Câmara aprova Gás do Povo, o programa de Lula que beneficia 15 milhões de famílias

Com votação expressiva, Medida Provisória avança ao Senado para garantir segurança alimentar e combater a pobreza energética em todo o país Numa demonstração de prioridade à agenda social no início dos trabalhos legislativos, a Câmara dos Deputados aprovou, nesta segunda-feira (2), a Medida Provisória 1.313/2025. O texto institui o Programa Gás do Povo, uma iniciativa do governo Lula que altera o antigo modelo de auxílio financeiro para a entrega direta e gratuita de botijões de 13 kg de GLP. A matéria recebeu 415 votos favoráveis, refletindo o amplo consenso sobre a urgência de garantir o acesso ao gás de cozinha para população de menor renda. A proposta, editada pelo governo federal em setembro do ano passado, segue agora para o Senado. Para que não perca a validade, a MP precisa ser apreciada pelos senadores até o dia 11 de fevereiro. Se ratificada, a medida consolidará uma política pública de combate à pobreza energética, alcançando a meta de atender a 15 milhões de famílias em todos os municípios brasileiros até março deste ano. Segurança alimentar e transição energética O diferencial do Gás do Povo reside na substituição gradual do subsídio em dinheiro pelo fornecimento do produto. Segundo o relatório aprovado, de autoria do deputado Hugo Leal (PSD-RJ), o objetivo é assegurar que o benefício cumpra sua finalidade essencial, evitando que o recurso seja desviado para outras despesas urgentes em detrimento da segurança alimentar. Além do aspecto imediato, o programa incorpora uma visão de sustentabilidade. O texto incentiva a transição para energias limpas, promovendo o uso de biogás e sistemas de cozimento com baixa emissão de carbono. O programa também institui o selo “Gás Legal”, que visa certificar revendas e garantir maior transparência nos preços praticados no mercado. Critérios e grupos prioritários Para ter acesso ao botijão gratuito, as famílias devem estar com os dados atualizados no Cadastro Único (CadÚnico) e possuir renda per capita mensal de até meio salário mínimo (R$ 759). A frequência de entrega será escalonada conforme o número de integrantes da família: O relator manteve prioridades para grupos sociais específicos, como mulheres vítimas de violência doméstica sob medidas protetivas, povos indígenas e quilombolas, além de famílias residentes em áreas atingidas por desastres naturais. Implementação e transparência O cronograma de expansão do programa prevê a cobertura nacional plena já no próximo mês. Atualmente, o Gás do Povo opera em todas as capitais brasileiras, contando com uma rede de cerca de 10 mil revendas credenciadas. A retirada do botijão é simplificada, podendo ser feita via aplicativo “Meu Social Gás do Povo” ou pelo cartão do Bolsa Família, com validação eletrônica para impedir fraudes. O financiamento da política pública está lastreado em fontes sólidas, como royalties do petróleo, dividendos da Petrobras e recursos do Fundo Social. A gestão cabe ao Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS), que agora aguarda o desfecho da votação no Senado para dar continuidade à política de proteção social que integra o combate à fome e à dignidade energética.

Investigação do Master encontra envolvimento de políticos com foro especial, diz PF

