Deu Red – 23 motos foram apreendidas na operação contra os rolezinhos

Nesta quinta-feira (19), a Polícia Militar de Minas Gerais, em conjunto com a Polícia Civil e o Ministério Público, lançou a operação “Deu Red” para enfrentar as infrações denominadas “rolezinhos” em Montes Claros. A ação resultou no cumprimento de 24 mandados de busca e apreensão, com a apreensão de 23 motocicletas e o bloqueio de 31 contas de Instagram associadas à organização e divulgação desses eventos. Além disso, uma pessoa foi detida sob acusação de desacato às autoridades durante a operação. “Essa é uma ação que não termina hoje, existe um inquérito em andamento com previsão de outras fases da operação. O que buscamos realmente é trazer tranquilidade para o nosso município de Montes Claros, trazer segurança para que as pessoas possam viver, caminhar e circular com segurança”, explicou o comandante do 10° Batalhão da PM, tenente-coronel Luciano Magalhães Chaves. A polícia informou que uma morte ocorreu no centro da cidade em 2024, resultado de um acidente com moto em manobra irregular, destacando o risco à segurança pública e aos residentes do município. “Essa ação realizada no município tem o objetivo cessar essa atividade E Isso vai gerar mais tranquilidade não só para a população, mas para todos nós policiais militares que estão de serviço no dia a dia, crianças, idosos, todos que estão circulando em via pública e para os próprios indivíduos que são alvos nessa operação. Infelizmente, esses autores em redes sociais muitas vezes empinavam as motos próximas a viaturas com o intuito de que nós os perseguíssemos para dar mais engajamento nas redes sociais”, completa o tenente Luciano. OUTROS CRIMES A delegada Aurea Alessandra Freitas explicou que, além de crimes de trânsito, outros tipos de crimes também estavam sendo cometidos por essas pessoas. “Eles também cometeram os crimes de associação criminosa, adulteração de sinal de veículo automotor, incitação ao crime e outros crimes que porventura também aparecerem durante os desdobramentos da investigação”, diz. “Em relação aos crimes de trânsito, podemos citar o crime de direção perigosa, onde andavam pela via pública em alta velocidade, colocando em risco a vida das pessoas que ali trafegavam, o crime de exibição de manobras proibidas sem autorização, arrastamento de pneus e empinando os veículos. Eles utilizavam as redes sociais e, durante a prática dessas manobras, transmitiam as lives ao vivo, influenciando outras pessoas a aderirem ao movimento, como adolescentes e crianças”, acrescenta a delegada. Ela ainda explica que, através da prática do “rolezinho”, eles também praticavam outras atividades criminosas, como a venda de rifas e camisetas, para angariar recursos para sustentarem essa prática. “Existe a parte da responsabilização criminal. A investigação está apenas no começo. Haverá outros desdobramentos. A princípio, todos os veículos estão à disposição da justiça. Terá também a parte de responsabilização com relação àqueles condutores que são habilitados, que é a parte de procedimento administrativo de trânsito. E ficando configurada a prática de outros delitos, todos serão responsabilizados judicialmente”, finaliza a delegada.
