Maduro peita a oposição e convoca Constituinte

 Segundo o presidente venezuelano, não há outra alternativa e que desta forma se atingirá a paz e será vencida a tentativa de golpe parlamentar  O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, fez nesta segunda-feira (1º) um chamado ao “poder constituinte originário” para que “a classe operária” convoque uma Assembleia Nacional Constituinte. Segundo ele, não há outra alternativa e que desta forma se atingirá a paz e será vencido “o golpe de Estado”. As informações são da agência EFE. “Anuncio que, no uso de minhas atribuições presidenciais como chefe de Estado constitucional, de acordo com o Artigo 347, convoco o poder constituinte originário para que a classe operária e o povo, em um processo nacional constituinte, convoque uma Assembleia Nacional Constituinte”, disse Maduro em um grande ato com operários em Caracas por ocasião das celebrações do 1º de Maio. De acordo com a agência Reuters, a Assembleia Constituinte tem o objetivo de recriar o Estado, criar um novo ordenamento jurídico e redigir uma nova Constituição que levaria a eleições gerais. Opositores, conforme a agência, dizem que o movimento é uma tentativa de marginalizar a atual Assembleia Nacional liderada pela oposição e manter Maduro no poder em meio uma recessão e manifestações que resultaram na morte de 29 pessoas no mês passado. Via Agência Brasil