De acordo com relatos feitos sob anonimato por investigadores, foram identificados “vários achados” com citações a políticos, incluindo nomes do Congresso Nacional. A Polícia Federal (PF) encontrou indícios que apontam para a participação de políticos com foro especial nas investigações envolvendo o Banco Master. Segundo investigadores, o material apreendido na operação indica referências a lideranças partidárias e autoridades, o que leva essa frente da apuração a tramitar no Supremo Tribunal Federal (STF), conforme informações da Folha de S.Paulo. As menções surgiram a partir de provas coletadas na primeira fase da operação Compliance Zero, que teve como alvo o banqueiro Daniel Vorcaro. De acordo com relatos feitos sob anonimato por investigadores, foram identificados “vários achados” com citações a políticos, incluindo nomes do Congresso Nacional. Quando Vorcaro foi preso, a Polícia Federal quebrou sigilos, apreendeu documentos e acessou o telefone celular do dono do Banco Master. As referências a políticos, no entanto, não estariam diretamente ligadas ao inquérito que apura a fabricação de carteiras fraudulentas de crédito consignado pelo banco e a tentativa de venda da instituição ao BRB. Essas fraudes embasaram a decisão da Justiça Federal em Brasília que autorizou a primeira fase da operação, deflagrada em 18 de novembro do ano passado, no mesmo dia em que o Banco Master foi liquidado. Vorcaro ganhou notoriedade na capital federal por manter uma ampla rede de aliados políticos e por organizar encontros em uma mansão em Brasília. Desde que ele se tornou alvo da PF, essas relações passaram a gerar tensão entre autoridades. Há receio, entre políticos, de que sejam reveladas conexões pessoais e financeiras com o banqueiro. Segunda fase e atuação do STF A verificação dos indícios envolvendo políticos será aprofundada e somada aos elementos já reunidos na segunda fase da Compliance Zero. Essa etapa mirou o uso de fundos administrados pela Reag para o desvio de recursos captados pelo Master com a venda de CDBs. A segunda fase, realizada em janeiro, ocorreu por determinação do ministro Dias Toffoli, que assumiu a relatoria após provocação da defesa de Vorcaro. Os advogados alegaram ter sido encontrada uma referência ao deputado João Bacelar, que possui foro especial. Segundo a PF, essa menção não é o foco atual, e o material cita outros políticos. Em depoimento prestado à PF no fim de dezembro, Vorcaro minimizou suas conexões políticas. “Se eu tenho tantas relações políticas, como estão dizendo, e se eu tivesse pedido a ajuda desses políticos, eu não estaria com a operação do BRB negada, eu não estaria aqui de tornozeleira, eu não teria sido preso e estaria com a minha família sofrendo o que a gente está sofrendo”, afirmou. Investigadores avaliam que as apurações envolvendo políticos podem ser desmembradas do caso original. Mesmo que o inquérito sobre o negócio entre BRB e Master seja remetido à primeira instância, a investigação relativa a autoridades com foro continuaria sob supervisão do STF. Debate interno no Supremo Nas últimas semanas, ministros do Supremo discutiram a possibilidade de enviar parte do caso à Justiça de primeiro grau, com o objetivo de reduzir a pressão sobre a Corte. O movimento foi visto como uma saída para Toffoli, cuja condução do inquérito tem sido questionada pelo alto grau de sigilo. Diante do desgaste, o presidente do STF, Edson Fachin, chegou a afirmar que havia “uma tendência, pelo que se verifica até agora”, de o caso deixar o tribunal. A descoberta de indícios envolvendo políticos, porém, pode levar a um ajuste de rota, com parte das investigações descendo de instância e uma nova frente permanecendo no Supremo. A apuração que pode ser enviada ao primeiro grau, relativa à fabricação de carteiras pelo Banco Master, está em estágio avançado e deve ser concluída em breve. A PF trabalha na elaboração de um relatório final, com a indicação dos indícios de crime atribuídos aos principais suspeitos. A principal preocupação entre pessoas envolvidas no caso é que a investigação contra políticos não avance no STF em razão de pressões sobre a Corte.

PF mira deputado do União Brasil em operação contra corrupção em emendas parlamentares

Os investigadores cumprem 14 mandados em endereços ligados ao parlamentar em Rio Branco e no apartamento funcional dele em Brasília Polícia Federal realiza uma operação, nesta quinta-feira, para colher provas sobre um esquema de desvio de emendas parlamentares no Acre. O caso, segundo a PF, envolve irregularidades na contratação de empresa responsável por shows musicais financiados pela Secretaria Municipal de Cultura de Sena Madureira, no Acre, em setembro de 2024. A ação foi autorizada pelo STF e mira as chamadas “emendas Pix” do orçamento secreto. O deputado federal Eduardo Velloso, do União Brasil, está entre os alvos das ordens de busca. “As investigações apuram suspeita de desvio de recursos na ordem de 912.000 reais, provenientes de emendas parlamentares, popularmente conhecidas como ‘Emenda Pix’, modalidade que permite repasses diretos da União sem convênios ou prestação de contas prévia”, diz a PF. Os investigadores cumprem 14 mandados em endereços ligados ao parlamentar em Rio Branco e no apartamento funcional dele em Brasília. Os investigadores miram crimes de associação a organização criminosa, fraude em licitação, corrupção, lavagem de dinheiro e outros delitos acessórios.

