NOBEL DA PAZ PEDE PRA VISITAR O EX-PRESIDENTE LULA NA CADEIA

 – Autor da campanha pela indicação do prêmio Nobel da Paz para o ex-presidente Lula, o argentino vencedor do Nobel da Paz Adolfo Pérez Esquivel solicitou nesta segunda-feira, 16, à Justiça Federal do Paraná autorização para visitar Lula na próxima sexta-feira, 19, na Superintendência da Polícia Federal do Paraná, em Curitiba. Entre os argumentos apresentados por Esquivel, ele menciona sua condição de Prêmio Nobel da Paz e presidente de Organismo de Tutela Internacional dos Direitos Humanos. “De acordo com Tratados Internacionais, dos quais o Brasil é signatário, visitar o Apenado é prerrogativa do Requerente, na condição de Prêmio Nobel da Paz e Presidente de Organismo de Tutela Internacional dos Direito Humanos (SERPAJ), cabendo-lhe a tarefa de constatar as condições do enclausuramento do ex-presidente Lula, para que possa dar testemunho se os direitos fundamentais do custodiado estão sendo observados”, diz a petição. A campanha lançada por Esquivel para o Nobel da Paz para Lula já conta com cerca de 230 mil assinaturas, entre elas a do também Nobel da Paz Mohammed El-Baradei. Perez Esquivel já antecipado ao 247 a iniciativa de tentar visitar o ex-presidente Lula. Em entrevista ao colunista do 247 Paulo Moreira Leite, Esquivel disse que, se for impedido pelo juiz Sérgio Moro, irá produzir um inesquecível vexame internacional na reputação de um país que já começa a ser olhado com desconfiança no exterior, depois da deposição de uma presidente eleita e, agora, pela condenação sem prova do candidato favorito as eleições presidenciais marcadas para outubro. “O que fizeram com Lula é uma injustiça”, diz Esquivel, em entrevista pelo telefone ao 247. “Tudo está sendo feito para impedir que ganhe a eleição. Querem que ele desapareça do noticiário, que que se torne invisível”. Leia, abaixo, a petição na íntegra:

LULA GANHA MAIS UM TÍTULO DE DOUTOR HONORIS CAUSA

– A Universidad Nacional de Rosario, na Argentina, promoveu na manhã desta segunda-feira (9) uma sessão extraordinária do conselho executivo solicitada pela faculdade de Humanidades y Artes para conceder o título de doutor honoris causa ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que está preso em Curitiba (PR) após ter sido condenado sem provas no processo do triplex no Guarujá (SP). Agora o ex-presidente é homenageado por integrar, através da educação, o povo latino-americano. Em 2010, Lula oficializou a criação da Universidade Federal da Integração Latino-americana (Unila) com sede em Foz do Iguaçu (PR), na fronteira entre Brasil, Argentina e Paraguai e atua na integração cultural, social e acadêmico dos países do Mercosul, por exemplo. O Ministério Público Federal denunciou Lula, em setembro de 2016, alegando que o petista recebeu R$ 3,7 milhões em benefício próprio da empreiteira OAS, entre 2006 e 2012, através de um triplex no Guarujá (SP). Mas o curioso é que o procurador Henrique Pozzobon admitiu não existir “prova cabal” de que o petista é “proprietário no papel” do tripléx. E, em janeiro deste ano, a Justiça do Distrito Federal determinou a penhora dos bens da OAS, dentre eles o triplex que a Operação Lava Jato dizia ser de Lula.

Até quando Moro continuará passando a mão na cabeça dos tucanos?

