Justiça dá razão ao TCE e volta a suspender modelo de escolas cívico-militares em Minas

Na decisão, o magistrado reforçou que o pedido do TCE para suspender o programa embasado dentro da legalidade O Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) suspendeu novamente o programa de escolas cívico-militares proposto pelo governador Romeu Zema (Novo). A decisão, publicada no início da tarde desta quinta-feira (5/2), é válida já para o ano letivo de 2026 e referenda o parecer do Tribunal de Contas do Estado (TCE-MG) que pediu a descontinuidade do modelo.O órgão recorreu do parecer que havia retomado o funcionamento do programa, após recurso do governo estadual. O despacho é assinado pelo desembargador Pedro Carlos Bitencourt Marcondes. Na decisão, o magistrado reforçou que o pedido do TCE para suspender o programa embasado dentro da legalidade, “especialmente quanto à ausência de lei formal que institua o modelo cívico-militar da rede pública estadual de ensino, bem como à irregularidade orçamentária verificada”.O desembargador deu razão ao TCE, que apontou um desacordo com o Plano Plurianual de Ação Governamental (2024–2027), com a Lei Orçamentária Anual de 2025, além de comprometer as metas previstas no Plano Estadual de Educação. Segundo o magistrado, a resolução conjunta nº 1/2024, firmada entre a Secretaria de Estado de Educação e o Corpo de Bombeiros Militar não possui força normativa para criar um programa educacional como o proposto por Zema. “A decisão do Tribunal de Contas, ao determinar a interrupção do programa instituído pela Resolução-Conjunta nº 1/2024, não se mostra, em análise superficial, como ingerência política, mas sim como medida assecuratória da legalidade orçamentária, diante da ausência de lei formal e de previsão específica da Lei Orçamentária Anual para o incremento de despesas que a expansão e a continuidade do modelo cívico-militar acarretaria”, diz trecho da decisão.Além de indeferir o pedido do estado para baixar a decisão do TCE, o desembargador indeferiu pedido do estado para assegurar oitiva prévia antes da apreciação da tutela de urgência. SuspensãoAo suspender o programa de escolas cívico-militares, o relator do processo no TCE, o conselheiro em exercício Adonias Monteiro justificou a determinação citando a inexistência de uma previsão orçamentária compatível para a implementação do modelo. Monteiro ainda frisou que a interrupção do modelo nas instituições já habilitadas não vão gerar prejuízos e insegurança à comunidade escolar. Adonias ainda argumentou que indicadores educacionais não apresentaram evolução com a implementação do programa. O TCE também contestou a convocação de militares da reserva para o projeto. No escopo pretendido pelo governo, oficiais já aposentados poderiam atuar como supervisores e monitores. A configuração foi considerada incompatível com a necessidade de “execução contínua e por prazo indeterminado das atividades das escolas cívico-militares”. Além disso, segundo o Tribunal, o pagamento desses militares da reserva com recursos da segurança pública configura ‘desvio de finalidade’. ModeloEm Minas Gerais, nove escolas da rede estadual adotam o modelo cívico-militar, mesmo após o Decreto Federal nº 11.611, assinado em 2023 pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que extinguiu o Programa Nacional das Escolas Cívico-Militares (PECIM). São instituições nas cidades de Belo Horizonte, Contagem, Itajubá, Santos Dumont, São João del-Rei e Três Corações. No ano passado, a Advocacia-Geral da União (AGU) e a Defensoria Pública da União (DPU) questionaram o programa junto ao Supremo Tribunal Federal (STF) alegando incompatibilidade com o Plano Nacional de Educação. O modelo, no entanto, foi mantido pelo Governo de Minas.