Lula critica intervenções dos EUA na abertura do Fórum do Panamá

O presidente pregou a integração dos países da região como caminho para o progresso e soberania das nações Em um discurso focado na defesa do multilateralismo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva abriu o Fórum Econômico Internacional da América Latina e Caribe nesta quarta-feira (28) apontando os impactos das pressões hegemônicas na região. Lula traçou um diagnóstico do atual cenário latino-americano e alertou que a fragmentação do bloco regional serve aos interesses de potências externas e aprofunda retrocessos históricos. Diante de líderes convocados pelo Banco de Desenvolvimento da América Latina e do Caribe e pelo governo panamenho, o presidente não apenas descreveu a paralisia das instituições multilaterais, mas identificou a postura agressiva de grandes nações e as divisões ideológicas como causas centrais da desintegração continental. De Simón Bolívar à atual paralisia Lula iniciou o discurso resgatando o simbolismo do Congresso do Panamá de 1826, idealizado por Simón Bolívar para ser o berço da união e da independência regional. No entanto, pontuou que o continente vive hoje o “maior retrocesso em matéria de integração”, citando a extinção da Unasul e o esvaziamento da CELAC. Essa desarticulação, para Lula, cobrou um preço alto que é a incapacidade das nações de oferecer respostas conjuntas a dramas como a pandemia de Covid-19 e o avanço do crime transnacional. “Seguir divididos nos torna todos mais frágeis”, alertou. As investidas do “unilateralismo e do neocolonialismo” Lula tratou das intervenções estrangeiras de forma direta. Numa clara alusão à política externa dos Estados Unidos, apontou o unilateralismo como uma ameaça real para a região. “A divisão do mundo em zonas de influência e as investidas neocoloniais por recursos estratégicos constituem gestos anacrônicos e retrocessos históricos”, declarou. A fala remete ao histórico de sanções e crises promovidas ou estimuladas por Washington na Venezuela e no Haiti. O presidente brasileiro defendeu a neutralidade estratégica do Canal do Panamá e rejeitou os modelos pan-americanistas que considera obsoletos, por funcionarem como correias de transmissão de interesses do Norte Global. Em substituição, propôs uma integração “pragmática e plural”, capaz de blindar a região de pressões militares e econômicas unilaterais. O resgate de Roosevelt contra o ódio digital Em um movimento diplomático, Lula buscou na história dos EUA um contraponto às investidas de Donald Trump ao citar a política de “boa vizinhança” de Franklin Roosevelt. O presidente resgatou o discurso das “quatro liberdades” (de expressão, de culto, de viver sem miséria e de viver sem medo), atribuído a Roosevelt, como caminho para fortalecer a democracia e enfrentar o discurso de ódio. Lula destacou que a manipulação por algoritmos representa uma nova forma de cerceamento da soberania e da liberdade na América Latina. “A única guerra que precisamos travar é contra a fome e desigualdade” Lula encerrou reafirmando que o Brasil se mantém como uma zona de paz regida pelo direito internacional, recusando-se a ser arrastado para conflitos de hegemonia globais. “Para o Brasil, a única guerra que precisamos travar é contra a fome e a desigualdade. Nossas armas devem ser o comércio justo e a tecnologia a serviço do povo”, concluiu.

