“Ordem e Progresso” – Por João Geraldo Ferreira Santos (*)

Zé Ninguém, servidor do estado de Minas Gerais e de reputação ilibada, geria uma área de conservação ambiental, atividade na qual exercia sua função e tinha a responsabilidade como gestor, de zelar e fazer uso adequado de vários equipamentos públicos, dentre eles veículos automotores como carros e motocicletas. Ao todo cinco veículos. Além destes, motores estacionários, roçadeiras, motosserras, dentre outros. O que estou dizendo é que toda essa estrutura demandava gastos com manutenção, combustíveis, além de diárias de viagens utilizadas em viagens e monitoramentos da área que não era pequena. Recebia seu salário e recursos como diária, verbas para manutenção dos equipamentos, verbas para intervenções na unidade de sua responsabilidade como confecção de aceiros, edificação de estruturas, além de outros, movimentados no banco ITAÚ, à época. Pois bem! Em dezembro de 2007, sob o governo do PSDB, a folha de pagamento do estado fora retirada do banco ITAÚ para o banco do Brasil. Embora seus proventos foram para o banco do Brasil, Zé Ninguém preferiu continuar utilizando o primeiro banco, recebendo todos os recursos para o manejo da unidade de conservação, não me lembro quanto, mas não era pouco dinheiro. Infelizmente, em novembro de 2010 fora acometido por um câncer ficando afastado por todo o ano de 2011 realizando tratamento como radioterapia e quimioterapia. Quando finalmente se livrou do problema de saúde, procurou resolver outros imbróglios, os quais naquele intervalo fatídico, não encontrava disposição nem cabeça para solucioná-los. Um deles, era a famigerada conta do ITAÚ, uma vez que havia mais de um ano sem movimentação, já que por estar de licença não caíram recursos para a unidade em sua conta ITAU. Neste sentido, procurou o referido banco para negociar um débito adquirido pela manutenção da conta corrente no valor de R$ 400,00 aproximadamente, ou seja, quase o valor de um salário mínimo que na época era de R$ 545,00. Assim, propôs adquirir um empréstimo com juros menores, para quitar o débito e pagar o valor de forma mais branda. Foi negado, é lógico! Não obstante, em janeiro de 2022, a folha de pagamento do estado retorna ao banco ITAU, fato em que Zé Ninguém, em cumprimento parcial ao seu juramento, foi obrigado entrar naquele estabelecimento para requerer sua portabilidade para o mesmo banco do Brasil. Foram três suas “visitas” para esta finalidade – todas elas sem sucesso. A última ida, porém, permaneceu 5 horas em uma fila (de 09:00 às 14:00) e, segundo o atendente, com um ou dois minutinhos o seu pagamento estaria na sua conta no banco do Brasil. Foi-se embora monitorando seu saldo pelo aplicativo, sendo que não se confirmou a transferência até minutos antes da agência fechar, horário em que Zé Ninguém se encontrava na porta da mesma a fim de resolver o problema. Contudo, a portaria da agência afirmou que ele deveria pegar a fila novamente, fato que o deixou indignado perdendo sua razão ao empurrar a porta nervoso com a situação. O intuito era abrir a porta sem se importar se quebraria ou não, se seria repreendido pelos seguranças ou não. Antes mesmo de assentar para conversar com o gerente, a porta começou a debulhar em minúsculos fragmentos e a polícia já estava no ambiente, o que o fez indignamente falar aos militares que pudessem atirar, afirmando que só sairia dali com seu dinheiro. O problema é que já havia 6 dias que seu dinheiro se encontrava retido no banco, cerca de R$ 12.000,00. Já imaginaram 1.200.000 servidores com seus salários retidos e o banco especulando este dinheiro em aplicações ou em bolsas de valores neste intervalo de tempo? Pois é! Zé Ninguém foi preso, jogado dentro do camburão feito um bandido ou um saco de batatas, conduzido para a delegacia. Nunca tinha sofrido tanta humilhação e constrangimento daquela envergadura, sobretudo por ser um homem honrado e ter acontecido em meio a dezenas ou centenas de colegas de trabalho que estavam no momento dentro e fora do banco nas longas filas que ainda persistiam naquele horário. Resolveu o problema, mas o incidente fez uma PISADURA brava no seu âmago que nunca mais cicatrizou. Essa ferida persistiu e ainda persiste até hoje no coração e na mente de Zé Ninguém. Não sei se por este e ou por outros motivos, em meados de 2024 o seu câncer voltou feito um furúnculo que vem a furo ou um vulcão em erupção. Entrou na justiça por danos morais, mas perdeu ou nem fora julgado seu processo, É Óbvio! Você que chegou até aqui deve estar se perguntando o que o título deste texto tem a ver com seu conteúdo: Ordem e progresso, ordem para o povo, para o Zé ninguém, para o trabalhador, progresso para a Faria Lima, neste caso representado pelo banco ITAU. E o mais grave, aparelhado pelos tentáculos do estado, pois o banco nada sofreu, Zé Ninguém perdeu a fé em tudo, inclusive não reconhecendo mais o estado, nem a justiça e outras mazelas do sistema. (*) Professor pelo estado de Minas Gerais por cerca de 14 anos; Biólogo de formação pela Universidade Estadual de Montes Claros e ainda servidor público como Analista Ambiental na mesma esfera da federação por 20 anos; Pós graduado em Administração e Manejo de Unidade de Conservação; Pós Graduado em Perícia e Auditoria Ambiental e Mestre em biotecnologia com ênfase em recuperação em áreas degradadas em Mata ciliares, escritor e membro efetivo do Instituto Histórico e Geográfico de uma comuna de Minas Gerais, mas conduzido e preso pela polícia militar deste estado, jogado dentro de um camburão de uma viatura como um vagabundo, não a pedido, mas a mando da Faria Lima.
PP confirma neutralidade na eleição e Tereza Cristina não será vice de Flávio Bolsonaro