DNIT nega ter dado autorização para governo Zema privatizar BR-365

O estado pretende implantar nove praças de pedágio na via, com tarifa inicial de R$10,67, em um trecho que ainda está sob jurisdição da União Apenas em estradas federais sob administração do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) o país tem 61 mil km. O Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) negou ter autorizado o governo Romeu Zema (Novo) a privatizar a BR-365, rodovia federal que liga Uberlândia, no Triângulo Mineiro, a Montes Claros, no Norte de Minas. O estado pretende implantar nove praças de pedágio na via, com tarifa inicial de R$ 10,67, em um trecho que ainda está sob jurisdição da União. O departamento, autarquia vinculada ao Ministério dos Transportes, afirmou que não foi comunicado sobre a publicação do edital, ocorrida em 21/1, que prevê a entrega da rodovia à iniciativa privada. “O DNIT informa que não emitiu qualquer documento que autoriza um edital de concessão rodoviária da BR-365/MG e não foi comunicado pelo governo do estado de Minas Gerais”, afirma o órgão em nota enviada ao Estado de Minas. O DNIT ressaltou que possui diversas obras e serviços previstos para a rodovia, como a duplicação entre Patos de Minas e Patrocínio, a adequação de capacidade entre Patos de Minas e a BR-040, além de serviços de manutenção. O governo de Minas alegou, em nota enviada à reportagem na semana passada, que a concessão foi autorizada pelo Ministério dos Transportes e conduzida com apoio técnico do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). O estado afirma que a rodovia será estadualizada antes da assinatura do contrato com o vencedor da concorrência, marcada para o próximo mês. O ministério foi procurado, mas não esclareceu se autorizou a concessão ou se a via será estadualizada. O espaço segue aberto para a manifestação da pasta. A concessão já é alvo de representações no Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais (TCE-MG) e no Tribunal de Contas da União (TCU), feitas por deputados estaduais e federais. O processo também é contestado pela Associação Mineira de Municípios (AMM). As representações alegam que a rodovia não pode ser pedagiada por ser federal e que a concessão não prevê obras de duplicação em todo o trecho. Via jornal Estado de Minas
Nikolas vota contra a criação do “Gás do Povo”, que garante botijão de gás para famílias pobres

Ao todo, 29 deputados federais, sendo três de Minas,votaram contra medida que auxilia população de baixa-renda; veja quem A Câmara dos Deputados aprovou, nessa segunda-feira (2/2), o texto-base da medida provisória que institui o programa Gás do Povo. A iniciativa substitui o pagamento do Auxílio-Gás pela retirada direta de botijões nos revendedores credenciados e é voltada a famílias de baixa renda. Aprovada por 415 deputados federais, 29 votaram contra. Dentre eles, três são de Minas Gerais. São eles: Eros Biondini (PL), Junio Amaral (PL) e Nikolas Ferreira (PL). O deputado Lincoln Portela (PL) optou pela abstenção e os demais deputados mineiros, representantes do PSDB, PP, PT, Avante, União, PSD, PDT, Republicanos, MDB, Podemos, Solidariedade e outros do Partido Liberal votaram a favor da medida.Nas demais unidades da federação, um votou contra em Roraima, outro no Rio Grande do Norte, três no Rio de Janeiro, um no Distrito Federal, dois no Mato Grosso do Sul, um no Paraná, seis em Santa Catarina e quatro no Rio Grande do Sul. São Paulo foi o estado com mais votos contra: sete deputados disseram “não” à proposta. Veja os nomes dos deputados que votaram contra: O auxílio A proposta foi uma das vitrines eleitorais da gestão Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e foi uma vitória para o governo na primeira sessão deliberativa do ano