Le Monde questiona se Lava Jato será dura com o PSDB como foi com Lula Em editorial, o jornal francês Le Monde chama a atenção para a impunidade dos políticos de centro e de direita no Brasil; subscrevendo em parte o procedimento judicial da Lava Jato, o jornal pondera que os problemas de corrupção no Brasil são muito maiores do que uma simples prisão de um líder histórico poderia parecer resolver e acrescenta que o país se moveu da grandeza para a decadência  – “A tentação é grande para confundir o destino de Luiz Inácio Lula da Silva com o do Brasil. Uma nação emergente, sob a presidência do ex-sindicalista, entre 2003 e 2010, (…) reduziu drasticamente suas desigualdades, promoveu a melhoria da educação, enquanto brilhava na cena internacional. Hoje, o país está retornando à extrema violência. A miséria persiste, enquanto escândalos de corrupção pontuam as notícias políticas”. Ela também questiona se a Lava Jato tratará com igual severidade membros do PSDB, da centro direita e direita brasileira: Quatre ans après son déclenchement, l’opération doit démontrer au pays que l’emprisonnement de Lula n’est pas un acte politique. Que l’arrestation de celui qui restera l’un des dirigeants les plus remarquables du pays ne signe pas la fin des procédures. Après avoir touché les figures du Parti des travailleurs jusqu’à atteindre son leadeur historique, « Lava Jato » doit s’attaquer avec la même sévérité aux autres caciques des partis du centre ou de la droite. Leia o editorial completo em francês no Le Monde Líder da oposição francesa diz que Lula foi vítima de golpe judicial  – O líder esquerdista do movimento francês França Insubmissa, Jean-Luc Mélenchon, citou a prisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva em um discurso e afirmou que ele foi vítima de “golpe judicial” por meio da Operação Lava Jato. Ele também chamou Lula de “camarada” e pediu que ele aguente firme a pressão a que vem sendo submetido. “Nossa corrente, que se diz derrotada e perdida, foi golpeada duramente, especialmente na América Latina, onde você está vendo agora um golpe judicial contra Lula”, afirmou Mélenchon. “Quando eles não conseguem eliminar um candidato, eles botam na cadeia”, disse Mélenchon, ressaltando que Lula lidera as pesquisas de intenção de voto à Presidência da República. O líder francês também qualificou como “corruptos” os opositores de Lula.