MP desarticula esquema criminoso envolvendo policiais civis em Montes Claros

O Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), por meio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), regional de Montes Claros, e da 1ª Promotoria de Justiça de Montes Claros, deflagrou na manhã de hoje, 12 de dezembro, a operação Efialtes para desarticular esquema criminoso envolvendo policiais civis. A ação contou com o apoio da Corregedoria-Geral de Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG). Na operação foram cumpridos sete mandados de busca e apreensão em residências e locais de trabalho dos agentes públicos. Também foi determinada a indisponibilidade de bens (móveis e imóveis) e valores. Um veículo utilizado por um dos investigados foi apreendido. Além disso, foi determinado o afastamento deles do cargo, inclusive com proibição de acesso e frequência a prédios da PCMG, a suspensão de senhas e de qualquer forma de acesso a bancos de dados próprios das forças de segurança pública e a suspensão do porte ou a posse de arma de fogo funcional e de uso privado. As investigações que resultaram na operação de hoje foram iniciadas a partir de provas obtidas, ocasionalmente, na operação Provérbios, 13:11, que, em dezembro de 2023, desarticulou organizações criminosas dedicadas à lavagem de capitais, por meio de práticas delitivas, como agiotagem, falsidade documental e exploração ilícita de jogos de azar. Nessas investigações, foi constatada a participação de policiais civis nas organizações criminosas. Conforme apurado, os policiais, valendo-se indevidamente de suas funções públicas, recebiam vantagens e recursos ilícitos para garantir a continuidade e o sucesso das práticas delitivas, especialmente mediante: • Repasse de informações sigilosas e de inteligência em benefício das facções criminosas; • Divulgação de informações sobre operações policiais para os líderes das organizações criminosas, de modo a protegê-los de intervenções e abordagens policiais; • Pressão e afastamento de concorrentes na exploração de jogos de azar, mediante utilização das estruturas dos órgãos do sistema de justiça criminal, por determinação dos líderes das organizações criminosas; • Prática, em conjunto com os líderes dos grupos criminosos, de agiotagem e lavagem de dinheiro; As investigações também apontaram indícios fortes da prática dos crimes de corrupção ativa e passiva, prevaricação, violação de sigilo funcional e lavagem de dinheiro, em regime de organização criminosa, além de outros delitos correlacionados. De acordo com o MPMG, a operação de hoje só foi possível porque contou com o apoio da Corregedoria-Geral da PCMG. Segundo os representantes da instituição, esses desvios de conduta não representam a PC, uma corporação formada por servidores íntegros e honrados. “Queremos ressaltar nossa plena confiança na Polícia Civil de Minas Gerais”, afirmaram os promotores de Justiça que participaram da operação. Participam da ação de hoje seis promotores de Justiça, dois servidores do MPMG e 32 policiais civis, sendo oito delegados, 19 investigadores e cinco escrivães. As investigações continuam e o processo corre em segredo de justiça
Godofredo recebe artistas para homenagear Zé Coco do Riachão, o Beethoven do Sertão

Nesta quinta-feira (12) o Bar Godofredo será o cenário de uma noite dedicada à música e à preservação da memória cultural brasileira. Artistas locais realizarão apresentações para arrecadar recursos destinados à produção do documentário sobre Zé Coco do Riachão, um dos maiores ícones da viola brasileira. A ideia de promover o show partiu da professora e musicista Maristela Cardoso, apoiada pelo também músico e produtor Carlos Soyer, e prontamente abraçada por vários artistas. Entre os músicos confirmados para o evento estão Carlos Soyer, Maristela Cardoso, Élcio Lucas, Juquita Queiroz, o grupo Seresta Senescentes Lirais, Marcelo Andrade, John Canta Miltons, Jorge Takahashi, Denisar Mota e Pedro Boi, que se unirão em uma programação variada e voltada para todos os públicos. As mesas, com capacidade para até 4 pessoas, estão à venda por R$150,00. Reservas podem ser feitas pelo telefone (38) 99193-1971, com Renata Maia. O show será realizado no Godofredo Food Pub, localizado na Rua Dr. Mário Veloso, Melo. Para a professora e cantora Maristela Cardoso, idealizadora do evento ao lado do músico Carlos Soyer, a iniciativa é, principalmente, para chamar atenção para o projeto e sensibilizar a comunidade e empresas da região. “Ele não é só da região. Ele é de Minas, é do Brasil, é do mundo! Na Alemanha, ele foi considerado o Beethoven do Sertão. Uma obra considerada um fenômeno, para uma pessoa que não teve nenhum estudo: não sabia ler nem escrever, e aprendeu tudo da alma, da observação, da sensibilidade artística”, ressalta. A diretora do documentário, Andrea Martins se diz agradecida e emocionada com a participação dos artistas e destacou o papel da comunidade no apoio à iniciativa. “A contribuição de cada artista e cada participante desse evento é fundamental. Juntos, estamos trabalhando para que a história de Zé Coco do Riachão, um patrimônio da nossa cultura, seja reconhecida, lembrada e celebrada”, afirmou Andrea. Continue lendo após a publicidade Nascido às margens do Riachão, entre os municípios de Mirabela e Brasília de Minas, Zé Coco do Riachão foi um músico e luthier que marcou a história da cultura popular brasileira. Autodidata, Zé Coco fabricava os próprios instrumentos e, além da viola, também tocava rabeca e sanfona, entre outros instrumentos. Devoto de Santos Reis, desde os sete anos até a sua morte, em 1998, participou anualmente da Folia de Reis, tradicionalmente e religiosamente celebrada na região. “Além de violeiro excepcional, Zé Coco foi um guardião da memória musical do interior de Minas Gerais, inspirando gerações e contribuindo para a valorização da música de raiz. Inclusive, é reconhecido como um dos pilares da Viola Caipira por grandes artistas como Almir Sater e Jackson Antunes, que fará participação em nosso filme”, conta Andrea.