Com Marília Campos, esquerda mineira busca feito inédito no Senado

Desde a redemocratização do país, em 1988, Minas Gerais nunca elegeu um senador filiado a partidos de esquerda “A decisão do diretório coloca um protagonismo no PT mineiro. Como existia uma grande costura para entender qual era o nome do partido, agora temos uma candidatura forte”. Com essa avaliação, a prefeita de Contagem, Marília Campos, comentou ao Estado de Minas a decisão do Grupo de Trabalho Eleitoral do PT de homologar seu nome como pré-candidata ao Senado Federal por Minas Gerais em 2026. A deliberação ocorreu em reunião realizada na quarta-feira (28/1) e ainda depende do aval da Executiva estadual da legenda para ser oficializada. A indicação de Marília reforça o movimento do Partido dos Trabalhadores de buscar um nome com alta densidade eleitoral e trajetória consolidada para a disputa por uma das duas vagas ao Senado no estado. Em nota, o PT destacou que “Marília já demonstrou sua capacidade e seu apoio popular nas quatro administrações em que esteve à frente daquela cidade e nos três mandatos como deputada estadual” e afirmou que sua candidatura “poderá contribuir de maneira decisiva para uma nova vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em Minas Gerais”. Caso confirmada e eleita, Marília poderá protagonizar um feito inédito. Desde a redemocratização do país, em 1988, Minas Gerais nunca elegeu um senador filiado a partidos de esquerda. A primeira eleição ao Senado após a promulgação da Constituição ocorreu em 1990 e, desde então, nenhuma candidatura desse campo político conseguiu vencer a disputa majoritária no estado. Se vitoriosa em 2026, Marília será a primeira representante da esquerda mineira a ocupar uma cadeira na Casa. A eleição para o Senado ocorre a cada quatro anos, de forma concomitante à disputa pela Presidência da República e pelos cargos de deputados federais e estaduais. Cada estado tem direito a três senadores, com mandatos de oito anos, e a disputa é alternada quanto ao número de vagas. Em 2026, duas cadeiras estarão em jogo. Na eleição seguinte, em 2030, apenas uma. Neste ano se encerram os mandatos de Rodrigo Pacheco, eleito em 2018 pelo então Democratas, hoje no PSD, e de Carlos Viana, eleito pelo PHS e atualmente filiado ao Podemos. O outro senador mineiro é Cleitinho, cujo mandato vai até 2030. Apesar da ausência de vitórias, candidaturas da esquerda chegaram, no máximo, ao terceiro lugar entre 1994 e 2014, com nomes do PT, PDT e PSB. O pior desempenho ocorreu em 2018, quando a ex-presidente Dilma Rousseff concorreu em uma disputa com duas vagas e terminou em quarto lugar. Os eleitos naquele ano foram Rodrigo Pacheco e Carlos Viana, com o terceiro lugar ficando com Dinis Pinheiro. A esquerda voltou a repetir um quarto lugar em 2022, com a candidatura de Sara Azevedo, do PSOL. O PDT chegou a ter uma senadora por Minas, Júnia Marise, eleita em 1990. À época, porém, ela estava filiada ao PRN, partido do então presidente Fernando Collor de Mello. A parlamentar só se filiou ao PDT em 1993. Tentou a reeleição pela legenda em 1998, mas foi derrotada por José Alencar, então no PMDB. Segunda vagaPara a segunda vaga ao Senado, assim como para as candidaturas ao governo do estado e à vice-governadora, o PT mineiro informou que seguirá em diálogo com partidos e lideranças da base do governo federal. A estratégia de trabalhar com apenas um nome competitivo foi explicitada pela própria Marília em entrevista concedida na segunda-feira (26). “O PT ainda não definiu, eu não conversei com o presidente Lula e eu acho que isso tudo tem que ser amarrado