Mídia internacional retrata prisão de Lula como perseguição política

 – A prisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, na noite de sábado, e seu discurso no ato político realizado em São Bernardo do Campo, onde anunciou que se renderia à Polícia Federal, receberam grande destaque na imprensa estrangeira. O assunto está nas primeiras páginas de diversas publicações em todo o mundo e é um dos principais temas das agências internacionais de notícias. A foto de Lula, cercado por uma multidão em frente ao Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, tirada por Francisco Proner, foi distribuída pela Reuters para todo o mundo e reproduzida em jornais influentes, como o inglês The Guardian e o canadense The Globe and Mail. As palavras-chave são a rendição do maior líder da esquerda brasileira, que está à frente na corrida presidencial, a transformação de Lula em preso político e a desconfiança sobre o sistema judiciário do país. O material produzido pelas principais agências de notícia – AP, Reuters, Bloomberg, AFP, EFE, DW e Prensa Latina – ganhou o mundo. Vários despachos foram sendo atualizados ao longo do dia. O americano New York Times traz longa reportagem assinada pelos correspondentes Manuel Androni, Ernesto Landoño e Shasta Darlington, com foto de Lalo de Almeida, destacando que Lula se rendeu para cumprir pena de 12 anos de prisão. “Sua prisão é uma reviravolta ignominiosa na notável carreira política de Lula, filho de trabalhadores rurais analfabetos que enfrentou os ditadores militares do Brasil como líder sindical e ajudou a construir um partido reformista de esquerda que governou o Brasil por mais de 13 anos”, diz a reportagem. Os correspondentes do NYT relatam que antes de se render às autoridades policiais federais, Lula, 72 anos, acusou promotores e juízes de intencionalmente persegui-lo com um caso infundado. “Eu não os perdoo por criar a impressão de que sou um ladrão”, disse um indignado Lula, rouco, diante de uma multidão reunida do lado de fora do sindicato de metalúrgicos. A reportagem destaca que, durante horas no sábado, em um impasse tenso, seus fervorosos defensores haviam bloqueado fisicamente sua rendição, antes de finalmente permitir que ele partisse. O americano Washington Post informa que Lula se entregou à Polícia Federal, mas disse que, mesmo encarcerado, vai fazer campanha política. Segundo o jornal, que destaca em foto Lula sendo levado nos braços do povo no berço do sindicalismo brasileiro, que a prisão “intensificou o drama político na maior nação da América Latina”. De acordo com o texto dos correspondentes Marina Lopes e Anthony Faiola, a cadeia transformou um homem que o presidente Barack Obama chamou de “o político mais popular da Terra” no prisioneiro mais famoso da região. O inglês The Guardian reproduz a foto distribuída pela Reuters com Lula cercado pela multidão e destaca em manchete: “Lula inicia sentença de prisão no Brasil depois de se entregar à polícia”. Segundo o diário, o ex-presidente promete provar sua inocência da corrupção depois de encerrar um impasse de dois dias com as autoridades. “Faça o que quiser, o poderoso pode matar uma, duas ou 100 rosas. Mas eles nunca conseguirão impedir a chegada da primavera”, discursou o líder político. O jornal canadense The Globe and Mail destaca em primeira página que Lula foi para a cadeia, “mas aqueles que ele defendeu lamentam o fim de uma era”, publicando também a foto de Francisco Proner, distribuída pela Reuters. O texto é da correspondente Stephanie Nolen, que abre a reportagem falando que Lula se entregou à Polícia Federal no sábado de noite, tendo feito antes um inflamado discurso de 55 minutos a apoiadores reunidos na frente do sindicato. “Foi o fim de uma dramática jornada de 48 horas que uniu o Brasil e forneceu suporte a uma extraordinária história política”, relata. “Muitos brasileiros anunciaram a visão de um líder supremamente poderoso em custódia da polícia como um ponto de virada para o país, um golpe contra a impunidade dos poderosos”, escreve a correspondente. Mas para outros, a prisão de Lula é um fim devastador para uma era de um tipo diferente de política. “Lula trouxe um poder para os pobres brasileiros – as pessoas foram viver acima da linha da pobreza, pessoas que nunca tinham estudado começaram a estudar, trabalhadores domésticos tiveram direitos quando antes eram todos escravizados”, disse Elisa Lucinda, uma proeminente atriz, poeta e cantora. “Era um Brasil que nunca havia sido visto antes e agora vai desaparecer novamente”. O site russo Sputinik reporta que Lula se entregou à polícia. Os muitos despachos ao longo do dia foram reproduzidos em outras línguas, inclusive nos serviços em espanhol e português. Em um dos destaques no site, reportagem relata que embora tenha sido condenado por subornos, a Justiça não apresentou provas e que o ex-presidente é líder inconteste nas pesquisas de opinião para voltar ao poder nas eleições previstas para este ano. “A direita brasileira joga com fogo”, destaca. A emissora de TV Russia Today destacou no final da noite que Lula acabou com o impasse e se entregou à polícia. A reportagem aponta que, antes de se entregar, Lula se dirigiu a uma audiência de milhares de pessoas que estavam nas ruas de São Bernardo do Campo e discursou: “Quanto mais dias eles me deixarem (na cadeia), mais Lulas nascerão neste país”. A multidão gritou: “Libertem Lula!”. Na Argentina, o jornal Clarin destacou em manchete de primeira página, que Lula já está preso em Curitiba para cumprir sua pena por corrupção. Outro jornal argentino, o Página 12, aponta que a detenção de Lula é um segundo golpe que o país vive, e que, durante todo o dia, o líder do PT recebeu o apoio e solidariedade de milhares de militantes e simpatizantes. Ele falou à multidão, onde disse que o único crime que cometeu “foi tirar milhões da pobreza” e que o golpe que começou com a deposição de Dilma Rousseff terminou com a decisão de impedi-lo de ser candidato à Presidência. 