Rico que gritava “vai para Cuba” foi para Portugal

 – Coxinha trouxa ficou no Brasil – Burguês endinheirado se protege da crise no Brasil indo morar em país de governo socialista. E você coxinha, ainda achando que prender o Lula é a solução para o Brasil? por Sérgio Saraiva Duas notícias, neste mês de abril, complementares com uma distância de três semanas, mostram como pensam as classes dominantes neste país: “farinha pouca, meu pirão primeiro”. No início de abril, a BBC-Brasil, repercutindo a The Economist, trazia uma notícia que ia contra a corrente do que se prega no Brasil para sairmos da crise. ”Portugal está superando a crise econômica sem recorrer a fórmulas de austeridade, diz Economist”. “Segundo reportagem desta semana da revista britânica The Economist, Portugal conseguiu reduzir seu deficit orçamentário à metade em 2016, chegando a 2,1% do Produto Interno Bruto (PIB). Trata-se do melhor resultado registrado desde a transição para a democracia, em 1974. O governo português do primeiro-ministro António Costa, do Partido Socialista, no poder desde novembro de 2015, conseguiu reduzir o deficit fiscal ao mesmo tempo em que aumentou os salários e aposentadorias. Sob o comando de Costa, o país também atingiu pela primeira vez a meta estabelecida para as nações da chamada zona do euro e conseguiu reestabelecer salários, aposentadorias e horas trabalhadas aos níveis anteriores à crise econômica de 2008. Além disso, a economia portuguesa cresce há três anos seguidos”. Você pode concordar ou discordar de Lula e de Lorde Keynes. Mas a notícia é essa. Agora, em 23 de abril de 2017, a Folha de São Paulo traz uma matéria que mostra como reagiram as classes dominantes brasileiras em relação a isso. ”Desencanto e crise impulsionam êxodo de brasileiros abastados para Lisboa”. “Hoje, 85 mil brasileiros são residentes regulares em Portugal, com visto de trabalho e estudo. Para ter direito ao visto especial, o “golden visa” (Autorização de Residência para Atividade de Investimento), é preciso investir € 1 milhão (R$ 3,4 milhões) ou adquirir imóvel que custe pelo menos € 350 mil (em áreas de reabilitação urbana) ou € 500 mil nas demais zonas. Após cinco anos de residência, o beneficiário pode solicitar cidadania portuguesa”. Não é para qualquer um. Mas veja só quem já está por lá, o dono da Empiricus, um nome bastante conhecido dos coxinhas que vestiram camisa amarela e bateram panelas. “Recomendamos fortemente o investimento em imóveis em Portugal. Você paga barato, está na Europa, forma um patrimônio em euros e o retorno varia de 5% até 15%”, avalia Renato Breia, sócio da Empiricus, consultoria financeira que abriu filial em Lisboa”. “O economista de 32 anos se mudou há um ano e meio para lá e seguiu o conselho dado aos clientes, ao comprar por € 270 mil um apartamento de 90 m²”. Perto de um milhão de reais por um apartamento de 90m². Mas vale a pena. “O jovem e as duas famílias fazem parte de uma leva de brasileiros de classe média alta e ricos que, nos últimos três anos, encontraram além-mar um Eldorado para fugir da insegurança, do desencanto com a política e da crise econômica no Brasil”. Para saber o que leva os brasileiros ricos para Portugal, deve se ouvir a cônsul-geral-adjunta do Brasil em Lisboa: “Aqui, desfrutam do seu nível de vida, as crianças andam sozinhas em segurança, contam com boas escolas internacionais, além de saúde e educação públicas de qualidade.” Saúde e educação públicas de qualidade. Parece escárnio, quando lembrarmos das críticas que esse pessoal fez aos governos Lula e Dilma e o que apontam como erros – os gastos sociais. Errado, não parece escárnio – é escarnio. Vejamos o que diz uma dessas pessoas, dono de uma produtora de vídeo que passa 40 dias em Portugal e 20 em Brasília, onde fica a sede da produtora: “ganho dinheiro no Brasil e vivo em Portugal”. Esse é o melhor dos dois mundos para a plutocracia brasileira, ganhar dinheiro em país comandado pelo PSDB e morar em um país que governa como o PT. Um recado para quem ainda acredita na Lava Jato como solução do país? “A mulher mais rica de Portugal é uma brasileira, Regina Camargo, 66, herdeira da Camargo Corrêa. Com fortuna estimada em US$ 1,9 bilhão, ela e o marido, Carlos Pires, dono da rede Raia-Drogasil, escolheram viver em um prédio restaurado no Chiado, zona mais nobre do centro histórico de Lisboa”. Camargo Correia, para quem ainda não ligou o nome à pessoa. Não estão sós: “expoentes das novas gerações, como Ana Maria Diniz, filha mais velha de Abilio Diniz (atual BRF e ex-Pão de Açúcar), e o marido, Luiz Felipe D’Ávila, estão reformando um imóvel também no Chiado, onde o metro quadrado pode chegar a € 10 mil”. Comentou-se muito por aqui quando Joaquim Barbosa usou suas economias para comprar um apartamento em Miami com alguma controvérsia quanto ao registro de imóveis e aos impostos decorrentes, mas o padrão português atual não é nem mesmo para ministro do Supremo. Um ministro do STF ganha algo perto de R$ 40 mil. É um bom salário, mas não o suficiente para bancar uma ponte aérea Brasília-Lisboa, algo em torno de R$ 13 mil. Porém: “Gilmar Mendes, ministro do STF, optou por Príncipe Real, outra zona nobre, onde comprou apartamento no ano passado. Com voo direto de Brasília para Lisboa, costuma passar feriados e planeja usufruir ainda mais do imóvel quando se aposentar”. Obviamente, o cidadão brasileiro Gilmar Mendes tem outras fontes de renda além do salário de ministro do STF. Trata-se de um empresário de sucesso na área da educação. Mas, e você coxinha de classe média baixa, que ficou sabendo que não vai poder se aposentar e que será terceirizado, perderá o convênio médico bancado pela empresa e passará a emitir nota fiscal para o patrão no lugar de receber holerith, ainda tem raiva do Lula? Viu no que dá cair do conto do pato amarelo e ir fazer acampamento em frente da FIESP achando que poderia chamar patrão de companheiro de lutas? Você perdeu o lugar e

