manter estadia nos Estados Unidos

Grupo de empresários bolsonaristas quer torná-lo um “palestrante” para viabilizar financeiramente sua estadia no país – Jair Bolsonaro (Foto: Alan Santos/Presidência da República) Temendo ser preso no Brasil por incitar os ataques terroristas do último dia 8 em Brasília, Jair Bolsonaro (PL) cogita ficar mais tempo nos Estados Unidos. Reportagem da Folha de S. Paulo revela que Bolsonaro está sendo incentivado por um grupo de empresários bolsonaristas de São Paulo. De acordo com a publicação, o grupo “montou um plano inicial para custear a estadia do político no país, para onde o político viajou no dia 30 de dezembro, visando evitar participar da transmissão da faixa presidencial para Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no dia 1º de janeiro”. O grupo planeja tornar Bolsonaro um ‘palestrante’ de política. Para isso, “foram acertadas com empresários americanos seis palestras, cada uma pagando US$ 10 mil (quase R$ 51 mil no câmbio de hoje). Bolsonaro, segundo uma pessoa com conhecimento do assunto, se comprometeu a proferir pelo menos uma delas”, destaca o jornal.

Governo Biden declara apoio ao presidente Lula na luta contra terroristas bolsonaristas

“Condenamos os ataques à Presidência, ao Congresso e ao Supremo Tribunal Federal hoje”, disse Antony Blinken, secretário de Estado dos EUA O governo dos Estados Unidos está do lado do presidente Lula na condenação dos ataques aos três poderes em Brasília neste domingo (8), declarou o secretário de Estado estadunidense Antony Blinken, em sua conta no Twitter. “Condenamos os ataques à Presidência, ao Congresso e ao Supremo Tribunal Federal hoje. Usar a violência para atacar as instituições democráticas é sempre inaceitável. Nós nos juntamos a Lula para pedir o fim imediato dessas ações”, disse Blinken. We condemn the attacks on Brazil's Presidency, Congress, and Supreme Court today. Using violence to attack democratic institutions is always unacceptable. We join @lulaoficial in urging an immediate end to these actions. — Secretary Antony Blinken (@SecBlinken) January 8, 2023 O Embaixador da União Europeia no Brasil disse estar “seguindo com grande preocupação os atos antidemocráticos e as ações violentas na Praça dos Três Poderes, em Brasília”, enquanto a OEA condenou o ataque. Argentina, Bolívia, Chile, Cuba, Equador, Espanha, México, Peru, Portugal e Uruguai repudiaram em alguma medida a tentativa de golpe em Brasília.

