DIVERSIDADE E RESISTÊNCIA MARCAM ABERTURA DO FÓRUM SOCIAL MUNDIAL

 Pela primeira vez no Nordeste desde que foi criado em 2001, o Fórum Social Mundial, em Salvador, reúne diferentes grupos, bandeiras e lemas e terá como território principal o Campus de Ondina, da Universidade Federal da Bahia (UFBA), o Parque do Abaeté, em Itapuã, e o Parque São Bartolomeu, no Subúrbio Ferroviário da cidade Diferentes grupos, bandeiras e lemas se misturavam em harmonia. Uma comunidade indígena do sul da Bahia realizava o “toré”, ritual sagrado que celebra a amizade, enquanto ali próximo um grupo agitava faixas em defesa da reforma urbana e da luta por moradia. Não muito distante, uma agitada roda de capoeira atrai a atenção. “Capoeira é uma luta de resistência. Trazemos a tradição e o legado dela, além de uma capoeira empreendedora. É a luta por resistência, negando o opressor dentro das comunidades”, afirmou Tonho Matério. Conforme a tarde avançava, outros grupos marcavam presença na concentração da Marcha de Abertura. Entre eles, Ângela Guimarães, presidenta da União de Negros pela Igualdade (Unegro). “Vivemos tempos difíceis em âmbito global. Governos que reprimem e incentivam uma economia que não cabe o povo, só o mercado. Esse Fórum é também um grito pelo direito à vida, o direito de existir e resistir”, disse Ângela, durante transmissão feita pela TVE da Bahia. “É um brado contra o genocídio da mulher negra, contra o ódio religioso que atinge as comunidades de matrizes africanas no Brasil. Outro mundo não é só possível, é urgente e necessário.” Após sair do Campo Grande, por volta das 16h30, a Marcha de Abertura do Fórum Social Mundial passou pela Avenida Sete até chegar a Praça Castro Alves. Conhecida como “Praça do Povo”, local de grandes manifestações de luta e resistência baiana, na Praça Castro Alves um palco com apresentações culturais e performances artísticas encerra o primeiro dos cinco dias do evento, que continua na capital baiana até sábado (17). Bahia, palco de lutas O evento terá como território principal o Campus de Ondina, da Universidade Federal da Bahia (UFBA), além de outros locais da capital baiana, como o Parque do Abaeté, em Itapuã, e o Parque São Bartolomeu, no Subúrbio Ferroviário da cidade. Segundo os organizadores, são esperadas cerca de 60 mil pessoas, de 120 países, reunidas para debater e definir novas alternativas e estratégias de enfrentamento ao neoliberalismo, aos golpes e genocídios que diversos países enfrentam na atualidade. Com mais de 1.500 coletivos, organizações e entidades cadastradas, e em torno de 1.300 atividades autogestionadas inscritas, o Fórum Social Mundial reunirá representantes de entidades de países como Canadá, Marrocos, Finlândia, França, Alemanha, Tunísia, Guiné, Senegal, além de países sul-americanos e representações nacionais. Antes do início da Marcha de Abertura, também em entrevista para a TVE da Bahia, Gilberto Leal, diretor de Entidades Negras da Bahia, destacou a importância do Fórum Social Mundial se realizar desta vez em Salvador, um território de forte presença negra e, consequentemente, também de resistência – justamente o slogan do FSM: “Resistir é criar, resistir é transformar”. “Temos um forte legado de resistência nesta cidade e neste estado”, afirmou Gilberto Leal, lembrando da Revolta dos Malês – um levante protagonizado por escravos em Salvador, em 1835 – e da Revolta dos Búzios, de 1798, quando a capital baiana amanheceu com diversos cartazes colados em prédio públicos proclamando a população à luta armada e defendendo o fim da escravidão. Na mesma entrevista, Salete Valesan, diretora da Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais (Flacso), ponderou que o FSM, após nascer em Porto Alegre, em 2001, e depois ser realizado na Índia, Quênia e Senegal, ao voltar para o Brasil e, principalmente para a Bahia, tem um significado importante. “Era mais do que justo e natural que esse processo construído fizesse o trabalho de voltar para o Brasil e, agora, para a Bahia e Salvador, onde fazemos uma ponte com nossa história mundial, ligando África e Brasil”, disse. Entre as mais de 1.300 atividades que ocorrerão nos próximos dias em Salvador, numa programação diversificada e autogestionária, Gilberto Leal, diretor de Entidades Negras da Bahia, destacou a que o grupo realizará quinta-feira (15) de manhã: “Diálogos Internacionais – Convergência de lutas negras entre África e a diáspora no século 21”. “Nossa ideia é instalar uma rede mundial que troque experiências entre a luta dentro da África e a luta na diáspora”, afirmou, ressaltando que os negros representam cerca de 1,5 bilhão da população mundial.