Partido descarta aliança com o PL após consulta interna; decisão sela fim da possibilidade de senadora na chapa O PP anunciou nesta sexta-feira (31) que ficará neutro na eleição presidencial, o que elimina a chance de a senadora Tereza Cristina (MS) ser vice na chapa de Flávio Bolsonaro (PL).“O Progressistas, após consulta aos diretórios estaduais, decidiu, por maioria, permanecer neutro no processo eleitoral. Diante disso, reiteramos a posição de não convocação a Convenção Nacional. A decisão já foi comunicada e acatada pela nossa líder no Senado Federal, senadora Tereza Cristina”, diz a nota.O tesoureiro do PP, deputado federal Ricardo Barros (PR), afirmou que o partido decidiu manter a neutralidade na eleição presidencial deste ano, frustrando o acordo que havia sido firmado entre os senadores Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e Tereza Cristina (PP-MS) para que ela fosse vice dele.“O PP fez consulta aos seus diretórios estaduais e, por maioria, decidiu permanecer na neutralidade no processo eleitoral, reiterando a posição de não convocar Convenção Nacional. A decisão já foi comunicada e acatada pela senadora Tereza Cristina, nossa líder no Senado Federal”, disse a nota do deputado, depois confirmada pela executiva nacional do PP.A decisão foi divulgada à imprensa cerca de 15 minutos após Flávio atender jornalistas na sede de seu comitê de campanha, no Ibirapuera, zona sul de São Paulo, e confirmar ter convidado a senadora para ser sua vice e disse que ela havia aceito.“O convite foi feito, ela aceitou e agora estamos nas conversas para saber se o partido vai avançar ou não. Enquanto isso, a gente também está em conversa, continuamos em conversa com outros partidos”, disse Flávio.O senador estava em seu comitê para uma reunião com o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), o prefeito da capital paulista, Ricardo Nunes (MDB), e vereadores da cidade.Quando falou à imprensa, ele estava ao lado da economista Daniela Marques (Republicanos), colaboradora da área econômica de sua campanha, que também tenta o posto de vice sem apoio de sua legenda.Flávio tem entre esta sexta-feira (31) e o próximo dia 5 para definir a vice, segundo a legislação eleitoral.Tereza teve recentemente um encontro com Flávio e aceitou integrar a chapa dele.A senadora estava totalmente contrária à ideia, mas foi pressionada nos últimos dias pela família Bolsonaro, pelo governador de São Paulo, e por lideranças do agronegócio.
Autoridades estimam 60 mil marroquinos em “invasão” a Ceuta

Governo local registra ao menos 34 mortos após travessias do Marrocos ao país europeu Cerca de 60 mil migrantes cruzaram nos últimos dias a fronteira entre o Marrocos e Ceuta, território espanhol no norte da África, levando Espanha e Marrocos a reforçarem a segurança nesta sexta-feira (31). O governo local informou que ao menos 34 corpos foram encontrados após as travessias por terra e mar.Juan Jesús Vivas, líder de Ceuta, disse que o total equivale a mais de 70% dos cerca de 85 mil habitantes do território. O ministro do Interior espanhol estimou que 25 mil migrantes retornaram voluntariamente ao Marrocos na manhã de sexta.O Departamento de Segurança Nacional da Espanha havia divulgado que mais de 49 mil pessoas cruzaram ilegalmente a fronteira em 24 horas, com base em dados do Ministério do Interior. O órgão retirou a informação de seu site mais tarde, sem explicar a mudança.Autoridades marroquinas usaram caminhões com canhões de água nos portões de Ceuta para dispersar a multidão. Próximo à fronteira, havia os restos carbonizados de um ônibus e de sete carros após confrontos.
Lula e Xi aceleram articulação por acordo entre Mercosul e China