Brasil é referência na América Latina após sair do Mapa da Fome, diz ONU

O secretário-executivo do Ministério do Desenvolvimento Social, Osmar Dias, lembra que o país é referência no mundo nas políticas de combate à fome há vários anos A política de combate à fome do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem servido de referência para todos os países da América latina. A avaliação é da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO/ONU). O representante da FAO para América Latina e Caribe, Rene Orellana, diz que as ações integradas adotadas pelo país fortalecem a segurança alimentar e inspiram países da região. O conjunto de medidas envolve políticas públicas como o fortalecimento do Bolsa Família e o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE). Para Orellana, essas duas ações combinadas com o apoio à agricultura familiar, à qualificação profissional, ao acesso a tecnologias e à ampliação do crédito para pequenos e médios produtores, foram decisivas para que o Brasil deixasse, pela segunda vez, o Mapa da Fome. Leia também: Brasil sai do Mapa da Fome e avança nas políticas públicas “O conjunto de políticas implementadas nos últimos anos tem fortalecido, de forma consistente, a segurança alimentar no Brasil. São políticas integrais e holísticas, que estimulam o consumo, fortalecem o mercado e valorizam os produtores, promovendo alianças entre grandes, médios e pequenos, algo essencial para a complementaridade do sistema”, afirma o representante da FAO. O secretário-executivo do Ministério do Desenvolvimento Social, Osmar Dias, lembra que o Brasil é referência no mundo nas políticas de combate à fome há vários anos. “O próprio programa Bolsa Família é reproduzido em mais de 80 países. A Aliança Global contra a Fome e a Pobreza, proposta pelo Brasil faz parte deste reconhecimento. Mas é preciso lutar permanentemente pela continuidade das políticas, pois elas são sempre atacadas. Como aconteceu nos governos Temer e Bolsonaro”, adverte Osmar. Governança Segundo a secretária extraordinária de Combate à Pobreza e à Fome do ministério, Valéria Burity, o diferencial do Brasil está na governança. “Temos um Sistema Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Sisan) que articula 24 ministérios por meio da Câmara Interministerial, com participação social assegurada pelo Consea, vinculado à Presidência da República, além de forte articulação interfederativa. Essa arquitetura se traduz em planos integrados, como os Planos Nacionais de Segurança Alimentar e Nutricional”, explica. A secretária acrescenta que, em 2023, o Sisan adotou também o Plano Brasil Sem Fome, que reuniu proteção social e políticas de produção e consumo de alimentos adequados e saudáveis. “A meta inicial deste plano, alcançada com êxito, era a retirada do Brasil do Mapa da Fome”, disse.

Apesar de 30 partidos registrados, poder político no Brasil se concentra na mão de poucas siglas

Jogo político é comandado por um grupo de sete partidos, que detêm maior número de mandatos, recursos Embora o Brasil tenha 30 partidos registrados no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o jogo político é disputado por um grupo mais restrito de legendas. São elas que concentram a maior parte das cadeiras no Congresso Nacional, comandam governos estaduais, prefeituras, bancadas robustas nas assembleias legislativas e câmaras municipais — e, principalmente, ficam com a maior fatia das bilionárias verbas eleitorais e do Fundo Partidário. Na prática, o sistema funciona como um funil: muitos partidos existem formalmente, mas poucos têm musculatura política para influenciar decisões nacionais. Entre os chamados “gigantes”, estão siglas como PT, PL, União Brasil, PP, PSD, MDB e Republicanos, que dominam o tabuleiro institucional e financeiro da política brasileira.A concentração de poder entre essas siglas se explica, em grande parte, pelo acesso aos recursos públicos. Para este ano, estão previstos R$ 