FMI voltou a mandar no País, após golpe

 – Os “bons tempos” voltaram. O Fundo Monetário Internacional, como na era FHC, sente-se à vontade para ditar o que o Brasil deve fazer. Ontem, divulgou documento dizendo que é que é “imperativo” que o Brasil aprove a reforma da previdência para restabelecer a sustentabilidade fiscal do país, noticia a Folha. Não é “imperativo” que haja justiça social. Não é imperativo que haja proteção e dignidade na velhice; artigo de Fernando Brito sobre a posição da instituição comandada por Christine Lagarde – Por Fernando Brito, editor do Tijolaço Os “bons tempos” voltaram. O Fundo Monetário Internacional, como na era FHC, sente-se à vontade para ditar o que o Brasil deve fazer. Hoje, divulgou documento dizendo que é que é “imperativo” que o Brasil aprove a reforma da previdência para restabelecer a sustentabilidade fiscal do país, noticia a Folha. Não é “imperativo” que haja justiça social. Não é imperativo que haja proteção e dignidade na velhice. Não é imperativo que haja equilíbrio fiscal para fazermos investimentos estruturais, não é imperativo que tenhamos mais energia, mais capacidade de explorar nosso petróleo recém descoberto, não é imperativo que possamos ampliar nossa presença econômica no mundo, nada disso. Segundo o FMI, nós e nossos companheiro de desgraçada sina na América Latina, temos é “perigo”, segundo Alejandro Werner, diretor do Departamento de Hemisfério Ocidental do FMI. O nosso “gerente”Alejandro Werner, diretor do Departamento de Hemisfério Ocidental do FMI as eleições previstas para “os países da América Latina nos próximos dois anos -Brasil, Chile, Paraguai, Colômbia, México e Argentina (legislativas)- pode gerar incertezas na região e, assim, atrasos na recuperação dos países”. Quem sabe o retorno ao abjeto “populismo” que privilegia o mercado interno, a produção, a renda, o consumo? Que o FMI dê palpite sobre os países que lhe têm dívidas – com todas as ressalvas que se possam fazer, ainda há a lógica do dinheiro devido, a do credor. Mas nós devemos estar , portanto, pior do que a Grécia, quando a “troika” – além do FMI, o Banco Central Europeu e a Comissão da União Europeia dizima tudo o que o país deveria fazer. Ao menos, lá, eles lhe deviam os tubos. Porque, recorde-se, o “gastador” governo Lula não só saldou todos os débitos como ainda emprestou dinheiro à instituição. O curioso é que, se houvesse rigor técnico no FMI para além de seu interesse explícito de defender a manutenção de um governo dócil aos interesses do capital estrangeiro, a esta altura veira que a reforma previdenciária, do ponto de vista da contas públicas e de sua sustentabilidade, tornou-se um farrapo e, ainda assim, de aceitação duvidosa.

“Fui chamada de vaca 600 mil vezes”

 – Dilma Rousseff concedeu entrevista ao jornal estadunidense The New York Times. Na entrevista, veiculada em inglês e espanhol, Dilma reforçou o caráter machista do golpe e ressaltou que é preciso eleições para que haja estabilidade política e econômica no país. “É eminentemente um governo contra a mulher” disse sobre o governo golpista. Segundo a presidenta, há diferentes padrões para homens e mulheres: “Eles me acusavam de ser excessivamente dura e áspera, enquanto um homem seria considerado firme e forte. Ou eles diriam que eu era muito emocional e frágil enquanto um home teria sido considerado sensível. Eu era vista como alguém obcecada com o trabalho, enquanto um homem teria sido considerado trabalhador. Também tinham várias outras palavras rudes usadas. Eu fui chamada de vaca umas 600 mil vezes”. Para Dilma isso é algo recorrente na política, pois “as mulheres enfrentam uma discriminação desproporcional”, o que não significa que as mulheres sejam fracas, pelo contrário, as mulheres são “muito resilientes e muito capazes”. Quando perguntada sobre o que ela aprendeu sobre si mesma durante o período do golpe, Dilma afirmou que a vida demanda coragem. “Eu tive, durante minha vida, que enfrentar dois golpes: um pelos militares e outro pelo Congresso. Em um teve ameaças físicas de ser presa e torturada, no outro uma ameaça maior ainda para todo o povo brasileiro, os direitos dos cidadãos e a democracia”. Sobre as eleições Dilma ressaltou que não importa quem ganhe, contanto que seja um jogo limpo, e que o vencedor traga estabilidade política, e reforça: “Mas é preciso que tenham eleições”. Para Dilma não é vergonha perder uma eleição, o que é vergonhoso é não saber perder uma eleição, “Você não pode mudar as regras do jogo enquanto ele está sendo jogado”. “Foi durante meu governo que superamos a pobreza”, disse Dilma, consciente de que seu legado será as políticas sociais criadas em seu governo. A presidenta legítima encerrou a entrevista afirmando que “agora a população sabe que eles podem. Nós provamos que uma das principais fontes de riqueza do Brasil é seu povo”. Leia as versões em inglês e em espanhol no site do jornal.

