Brasil e Argentina devem iniciar estudos para uma moeda comum, aponta Financial Times

Uma união monetária que abrangesse toda a América Latina representaria cerca de 5% do PIB global – Alberto Fernández (à esq.), Luiz Inácio Lula da Silva e a reportagem do Financial Times (Foto: Ricardo Stuckert | Reprodução) – Os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva (Brasil) e Alberto Fernández (Argentina) discutirão esta semana um acordo para a criação de uma moeda comum ao latino-americano. A informação foi publicada pelo jornal Financial Times. De acordo com a reportagem do período britânico, uma união monetária que abrangesse toda a América Latina representaria cerca de 5% do Produto Interno Bruto (PIB) global. A maior união monetária do mundo, o euro, abrange cerca de 14% do PIB mundial quando medido em dólares. O ministro da Economia da Argentina, Sergio Massa, disse que a ideia é “começar a estudar os parâmetros necessários para uma moeda comum, o que inclui tudo, desde questões fiscais até o tamanho da economia e o papel dos bancos centrais”. “Não quero criar falsas expectativas. . . é o primeiro passo de um longo caminho que a América Latina deve percorrer”. Segundo o ministro, o projeto é bilateral inicialmente. Depois vai ser oferecido a outras nações da América Latina. “Isso é Argentina e Brasil convidando o restante da região”, continuou Massa. O presidente Lula viajou para a Argentina para uma cúpula na terça-feira (24) da Comunidade Latino-Americana de 33 nações e Caribenhos (CELAC).
Com risco de prisão no Brasil, Bolsonaro cogita manter estadia nos Estados Unidos

Grupo de empresários bolsonaristas quer torná-lo um “palestrante” para viabilizar financeiramente sua estadia no país – Jair Bolsonaro (Foto: Alan Santos/Presidência da República) Temendo ser preso no Brasil por incitar os ataques terroristas do último dia 8 em Brasília, Jair Bolsonaro (PL) cogita ficar mais tempo nos Estados Unidos. Reportagem da Folha de S. Paulo revela que Bolsonaro está sendo incentivado por um grupo de empresários bolsonaristas de São Paulo. De acordo com a publicação, o grupo “montou um plano inicial para custear a estadia do político no país, para onde o político viajou no dia 30 de dezembro, visando evitar participar da transmissão da faixa presidencial para Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no dia 1º de janeiro”. O grupo planeja tornar Bolsonaro um ‘palestrante’ de política. Para isso, “foram acertadas com empresários americanos seis palestras, cada uma pagando US$ 10 mil (quase R$ 51 mil no câmbio de hoje). Bolsonaro, segundo uma pessoa com conhecimento do assunto, se comprometeu a proferir pelo menos uma delas”, destaca o jornal.
Governo Biden declara apoio ao presidente Lula na luta contra terroristas bolsonaristas

“Condenamos os ataques à Presidência, ao Congresso e ao Supremo Tribunal Federal hoje”, disse Antony Blinken, secretário de Estado dos EUA O governo dos Estados Unidos está do lado do presidente Lula na condenação dos ataques aos três poderes em Brasília neste domingo (8), declarou o secretário de Estado estadunidense Antony Blinken, em sua conta no Twitter. “Condenamos os ataques à Presidência, ao Congresso e ao Supremo Tribunal Federal hoje. Usar a violência para atacar as instituições democráticas é sempre inaceitável. Nós nos juntamos a Lula para pedir o fim imediato dessas ações”, disse Blinken. We condemn the attacks on Brazil's Presidency, Congress, and Supreme Court today. Using violence to attack democratic institutions is always unacceptable. We join @lulaoficial in urging an immediate end to these actions. — Secretary Antony Blinken (@SecBlinken) January 8, 2023 O Embaixador da União Europeia no Brasil disse estar “seguindo com grande preocupação os atos antidemocráticos e as ações violentas na Praça dos Três Poderes, em Brasília”, enquanto a OEA condenou o ataque. Argentina, Bolívia, Chile, Cuba, Equador, Espanha, México, Peru, Portugal e Uruguai repudiaram em alguma medida a tentativa de golpe em Brasília.