Jornal de Portugal chama “justiça” brasileira de justiça partidária

 Imprensa portuguesa critica duramente pedido de prisão de Lula Editorial do jornal Público.pt de Portugal Num país com fracturas sociais e políticas cada vez mais expostas, a Justiça devia servir de catalisador de consensos. A pressa com que o juiz Sérgio Moro decretou a prisão de Lula da Silva, um dia após a polémica recusa do habeas corpus apresentado pela defesa do ex-Presidente, quando em aberto está a possibilidade de ser apresentado um pedido de embargo no tribunal de segunda instância, diz tudo, ou quase tudo, sobre a hegemonia que o sistema judicial tenta conquistar ao sistema político brasileiro. E a prova desta constatação não se deve procurar no labirinto do processo penal, na leitura autêntica da Constituição ou no sagrado princípio da separação de poderes que rege qualquer Estado democrático. Encontra-se em duas e singelas perguntas: porquê a pressa em prender Lula? E para quê? Lula ainda é o rosto de um partido poderoso, mas a sua condenação por corrupção em segunda instância acabou irremediavelmente com a possibilidade de se candidatar à presidência e, acto contínuo, acabou com a sua carreira política. Tarde ou cedo, à luz da lei Lula acabará na prisão. Acelerar o processo só serve para legitimar as suspeitas sobre um pérfido instinto punitivo e persecutório de Moro, não para mostrar a celeridade ou a imparcialidade da Justiça. Sendo um activo político com mero valor facial, Lula não deixa de ser um ícone, nem perdeu o estatuto de ex-Presidente. Qualquer juiz de qualquer tribunal deveria ter estes factos em consideração e o próprio Sérgio Moro não se eximiu a essa realidade, impedindo que seja algemado, reservando-lhe uma sala, concedendo-lhe a possibilidade de se apresentar na polícia pelo seu próprio pé. Então, por que é que Sérgio Moro decide apanhar à pressa a boleia de uma decisão polémica do Supremo Tribunal Federal que, ao recusar o habeas corpus a Lula, se baseou numa jurisprudência duvidosa e recusou analisar o espírito do preceito constitucional que, lá como cá, garante a todos os cidadãos o direito à presunção de inocência até que a sentença transite em julgado? Porque é que não deu tempo a que a defesa esgotasse todos os seus recursos no tribunal de segunda instância, que poderiam ficar decididos já na próxima semana? Por que é que optou por uma atitude drástica em relação a prazos, sabendo que com essa atitude vai afrontar uma parte significativa da população brasileira? Leia o editorial completo no Público

Página 12 afirma que fascismo da extrema-direita é ameaça real no Brasil

O jornal argentino Página 12 afirma que o avanço do fascismo no Brasil é mais real do que se possa imaginar. De acordo com analista internacional Juan Manuel Karg, não se trata de uma “apressada” opinião ao declinar dois eventos recentes: 1- o atentado a tiros contra a caravana de Lula, no Paraná; e 2- o assassinato da vereadora Marielle Franco (PSOL), no Rio de Janeiro. “De que outra forma, se não o fascismo, podemos caracterizar o grupo de bandidos que atacaram a caravana do homem mais importante da história contemporânea do Brasil?”, questiona o especialista argentino. Para corroborar a afirmação de que o fascismo não é nenhum fantasma, é real, Manuel Karg destaca que, por meio de agressões, “o oficial militar aposentado Jair Bolsonaro, segundo em pesquisas e crescendo em face do colapso da “direita clássica” brasileira.” Para o articulista do Página 12, a extrema-direita brasileira buscou com os tiros na caravana do ex-presidente intimidar organizações e movimentos sociais diante da provável prisão do ex-líder metalúrgico. “O objetivo básico é colocar o medo diante de uma sentença que é claramente injusta, em um processo tão viciado quanto o que levou à saída de Dilma Rousseff do Planalto.” Juan Manuel Karg, o Brasil corre sério risco de entrar em uma fase de mexicanização de sua política, com assassinatos de líderes políticos, ataques a líderes populares e tentativas de legitimar essa violência, através de cumplicidade, de vários setores do poder. “É a triste evolução de um golpe parlamentar que, desde 2016, mantém o país em verdadeiro estado de emergência, onde a condenação e a inabilitação de Lula para concorrer na eleição de outubro são a segunda fase.”

Dilma denuncia fascismo contra Caravana de Lula à imprensa mundial

 A presidenta eleita deposta pelo golpe de 2016, Dilma Rousseff, e o ex-chanceler do República, Celso Amorim, concederam entrevista coletiva para a imprensa internacional. Eles denunciaram os atos de fascismo e a violência contra a Caravana de Lula pelo Sul do Brasil. A coletiva aconteceu nesta segunda-feira, 26 de março, às 15 horas, a jornalistas estrangeiros no hotel Rio Othon Palace, na Avenida Atlântica, 3264, em Copacabana, no Rio de Janeiro. Dilma e Amorim trataram dos ataques ocorridos à Caravana Lula pelo Brasil, por milícias no interior do Rio Grande do Sul, na semana passada. A ex-presidente e o ex-ministro falaram ainda sobre a conjuntura política brasileira e os riscos à democracia brasileira.