4,9 bilhões no Fundo Eleitoral. A divisão desse dinheiro segue critérios legais que favorecem partidos com maior representação no Congresso. Na prática, grandes partidos recebem mais recursos, fazem campanhas mais competitivas e ampliam ainda mais seu domínio sobre o sistema político. O PT, hoje sob o comando de Edinho Silva, concentra sua estratégia na força eleitoral do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que se prepara para tentar um quarto mandato no Palácio do Planalto. Além do projeto presidencial e do esforço para ampliar sua presença, sobretudo no Senado, a legenda atua para preservar o controle de estados simbólicos, especialmente no Nordeste. No Ceará, por exemplo, o partido se articula para preservar sua hegemonia local, apostando na reeleição do governador Elmano de Freitas e no retorno de Camilo Santana ao campo político, após deixar o Ministério da Educação, para coordenar o enfrentamento a Ciro Gomes (PSDB), que busca se reposicionar ao flertar com o eleitorado bolsonarista. Do outro lado da arena política, o PL, presidido por Valdemar Costa Neto, trabalha para reorganizar suas bases em torno do senador Flávio Bolsonaro (RJ). O filho mais velho do ex-presidente Jair Bolsonaro busca superar resistências internas e ampliar alianças visando o Palácio do Planalto, enquanto parte da direita defende que o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), seria um nome mais competitivo para enfrentar Lula, por reunir um perfil considerado mais “moderado”. Já o PSD, sigla que mais elegeu prefeitos em todo o país em 2024, mantém uma estratégia aberta para a sucessão presidencial. O partido flerta com o lançamento do governador do Paraná, Ratinho Júnior, enquanto o presidente da legenda, Gilberto Kassab, avalia o tabuleiro. Nesta semana, inclusive, Kassab endossou um vídeo em que o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, também filiado ao PSD, mostra disposição para entrar na disputa. O União Brasil, hoje sob a presidência de Antonio Rueda, atua em parceria com o PP, comandado por Ciro Nogueira, em uma federação partidária poderosa, que soma tempo de televisão, recursos e influência regional. Juntos, os dois partidos detêm uma das maiores bancadas do Congresso – com 123 cadeiras – e mais de 1,3 mil prefeitos pelo país. O MDB, presidido por Baleia Rossi, mantém sua tradição no xadrez político: raramente lidera projetos nacionais, mas quase sempre é indispensável para sustentá-los. Já o Republicanos, comandado por Marcos Pereira, abriga em seus quadros um dos nomes mais competitivos da política atual, Tarcísio de Freitas, e avança ancorado em bases conservadoras e em uma sólida presença municipal. Fora do grupo dos grandes, há os partidos médios e os chamados “nanicos”. As legendas em prateleiras com menos lugar ao sol, para sobreviver, atuam em coligações ou funcionam como siglas de aluguel — ainda que, formalmente, tenham os mesmos direitos de existência no TSE. O objetivo é superar a cláusula de barreira e, assim, assegurar acesso a recursos públicos. A formação de um partido, aliás, passa por um caminho longo: começa com a criação de um programa e estatuto, coleta de assinaturas em ao menos nove estados, validação dos apoios pela Justiça Eleitoral e, só então, o registro definitivo. Existir, no entanto, é diferente de ter poder. Sem votos e bancadas, a legenda até entra no sistema, mas fica à margem das grandes decisões. No pano de fundo, os palanques estaduais seguem em construção, marcados por incertezas e negociações que dependem dos arranjos nacionais. Alianças fechadas em Brasília nem sempre se reproduzem nos estados, e disputas locais podem embaralhar projetos presidenciais. Enquanto as peças se organizam no jogo, os brasileiros se preparam para ir às urnas em 4 de outubro. Caso seja necessário segundo turno para cargos que o preveem, como presidente da República e governadores, uma nova votação está marcada para 25 de outubro de 2026.