A farsa de Guaidó na Venezuela chega ao fim

Direita fragmentada – Fim da ‘presidência’ de Guaidó reflete esgotamento e crise da direita na Venezuela Principais opositores abandonaram ‘interinato’; necessidade de suspender sanções pode explicar reconfiguração Por Lucas Estanislau – Brasil de Fato Após passar anos boicotando eleições e apostando na criação de uma “institucionalidade paralela” para forçar uma mudança de governo, o principal setor da direita venezuelana dá sinais de esgotamento e decide se reconfigurar politicamente. Nas últimas semanas de dezembro, três dos quatro principais partidos da oposição encerraram o maior artifício político utilizado em sua estratégia desde 2019: a “presidência interina” de Juan Guaidó. Reunidos no que chamam de “Assembleia Nacional legítima”, uma espécie de legislativo paralelo composto por ex-deputados eleitos em 2015, 72 dos 104 ex-parlamentares que compunham o “governo interino” concordaram em desmontar o cargo fictício de Guaidó por considerar que “o processo político que se iniciou em 23 de janeiro de 2019 se debilitou e não é visto como uma opção real de mudança”. A decisão havia sido tomada durante a primeira votação que ocorreu em 22 de dezembro e foi ratificada em uma segunda reunião realizada no dia 30 do último mês. Guaidó e aliados próximos tentaram adiar o segundo encontro, mas não tiveram sucesso. De acordo com a resolução elaborada pelos partidos Ação Democrática, Primeiro Justiça e Um Novo Tempo, a “presidência interina” e todos os supostos cargos ligados a ela serão encerrados quando a Assembleia Nacional paralela reiniciar suas atividades na próxima quinta-feira (5). Na prática, toda a estrutura fictícia de embaixadores, ministros, assessores e diretores de empresas estatais será desmontada para dar lugar a uma comissão composta por cinco ex-deputados. O controle desse setor da oposição sobre os ativos que pertencem ao Estado venezuelano no exterior – que se converteram na principal fonte de renda do “interinato” – será mantido, já que as “direções interinas” da PDVSA e do Banco Central seguirão existindo. “A primeira coisa que deve ser dita sobre esse processo é que existe uma grave crise de liderança política nos setores de oposição da Venezuela”, explica ao Brasil de Fato o cientista político venezuelano Luis Díaz. Para o pesquisador, a crise é reflexo do fracasso da estratégia de “pressão máxima” adotada nos últimos anos, que consistiu em boicotar eleições e pedir a Washington a ampliação do pacote de sanções para asfixiar economicamente o país e tentar derrubar o governo Maduro. “Sob o ponto de vista retórico, se supõe que as sanções afetam exclusivamente o governo, mas na prática o bloqueio afetou toda a população, afetou o desenvolvimento econômico de todos os setores da sociedade venezuelana, inclusive de empresários e empreendedores”, diz. O esgotamento da política de sanções e da “pressão máxima” estaria por trás desse rearranjo de forças dentro da direita venezuelana, pois setores econômicos internos e externos passaram a encarar o bloqueio estadunidense como um obstáculo para seus próprios interesses. “Neste momento existe a necessidade de uma mudança de alianças, de suspender sanções e sobretudo de levar a Venezuela de volta ao contexto internacional, principalmente pelo tema energético por conta das consequências do conflito entre Ucrânia e Rússia. A Venezuela volta a entrar nesse contexto internacional e, certamente, para o governo dos Estados Unidos, o interinato já era algo muito incômodo e difícil de sustentar”, afirma. O governo do presidente Joe Biden se manifestou nesta terça-feira (03) sobre as mudanças políticas feitas pela oposição. Em coletiva de imprensa, o porta-voz do Departamento de Estado dos EUA, Ned Price, afirmou que o país seguirá sem reconhecer a presidência de Maduro, mas se referiu a Guaidó como “membro da Assembleia Nacional” e não mais como “presidente interino”. “Juan Guaidó continua sendo um membro da Assembleia Nacional de 2015, a qual nós reconhecemos porque é a última instituição eleita democraticamente no país. Nós seguiremos coordenando com ele como membro da Assembleia Nacional de 2015 assim como com outros atores democráticos na Venezuela”, disse. A posição marca um giro no tratamento de Washington em relação a Guaidó, que, até então, era considerado “presidente” pela Casa Branca. Apesar de ter dado alguns sinais de aproximação com o governo Maduro ao longo de 2022, Biden vinha mantendo a estratégia de seu antecessor, o republicano Donald Trump, de considerar o ex-deputado como chefe do “governo interino”. Citgo e ouro: quem controla? O papel dos EUA também será decisivo para o futuro das empresas e dos fundos venezuelanos que estão bloqueados no exterior. Isso porque foi o reconhecimento dado por Washington e por países europeus aliados ao “interinato” que permitiu que os aliados de Guaidó controlassem esses ativos. Por meio da “direção interina” da PDVSA, a subsidiária da estatal petroleira venezuelana Citgo, que possui uma rede de refinarias e postos nos EUA cujo patrimônio é avaliado em cerca de 10 bilhões de dólares, passou às mãos da oposição que era liderada por Guaidó. Já o “Banco Central” da oposição é o responsável por gerir fundos e reservas como, por exemplo, as 31 toneladas de ouro que estão retidas no Banco da Inglaterra. Nesta terça-feira, o porta-voz do Departamento de Estado também se referiu aos ativos venezuelanos no exterior e disse que o programa de sanções continua, mas reconheceu a necessidade de discutir o tema com os opositores. “Entendo que os membros da Assembleia Nacional estão discutindo entre eles como irão lidar com os ativos no exterior. Nós vamos continuar discutindo esse tema com eles”, disse. Para Diaz, é improvável que Washington abra mão de ter alguma influência no futuro desses ativos, pois devolver as empresas e os fundos ao Estado venezuelano implicaria reconhecer a autoridade do governo Maduro, algo que o pesquisador acredita que não está no horizonte da Casa Branca. “As juntas interinas da PDVSA e do Banco Central serão mecanismos que seguramente o governo dos Estados Unidos vão reconhecer para manter uma legitimidade porque não pode, no seu ponto de vista político, manter uma relação direta com o governo de Nicolás Maduro. Acho que existirá uma relação chamada de duas faixas, ou seja, abertamente não irão reconhecer Maduro, e sim os setores da oposição, mas pragmaticamente buscarão mais aproximação
Jornais internacionais destacam festa durante posse de Lula e fuga de Bolsonaro

New York Times afirma ter conversado com procurador que acredita ter “provas suficientes” para condenar Bolsonaro A posse de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) como novo presidente da República é notícia mundo afora. As festividades em Brasília, as primeiras movimentações do novo governo, assim como a decisão do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) de não participar da cerimônia de transmissão do poder, foram destaque na imprensa internacional. A capa do jornal The New York Times desta segunda-feira (2) levou uma foto de Lula subindo a rampa do Palácio do Planalto com a seguinte manchete: “Brasil empossa Lula como líder; perdedor está ausente”. Na reportagem, a publicação dos Estados Unidos (EUA) destaca que a eleição de Lula “marca uma onda esquerdista na América Latina, com seis dos sete maiores países da região elegendo líderes esquerdistas desde 2018”. A publicação também ressaltou que Bolsonaro acordou no dia da posse “a milhares de quilômetros de distância, em uma casa alugada de propriedade de um lutador profissional de artes marciais mistas a alguns quilômetros da Disney”. O The New York Times afirma ter conversado com “amigo próximo” de Bolsonaro que afirmou que o ex-presidente deve ficar na Florida, nos