BATENDO UM BOLÃO – Partida reunirá ex-atletas pela solidariedade

Quem é torcedor do Atlético Mineiro e nasceu no fim dos anos 1970 com certeza se lembra bem daquela equipe que venceu os dois turnos do Campeonato Brasileiro de 1987 (que na época se chamava Copa União) mas não conseguiu ser campeão, mesmo após uma fase classificatória invicta. Dois dos principais nomes daquela equipe foram o ponta direita Sérgio Araújo e o lateral esquerdo Paulo Roberto Prestes. Outro jogador que deixou muitas lembranças, desta vez para os torcedores do Cruzeiro, foi Raimundo Nonato da Silva. Campeão de duas edições da Copa do Brasil (1993 e 1996) e da Libertadores de 1997, o lateral estará, juntamente com os dois “atleticanos” acima, no 1° Jogo da Solidariedade, que será disputado neste sábado, 14, às 9h30, no estádio José Maria Melo. Participarão da partida outros ex-atletas, como Guilherme Andrade, que foi campeão mundial pelo Corinthians, em 2012; Alonso Ferreira de Matos, que atuou no Cruzeiro e no Fluminense; Antônio Bento dos Santos, atacante do São Paulo e Cruzeiro; e Vitor, ex-lateral esquerdo do Atlético, entre outros. A iniciativa é realizada pela Secretaria Municipal de Esportes e Juventude e tem o objetivo de promover a solidariedade, arrecadando mantimentos que serão doados para famílias em situação de vulnerabilidade. O ingresso será um quilo de alimento não perecível ou um brinquedo novo e poderá ser trocado antes da partida.
Vai começar a 31ª edição da Festa Nacional do Pequi de Montes Claros

Abertura de hoje prepara o palco para final de semana de grandes atrações Montes Claros será palco, entre os dias seis e oito de dezembro, da 31ª edição da Festa Nacional do Pequi. As atrações começam nesta sexta-feira, 6, às 19h30, com a abertura oficial na Praça Doutor Chaves (Praça da Matriz). Em seguida, diversos shows musicais tomarão conta do Centro Histórico de Montes Claros. Está confirmada a presença da Orquestra Norte Mineira de Viola Caipira e do grupo musical A Outra Banda da Lua. O Encontro de Violeiros também está marcado para hoje. No dia 7, sábado, as atividades culturais começam às 9h30, com o evento “Cozinha Show”, sob o comando da chef de cozinha Bernadete Guimarães, na Tenda Gastronômica Sabores das Gerais. Na oportunidade, a especialista irá ensinar como preparar um prato especial com pequi. Ao meio dia teremos, na Praça da Matriz, o show do cantor Ricardo Viana. À noite, estão programados os shows de Jukita Queiroz, Carol Boaventura e Beto Guedes, atração nacional da Festa. No dia 8, domingo, acontecerá, às 8h30, o l Encontro Guardiões da Gastronomia das Geraes. Na ocasião, serão realizadas diversas atividades culinárias, enaltecendo o pequi e os frutos do cerrado, com palestras, degustação e homenagens. Logo após, às 10 horas, haverá o Encontro de Folias, com a participação dos ternos de folia Reis em Marcha, Estrelas do Oriente e Eldorado. Ao meio dia, Thotinha Fernandes apresentará seu espetáculo. À noite, a agenda de shows musicais inclui Herbert Lincon, Bela do Acordeon e Banda Taboo. Não fique de fora dessa festa deliciosa!!!