direito”, afirmou. Entre as condições, citou o apoio público e explícito do presidente. “Uma delas é ser abraçada pelo presidente Lula. Eu quero que ele fale: ‘Ó, Marília, você é a minha candidata do meu coração’. Eu quero esse chamego do presidente Lula.” A prefeita também condicionou a decisão à garantia de estrutura partidária para uma campanha em um estado com 853 municípios. “Não dá para ser voluntária. Eu preciso de estrutura para fazer campanha, de meios para me locomover e de jornalistas para fazer rede social”, afirmou. Nos bastidores, dirigentes do PT avaliam que o partido deve concentrar esforços em uma candidatura única ao Senado, deixando a segunda vaga para ser construída em diálogo com aliados, como parte de uma composição mais ampla para 2026. DisputaO debate em torno da vaga ao Senado reabre um conflito antigo entre PT e PSD em Minas Gerais. Em eleições anteriores, a disputa entre as duas legendas já ameaçou a unidade do palanque presidencial no estado. Em 2022, o PT defendia a candidatura do deputado federal Reginaldo Lopes ao Senado, enquanto o PSD apostava no então suplente e depois senador Alexandre Silveira, que havia assumido a vaga deixada por Antonio Anastasia, nomeado para o Tribunal de Contas da União. Naquele contexto, o impasse ocorreu simultaneamente à pré-candidatura de Alexandre Kalil ao governo de Minas, pelo PSD, que buscava uma aliança formal com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O conflito entre a candidatura petista ao Senado e a pretensão do PSD gerou receios de fragmentação do palanque presidencial no estado. Agora, em 2026, Silveira volta ao jogo. Atualmente ministro de Minas e Energia no governo Lula, ele é um dos nomes cotados para a segunda vaga ao Senado, embora a pré-candidatura enfrente obstáculos. Isso porque o vice-governador Mateus Simões, também filiado ao PSD, deve disputar o governo do estado, o que pode colocar no mesmo palanque candidaturas com orientações políticas distintas. Além disso, a legenda é presidida em Minas por Cássio Soares, que já manifestou reservas quanto a uma eventual candidatura de Silveira ao Senado. “Vejo muita dificuldade”, afirmou o dirigente estadual na semana passada, no podcast EM Entrevista, ao defender que a coexistência de um palanque ao governo alinhado à direita com uma candidatura ao Senado apoiadora de Lula poderia gerar ruído entre os eleitores. Segundo ele, apesar da boa relação institucional com o ministro, a configuração eleitoral traria risco de incoerência política. Ainda assim, ressaltou que o tema “nunca
André Janones vai disputar o governo de Minas Gerais pela REDE

A candidatura do deputado tende a embaralhar as articulações do campo progressista no estado mineiro, que vinha costurando o nome de Rodrigo Pacheco O deputado federal André Janones vai deixar o Avante e se filiar à REDE para disputar o governo do estado de Minas Gerais. O anúncio deve ocorrer na próxima terça-feira (27). De acordo com informações obtidas com exclusividade pela Fórum, André Janones se reuniu na noite de sexta-feira (23) com o presidente da REDE, Paulo Lamac, e fechou o acordo. A pré-candidatura de Janones ao governo de Minas deve embaralhar as articulações em curso no campo progressista do estado, já que o nome do senador Rodrigo Pacheco (PSD) vinha sendo ventilado para disputar o Palácio da Liberdade em uma espécie de frente ampla com partidos de centro e de esquerda. Caso as pré-candidaturas de Janones e Pacheco se mantenham até o início do processo eleitoral, o presidente Lula deverá ter palanque duplo em Minas Gerais. O PT mineiro não participou da articulação em torno do nome de André Janones para a disputa pelo governo do estado.