Argentinos fazem greve contra medidas econômica

GREVE GERAL PARALISA ARGENTINA E DESAFIA GOVERNO MACRI A Argentina amanheceu completamente parada nesta quinta-feira (6). Trens, ônibus e até as Aerolíneas Argentinas estão paralisados. É o efeito da greve geral, convocada pela Confederação Geral do Trabalho (CGT) contra as medidas econômicas do governo de Mauricio Macri, que tem causado grande impacto no transporte público. Além da paralisação, há piquetes e focos de manifestação em todo o país. Houve uma grande queda no tráfego de veículos a partir da meia-noite (hora local), na Grande Buenos Aires, com relação aos dias normais de trabalho. Poucos veículos de transporte público estão funcionando – praticamente, somente os táxis estão circulando pelas ruas da capital argentina. Também diminuiu o trafego de caminhões que circulam à noite pelas avenidas Huergo e Madeiro, que ligam os principais setores portuários de Buenos Aires. A empresa Aerolíneas Argentinas cancelou seus voos nacionais e internacionais, que sairiam dos aeroportos de Ezeiza e Aeroparque, por conta da greve, da qual participam a Associação do Pessoal Técnico Aeronáutico (APTA) e a Associação do Pessoal Aeronáutico (APA). O governo de Buenos Aires decretou a gratuidade dos pedágios das estradas e dos estacionamentos públicos durante o dia de greve, a fim de incentivar os trabalhadores a comparecerem em seus postos de trabalho em seus próprios veículos. A política econômica de Macri tem levado os argentinos à bancarrota. A inflação atingiu uma das maiores altas dos últimos anos, o índice de desemprego também bate recorde e os reajustes em tarifas de serviços básicos já reduziram em mais de 30% o poder de compra do salário mínimo. O ministro do Sistema Federal de Meios Públicos, Hernán Lombardi, tenta apresentar outro cenário, mas a greve geral não confirma as informações que ele apresenta. Segundo o representante da Casa Rosada, o governo tem trabalhado para uma “melhora na situação econômica”. Porém, os índices econômicos apontam para o lado oposto. Em fevereiro, a inflação no país, por exemplo, atingiu 2,5%, de acordo com números divulgados pelo Indec (Instituto Nacional de Estatísticas e Censos). Em janeiro, o aumento havia sido de 1,3% e, em 12 meses, o índice já atingiu 25,4%, com crescimento de 3,5% só no primeiro bimestre do ano. Em resposta, há meses a Casa Rosada permanece cercada de manifestações quase diárias. A onda de mobilização popular culminou nesta greve geral que promete manter o país completamente paralisado nesta quinta-feira. Via Vermelho