Ameaçado nas disputas estaduais, PT foca em crescer no Congresso

Sigla ainda não sacramentou candidaturas, mas pode ter o menor número de cabeças de chapa de sua história O Partido dos Trabalhadores (PT) estabeleceu como uma das prioridades para este ano a eleição de deputados e senadores, escanteando a disputa aos governos estaduais. A sigla, que vai centralizar esforços para a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), pode ter o menor número de candidatos próprios a governador de sua história. O mais baixo número de candidaturas encabeçadas pelo PT foi registrado em 2010, ano em que a legenda privilegiou a eleição de Dilma Rousseff. Agora, membros do grupo de trabalho que discute a tática eleitoral do partido apontam que a sigla pode lançar sete candidatos — três deles à reeleição. No entanto, o número pode crescer com as definições a respeito de candidaturas petistas em São Paulo, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul e Maranhão. A expectativa é que o cenário volte a ser discutido no próximo dia 2 de fevereiro, quando o grupo voltará a se reunir. A diretriz da cúpula partidária é priorizar candidaturas ao Senado, em um movimento semelhante ao que tem sido articulado por aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Dirigentes do PT avaliam que a base aliada de Lula precisa conquistar maioria na Casa, que terá 54 cadeiras em disputa neste ano, para evitar “retrocessos” em um eventual quarto mandato do petista. Colocadas em segundo plano, as candidaturas aos governos devem ser concentradas em estados nos quais o PT demonstra viabilidade ou potencial para crescer ao longo da disputa. Outro objetivo será a manutenção dos atuais estados comandados pela sigla. Nas últimas eleições, a legenda disputou a chefia de 13 estados e conquistou a vitória em quatro: Bahia (Jerônimo Rodrigues), Ceará (Elmano de Freitas), Piauí (Rafael Fonteles) e Rio Grande do Norte (Fátima Bezerra). Do grupo, apenas Fátima Bezerra deve disputar outro posto em 2026. A governadora do Rio Grande do Norte se prepara para disputar novamente uma vaga ao Senado e tenta fazer como sucessor o atual secretário de Fazenda do estado, Cadu Xavier. Entre os candidatos à reeleição, Rafael Fonteles é o único que tem registrado bons desempenhos em pesquisas e afastado preocupações no entorno petista. Por outro lado, Cadu Xavier, Jerônimo Rodrigues e Elmano de Freitas têm figurado na segunda ou terceira colocação. O partido tem discutido estratégias para melhorar a performance dos prováveis candidatos. Na última semana, o ministro da Educação, Camilo Santana, afirmou que deve deixar a pasta para ajudar Elmano de Freitas na disputa cearense. Candidaturas lideradas pelo PT em disputas a governos estaduais1990: 23 candidatos1994: 19 candidatos1998: 16 candidatos2002: 24 candidatos2006: 18 candidatos2010: 10 candidatos2014: 17 candidatos2018: 16 candidatos2022: 13 candidatosA definirAlém dos candidatos à reeleição e de Xavier, o grupo eleitoral do PT trata como mais avançadas as negociações para as seguintes candidaturas próprias: Espírito Santo: Helder Salomão, deputado federal por três mandatos;Rio Grande do Sul: Edegar Pretto, presidente da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) e derrotado nas eleições ao Palácio Piratini em 2022.No Distrito Federal, Leandro Grass (PT) deve disputar em nome da federação PT-PCdoB-PV. Grass foi candidato ao GDF em 2022, pelo PV, e perdeu, no primeiro turno, para Ibaneis Rocha (MDB). Em vez de encabeçar as candidaturas, a direção nacional do PT orientou, no ano passado, que fossem privilegiadas composições em chapas aliadas — em alguns casos, ocupando a candidatura a vice-governador. Quatro estados, no entanto, ainda aguardam definições internas. Os dois principais são São Paulo e Minas Gerais. O grupo eleitoral do PT defende a candidatura do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, ao governo paulista. Haddad tem rechaçado a possibilidade. Dentro da sigla, há a expectativa de que ele seja convencido por Lula a disputar o posto. Em Minas, o presidente Lula já afirmou reiteradas vezes que gostaria de ver o senador Rodrigo Pacheco (PSD) disputando o Palácio da Liberdade. Pacheco também tem demonstrado resistência, e alas do diretório local da sigla têm defendido lançar um nome próprio. No Mato Grosso do Sul, Fábio Trad foi lançado pela direção local como pré-candidato a governador. Há uma avaliação de dirigentes nacionais de que o nome pode enfrentar, no entanto, dificuldades sem a participação da ministra do Planejamento, Simone Tebet (MDB), no palanque. Uma ala do PT local defende romper um acordo com o atual governador do Maranhão, Carlos Brandão (sem partido), e lançar o vice-governador Felipe Camarão (PT) como candidato ao governo estadual. Internamente, dirigentes petistas defendem uma construção que evite uma divisão no estado. As estratégias eleitorais do PT ainda devem ser discutidas ao longo dos próximos meses. A consolidação, dizem, deverá ocorrer no Congresso Nacional da sigla, marcado para abril. No mesmo mês, dirigentes da legenda também pretendem anunciar a renovação da federação partidária com PCdoB e PV. Diretriz da direçãoEm dezembro do ano passado, a direção nacional do PT aprovou uma resolução para guiar as negociações políticas e eleitorais em 2026. O texto coloca a reeleição de Lula como prioridade máxima da sigla e afirma que há “urgência de eleger uma nova correlação de forças no Legislativo”. O partido exige a “construção de chapas competitivas para as Assembleias Legislativas, Câmara Federal e, sobretudo, para o Senado, em que cada cadeira será decisiva para garantir governabilidade”. O PT avalia como “fundamental” a reunião de palanques “fortes e amplos nos estados” para “sustentar a campanha de Lula”.“O Senado, em particular, deve ser tratado como prioridade, uma vez que sua composição será determinante para a aprovação de reformas estratégicas, tornando imprescindível que o PT dispute com força essas vagas em cada estado, integrando a tática nacional com a dinâmica local de alianças e mobilização social”, diz o documento.