Montes Claros realizará o I Fórum Municipal de Enfrentamento à LGBTfobia

A Prefeitura de Montes Claros, por meio das secretarias de Desenvolvimento Social, Saúde, Educação, e Planejamento e Gestão, promoverá na próxima segunda-feira, 9, Dia Municipal de Consciencialização sobre as Políticas Públicas Municipais, o Fórum “Violência, Exclusão e Preconceito em Face da População LGBTQIAP+”. Aberto ao público, o evento acontecerá na Câmara Municipal de Montes Claros, a partir das 7h30. “Lamentavelmente, ainda existe muito preconceito em relação à diversidade de gênero, o que leva, em muitas das vezes, à marginalização e à rejeição desses indivíduos. E este Fórum será importantíssimo para enfrentarmos esse desafio e construirmos uma sociedade mais inclusiva e respeitosa”, comentou a secretária municipal de Planejamento e Gestão, Celeste Leite Fróes. “Celebramos as conquistas que já alcançamos, mas também reconhecemos os desafios que ainda temos pela frente”, disse o presidente do Movimento LGBT dos Gerais, José Cândido de Souza Filho. Programação: 07h30 às 8h30 – Credenciamento e coffee break. 8h30 às 9h – Abertura: Procurador Geral do Município e Vice-Prefeito eleito, Doutor Otávio Batista Rocha Machado; Vice-Prefeito e Prefeito eleito de Montes Claros, Professor Guilherme Augusto Guimarães Oliveira; e Prefeito de Montes Claros, Doutor Humberto Guimarães Souto. 9h às 9h30 – Palestra: Letramento de Gênero e Orientação Sexual, Doutor Rafael Baioni do Nascimento – Professor do Departamento de Educação da Unimontes. 9h30 às 9h40 – Palestra: Violência Trans no Brasil, Letícia Imperatriz – Coordenadora do Projeto Transidentidade no Norte de Minas Gerais. 9h40 às 9h50– Palestra: Evasão Escolar/Permanência do Público LGBTQIAP+ no Ambiente Escolar, Lucas Pereira – Presidente da Associação Arco-íris do Amor – MG. 9h50 às 10h – Palestra: Abordagem das Ações do Movimento LGBTQIAP+ (MGG) em Parceria com o Município de Montes Claros, William Martins – Assistente Social do MGG. 10h às 10h30 – Palestra: Jurisprudência e Direito LGBTQIAP+, Doutor Clodovaldo Santos Júnior- Presidente da Comissão da OAB Diversidade. 10h30 às 10h50 – Palestra: Acolhimento Familiar, William Martins- Assistente Social do MGG.