EUA, por um a três meses para ver se o governo Lula irá incentivar investigações contra ele. A publicação ressalta ainda que existem diversos processos abertos para investigar o ex-presidente e diz ter conversado com um “procurador federal” que afirma que o Ministério Público teria “provas suficientes” para condenar Bolsonaro. Já o jornal South China Morning Post, de Hong Kong, destacou com um texto da AFP a promessa de Lula de “lutar pelos pobres” em sua posse, que finalizou o “governo divisivo” e de “extrema-direita” de Jair Bolsonaro. “O veterano esquerdista de 77 anos, que já liderou o Brasil de 2003 a 2010, prestou juramento perante o Congresso, coroando uma notável recuperação política do metalúrgico que se tornou presidente menos de cinco anos depois de sua prisão por acusações controversas – que depois foram anuladas”, disse o South China Morning Post. O texto destacou a massiva participação popular, que “vibrou” com Lula e também acompanhou um festival de música que contou com shows da “lenda do samba Martinho da Vila até a drag queen Pabllo Vittar”. O espanhol El País, por sua vez, destacou no título: “O regresso de Lula devolve o Brasil ao mundo”. A publicação afirmou que durante quatro anos o Brasil “brigou com seus vizinhos, rompeu laços com os EUA e atacou o comunismo chinês” e que agora existe uma expectativa da retomada da diplomacia brasileira. “Pequim enviou seu vice-presidente, Wang Qisha, a Brasília no domingo, à frente de uma delegação de alto nível, que evidenciou a importância que os dois países atribuem às suas relações comerciais. 27% de todas as exportações brasileiras vão para a China”, escreveu o El País. Já os Estados Unidos optaram por enviar uma delegação de “segunda linha”, diz o jornal espanhol, liderada pela Secretária do Interior dos Estados Unidos, Deb Haaland.
Morre aos 95 anos o papa emérito Bento XVI

Papa emérito Bento 16 (Foto: Sven Hoppe/Pool via REUTERS) – No início desta semana, o Papa Francisco divulgou que seu antecessor estava “muito doente” e pediu que as pessoas orassem por ele Reuters – O ex-papa Bento XVI, que em 2013 se tornou o primeiro pontífice em 600 anos a renunciar, morreu neste sábado (31) aos 95 anos no mosteiro Mater Ecclesiae, no Vaticano, onde viveu desde sua renúncia, disse um porta-voz para a Santa Sé. “Com pesar, informo que o Papa Emérito Bento XVI faleceu hoje às 9h34 no mosteiro Mater Ecclesiae no Vaticano. Mais informações serão fornecidas o mais breve possível”, disse o porta-voz em um comunicado por escrito. No início desta semana, o Papa Francisco divulgou durante sua audiência geral semanal que seu antecessor estava “muito doente” e pediu que as pessoas orassem por ele. Por quase 25 anos, como cardeal Joseph Ratzinger, Bento foi o poderoso chefe do escritório doutrinário do Vaticano, então conhecido como Congregação para a Doutrina da Fé (CDF). Os conservadores da Igreja consideram o ex-papa seu porta-estandarte e alguns ultratradicionalistas até se recusaram a reconhecer Francisco como um pontífice legítimo. Eles criticaram Francisco por sua abordagem mais receptiva aos membros da comunidade LGBTQ+ e aos católicos que se divorciaram e se casaram novamente fora da Igreja, dizendo que ambos estavam minando os valores tradicionais.
Nicolás Maduro virá ao Brasil para posse de Lula

O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, virá ao Brasil para a posse do presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) neste domingo (1°), em Brasília. Segundo o colunista Lauro Jardim, do Globo, uma portaria assinada pelo atual ministro da Casa Civil, Ciro Nogueira, revoga a proibição do presidente venezuelano de entrar em solo brasileiro. A medida deve ser publicada no Diário Oficial da União ainda nesta quinta-feira (29). A medida hostil ao líder do país foi assinada pelo então ministro da Justiça, Sérgio Moro, em 2019, logo após Jair Bolsonaro ter assumido o poder.