Lula traz euforia ao mercado financeiro e BC prepara ciclo de queda de juros

Ibovespa bate recorde histórico com forte entrada de capital estrangeiro e expectativa de início do afrouxamento monetário O mercado financeiro brasileiro viveu uma sexta-feira (23) histórica, com o Ibovespa encerrando o pregão no maior patamar de todos os tempos, impulsionado pelo forte fluxo de capital estrangeiro e pela crescente expectativa de início de um ciclo de queda da taxa básica de juros. O índice avançou 1,86% e fechou aos 178.858,54 pontos, após atingir, ao longo do dia, a máxima inédita de 180.532,28 pontos. As informações são do InfoMoney e do Brazil Stock Guide. O desempenho coroou a melhor semana da Bolsa brasileira desde abril de 2020. No acumulado dos últimos cinco pregões, o Ibovespa registrou alta de 8,53%, resultado associado à melhora do ambiente macroeconômico, à valorização de ativos ligados a commodities e ao aumento da atratividade dos mercados emergentes. Expectativa de corte de juros ganha força A leitura positiva do mercado também foi reforçada por avaliações do setor financeiro sobre a política monetária. Análise do BTG Pactual, divulgada pelo Brazil Stock Guide, aponta que o Banco Central pode iniciar o ciclo de flexibilização da taxa Selic já na reunião do Comitê de Política Monetária marcada para os dias 27 e 28 de janeiro. Segundo o banco, a taxa básica de juros, atualmente em 15%, encontra-se em território fortemente contracionista, o que permitiria um corte inicial de 25 pontos-base sem comprometer o processo de desinflação. No cenário-base do BTG, a Selic poderia recuar cerca de 300 pontos-base até o fim de 2026, alcançando aproximadamente 12%. A avaliação considera a desaceleração da atividade econômica desde meados de 2025, a perda de fôlego do crescimento do Produto Interno Bruto e sinais de moderação do consumo, mesmo diante do aumento da renda real das famílias. O banco manteve suas projeções de crescimento do PIB em 2,2% para 2025 e 1,7% para 2026. Projeções inflacionárias e capital estrangeiro No campo inflacionário, apesar da aceleração recente dos serviços, o BTG manteve suas projeções para o IPCA em 4,1% para 2026 e 3,8% para 2027, entendendo que o cenário segue compatível com uma calibragem cautelosa da política monetária. Levantamento divulgado pelo InfoMoney mostra que investidores estrangeiros foram os principais responsáveis pela forte alta do índice. Apenas em janeiro, o ingresso líquido de recursos externos na Bolsa brasileira somou R$ 12,3 bilhões, valor próximo de metade de todo o volume registrado ao longo do ano passado, indicando mudança relevante no apetite ao risco em relação ao Brasil. No mercado de câmbio, o real apresentou leve desvalorização no pregão, mas acumulou ganho de 1,59% frente ao dólar na semana. A moeda estadunidense subiu 0,05% nesta sexta-feira, cotada a R$ 5,287. Os juros futuros encerraram o dia em queda nos contratos de vencimentos mais longos, refletindo a expectativa de flexibilização da política monetária. Bolsa brasileira descola do exterior Enquanto o mercado brasileiro registrava forte valorização, os principais índices de Wall Street encerraram o dia sem direção definida e com oscilações moderadas. Na Europa, a maioria das Bolsas fechou em queda, em meio às incertezas geopolíticas e às declarações recentes do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) e o Irã. Apesar do cenário externo mais cauteloso, a suspensão temporária de ameaças tarifárias contra países europeus contribuiu para aliviar tensões no comércio internacional, favorecendo ativos de mercados emergentes. Ações líderes puxam o índice O avanço do Ibovespa foi liderado por ações de peso no índice. A Vale subiu 2,46%, acompanhando a valorização do minério de ferro. A Petrobras teve alta de 4,35%, impulsionada pela elevação dos preços do petróleo no mercado internacional. Entre as empresas do setor financeiro, Banco do Brasil avançou 3,54%, Bradesco subiu 2,41%, Itaú Unibanco registrou alta de 1,14% e Santander ganhou 1,68%. A B3 encerrou o dia com valorização de 1,28%. Bolsa brasileira descola do exterior Enquanto o mercado brasileiro registrava forte valorização, os principais índices de Wall Street encerraram o dia sem direção definida e com oscilações moderadas. Na Europa, a maioria das Bolsas fechou em queda, em meio às incertezas geopolíticas e às declarações recentes do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) e o Irã. Apesar do cenário externo mais cauteloso, a suspensão temporária de ameaças tarifárias contra países europeus contribuiu para aliviar tensões no comércio internacional, favorecendo ativos de mercados emergentes. Ações líderes puxam o índice O avanço do Ibovespa foi liderado por ações de peso no índice. A Vale subiu 2,46%, acompanhando a valorização do minério de ferro. A Petrobras teve alta de 4,35%, impulsionada pela elevação dos preços do petróleo no mercado internacional. Entre as empresas do setor financeiro, Banco do Brasil avançou 3,54%, Bradesco subiu 2,41%, Itaú Unibanco registrou alta de 1,14% e Santander ganhou 1,68%. A B3 encerrou o dia com valorização de 1,28%.