MORRE O FÍSICO BRITÂNICO STEPHEN HAWKING

 Um dos maiores cientistas de sua geração, o físico britânico Stephen Hawking, de 76 anos, morreu na noite desta terça-feira; informação foi dada por um porta-voz da família O físico britânico Stephen Hawking, de 76 anos, morreu na noite desta terça-feira.  A informação foi dada por um porta-voz da família. Até o momento ainda não se sabe a causa de sua morte. “Estamos profundamente entristecidos pelo fato de o nosso amado pai ter morrido. Ele foi um grande cientista e um extraordinário homem cujo trabalho e legado viverão por muitos anos”, escreveram Lucy, Robert e Tim, filhos de Hawking. Físico teórico, cosmólogo, autor e diretor de pesquisa do Centro de Cosmologia Teórica da Universidade de Cambridge. Seus trabalhos científicos incluem uma colaboração com Roger Penrose sobre teoremas de singularidade gravitacional no quadro da relatividade geral e a previsão teórica de que os buracos negros emitem radiação, muitas vezes chamado de radiação Hawking. Hawking foi o primeiro a estabelecer uma teoria da cosmologia explicada por uma união da teoria geral da relatividade e da mecânica quântica. Ele é um partidário vigoroso da interpretação de múltiplos mundos da mecânica quântica. Hawking teve uma forma rara de início precoce, progressiva, de esclerose lateral amiotrófica (ELA) que gradualmente o paralisou ao longo das décadas. Hawking surpreendeu médicos em todo o mundo, enquanto vivia apesar da doença que geralmente leva à morte dentro de anos. O diagnóstico da doença foi feito quando ele tinha 21 anos. Os filhos ressaltaram sua “coragem e persistência” e seu “brilhantismo e humor”. “Uma vez, ele disse: ‘O Universo não seria grande coisa se não fosse o lar das pessoas que você ama.’ Nós sentiremos sua falta para sempre”, escreveram.

Cursos sobre o golpe de Estado no Brasil serão ministrados no México e Colômbia

 Professores, que defendem autonomia didático-científica de instituições brasileiras e condenam violação da liberdade acadêmica sofrida pela UnB, preparam cursos sobre o golpe de Estado que derrubou a presidente legítima Dilma Rousseff em instituições de ensino superior do México (UNAM) e Colômbia (Universidad de Los Andes). No Brasil, já são 36 universidades que estão oferecendo cursos sobre o golpe de Estado. Durante o primeiro semestre de 2018, a Faculdade de Ciências Sociais da Universidad de los Andes, em Bogotá (Colômbia), oferece as aulas “Das jornadas de junho de 2013 ao Golpe de 2016”, como parte do curso “Vozes de resistência no Brasil”. Coordenada pela Prof. Luciana Andrade Stanzani, mestre em educação e bacharel em ciências sociais pela Universidade de São Paulo (USP), a disciplina se propõe a analisar as manifestações culturais de resistência no Brasil em diferentes períodos históricos. “Iniciativas assim podem ajudar a entender o atual panorama latino-americano e promover espaços de discussão e estudos sobre a região”, diz a professora, que repudia a tentativa de censura ao curso “O Golpe de 2016 e o futuro da democracia no Brasil” do Prof. Dr. Luis Felipe Miguel, na Universidade de Brasília (UnB), por parte do Ministério da Educação brasileiro. Na Cidade do México, os efeitos do golpe de 2016 serão discutidos no “Seminário de Estudos Brasileiros (SEMBRAR)”, criado pelas professoras e pesquisadoras Regina Crespo, doutora em História, do Centro de Investigaciones sobre América Latina y el Caribe, Monika Meireles, doutora em Estudos Latino-americanos, do Instituto de Investigaciones Económicas, ambas da Universidad Nacional Autónoma de México (UNAM), e Miriam Madureira, doutora em Filosofia, da Universidad Autónoma Metropolitana (UAM).Com sede no Centro de Investigaciones sobre América Latina y el Caribe, da UNAM, o curso tem como objetivo “semear a discussão como ferramenta crítica e semear o debate reflexivo como instrumento de conhecimento e análise da realidade brasileira”, segundo seu programa. Sobre o ataque do governo Temer à UnB, a Professora Miriam Madureira afirma que a atitude “mostra um aprofundamento do caráter antidemocrático do golpe, agora dirigido contra uma instituição que deve se caracterizar justamente pela liberdade de pensamento e de debate”. No mesmo tom de crítica, cerca de cem professores de universidades renomadas dos EUA que participam do movimento “Acadêmicos e Ativistas pela Democracia no Brasil” assinaram uma carta de repúdio à ação movida pelo MEC. Com as iniciativas na Colômbia e no México, já são 36 universidades que oferecem cursos sobre o golpe de Estado que destituiu a Presidenta eleita Dilma Rousseff em 2016; entre elas a Universidade de Bradford, na Inglaterra, e 33 instituições em todo o Brasil (UEA, UEL, UEM, UEPB, UERJ, UESPI, UFABC, UFAM, UFBA, UFCG, UFES, UFG, UFJF, UFMG, UFMGS, UFOP, UFPA, UFPB, UFPR, UFRB, UFRN, UFRGS, UFRJ, UFRR, UFS, UFSB, UFSC, UFSCAR, UFSM, UFV, UnB, UNESP, UNICAMP e USP). Fonte: Coletivo Passarinho