Lud Falcão diz ter sido ameaçada por vice de Zema e afirma não ser garota de recado

Deputada leva denúncia contra vice-governador Mateus Simões à ALMG e discute medidas com lideranças A deputada estadual Lud Falcão (Podemos) afirmou, nesta quinta-feira (22/1), em entrevista ao Café com Política, exibido no canal de O TEMPO no YouTube, que levou à Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) a denúncia de ameaça e intimidação feita contra ela pelo vice-governador Mateus Simões (PSD).A deputada publicou um vídeo em suas redes sociais dizendo que o vice-governador de Minas Gerais, Mateus Simões (PSD), teria ameaçado “fechar as portas” do Estado para ela. A suposta ameaça teria ocorrido após o marido da parlamentar, Luís Eduardo Falcão (sem partido), prefeito de Patos de Minas e presidente da Associação Mineira de Municípios (AMM), ter criticado o governo por conta dos custos que as cidades têm de arcar em relação a obrigações que seriam do Estado.Segundo Lud, o caso está sendo discutido com lideranças da Casa para a definição de eventuais medidas institucionais. De acordo com a parlamentar, a postura do vice-governador extrapola o conflito político e atinge o próprio parlamento. Para a deputada, a ligação feita por Simões revela uma tentativa de intimidação. “Ele age como se fosse dono do Estado. Quem é ele?”, questionou a deputada.Segundo ela, a atitude de Simões atingiu não apenas sua atuação individual, mas o próprio Legislativo. “Ele não atinge somente a mim. Ele atinge o parlamento mineiro. Ele acha que a Assembleia é tapete vermelho para as atividades pessoais dele”, pontuou. A deputada relatou ainda que procurou o presidente da ALMG, Tadeu Martins Leite (MDB), além da bancada feminina e da Procuradoria da Mulher, para tratar do episódio. Questionada sobre quais medidas podem ser adotadas, afirmou que a decisão será tomada coletivamente: “Isso é feito em conjunto, é uma costura. Vamos aguardar os próximos passos”. O embate levou a deputada a anunciar que não pretende permanecer na vice-liderança do governo quando Mateus Simões assuma o comando do Executivo estadual. Para a deputada, sua permanência na função está condicionada à atual gestão. “Quando o governador sair da cadeira, ele entra e eu saio”, disse, ao destacar que não vê legitimidade política no vice-governador para ocupar o cargo com seu apoio.Privatização CopasaDurante a entrevista, Lud Falcão também comentou a divergência pública com o marido em relação à privatização da Copasa. Enquanto Falcão, na condição de presidente da AMM, criticou o processo e defendeu maior participação dos municípios, a deputada votou a favor da privatização. Para ela, a diferença de posição está relacionada às funções exercidas por cada um. “Não somos obrigados a pensar igual”, afirmou, ao destacar que sua decisão foi tomada a partir da realidade do saneamento e da prestação do serviço à população. A deputada disse não se arrepender de ter votado a favor da proposta e afirmou que sua decisão foi baseada nas dificuldades enfrentadas pela população. “Eu agi atuando nas dores dos munícipes, das pessoas que vivem e que não têm abastecimento de água potável nas suas casas”, explicou.Segundo a parlamentar, a precariedade do serviço justifica a mudança no modelo. “Eu estou falando de 48% do esgoto do Estado de Minas Gerais, que é jogado nos nossos rios porque a Copasa não faz os investimentos necessários”, disse a deputada, que reforçou que sua atuação é independente. “Eu sou muito convicta em que eu voto na minha consciência. Eu não voto porque eu sou subserviente ao governo”. Ao tratar das diferenças de posicionamento dentro da própria família, a deputada afirmou que isso não compromete a atuação política. “Nós somos unidos como um bom casal pelo amor e não pelas opiniões que sempre têm que ser as mesmas”, avaliou.
Zema teria utilizado aeronave oficial para campanha política, denunciam deputadas

Apenas em 2025, os gastos com combustível de aviões oficiais chegaram a quase R$ 1,5 milhão As deputadas estaduais Bella Gonçalves (Psol) e Leninha (PT) protocolaram, nesta segunda-feira (19), representações no Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais (TCE-MG) pedindo a apuração do uso de aeronaves oficiais pelo governador Romeu Zema (Novo) em agendas com indícios de caráter político-eleitoral. As denúncias se baseiam em informações divulgadas pela imprensa, especialmente em reportagem do jornal O Globo, que apontou gastos recordes com combustível aeronáutico vinculados ao gabinete do governador. De acordo com as parlamentares, aeronaves do Estado teriam sido utilizadas em deslocamentos que possibilitaram a participação de Zema em eventos partidários e de pré-campanha à Presidência da República em 2026. A apuração jornalística citada nas representações indica que, apenas em 2025, os gastos com combustível de aviões oficiais chegaram a quase R$ 1,5 milhão, valor superior, inclusive, ao registrado no ano eleitoral de 2022, quando as despesas somaram cerca de R$ 1,4 milhão. InvestigaçãoNa representação encaminhada ao TCE-MG, Bella Gonçalves solicita que o órgão investigue