PREMIAÇÃO – ‘O agente secreto’ recebe quatro indicações ao Oscar

Longa iguala número de indicações de ‘Cidade de Deus em 2004 e disputa Seleção de Elenco, Melhor Filme Internacional, Melhor Ator e Melhor Filme O filme “O agente secreto”, do diretor Kleber Mendonça Filho foi indicado em quatro categorias do Oscar na manhã desta quinta-feira (22/1).Indicado nas categorias de “Seleção de Elenco”, “Melhor Filme Internacional”, “Melhor Ator”, para Wagner Moura, e “Melhor Filme” o filme empata no número de indicações com “Cidade de Deus”, de Fernando Meirelles, como os dois filmes brasileiros mais indicados na história da premiação. Em 2004, o filme de Meirelles foi indicado em “Melhor Direção”, “Melhor Roteiro Adaptado”, “Melhor Montagem” e “Melhor Fotografia”, mas não levou nenhum dos prêmios.Até agora, “O agente secreto” conta com 54 prêmios. No Brasil, o filme já foi visto por 1,25 milhão de espectadores. O longa continua em cartaz em várias salas de BH: BH, Centro Cultural Unimed-BH Minas, Cidade, Diamond, Del Rey, Pátio e UNA Belas Artes.Em “O agente secreto”, o ator baiano interpreta Marcelo, um pesquisador universitário e cientista que retorna à capital pernambucana em busca do filho e encontra abrigo na casa de Dona Sebastiana (papel de Tânia Maria), que acolhe perseguidos políticos e marginalizados, formando uma rede improvisada de resistência. A trama é ambientada em 1977. A cerimônia do Oscar 2026 está marcada para 15 de março e terá apresentação do comediante Conan O’Brien. A transmissão no Brasil será feita pela TNT.

Psol aciona STF contra “gratificação faroeste” a policiais que matam

Norma prevê percentuais de 10% a 150% dos vencimentos para policiais que ‘neutralizarem’ criminosos e apreenderem armas de grande calibre O Diretório Nacional do Psol acionou o Supremo Tribunal Federal (STF) nesta terça-feira (20) contra a chamada “gratificação faroeste”, um bônus de produtividade criado pelo governo do estado do Rio de Janeiro para premiar, entre outros critérios, o policial civil que tenha se destacado por matar criminosos. A relatoria do caso foi designada para o ministro Alexandre de Moraes, por prevenção, devido à relação do tema com a chamada ADPF das Favelas, ação de descumprimento de preceito fundamental que trata da letalidade policial no Rio de Janeiro. O partido de oposição ao governo fluminense pede uma liminar (decisão provisória e urgente) para suspender de imediato a gratificação. “O dispositivo é inconstitucional na forma e no conteúdo”, afirma o Psol, que chamou o bônus de “incentivo financeiro à violência policial”. Para a sigla, a gratificação é inconstitucional desde a partida, uma vez que foi criada por iniciativa do Legislativo, e não do Executivo, que detém a exclusividade para apresentar propostas que criam despesas de pessoal. EntendaAprovada em outubro de 2025, a Lei Estadual nº 11.003/2025 trata da reestruturação do quadro de servidores da Secretaria Estadual de Polícia Civil, e em seu artigo 21 prevê uma bonificação entre 10% a 150% do salário em casos como os de vitimização em serviço, apreensão de armas de grosso calibre ou, ainda, quando ocorrer a chamada “neutralização de criminosos”. O artigo chegou a ser integralmente vetado pelo governador Cláudio Castro, sob a justificativa de ausência de previsão orçamentária para os pagamentos, mas o veto acabou derrubado em dezembro pela Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj). Na ocasião, o próprio líder do governo, deputado Rodrigo Amorim (União), defendeu a derrubada do veto. Diversos órgãos também já se manifestaram pela ilegalidade e inconstitucionalidade da gratificação faroeste. Ainda antes da aprovação da lei, a Defensoria Pública da União (DPU), por exemplo, divulgou nota técnica que classificou a medida como um estímulo aos confrontos letais entre policias e bandidos. Segundo a Defensoria, o próprio termo “neutralização”, usado na lei, é impreciso e por si só viola a dignidade da pessoa humana.