Danny Glover, ativista, ator e embaixador da ONU traz solidariedade a Lula

 – O ex-presidente Lula recebeu nesta quinta-feira 8 o ativista, ator e embaixador da ONU Danny Glover. O americano já havia assinado o manifesto que afirma que “Eleição sem Lula é golpe” e, no ano passado, chegou a visitar a presidente eleita e afastada pelo golpe, Dilma Rousseff, defendendo o apoio de ela governar. “Eu vim aqui para demonstrar minha solidariedade e dizer que há outros em meu país que também tem solidariedade contigo”, declarou o ator, segundo informações divulgadas pelo site de Lula. “Nós temos que usar a nossa voz porque sabemos que o momento atual é importante não só para o Brasil mas para todas as Américas. Nós também estamos lutando contra a extrema-direita em nosso país. E a sua presidência foi um exemplo notável de políticas paras os mais pobres. Você nos inspirou nos Estados Unidos e em outras regiões. E eu tenho muito orgulho de estar aqui com você. Eu gosto de citar o Dr. (Martin Luther) King, que dizia, citando Dante, que o lugar mais quente do inferno está reservado para aqueles que ficam neutros em tempos de crise”, disse ainda. Lula e Danny Glover já se encontraram outras vezes, quando Lula era presidente, e também em 2011, último encontro entre os dois, quando o ator, grande apoiador das lutas sindicais norte-americanas, esteve em um congresso da CUT em Guarulhos.

MADURO AUMENTA EM 58% O SALÁRIO MÍNIMO DA VENEZUELA

 – O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, anunciou ontem (quinta-feira 01/02) um aumento de 58% no salário mínimo, justificado por ele como uma medida para proteger os trabalhadores do país, em meio a uma grave crise política e econômica, segundo informou a Reuters. “Decidimos aumentar o salário mínimo e as tábuas salariais em 58%”, disse Maduro em seu Twitter. “Em breve, alcançaremos o alvo de 100% de pensionistas na Venezuela!”, acrescentou. Com esse aumento, o segundo do ano, o salário venezuelano passa de 248.510 bolívares para 392.646. Levando-se em conta que, somado a ele, haverá um bônus de alimentação que, com um aumento de 67%, chegou a 915.000 bolívares, o rendimento integral básico de cada trabalhador deverá ser de 1,3 milhões de bolívares mensais, algo em torno de 36, 5 dólares. “Nas semanas e meses que estão por vir, seguirei fazendo um esforço para que o salário real dos trabalhadores, o salário mínimo, esteja acima, acima, no combate, na guerra que temos contra os especuladores”, afirmou o presidente.