a legalidade, a finalidade e a moralidade do uso dos recursos públicos, ressaltando que o pedido não antecipa juízo eleitoral, mas busca esclarecer possível desvio de finalidade no emprego de bens do Estado. O documento também requer que, caso sejam identificados indícios de repercussão eleitoral, o tribunal dê ciência ao Ministério Público Eleitoral para as providências cabíveis. A deputada afirma que o governador teria utilizado aeronaves oficiais para comparecer a encontros do Partido Novo e a eventos como a Festa do Peão de Barretos e o Festival de Moda em Itu, entre outros compromissos fora de Minas Gerais. “Isso não seria um problema se ele tivesse viajado para os interiores de Minas Gerais ou mesmo para fora de Minas para cumprir os interesses do nosso estado. Pedimos ao Tribunal de Contas, então, que faça uma investigação de todas as viagens do Zema, de acordo com os princípios de impessoalidade, da administração pública, de transparência”, afirmou a parlamentar do Psol. Já a deputada Leninha protocolou pedido para a instauração de procedimento de fiscalização com base nos princípios constitucionais da legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência, previstos no artigo 37 da Constituição Federal. A parlamentar solicita que o TCE-MG apure se houve desvio de finalidade no uso das aeronaves oficiais e eventual dano ao erário. O requerimento destaca o episódio relatado pela reportagem do O Globo. Em 30 de outubro, Zema teria deixado antecipadamente uma reunião no Rio de Janeiro para seguir a Campinas (SP), onde participou de um encontro partidário voltado à apresentação de pré-candidaturas para 2026. Conforme os dados citados, o deslocamento teria sido feito em voo oficial custeado pelo governo de Minas, com registros no portal da transparência. “Nosso pedido é para que os órgãos de controle cumpram seu papel: verificar a regularidade do uso de aeronaves oficiais, apurar se os compromissos atendiam à finalidade pública e, se houver irregularidades, adotar as medidas cabíveis. O que está em jogo é o respeito ao dinheiro público e à lisura do processo democrático”, afirmou Leninha. Mais denúnciaAlém das representações ao Tribunal de Contas, a deputada Andreia de Jesus (PT) encaminhou, também nesta segunda-feira, uma notícia-crime eleitoral ao Ministério Público de Minas Gerais (MPMG). No documento, a parlamentar pede a apuração das chamadas “agendas casadas”, quando compromissos institucionais são realizados em datas próximas a eventos político-partidários na mesma localidade. Outro ladoA reportagem entrou em contato com o governo para pedir posicionamento e aguarda respostas. O conteúdo será atualizado quando houver retorno. ECN com Brasil de Fato
Com articulação de Lula, Rodrigo Pacheco deverá ser candidato ao governo de Minas, pelo União Brasil

Com entrada na disputa, senador resolve problema de Lula, que ainda não tinha um palanque para chamar de seu, no eleitorado mineiro Depois de sonhar com Presidência da República, com vaga no STF e até em abandonar a política, Rodrigo Pacheco deve mesmo disputar o governo de Minas Gerais. A pedido de Lula, já busca um novo partido, que deve ser o União Brasil, segundo a revista Veja. O presidente vê em Pacheco o nome ideal para encabeçar o palanque mineiro que dará suporte ao projeto petista. Até o momento, Lula não tinha um palanque para defender suas pretensões eleitorais.Prefeita de Contagem, a petista Marília Campos será candidata ao Senado na chapa de Pacheco. O parlamentar ainda escolherá um nome para vice e outro para o Senado. Caso confirme a candidatura de Pacheco, o presidente do União Brasil em Minas Gerais, deputado federal Delegado Marcelo Freitas, ficará numa saia justa, já que ele defendeu, em entrevista ao Café com Política, do jornal O TEMPO, que a federação entre União Brasil e PP caminhe com uma candidatura de direita nas eleições deste ano no Estado, afastando a possibilidade de que o senador Rodrigo Pacheco seja uma das apostas das siglas para o pleito de 2026. Pacheco tem sido apontado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) como uma das apostas de aliança do PT em Minas. “Tendo em vista a posição dos filiados do União Brasil e do próprio PP, não têm a menor condição de caminharmos em uma coligação que contemple o PT formalmente em sua composição. É impossível a possibilidade de uma coligação com o PT. O partido vai caminhar, seja em âmbito nacional ou estadual, em uma coligação que transite para o aspecto da direita”, afirmou o presidente do União Brasil em Minas Gerais.Mesmo sendo um aliado da extrema-direita, defendendo todas as pautas conservadoras na Câmara dos Deputados, Marcelo de Freitas é visto como “uma persona non grata” por uma significativa parte dos eleitores de Bolsonaro, especialmente em Montes Claros. Isso se deve à sua boa relação com o deputado Paulo Guedes, que o encorajou a se candidatar pelo PT à prefeitura local e lhe fez uma proposta para assumir uma secretaria estadual no governo de Fernando Pimentel. O delegado não aceitou nenhum dos convites, de acordo com uma reportagem do jornal Estado de Minas.