Economia apresentou saldo positivo de contratações em outubro em Montes Claros

Na tarde desta quarta-feira, 27, o Ministério do Trabalho e Emprego divulgou os dados mais recentes do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (CAGED). Em outubro, as empresas instaladas em Montes Claros contrataram 4.520 trabalhadores e demitiram 4.112, o que resultou em um saldo de 408 novos postos de trabalho. O saldo de outubro dá continuidade ao período positivo na geração de empregos também identificado em fevereiro (saldo de 139 vagas), março (153), abril (398), maio (826), junho (671), julho (176), agosto (352) e setembro (386). No acumulado de 2024, já são 3.491 novos postos de trabalho, o que corresponde a uma média geral superior a 344 novos posto por mês. Os setores da economia que mais contrataram, em outubro, foram Serviços (2.386) e Comércio (1.016). Ainda é pertinente destacar que todos os setores da economia identificados e pesquisados pelo CAGED tiveram saldos positivos: Serviços (225), Construção (105), Indústria (35), Agropecuária (23) e Comércio (20). Texto: Attilio Faggi – Foto: Fábio Marçal Ascom/Prefeitura de Montes Claros
MENINO DE MONSCLARO – Por Ucho Ribeiro*

As lembranças da infância sopram-me redemoinhos empoeirados, tufos em rodopios, bailantes pelas ruas de terra de Montes Claros. Densas cirandas de ventos que eu pulava dentro, de um pé só, ressabiado, a procura do Saci Pererê e de suas estripulias. Eram ventos soprantes de araras, papagaios e pipas. Alísios que alçavam minha sureca – arara sem rabiola, vermelhamarela, losangular, saliente e atrevida. Raia que coroava o azul morno dos céus. Os ventos chegavam sorrateiros, sem avisar, soprando devagarzinho, brisazinhas. Com o decorrer dos dias, iam engrossando, tomando corpo, e brotavam os redemoinhos. A meninada não tinha consciência cronológica dos ritos da natureza, agia instintivamente. Ventou, então estava na hora de soltar pipa. A primeira semana de agosto era gasta no gosto de manufaturar araras e manivelas, de providenciar, no escondido, o pó de vidro e a cola de madeira para o perigoso cerol, de arranjar as taliscas de bambu no Pequi de Joani, de descolar uns trocados para comprar os papéis de seda coloridos e os carretéis de linha 40 na lojinha do Seu Tamiro, na Travessa Cônego Marcos. O sonho da criançada era montar uma arara biteluda, multicolorida, rabuda ou sureca, e ter uma manivela de 16 cruzetas nas mãos para recolher ligeiro e esticadinha a linha. A chegada dos ventos levava-nos aos finais das ruas, aos mangueiros, aonde não havia postes de luz, nem fios inimigos, ladrões dos artefatos da alegria. Ventanias que embicavam pelas ruas soprando catopés e embaralhando suas fitas de cores vivas. Poeira e brancura. Puras. Nós, meninos, só queríamos olhar para os céus e ver nossas araras nas maiores alturas, sublimes, como um gavião reinante à caça de uma presa. Ficávamos de butuca a procura de outra pipa, içada por meninos de outros bairros. Os territórios e domínios da garotada eram demarcados pelos limites das ruas, mas o céu não era de ninguém. Lá em cima, no campo de batalha, valia tudo. Se víssemos uma arara empinada, o desafio era certo. A conquista era resgatá-la com classe. A manha era dar fortes toques na linha, fazendo a pipa mergulhar lateralmente, em velocidade, até alcançar e laçar em 360° a outra linha descuidada. Uma vez fisgada, enlaçada, recolhíamos com ligeireza a presa na manivela e ficávamos no aguardo do envergonhado dono a procura da arara derrotada. O orgulho espirrava de satisfação. Aqui pra nós, passados tantos anos, confesso: perdi a maioria das batalhas. Pretéritos os ventos de agosto, a poeira, os catopês, os roxos e os amarelos dos ipês, setembro surgia quente e trazia chuvas esporádicas. O pó sumia, a terra dura amolecia, os riscos das fincas e as biloias apareciam por todas as ruas e terrenos da cidade. A meninada descalça, sem nem bem saber, esquecia