Governo de Cuba denuncia censura do Twitter

Bruno Rodriguez Parrilla (Foto: Reuters/Stringer) O governo cubano frequentemente acusa as redes sociais, especialmente o Twitter, de possibilitar a chamada “guerra virtual” contra o sistema socialista de Cuba. O governo cubano revelou nesta quarta-feira (28) que o país recebeu “indícios de censura” da rede social Twitter e destacou que o FBI, dos Estados Unidos, “está atuando como guardião de um vasto programa de vigilância e censura das redes sociais” contra Cuba. O jornal Granma, porta-voz do partido comunista no poder, informou que “documentos vazados para jornalistas mostram que as agências de inteligência dos EUA, o Pentágono e o Departamento de Estado americano coordenaram ações de guerra psicológica com o Twitter”. “Ao mesmo tempo, o FBI pagou à empresa para responder aos seus pedidos”, ressaltou o jornal. A publicação divulgou ainda uma mensagem do chanceler Bruno Rodríguez, citando declarações públicas do editor da Substack, Matt Taibbi, que revelou que “na longa lista de contas que o Twitter recebeu com indícios de censura, há usuários cubanos, marcados para moderação ou execução digital”. De acordo com Rodríguez, Taibbi afirmou que “o governo dos Estados Unidos estava em contato constante não apenas com o Twitter, mas com praticamente todas as empresas de tecnologia importantes, como Facebook, Microsoft, Verizon, Reddit, Pinterest e muitas outras”. O governo cubano frequentemente acusa as redes sociais, especialmente o Twitter, de possibilitar a chamada “guerra virtual” contra o sistema socialista de Cuba. Recentemente, acusou o Twitter e uma seção do Facebook de lançar “ações de censura contra a mídia pública e os usuários cubanos”. “Eles rotularam publicações que tiveram seu alcance limitado nas redes e eliminaram relatos críticos às operações desestabilizadoras contra nosso país. Foi uma ação seletiva e coordenada que viola o direito à livre expressão dos cubanos e que expressa a subordinação dessas empresas a os caprichos dos políticos dos EUA”, disse o chanceler. (ANSA).
Papa Francisco: ainda há muitos mortos no local de trabalho

O Santo Padre recebeu em audiência no Vaticano cerca de 6 mil membros da Confederação Geral Italiana do Trabalho. “O trabalho permite que a pessoa se realize, viva a fraternidade, cultive a amizade social e melhore o mundo”. Silvonei José – Vatican News “Não há sindicato sem trabalhadores e não há trabalhadores livres sem sindicatos”: foi o que disse o Papa Francisco recebendo nesta manhã de segunda-feira, na Sala Paulo VI, cerca de 6 mil membros da Confederação Geral Italiana do Trabalho. Foi um encontro com pessoas que fazem parte de organizações sindicais históricas da Itália. No seu discurso o Papa expressou mais uma vez a sua proximidade para com o mundo do trabalho e, em particular, com as pessoas e famílias que mais lutam. Francisco destacou que vivemos em uma época que, apesar dos avanços tecnológicos – e às vezes precisamente por causa desse sistema perverso chamado tecnocracia – em parte decepcionou as expectativas de justiça no âmbito trabalhista. E isto exige, antes de tudo, reiniciar do valor do trabalho, como um lugar onde a vocação pessoal e a dimensão social se encontram. O trabalho permite que a pessoa se realize, viva a fraternidade, cultive a amizade social e melhore o mundo. O trabalho constrói a sociedade, reafirmou o Papa. É uma experiência primária de cidadania, na qual uma comunidade de destino toma forma, fruto do compromisso e dos talentos de cada indivíduo. E Caros amigos, se recordo esta visão, é porque entre as tarefas do sindicato está a de educar ao sentido do trabalho, promovendo a fraternidade entre os trabalhadores. Esta preocupação formativa não pode faltar. É o sal de uma economia saudável, capaz de fazer do mundo um lugar melhor. De fato, acrescentou o Papa “os custos humanos são sempre também custos econômicos e as disfunções econômicas sempre implicam também custos humanos”. Desistir de investir nas pessoas para obter um lucro mais imediato é um mau negócio para a sociedade”. Ao lado da formação, é sempre necessário apontar as distorções do trabalho, disse ainda o Papa. A cultura do descarte entrou nas dobras das relações econômicas e também invadiu o mundo do trabalho. “Vemos isso, por exemplo, onde a dignidade humana é espezinhada