Há 10 anos sem concurso, professor doutor recebe como mestre e especialista na Unimontes

Segundo o Sindicato, parte dos professores contratados no último processo seletivo não recebe salários compatíveis com sua titulação * Por Waldo Ferreira Professores doutores da Universidade Estadual de Montes Claros (Unimontes) recebem salários inferiores à sua titulação, equivalentes ao que é pago a mestres, enquanto esses têm salários de especialistas. A distorção é denunciada pela Associação dos Docentes da Universidade Estadual de Montes Claros (Adunimontes).Além disso, a universidade não realiza concurso público para professor há mais de 10 anos e paga salários com defasagem de mais de 82%, segundo o presidente do Sindicato, Wesley Helker Felício da silva, para quem está em curso um processo de precarização total dos salários da categoria “Sem concursos e com salários defasados, a tendência é a universidade sofrer com uma fuga constante de cérebros, quando pesquisadores qualificados deixam a região em busca de outras universidades públicas que valorizem sua formação e seu trabalho”, destacou o presidente da Adunimontes.Para aprofundar o que ele chama de “pacote de maldades”, há uma pressão por parte do governo Zema e da Reitoria para realizar o concurso nos moldes parecidos com o último processo seletivo, ou seja, aumentando a carga horária dos professores efetivos, ao mesmo tempo em que os sub-remunera, agravando um quadro que já inclui mais de 10 anos sem o pagamento das Dedicações Exclusivas. A Adunimontes avalia que o cenário atual é um desastre não apenas para os professores, mas para toda a comunidade acadêmica e para o desenvolvimento regional, porque ameaça diretamente a qualidade do ensino, da pesquisa e da extensão na Unimontes.