A farsa de Guaidó na Venezuela chega ao fim

Direita fragmentada – Fim da ‘presidência’ de Guaidó reflete esgotamento e crise da direita na Venezuela  Principais opositores abandonaram ‘interinato’; necessidade de suspender sanções pode explicar reconfiguração Por Lucas Estanislau – Brasil de Fato  Após passar anos boicotando eleições e apostando na criação de uma “institucionalidade paralela” para forçar uma mudança de governo, o principal setor da direita venezuelana dá sinais de esgotamento e decide se reconfigurar politicamente. Nas últimas semanas de dezembro, três dos quatro principais partidos da oposição encerraram o maior artifício político utilizado em sua estratégia desde 2019: a “presidência interina” de Juan Guaidó. Reunidos no que chamam de “Assembleia Nacional legítima”, uma espécie de legislativo paralelo composto por ex-deputados eleitos em 2015, 72 dos 104 ex-parlamentares que compunham o “governo interino” concordaram em desmontar o cargo fictício de Guaidó por considerar que “o processo político que se iniciou em 23 de janeiro de 2019 se debilitou e não é visto como uma opção real de mudança”. A decisão havia sido tomada durante a primeira votação que ocorreu em 22 de dezembro e foi ratificada em uma segunda reunião realizada no dia 30 do último mês. Guaidó e aliados próximos tentaram adiar o segundo encontro, mas não tiveram sucesso. De acordo com a resolução elaborada pelos partidos Ação Democrática, Primeiro Justiça e Um Novo Tempo, a “presidência interina” e todos os supostos cargos ligados a ela serão encerrados quando a Assembleia Nacional paralela reiniciar suas atividades na próxima quinta-feira (5). Na prática, toda a estrutura fictícia de embaixadores, ministros, assessores e diretores de empresas estatais será desmontada para dar lugar a uma comissão composta por cinco ex-deputados. O controle desse setor da oposição sobre os ativos que pertencem ao Estado venezuelano no exterior – que se converteram na principal fonte de renda do “interinato” – será mantido, já que as “direções interinas” da PDVSA e do Banco Central seguirão existindo. “A primeira coisa que deve ser dita sobre esse processo é que existe uma grave crise de liderança política nos setores de oposição da Venezuela”, explica ao Brasil de Fato o cientista político venezuelano Luis Díaz. Para o pesquisador, a crise é reflexo do fracasso da estratégia de “pressão máxima” adotada nos últimos anos, que consistiu em boicotar eleições e pedir a Washington a ampliação do pacote de sanções para asfixiar economicamente o país e tentar derrubar o governo Maduro. “Sob o ponto de vista retórico, se supõe que as sanções afetam exclusivamente o governo, mas na prática o bloqueio afetou toda a população, afetou o desenvolvimento econômico de todos os setores da sociedade venezuelana, inclusive de empresários e empreendedores”, diz. O esgotamento da política de sanções e da “pressão máxima” estaria por trás desse rearranjo de forças dentro da direita venezuelana, pois setores econômicos internos e externos passaram a encarar o bloqueio estadunidense como um obstáculo para seus próprios interesses. “Neste momento existe a necessidade de uma mudança de alianças, de suspender sanções e sobretudo de levar a Venezuela de volta ao contexto internacional, principalmente pelo tema energético por conta das consequências do conflito entre Ucrânia e Rússia. A Venezuela volta a entrar nesse contexto internacional e, certamente, para o governo dos Estados Unidos, o interinato já era algo muito incômodo e difícil de sustentar”, afirma. O governo do presidente Joe Biden se manifestou nesta terça-feira (03) sobre as mudanças políticas feitas pela oposição. Em coletiva de imprensa, o porta-voz do Departamento de Estado dos EUA, Ned Price, afirmou que o país seguirá sem reconhecer a presidência de Maduro, mas se referiu a Guaidó como “membro da Assembleia Nacional” e não mais como “presidente interino”. “Juan Guaidó continua sendo um membro da Assembleia Nacional de 2015, a qual nós reconhecemos porque é a última instituição eleita democraticamente no país. Nós seguiremos coordenando com ele como membro da Assembleia Nacional de 2015 assim como com outros atores democráticos na Venezuela”, disse. A posição marca um giro no tratamento de Washington em relação a Guaidó, que, até então, era considerado “presidente” pela Casa Branca. Apesar de ter dado alguns sinais de aproximação com o governo Maduro ao longo de 2022, Biden vinha mantendo a estratégia de seu antecessor, o republicano Donald Trump, de considerar o ex-deputado como chefe do “governo interino”. Citgo e ouro: quem controla? O papel dos EUA também será decisivo para o futuro das empresas e dos fundos venezuelanos que estão bloqueados no exterior. Isso porque foi o reconhecimento dado por Washington e por países europeus aliados ao “interinato” que permitiu que os aliados de Guaidó controlassem esses ativos. Por meio da “direção interina” da PDVSA, a subsidiária da estatal petroleira venezuelana Citgo, que possui uma rede de refinarias e postos nos EUA cujo patrimônio é avaliado em cerca de 10 bilhões de dólares, passou às mãos da oposição que era liderada por Guaidó. Já o “Banco Central” da oposição é o responsável por gerir fundos e reservas como, por exemplo, as 31 toneladas de ouro que estão retidas no Banco da Inglaterra. Nesta terça-feira, o porta-voz do Departamento de Estado também se referiu aos ativos venezuelanos no exterior e disse que o programa de sanções continua, mas reconheceu a necessidade de discutir o tema com os opositores. “Entendo que os membros da Assembleia Nacional estão discutindo entre eles como irão lidar com os ativos no exterior. Nós vamos continuar discutindo esse tema com eles”, disse. Para Diaz, é improvável que Washington abra mão de ter alguma influência no futuro desses ativos, pois devolver as empresas e os fundos ao Estado venezuelano implicaria reconhecer a autoridade do governo Maduro, algo que o pesquisador acredita que não está no horizonte da Casa Branca. “As juntas interinas da PDVSA e do Banco Central serão mecanismos que seguramente o governo dos Estados Unidos vão reconhecer para manter uma legitimidade porque não pode, no seu ponto de vista político, manter uma relação direta com o governo de Nicolás Maduro. Acho que existirá uma relação chamada de duas faixas, ou seja, abertamente não irão reconhecer Maduro, e sim os setores da oposição, mas pragmaticamente buscarão mais aproximação