Fitch Ratings rebaixa nota do Brasil e expõe fracasso de Temer

 O governo Michel Michel Temer desagrada não apenas a base da pirâmide – atacada pelas reformas antipovo -, mas também o grande capital financeiro, a quem a maioria das ações da gestão se dirigem. Nesta sexta, a agência de classificação de risco Fitch rebaixou a nota do Brasil de BB para BB-. A agência norte-americana destacou como motivos no relatório publicado hoje “os persistentes e grandes déficits fiscais, um alto e crescente fardo da dívida pública e a falta de legislação sobre reformas que melhoraram o desempenho estrutural das finanças públicas”. Um ponto observado foi a intervenção federal no Rio de Janeiro, afastando de vez da Câmara a pauta da Reforma da Previdência, ponderando que o “revés” reduz ainda mais a confiança do mercado nas finanças do país, avaliando ainda a falta de capacidade da gestão Temer em atuar no “ambiente político desafiador”: “Por exemplo, o governo não conseguiu obter apoio para impor imposto para certos fundos de investimento e aumentar as contribuições de pensões dos funcionários públicos, enquanto uma decisão judicial suspendeu o adiamento de reajustes salariais para trabalhadores do setor público federal”, comenta. Vale lembrar que os integrantes do atual governo que vê as notas do Brasil irem ladeira abaixo são os mesms que tanto valorizavam as parciais avaliações de risco na época do governo Dilma Rousseff. Com a decisão da Fitch já são duas das três principais agências de classificação de risco a rebaixar a nota do Brasil. Em janeiro, a Standard & Poor’s reduziu a pontuação do país de BB para BB-, ainda dentro do espectro do grau especulativo e três abaixo grau de investimento seguro, abordando os mesmos argumentos hoje utilizados pela Fitch, ao colocar a situação previdenciária do Brasil como decisiva para o acerto das contas públicas. A pressão do “mercado” pela aprovação da reforma da Previdência, cada dia mais distante, foi utilizada pelo governo para fazer terrorismo e espalhar o medo sobre a população. A gestão anunciava que, sem promover as mudanças na aposentadoria, o rebaixamento da agência nos levaria ao fim do mundo. A mídia tradicional foi na mesma linha e quase celebrou o rebaixamento pelas S&P, que lançava mais cobranças sobre o Congresso. Na prática, a avaliação das agências de risco impactam no custo dos empréstimos do governo e empresas do Brasil que passam a ficar mais caros, protegendo os investidores de fora do risco de calote. Divresos economistas, contudo, apontam a parcialidade dessas agências de classificação, que refletem apenas os consensos incoerentes de agentes de mercado e costumam errar feio. Vide o que aconteceu em 2008/2009, quando as agências deram boas notas para operações de vendas de hipotecas imobiliárias nos EUA que afundaram bancos e investidores e geraram a grande crise financeira.

Donald Trump quer professores armados nas salas para acabar com tiroteios em escolas

trump

O presidente dos Estados Unidos recebeu nesta quarta-feira (21) na Casa Branca professores, estudantes e familiares das vítimas do tiroteio da Florida. Donald Trump sugeriu que armar professores poderia ser a solução no que toca a prevenir massacres como o de quarta-feira da semana passada quando, em uma escola da Florida, um rapaz de 19 anos, Nikolas Cruz, entrou armado e causou 17 mortes. Depois de se reunir com os sobreviventes do tiroteio, o presidente disse: “Se tivéssemos um professor especialista em armas de fogo, o ataque poderia terminar muito rapidamente”. Donald Trump admitiu saber que a ideia seria controversa, segundo a Reuters. Em semicírculo, no restaurante estatal da Casa Branca, o presidente dos Estados Unidos ouviu professores, familiares das vítimas e estudantes que exigem mudanças para que novos massacres não voltem a acontecer. Trump se comprometeu a tomar medidas para melhorar a verificação de antecedentes de quem adquire armas de fogo, avança a RT. Na reunião participaram seis estudantes da escola que foi pega de surpresa por Nikolas Cruz que, com uma semiautomática AR-15, matou indiscriminadamente quem aparecia à sua frente. Por fim, o presidente assegurou a todos os participantes da reunião que sua administração trataria de fazer “firmeza” nas melhorias para comprovar antecedentes e a saúde mental dos alunos em um esforço para tornar as escolas mais seguras. Esse foi o 18º tiroteio em uma escola dos Estados Unidos só em 2018, e o segundo mais mortífero desde o de Sandy Hook, que aconteceu em 2012 e fez 26 mortos. De acordo com a Everytown Research, que contabiliza tiroteios em escolas e universidades desde 2013, 291 tiroteios aconteceram em escolas dos EUA desde 2013, ou seja, uma média de um por semana. Trump precisou ser lembrado de mostrar empatia com vítimas de tiroteioDurante a reunião, Donald Trump segurou uma folha que acabou fotografada pelos jornalistas presentes. A página tinha cinco pontos, como: “O que gostariam que eu soubesse sobre a sua experiência?”, “O que podemos fazer para ajudá-los a se sentirem seguros?”. O ponto três e quatro são imperceptíveis, mas o que está captando a atenção é o ponto cinco: “I hear you“, que traduzido literalmente, seria “eu escuto vocês”, mas a expressão poderia ser traduzida como “eu entendo vocês”. De acordo com o Jornal de Notícias, vários canais de comunicação norte-americanos e utilizadores de redes sociais criticaram o presidente por, aparentemente, precisar ser lembrado de mostrar empatia para com as vítimas. ZAP