as pipas, e furava o chão macio com o dedão. Estava na hora de desentocar as bolinhas de gude. Dum dia por outro, não havia uma esquina que não tinha um bolo de meninos no “Gute please, todos”. Era assim mesmo, com essa mistura de inglês e português, que se iniciava uma partida de bolinha. Daí, um o garoto berrava: “bololô na minha, quero tudo e não dou nada”. Mais ditadorial, impossível. Quem gritasse primeiro, além de não poder ser alvejado, mesmo “estando no jeito”, tinha direito a todas regalias, mandingas e favorecimentos, tais como: mão quieta, mãos nos peitos, rondas, etc. Cada um tinha sua bolinha sorteira (da sorte), o bolofofo (bolinha grande da cor de café com leite), a esfera minúscula e as olhos de gato, gataiadas, de matar de inveja. A despedida das águas era o tempo de sairmos à cata de tanajuras. A meninada toda, com garrafas debaixo do braço, espalhava-se pelas ruas colhendo as formigonas bundudas para trocar por picolés com o sorveteiro Toni Pinguim. O nordestino adorava comê-las fritas como pipoca, mas tínhamos a leve desconfiança de que usava a nata das bundas como ingrediente de seus tão procurados picolés cremosos. O maior desejo da garotada era possuir um carrinho de rolimã. Andávamos a cidade inteira pelas oficinas mecânicas em busca de rolamentos, a coisa mais difícil e cara do mundo. Precisávamos de quatro: dois mais robustos para o eixo de trás, que ficava sob o banco, e outros dois, que até podiam ser menores, para o eixo da frente, comandado pelos pés do piloto. Quem não tinha carrinho se oferecia para ser o motor braçal: a cada cinco voltas empurrando o bólido pelo circuito dos passeios, com seu dono a bordo, tinha direito a uma volta de brinde. Os motores-meninos mais fortes proporcionavam maior velocidade e eram disputados e, até, presenteados com voltas extras. As competições eram rotineiras. A vontade de ganhar e a falta de freios causavam sucessivos acidentes. Todos os garotos mostravam as palmas das mãos escalavradas, os joelhos e os cotovelos arranhados e, por vezes, a testa rachada. À tardinha, no banho, era um chororô só. As mães esfregavam sem dó as perebas dos pilotos para retirar a sujeira impregnada nos ferimentos e, em seguida, passavam mertiolate. Como aquilo ardia! Além do esmeril causado pelos carrinhos de rolamento, sempre surgia um ou outro menino com gesso no braço ou na perna, dente quebrado ou cabeça lascada, devido às estripulias. O nosso cabaspará, chamado em Belo Horizonte de bentealtas, era jogado no passeio dos Melo Franco. Havia lá uma tampa de ferro da Companhia de Água e Esgoto que servia como um dos apoios para o jogo. As duplas se formavam e aguardavam a vez, definida no par ou ímpar. Horas se passavam naquele divertido vaivém, na tentativa de derrubar a casinha piramidal feita com três pauzinhos de madeira pregados num quadradinho de couro. Nada era mais prazeroso do que aparar no ar uma bola defendida ou arremessada e gritar: “Vitória!”. Quase sempre, quando chegava a vez da minha dupla jogar, alguém gritava grosso da esquina: – Ô Uuucho! Era um gaiato imitando a voz do meu avô Pacifico me chamando pra casa. Um truque para que outra dupla tomasse meu lugar na brincadeira. Sabia que era um
FESTA DA LUZ – Montes Claros recebe festival de arte urbana

Entre os dias 21 e 24, quem passar pelo entorno da praça da Matriz e pelo Corredor Cultural poderá apreciar grandes instalações e projeções luminosas que já encantaram os observadores nos últimos três anos em Belo Horizonte Montes Claros recebe a partir desta quinta-feira, 21, a Festa da Luz, festival já tradicional na capital mineira que chega pela primeira vez ao norte do estado. O evento conta com o apoio da Prefeitura de Montes Claros. Durante o festival serão apresentados dois projetos: Mostra Minas, com uma seleção de artistas mineiros; e a Mostra Mundo, com obras de artistas nacionais e internacionais. A Festa da Luz conta com grandes