Cleitinho e Kalil na frente na disputa pelo governo de Minas, diz pesquisa

Pesquisa Doxa mostra ainda alto índice de indecisos e rejeição ao campo ideológico em Minas Gerais O senador Cleitinho Azevedo (Republicanos) aparece mais uma vez à frente da disputa pelo Palácio dos Tiradentes. Levantamento da Doxa Pesquisa, divulgado nesta segunda-feira (22/12), revela um cenário fragmentado, marcado por uma liderança apertada, forte variação regional e um eleitorado distante do espectro político. No voto estimulado para o primeiro turno da eleição para governador de Minas Gerais, Cleitinho aparece na dianteira, com 26% das intenções de voto, seguido de perto pelo ex-prefeito de Belo Horizonte Alexandre Kalil (PDT), que soma 21%. Apesar da vantagem numérica de Cleitinho, quase quatro em cada dez eleitores ainda não escolheram um candidato. “Estamos falando de 39% dos eleitores que não se posicionaram”, destaca Manuel Vilas Boas, diretor do Instituto Doxa, ao comentar o contingente de eleitores que declararam votar em branco, nulo ou em nenhum dos nomes apresentados ou que preferiram não responder à pesquisa. Depois de Cleitinho e Kalil, aparecem Gabriel Azevedo (MDB), com 9%, enquanto Mateus Simões (PSD), atual vice-governador, e Tadeu Martins (MDB) registram 2%, cada.O diretor da Doxa observa que, fora os dois primeiros colocados, todos os demais enfrentam níveis elevados de desconhecimento em praticamente todo o estado. Depois de Cleitinho e Kalil, aparecem Gabriel Azevedo (MDB), com 9%, enquanto Mateus Simões (PSD), atual vice-governador, e Tadeu Martins (MDB) registram 2%, cada. O diretor da Doxa observa que, fora os dois primeiros colocados, todos os demais enfrentam níveis elevados de desconhecimento em praticamente todo o estado. “Essa indecisão é muito em função do desconhecimento dos candidatos colocados hoje. Cleitinho tem muita presença nas redes sociais, Kalil já foi presidente do Atlético e prefeito de Belo Horizonte. São os dois que largam à frente”, afirma. Cenários Quando o recorte é feito pelo porte dos municípios, a liderança de Cleitinho se consolida nas cidades pequenas e médias. Nos municípios de pequeno porte, o senador alcança 28%, dez pontos à frente de Kalil. Em cidades médias, a diferença aumenta. Cleitinho chega a 30%, enquanto Kalil aparece com 15%. Também é nesses municípios que o volume de eleitores sem posição definida (42%) salta aos olhos. O cenário muda nos grandes centros urbanos. Nas cidades de grande porte, Cleitinho e Kalil aparecem tecnicamente empatados, ambos com 25%. Gabriel Azevedo mantém presença, com 7%, enquanto Mateus Simões sobe para 3%. Já em Belo Horizonte, a disputa assume outro desenho: Alexandre Kalil lidera com folga, alcançando 34% das intenções de voto, seguido por Gabriel Azevedo, com 17%, e Cleitinho, com 16%. Segundo turno As simulações de segundo turno reforçam o equilíbrio entre os principais nomes. No confronto direto entre Cleitinho e Kalil, o senador aparece com 31%, contra 30% do ex-prefeito. A diferença está dentro da margem de erro, enquanto 23% dos entrevistados afirmam que votariam em branco ou nulo, e 16% não souberam responder O detalhamento regional dessa simulação mostra Cleitinho à frente em cidades pequenas e médias, enquanto Kalil supera o adversário nos grandes municípios e amplia a vantagem em Belo Horizonte, onde alcança 46%, contra 23% de Cleitinho. Em um segundo cenário de segundo turno, sem Cleitinho, Alexandre Kalil lidera a disputa contra o vice-governador, Mateus Simões, com 32% das intenções de voto, ante 14% do oponente. Mais da metade do eleitorado (54%) permanece sem uma posição. Pesquisa A pesquisa também procurou entender o que o eleitor espera do próximo governador de Minas. Mais da metade dos entrevistados (56%) afirma desejar uma mudança nas políticas públicas adotadas pela atual gestão. O sentimento de mudança, na avaliação do diretor do Instituto Doxa, esvazia o discurso de continuidade e pode dificultar a estratégia de Mateus Simões. “Todo candidato à reeleição tem uma ligação intrínseca com a avaliação do governo, e o governador não está bem avaliado. Com uma avaliação baixa do governo Zema e um eleitorado inclinado à mudança, o espaço para um candidato de oposição fica aberto”, analisa. O levantamento investigou ainda a postura ideológica do candidato a governador que o eleitor prefere apoiar. O resultado aponta para um eleitorado majoritariamente indiferente a rótulos políticos: 47% dizem não se importar com a posição ideológica do candidato. “São esses eleitores que vão decidir a eleição, tanto para governador quanto para presidente”, avalia Vilas Boas. Dentre os que se posicionam, 28% afirmam preferir um nome identificado com a direita, enquanto 17% optam pela esquerda, e apenas 7% se dizem alinhados ao centro.