Em desfile histórico, Paraíso do Tuiuti expõe o golpe ao mundo

Tuiuti

 – O ponto alto dos desfiles das escolas de samba no Rio de Janeiro foi a apresentação da Paraíso do Tuiuti. Nela, houve espaço para o “vampirão” Michel Temer que governa o Brasil depois de um golpe parlamentar, para o fim dos direitos trabalhistas e para os paneleiros manipulados pela mídia. O vampiro foi representado pelo professor de história Léo Morais no último carro da escola. “Sou professor de história e o protesto tem tudo a ver comigo. Esse protesto é a minha cara. Eu acho que é uma retomada dos enredos críticos. A gente está num momento que tem que gritar mesmo”, afirmou. “Eu acho que a gente está fazendo uma coisa que todo mundo quer. Todo mundo quer botar pra fora, as pessoas querem gritar o ‘Fora Temer’, as pessoas querem se manifestar e é forma de manifestar da minha parte”, explicou. Temer é o governante mais impopular do mundo, com mais de 90% de rejeição, e foi colocado no poder pela aliança PMDB-PSDB.

Chile aprova gratuidade universal no ensino superior

 O Congresso do Chile aprovou nessa semana, em último debate, a lei do ensino superior que estabelece gratuidade universal, uma decisão que o governo da presidente Michelle Bachelet classificou de “histórica” e um dos projetos emblemáticos de sua gestão.  Michele Bachelet consegue aprovar uma de sua principais propostas Michele Bachelet consegue aprovar uma de sua principais propostas Com 102 votos a favor e apenas duas abstenções, a Câmara dos Deputados – o último trâmite antes de ser promulgada – aprovou a lei que garante a gratuidade do ensino superior no país para 17,5 milhões de habitantes. A porta voz do governo Paula Narváez afirmou aos jornalistas que a lei “dá tranquilidade aos jovens para que seus talentos, suas capacidades, sua inteligência possam se desenvolver em um Estado que lhes dá oportunidades”. A presidente Michelle Bachelet escreveu no Twitter que a Lei das Universidades Estatais, aprovada no Congresso, que fortalece sua gestão institucional, devolve ao Estado o papel principal de assegurar um ensino superior público de qualidade. “Cumprimos nossa promessa!”. Ditadura O projeto do Executivo chileno pretende reformar um sistema de educação superior vigente desde o começo dos anos 1980, na ditadura de Augusto Pinochet. O regime retirou do Estado a sua responsabilidade de fornecer um direito social como a educação, asfixiou as universidades públicas e as instituições na formação da nação — como a Universidade de Chile —, e permitiu a instalação de um sistema de ensino privado desregulamentado. Com a chegada da democracia em 1990 e o aumento progressivo do preço das mensalidades, o mecanismo não foi reformulado. Mais caras do mundo As universidades chilenas têm uma das mensalidades mais caras do mundo quando se compara com o poder aquisitivo da população O principal meio de financiamento é de origem privada, os níveis de endividamento são muito altos, a qualidade da educação não é garantida e o sacrifício não se expressa no mercado de trabalho. Os protestos estudantis que começaram em 2006 e que explodiram em 2011 foram a expressão da raiva e da insatisfação com um sistema que produz desigualdade. Fonte: Carta Educação