Jornais internacionais destacam festa durante posse de Lula e fuga de Bolsonaro

New York Times afirma ter conversado com procurador que acredita ter “provas suficientes” para condenar Bolsonaro A posse de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) como novo presidente da República é notícia mundo afora. As festividades em Brasília, as primeiras movimentações do novo governo, assim como a decisão do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) de não participar da cerimônia de transmissão do poder, foram destaque na imprensa internacional. A capa do jornal The New York Times desta segunda-feira (2) levou uma foto de Lula subindo a rampa do Palácio do Planalto com a seguinte manchete: “Brasil empossa Lula como líder; perdedor está ausente”. Na reportagem, a publicação dos Estados Unidos (EUA) destaca que a eleição de Lula “marca uma onda esquerdista na América Latina, com seis dos sete maiores países da região elegendo líderes esquerdistas desde 2018”. A publicação também ressaltou que Bolsonaro acordou no dia da posse “a milhares de quilômetros de distância, em uma casa alugada de propriedade de um lutador profissional de artes marciais mistas a alguns quilômetros da Disney”. O The New York Times afirma ter conversado com “amigo próximo” de Bolsonaro que afirmou que o ex-presidente deve ficar na Florida, nos EUA, por um a três meses para ver se o governo Lula irá incentivar investigações contra ele. A publicação ressalta ainda que existem diversos processos abertos para investigar o ex-presidente e diz ter conversado com um “procurador federal” que afirma que o Ministério Público teria “provas suficientes” para condenar Bolsonaro. Já o jornal South China Morning Post, de Hong Kong, destacou com um texto da AFP a promessa de Lula de “lutar pelos pobres” em sua posse, que finalizou o “governo divisivo” e de “extrema-direita” de Jair Bolsonaro. “O veterano esquerdista de 77 anos, que já liderou o Brasil de 2003 a 2010, prestou juramento perante o Congresso, coroando uma notável recuperação política do metalúrgico que se tornou presidente menos de cinco anos depois de sua prisão por acusações controversas – que depois foram anuladas”, disse o South China Morning Post. O texto destacou a massiva participação popular, que “vibrou” com Lula e também acompanhou um festival de música que contou com shows da “lenda do samba Martinho da Vila até a drag queen Pabllo Vittar”. O espanhol El País, por sua vez, destacou no título: “O regresso de Lula devolve o Brasil ao mundo”. A publicação afirmou que durante quatro anos o Brasil “brigou com seus vizinhos, rompeu laços com os EUA e atacou o comunismo chinês” e que agora existe uma expectativa da retomada da diplomacia brasileira. “Pequim enviou seu vice-presidente, Wang Qisha, a Brasília no domingo, à frente de uma delegação de alto nível, que evidenciou a importância que os dois países atribuem às suas relações comerciais. 27% de todas as exportações brasileiras vão para a China”, escreveu o El País. Já os Estados Unidos optaram por enviar uma delegação de “segunda linha”, diz o jornal espanhol, liderada pela Secretária do Interior dos Estados Unidos, Deb Haaland.

Morre aos 95 anos o papa emérito Bento XVI

Papa emérito Bento 16 (Foto: Sven Hoppe/Pool via REUTERS) – No início desta semana, o Papa Francisco divulgou que seu antecessor estava “muito doente” e pediu que as pessoas orassem por ele Reuters – O ex-papa Bento XVI, que em 2013 se tornou o primeiro pontífice em 600 anos a renunciar, morreu neste sábado (31) aos 95 anos no mosteiro Mater Ecclesiae, no Vaticano, onde viveu desde sua renúncia, disse um porta-voz para a Santa Sé. “Com pesar, informo que o Papa Emérito Bento XVI faleceu hoje às 9h34 no mosteiro Mater Ecclesiae no Vaticano. Mais informações serão fornecidas o mais breve possível”, disse o porta-voz em um comunicado por escrito. No início desta semana, o Papa Francisco divulgou durante sua audiência geral semanal que seu antecessor estava “muito doente” e pediu que as pessoas orassem por ele. Por quase 25 anos, como cardeal Joseph Ratzinger, Bento foi o poderoso chefe do escritório doutrinário do Vaticano, então conhecido como Congregação para a Doutrina da Fé (CDF). Os conservadores da Igreja consideram o ex-papa seu porta-estandarte e alguns ultratradicionalistas até se recusaram a reconhecer Francisco como um pontífice legítimo. Eles criticaram Francisco por sua abordagem mais receptiva aos membros da comunidade LGBTQ+ e aos católicos que se divorciaram e se casaram novamente fora da Igreja, dizendo que ambos estavam minando os valores tradicionais.