pela discriminação de gênero – por que uma mulher deveria ganhar menos do que um homem? -; é visto na precariedade da juventude – por que as pessoas têm que adiar suas escolhas de vida por causa da precariedade crônica? -; ou na cultura da demissão; e por que os empregos mais exigentes ainda são tão mal protegidos? Muitas pessoas sofrem com a falta de trabalho ou por causa de um trabalho indigno: seus rostos merecem escuta e o compromisso sindical”. O Papa então compartilhou algumas preocupações. Primeiro, a segurança dos trabalhadores. Ainda há muitos mortos, mutilados e feridos no local de trabalho! Cada morte no trabalho é uma derrota para toda a sociedade. Mais do que contá-los no final de cada ano, devemos lembrar de seus nomes, pois são pessoas e não números. Não permitamos que o lucro e a pessoa sejam equiparados! A idolatria do dinheiro tende a pisar em tudo e em todos e não valoriza as diferenças. Trata-se de nos educarmos para cuidar da vida dos funcionários e nos educarmos para levar a sério as normas de segurança: somente uma sábia aliança pode prevenir aqueles “acidentes” que são tragédias para as famílias e comunidades. Uma segunda preocupação é a exploração das pessoas, como se fossem máquinas de desempenho. Existem formas violentas, como o “caporalato” (recrutamento de mão de obra) e a escravidão dos trabalhadores na agricultura ou em canteiros de obras e outros locais de trabalho, a obrigação de trabalhar em turnos extenuantes, o jogo de contratos sempre menores, o desrespeito à maternidade, o conflito entre trabalho e família. Quantas contradições e quantas guerras entre os pobres acontecem em torno do trabalho! Nos últimos anos, os chamados “trabalhadores pobres” aumentaram: pessoas que, apesar de terem um emprego, não conseguem sustentar suas famílias e dar esperança para o futuro. O sindicato – disse ainda Francisco – é chamado a ser a voz dos sem-voz. Em particular, o Papa pediu que cuidem dos jovens, que muitas vezes são obrigados a contratos precários, inadequados e escravizadores. O Santo Padre recordou ainda que nestes anos pandêmicos, o número daqueles que se demitem de seus empregos tem aumentado. Tanto jovens quanto idosos estão insatisfeitos com sua profissão, o ambiente de trabalho, as formas contratuais, e preferem se demitir. Eles buscam outras oportunidades. Este fenômeno não diz desengajamento, mas a necessidade de humanizar o trabalho. O Papa concluiu o seu discurso convidando os presentes a serem ‘sentinelas’ do mundo do trabalho, gerando alianças e não oposições estéreis. As pessoas estão sedentas de paz, especialmente neste momento histórico, e a contribuição de todos é fundamental. Educar para a paz mesmo no local de trabalho, muitas vezes marcado por conflitos, pode se tornar um sinal de esperança para todos. Também para as gerações futuras.
Papa Francisco diz que julgamento de Lula começou com fake news

O papa Francisco disse que o processo que condenou o presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT), no âmbito da Lava Jato, “começou com notícias falsas na mídia” que “criaram uma atmosfera que favoreceu a colocação de Lula em um julgamento”. A declaração do pontífice ocorreu durante entrevista ao jornal espanhol ABC, publicada neste domingo (18). “É um caso paradigmático. O processo de julgamento começou com notícias falsas na mídia, que criaram uma atmosfera que favoreceu a colocação de Lula em um julgamento”, afirmou o papa. “Um julgamento deve ser o mais limpo possível, com tribunais que não tenham outro interesse a não ser fazer justiça”. O petista foi preso em abril de 2018, por acusação de corrupção e lavagem de dinheiro no caso do triplex de Guarujá. A condenação expedida pela força-tarefa foi mantida pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região e, posteriormente, pelo Superior Tribunal de Justiça. Segundo o líder da Igreja Católica, o problema das notícias falsas “podem destruir uma pessoa”. “Não sei como acabou. Não dá a impressão de que foi um processo decente. E a esse respeito, cuidado com aqueles que criam o clima para qualquer processo”, adverte o papa que diz que “eles fazem isso através da mídia de forma a influenciar aqueles que devem julgar e decidir”. “Esse caso no Brasil é histórico, não estou querendo fazer política. Estou contando o que aconteceu”, concluiu Francisco.