Washington Post destaca Marielle como símbolo global

 Um dos principais jornais dos Estados Unidos destacou a comoção pela morte da vereadora e o mito da democracia racial no Brasil Um dos principais jornais nos Estados Unidos, o jornal The Washington Post dedicou sua capa desta terça-feira 20 à política e ativista Marielle Franco, morta sumariamente na noite de quarta-feira 14 no Rio de Janeiro, cidade onde construía sua trajetória pessoal e política. O jornal afirma que se o caso pretendia “silenciar uma política negra que se elevou rapidamente e que denunciava policiais corruptos, o aparente assassinato de Franco fez o contrário. Nos últimos dias, a maior nação da América Latina observou com admiração uma figura pouco conhecida fora do Rio, transformada agora em símbolo global da opressão racial.” A grande repercussão do caso internacionalmente, com homenagens e protestos em Londres, Paris, Munique, Estocolmo e Lisboa, além de um grande ato Nova York, e uma vigília marcada para esta terça-feira em Madri, chamou atenção pelo movimento feito dentro das redes. Segundo o Post, milhares de pessoas que nunca haviam ouviram uma linha sobre Marielle tomaram emprestado do movimento Black Lives Matter (Vidas Negras Importam) a hashtag #SayHerName, usada para mulheres negras vítimas da violência e brutalidade policial. O mito de que no Brasil vivesse uma democracia racial, onde a convivência e direitos entre brancos e negros está pacificamente, foi o ponto de maior destaque da reportagem. O jornal afirma que a comoção à morte da ativista por brancos em condições sociais favorecidas orbita na lógica de Marielle é vítima de uma país em crise, em especial de segurança. Mas, segunda abordagem do Post “ativistas negros e de esquerda chamam essa atitude como parte do problema. Eles dizem que isso reflete um sistema de crenças que finge que a raça não está relacionada com a violência desproporcional sofrida pelos brasileiros de cor – especialmente nas mãos da justiça.” O jornal encerra afirmando que “políticos homens e brancos no Brasil também procuraram levar os policiais corruptos à justiça. Mas Franco foi alvo, insistem seus defensores, porque tirar a vida de uma mulher negra é menos arriscado no Brasil, especialmente em um estado onde apenas 1 em cada 10 casos de homicídio são elucidados.”

BRIAN MIER: OS EUA ATUARAM NO GOLPE CONTRA O BRASIL

– Geógrafo, jornalista e co-editor do site Brazil Wire, o correspondente Brian Mier, que vive há mais de vinte anos no Brasil e é casado com uma brasileira, afirma ter certeza de que os Estados Unidos atuaram no golpe contra a presidente Dilma Rousseff e contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. “Se os Estados Unidos atuaram em mais de 100 golpes ao na América Latina nos últimos cem anos, por que não atuariam neste de 2016?”, questiona. “Todo mundo que estuda história sabe do papel dos Estados Unidos nos golpes recentes, como o de 1964 no Brasil e o que derrubou Salvador Allende, no Chile”, afirma. Mier aponta também os benefícios obtidos pelo governo norte-americano desde a derrubada da presidente Dilma Rousseff: reservas do pré-sal, Embraer e contratos de R$ 140 milhões por ano do governo federal com a Microsoft, agora que Michel Temer decidiu abandonar a política de software livre desenvolvida nos governos democráticos e populares. Ele também afirma que se, de fato, o juiz Sergio Moro se mudar para os Estados Unidos, será muito bem recebido pelas empresas de petróleo e por autoridades oficiais, uma vez que a Lava Jato contou com a colaboração do FBI, do Departamento de Justiça e do órgão regulador do mercado de capitais nos Estados Unidos. “O Brasil está sendo saqueado”, afirma. Por fim, Mier diz ainda que os Estados Unidos são o país mais corrupto do mundo – “basta ver o que foi a guerra do Iraque”. Sobre ser estadunidense e denunciar o imperialismo, que conseguiu reconverter o Brasil em quintal, ele afirma que mesmo nos Estados Unidos existem vítimas desse processo e diz que se sente brasileiro. “Espero que o povo brasileiro consiga se libertar.”