esculturas iluminadas que interagem com obras de artistas como Ailton Krenak, Conceição Evaristo, Grace Passô, Thiago Mazza e Daiara Tukano. Ao todo serão 11 instalações, 6 vídeomappings e 3 Djs. O circuito inclui o Centro Cultural Montes Claros, o Museu Regional do Norte de Minas, o Beco da Vaca, os arredores da Igreja Matriz, o Corredor Cultural, o Prédio dos Correios e o Prédio do Artesanato Flor do Pequi. Com uma programação 100% gratuita, as atividades serão realizadas todos os dias, das 18h às 23h. Quem for ao circuito poderá acompanhar exposições como “Homem Gaiola”, “Paisagens Digitais” e “Plantas Pulsam”. Também no circuito haverá letreiros de importantes nomes da literatura brasileira, como “A vida é uma dança cósmica”, de Ailton Krenak. As palavras da escritora Conceição Evaristo também estarão no local, além de obras de diversos outros artistas. “É uma grande alegria para Montes Claros receber pela primeira vez um festival de arte urbana. A realização da Festa da Luz no centro da cidade traz uma dinâmica nova para o nosso cenário cultural, mostrando as mil possibilidades dessa linguagem, da criatividade e da tecnologia. A Prefeitura de Montes Claros, por meio da Secretaria Municipal de Cultura, apoia a Mostra Minas e a Mostra Mundo, que contam com renomados artistas que encantarão o público nas edificações históricas. Fruto de parcerias importantes, a Festa da Luz traz instalações de grandes dimensões: esculturas iluminadas que estarão dispostas no entorno da praça Dr. Chaves e no Corredor Cultural, nos 4 dias do evento”, destaca a secretária municipal de Cultura, Junia Velloso Rebello.
Darcy Ribeiro é o mais novo integrante do ‘Livro dos Heróis da Pátria’

Nascido em Montes Claros (MG) em 1922, ele é considerado uma das pessoas mais importantes na defesa da educação e da cultura Da Agência Senado Renomado educador, antropólogo e político, Darcy Ribeiro é o mais novo nome inscrito no Livro dos Heróis e Heroínas da Pátria. A honraria, concedida pelo Congresso Nacional, foi confirmada com a sanção, pelo presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, da Lei 15.020, de 2024, publicada no Diário Oficial da União dessa última terça-feira (12). No dia 15 de outubro, a Comissão de Educação e Cultura do Senado aprovou em caráter terminativo o Projeto de Lei (PL) 5.894/2019. A proposta, oriunda da Câmara, foi relatada pelo senador Paulo Paim (PT-RS). O senador destacou em seu parecer a incansável atuação de Darcy Ribeiro na defesa dos direitos dos povos indígenas: “A obra O Povo Brasileiro, de sua autoria, é uma reflexão profunda e erudita sobre a identidade nacional, contribuindo para um entendimento mais abrangente da diversidade cultural que compõe o Brasil” disse Paim. EDUCAÇÃO E POLÍTICA Nascido em Montes Claros (MG), em 1922, Darcy Ribeiro é considerado um dos mais importantes nomes na defesa da educação e da cultura brasileiras. Atuou como professor e pesquisador. O romancista também foi membro da Academia Brasileira de Letras. Seu brilhantismo também foi destacado na política, tendo exercido os cargos de cargos de ministro-chefe da Casa Civil e da Educação no governo de João Goulart e de vice-governador do Rio de Janeiro, época em que defendeu reformas para que o acesso ao ensino fosse possibilitado a todos. Em 1990, foi eleito senador. Na Casa, foi relator de importantes projetos de lei, principalmente na área de educação. Entre eles, a proposta que resultou na Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB), norma batizada de Lei Darcy Ribeiro. LIVRO O Livro dos Heróis e Heroínas da Pátria, também chamado de Livro de Aço (pois a obra de fato é formada por páginas de aço), fica no Panteão da Pátria, na Praça dos Três Poderes, em Brasília. Criado em 1992, reúne protagonistas da liberdade e da democracia, que dedicaram sua vida ao país em algum momento da história. A inscrição de um novo personagem depende de lei aprovada no Congresso.