Escandalizado, Geoffrey Robertson denunciará julgamento de Lula à ONU

Na próxima segunda-feira (29), o advogado australiano Geoffrey Robertson apresentará um relatório à ONU denunciando o maniqueísmo, as distorções e as condutas indevidas que a seu ver caracterizam violação do direito do ex-presidente Lula a um julgamento justo. Ele foi autorizado a assistir presencialmente ao julgamento e viu coisas que apontou como impensáveis numa corte europeia. Robertson, que representa Lula no processo apresentado à Comissão de Direitos Humanos da ONU ainda antes do julgamento por Sergio Moro, não detalhou quais podem ser os desdobramentos do processo dentro da Organização. Mas devem ser mais políticos que jurídicos, não afetando as decisões do judiciário nacional que tanto o escandalizou. – Foi uma triste experiência ver que normas internacionais sobre o direito a um julgamento justo não parecem ser seguidas no sistema brasileiro – declarou Robertson nesta quinta-feira. Por muito tempo ainda, antes de tornar-se passagem dos livros de História, o julgamento de Lula pelo TRF-4 assombrará consciências jurídicas e políticas pelo jogo maniqueísta e combinado dos três desembargadores. Atuaram como um cartel, disse Lula, com aquela capacidade para troçar da dor, adquirida no balanço de sua vida sofrida e singular. Um caso que até podia ser levado ao CADE, brincou. “Como ensinar Direito depois deste julgamento?”, perguntou-se o constitucionalista e professor Lenio Streck. Outros tantos apontaram a falta de fundamentos da sentença e suas “inovações”, como a dispensa de ato de ofício em suposta corrupção, a volta do “domínio do fato” em sua versão distorcida, a inversão do ônus da prova e a substituição da prova pelo convencimento. Mas Robertson, um estrangeiro que assistiu de perto ao espetáculo, por sua posição dará grande difusão internacional à deformação da Justiça no Brasil, transfigurada em instrumento político para banir Lula da vida política e a esquerda da disputa do poder. Robertson criticou, por exemplo, o fato do promotor Mauricio Gotardo Gerum, responsável pela acusação, sentar-se junto do relator e ter conversas particulares com os desembargadores ao longo do julgamento. Espantou-se com o fato de que os três magistrados terem levado seus votos prontos e escritos, numa evidência de que já tinham opinião formada antes de ouvirem qualquer argumento da defesa. “Uma corte de apelação é uma situação em que três juízes escutam os argumentos sobre a decisão de um primeiro juiz, que pode estar certo ou não”, afirmou. “Os juízes hoje (no julgamento do dia 24) falaram cinco horas lendo um script. Eles tinham a decisão escrita antes de ouvir qualquer argumento”. “Nunca escutaram, então isso não é uma sessão justa, não é uma consideração apropriada do caso”, ponderou Robertson. Autorizado a observar presencialmente a sessão, ele se impressionou negativamente com o comportamento dos atores envolvidos no processo durante o julgamento. “Eu estava lá na sala e vi o promotor-chefe do caso sentar ao lado do relator. Ele também almoçou ao lado dos três juízes e, depois, ainda teve conversas particulares com eles. Essa é uma postura totalmente parcial, isso simplesmente não pode acontecer numa corte”, criticou o advogado britânico. Sobre o caso em que defende Lula na ONU, contra os procedimentos de Sérgio Moro na primeira instância, Robertson comentou que o sistema brasileiro não permite que o responsável pelo julgamento seja imparcial. “Aqui no Brasil vocês têm um juiz que investiga o caso, define grampos e ações de investigação, para depois também julgar a pessoa no tribunal”, avaliou. “Isso é considerado inacreditável na Europa. Impossível”, garantiu. “Pois isso tira o direito mais importante de quem está se defendendo: ter um juiz imparcial no seu caso.” Disse ele ainda que Moro atuou com pré-julgamento exatamente por ter sido o juiz da investigação e do julgamento de Lula. “Ele demonizou Lula, contribuiu para filmes e livros que difamaram o ex-presidente e encorajou o público a apoiar sua decisão. Moro jamais poderia se comportar assim na Europa. Depois, divulgou para a imprensa áudios capturados de forma irregular, de conversas entre Lula e a ex-presidente Dilma Rousseff. Pediu desculpas, mas imediatamente deveria ter sido retirado do caso.” Robertson justificou suas opiniões lembrando seu trabalho como promotor em ação de direitos humanos contra o general Augusto Pinochet e sua participação em acusações contra o cartel de Medelín. “Tenho experiência com casos de corrupção e, aqui nesta sessão, não vi evidências de corrupção. Foi uma experiência triste sobre o sistema judiciário brasileiro.”