DIVERSIDADE E RESISTÊNCIA MARCAM ABERTURA DO FÓRUM SOCIAL MUNDIAL

 Pela primeira vez no Nordeste desde que foi criado em 2001, o Fórum Social Mundial, em Salvador, reúne diferentes grupos, bandeiras e lemas e terá como território principal o Campus de Ondina, da Universidade Federal da Bahia (UFBA), o Parque do Abaeté, em Itapuã, e o Parque São Bartolomeu, no Subúrbio Ferroviário da cidade Diferentes grupos, bandeiras e lemas se misturavam em harmonia. Uma comunidade indígena do sul da Bahia realizava o “toré”, ritual sagrado que celebra a amizade, enquanto ali próximo um grupo agitava faixas em defesa da reforma urbana e da luta por moradia. Não muito distante, uma agitada roda de capoeira atrai a atenção. “Capoeira é uma luta de resistência. Trazemos a tradição e o legado dela, além de uma capoeira empreendedora. É a luta por resistência, negando o opressor dentro das comunidades”, afirmou Tonho Matério. Conforme a tarde avançava, outros grupos marcavam presença na concentração da Marcha de Abertura. Entre eles, Ângela Guimarães, presidenta da União de Negros pela Igualdade (Unegro). “Vivemos tempos difíceis em âmbito global. Governos que reprimem e incentivam uma economia que não cabe o povo, só o mercado. Esse Fórum é também um grito pelo direito à vida, o direito de existir e resistir”, disse Ângela, durante transmissão feita pela TVE da Bahia. “É um brado contra o genocídio da mulher negra, contra o ódio religioso que atinge as comunidades de matrizes africanas no Brasil. Outro mundo não é só possível, é urgente e necessário.” Após sair do Campo Grande, por volta das 16h30, a Marcha de Abertura do Fórum Social Mundial passou pela Avenida Sete até chegar a Praça Castro Alves. Conhecida como “Praça do Povo”, local de grandes manifestações de luta e resistência baiana, na Praça Castro Alves um palco com apresentações culturais e performances artísticas encerra o primeiro dos cinco dias do evento, que continua na capital baiana até sábado (17). Bahia, palco de lutas O evento terá como território principal o Campus de Ondina, da Universidade Federal da Bahia (UFBA), além de outros locais da capital baiana, como o Parque do Abaeté, em Itapuã, e o Parque São Bartolomeu, no Subúrbio Ferroviário da cidade. Segundo os organizadores, são esperadas cerca de 60 mil pessoas, de 120 países, reunidas para debater e definir novas alternativas e estratégias de enfrentamento ao neoliberalismo, aos golpes e genocídios que diversos países enfrentam na atualidade. Com mais de 1.500 coletivos, organizações e entidades cadastradas, e em torno de 1.300 atividades autogestionadas inscritas, o Fórum Social Mundial reunirá representantes de entidades de países como Canadá, Marrocos, Finlândia, França, Alemanha, Tunísia, Guiné, Senegal, além de países sul-americanos e representações nacionais. Antes do início da Marcha de Abertura, também em entrevista para a TVE da Bahia, Gilberto Leal, diretor de Entidades Negras da Bahia, destacou a importância do Fórum Social Mundial se realizar desta vez em Salvador, um território de forte presença negra e, consequentemente, também de resistência – justamente o slogan do FSM: “Resistir é criar, resistir é transformar”. “Temos um forte legado de resistência nesta cidade e neste estado”, afirmou Gilberto Leal, lembrando da Revolta dos Malês – um levante protagonizado por escravos em Salvador, em 1835 – e da Revolta dos Búzios, de 1798, quando a capital baiana amanheceu com diversos cartazes colados em prédio públicos proclamando a população à luta armada e defendendo o fim da escravidão. Na mesma entrevista, Salete Valesan, diretora da Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais (Flacso), ponderou que o FSM, após nascer em Porto Alegre, em 2001, e depois ser realizado na Índia, Quênia e Senegal, ao voltar para o Brasil e, principalmente para a Bahia, tem um significado importante. “Era mais do que justo e natural que esse processo construído fizesse o trabalho de voltar para o Brasil e, agora, para a Bahia e Salvador, onde fazemos uma ponte com nossa história mundial, ligando África e Brasil”, disse. Entre as mais de 1.300 atividades que ocorrerão nos próximos dias em Salvador, numa programação diversificada e autogestionária, Gilberto Leal, diretor de Entidades Negras da Bahia, destacou a que o grupo realizará quinta-feira (15) de manhã: “Diálogos Internacionais – Convergência de lutas negras entre África e a diáspora no século 21”. “Nossa ideia é instalar uma rede mundial que troque experiências entre a luta dentro da África e a luta na diáspora”, afirmou, ressaltando que os negros representam cerca de 1,5 bilhão da população mundial.