Protesto em Roma contra Europa da austeridade

Milhares de pessoas participaram no dia 25 de março em vários desfiles na capital italiana, à margem das comemorações dos 60 anos dos tratados de Roma. USB “Não à União Europeia dos bancos, dos padrões, da guerra”, faixa do Unione Sindacale di Base de Roma”Não à União Europeia dos bancos, dos padrões, da guerra”, faixa do Unione Sindacale di Base de Roma No dia em que os líderes da UE, já sem a Grã-Bretanha, comemoravam o 60.º aniversário dos tratados fundadores da comunidade europeia, várias manifestações cruzaram as ruas de Roma, apesar das apertadas medidas de segurança. Um dos maiores desfiles, organizado pelas principais centrais sindicais italianas, juntou cerca de dez mil pessoas que marcharam em direção ao Coliseu romano, cantando o hino antifascista “Bella ciao” e empunhando bandeiras vermelhas e verdes. Nele participaram conhecidas figuras, como o ex-ministro das Finanças da Grécia, Iánis Varufakis, ou o cineasta Ken Loach, em defesa de uma Europa livre de muros, do racismo e da austeridade. Não muito longe dali decorreu a manifestação da plataforma social “Euro-stop”, integrada no essencial por centrais sindicais minoritárias como a União Sindical de Base (USB), que exigem a saída do euro e da União Europeia e a construção de uma “Europa solidária que esteja ao lado dos oprimidos”. Promovidos por grupos e organizações com diferentes visões sobre a integração europeia, desde partidários de uma UE federal, à imagem dos Estados Unidos da América, até aos que defendem abertamente a ruptura com o euro e a Europa do capital, os desfiles refletiram fundamentalmente a profunda crise que atravessa a União Europeia e o descontentamento de amplas camadas da população com as políticas de austeridade, de empobrecimento e aumento da exploração. Na véspera, o próprio papa Francisco discorreu sobre as razões da crise da União Europeia, alertando que, por este caminho, a UE corre risco de morte. “Quando um corpo perde o sentido de direção e não é mais capaz de olhar em frente, sofre um retrocesso e, a longo prazo, arrisca-se a morrer”, declarou. Falando perante 27 dirigentes da UE, reunidos na Capela Sistina, no Vaticano, o pontífice evocou os valores da solidariedade como “o mais eficaz antídoto contra os populismos”, e abordou a crise econômica e migratória. A crise migratória não pode ser tratada “como se fosse uma questão numérica, econômica ou de segurança”. Ao mesmo tempo referiu a necessidade de garantir emprego aos jovens e o seu direito de constituírem família sem “medo de não poderem sustentá-la”. Fonte: Jornal Avante!  

PESQUISAS APONTAM VITÓRIA DE MACRON EM ELEIÇÕES FRANCESAS

Centrista francês Emmanuel Macron deve vencer com facilidade a líder de extrema-direita Marine Le Pen na eleição presidencial da França caso os dois se enfrentarem no segundo turno da disputa no dia 7 de maio; sondagem Ipsos foi a mais recente de muitas a mostrar Macron e Le Pen seis ou sete pontos percentuais à frente do antigo favorito François Fillon, afetado por um escândalo financeiro relacionado à sua esposa britânica, Penelope, e dois de seus filhos Reuters – O centrista francês Emmanuel Macron deve vencer com facilidade a líder de extrema-direita Marine Le Pen na eleição presidencial da França se, como parece cada vez mais provável, os dois se enfrentarem no segundo turno da disputa no dia 7 de maio, revelou uma pesquisa nesta terça-feira. A sondagem Ipsos foi a mais recente de muitas a mostrar Macron e Le Pen seis ou sete pontos percentuais à frente do antigo favorito François Fillon, afetado por um escândalo financeiro relacionado à sua esposa britânica, Penelope, e dois de seus filhos. A pesquisa realizada no domingo e na segunda-feira colocou Le Pen e Macron respectivamente com 25 e 24 por cento dos votos do primeiro turno de 23 de abril, e os votos transferidos de candidatos eliminados garantindo uma vitória retumbante para Macron na segunda fase da consulta. A maioria dos principais candidatos saiu em campanha nesta terça-feira, defendendo seus programas em discursos e encontros com representantes da federação empresarial Medef. No mesmo momento Penelope Fillon era interrogada por magistrados que investigam as acusações de que ela recebeu centenas de milhares de euros de fundos parlamentares do marido por um trabalho mínimo como assistente. Desde as reportagens de janeiro que ensejaram a investigação judicial, Fillon, fã da falecida líder britânica Margaret Thatcher, despencou do primeiro para o terceiro lugar nas enquetes, que hoje o mostram eliminado no turno inicial. Fillon acusou o presidente francês, o socialista François Hollande, de recorrer a uma guerra de ‘truques sujos’ contra ele. Embora negue ter feito algo ilegal, ele admitiu que cometeu erros de julgamento, ambos relativos ao “Penelopegate” e à aceitação de ternos caros e feitos sob medida de um advogado conhecido como um intermediador de negócios na África.

LE MONDE

JORNAL FRANCÊS DESCREVE BRASIL DE TEMER COMO “O REINADO DA IMPUNIDADE” Da Rádio França Internacional O jornal Le Monde que chegou às bancas na tarde desta terça-feira (28) dá novamente destaque para a política brasileira. Com o título “Brasil, o reinado da impunidade”, a correspondente do vespertino em São Paulo tenta explicar o contexto atual do país. A jornalista Claire Gatinois diz que diante do processo da Lava Jato, que se aproxima cada vez mais do presidente Michel Temer, o chefe de Estado parece estar tentado se proteger de uma possível acusação. No entanto, a tática não está passando despercebida, comenta a correspondente, lembrando que Temer teve até que fazer, em meados de fevereiro, uma coletiva para garantir que “o governo federal não tenta proteger ninguém”. No entanto, lembra a jornalista, o presidente ressaltou durante essa coletiva que apenas um indiciamento justificaria a demissão de um de seus ministros. “E como os processos são muito lentos no Brasil”, relata Le Monde, com uma média de 14 meses de espera para os casos envolvendo políticos no poder, o governo Temer estaria protegido até o final de seu mandato, em 2018. “Muitíssimo impopular, Temer não para de dar sinais ambíguos”, analisa a jornalista. Ela relata, por exemplo, a escolha recente de Alexandre de Moraes para o Supremo Tribunal Federal. A correspondente explica que o ex-ministro é conhecido por sua simpatia pelo presidente, o que suscita questões sobre sua nomeação. Mesmo se ele não vai herdar todos os processos do juiz Teori Zavascki, que cuidava da Lava Jato, Moraes será o revisor do processo no plenário, comenta o texto. Tudo vai terminar em pizza? Além disso, continua o vespertino francês, a reputação linha-dura de Moraes, que deu a entender que defendia a tortura, além do fato de ter apoiado o ex-presidente da Câmara, Eduardo Cunha, não ajudam a melhorar sua imagem. Seguem ainda as escolhas de Osmar Serraglio , que substitui Alexandre de Moraes e defendeu a destituição de Dilma Rousseff, e de Moreira Franco, que já foi citado dezenas de vezes na Lava Jato, continua relata a jornalista. A correspondente do Le Monde comenta que todos esses eventos recentes levam o país a se questionar sobre o peso de Foro Privilegiado. “Um privilégio que se transformou em uma ferramenta muito cômoda para desacelerar ou até mesmo enterrar algumas investigações”, pode-se ler nas páginas do jornal francês. Para dar uma ideia da impunidade que reina no Brasil, a jornalista tenta explicar aos leitores franceses a existência daquela famosa expressão no país segundo a qual, uma hora ou outra, os processos na justiça terminam em pizza. “Se formos ouvir os mais cínicos, tudo leva a crer que Temer já estaria esquentando a sua pizza quatro queijos”, escreve a correspondente do Le Monde. Leia análise do Le Monde em francês.