Em conversa, presidentes reforçam cooperação em tecnologia, defendem negociações comerciais e alinham posições sobre crises internacionais. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente da China, Xi Jinping, concordaram em acelerar as tratativas para um acordo entre o Mercosul e a China durante conversa telefônica realizada na noite de domingo (26). O telefonema, que durou mais de uma hora, também serviu para reforçar a parceria estratégica entre os dois países em áreas de alta tecnologia e para alinhar posições sobre temas da agenda internacional.Segundo nota divulgada pelo Palácio do Planalto, os dois líderes discutiram a implementação das sinergias entre os projetos nacionais de desenvolvimento de Brasil e China e reiteraram o compromisso de ampliar a cooperação em setores estratégicos, como inteligência artificial, satélites, beneficiamento de minerais críticos e comércio de fertilizantes.Lula reafirmou que seu governo mantém o compromisso com a diversificação de mercados e parceiros comerciais. Nesse contexto, os presidentes defenderam a aceleração das negociações para um acordo entre o Mercosul e a China, ressaltando que o entendimento deverá contemplar as flexibilidades necessárias. De acordo com a Folha de S.Paulo, a iniciativa ganha relevância em meio ao aumento das tensões comerciais entre Brasil e Estados Unidos após a imposição de novas tarifas por Washington sobre produtos brasileiros.A conversa também abordou os resultados do comércio bilateral e iniciativas para ampliar o intercâmbio entre os dois países. Lula e Xi destacaram o impacto positivo das jornadas culturais Brasil-China realizadas neste ano e do acordo de isenção de vistos para viagens de curta duração, medidas que, segundo o Planalto, devem impulsionar o turismo e as oportunidades de negócios.Na pauta internacional, os dois presidentes manifestaram preocupação com a proliferação de conflitos e seus impactos sobre a segurança alimentar e energética global. Em relação ao Oriente Médio, afirmaram que as restrições à navegação nos estreitos de Ormuz e Bab el-Mandeb prejudicam a economia mundial e expressaram preocupação com a situação humanitária na Faixa de Gaza.Sobre a guerra na Ucrânia, Lula e Xi defenderam que o Grupo de Amigos da Paz, iniciativa promovida por Brasil e China, pode contribuir para a retomada das negociações entre as partes. Os líderes também criticaram a incapacidade do Conselho de Segurança da ONU de responder adequadamente às crises internacionais e reiteraram o compromisso dos dois países com o fortalecimento do multilateralismo, mantendo coordenação estreita na ONU, no Brics e em outros fóruns internacionais. Segundo a Folha, a versão divulgada pela agência estatal chinesa acrescenta que Xi Jinping declarou apoio ao Brasil na defesa de sua soberania e independência e na oposição a interferências externas, além de manifestar disposição para aprofundar a coordenação estratégica entre os dois países tanto no plano bilateral quanto multilateral.Com informações da Secretaria de Comunicação Social do Governo e da Folha de S.Paulo
Peça de IA com Bolsonaro pode derrubar candidatura de Flávio

A norma eleitoral prevê cassação do registro ou do mandato em casos de uso proibido de conteúdo manipulado O vídeo produzido por inteligência artificial que colocou Jair Bolsonaro pedindo apoio à candidatura presidencial do filho pode representar uma grave violação das regras eleitorais. A avaliação é do advogado e jornalista brasileiro Fernando Boscardín, radicado nos Estados Unidos, que classificou como ilegal a peça exibida na convenção nacional do PL.“Isso aqui é absolutamente ilegal”, afirmou Boscardín. Segundo ele, a utilização do vídeo pode configurar abuso de poder político e uso indevido dos meios de comunicação, ilícitos capazes de atingir diretamente o registro da candidatura de Flávio Bolsonaro.Na gravação, a imagem e a voz de Jair Bolsonaro foram recriadas digitalmente. Embora a própria peça avisasse que se tratava de uma simulação feita por inteligência artificial, o ex-presidente aparecia defendendo sua prisão como injusta e apresentava Flávio como o escolhido para substituí-lo: “O Brasil tem futuro e o futuro é Flávio Bolsonaro presidente”.Boscardín cita o artigo 9º-C da Resolução nº 23.610 de 2019 do Tribunal Superior Eleitoral, incluído pelas regras aprovadas em 2024. O dispositivo proíbe o uso de conteúdo sintético em áudio ou vídeo criado ou manipulado digitalmente para favorecer ou prejudicar uma candidatura, ainda que a pessoa retratada tenha autorizado a produção. A regra é mais rigorosa do que a obrigação de identificar materiais produzidos com inteligência artificial. Enquanto o artigo 9º-B determina que conteúdos sintéticos sejam explicitamente rotulados, o artigo seguinte proíbe os chamados deepfakes quando usados para beneficiar uma candidatura. Assim, na avaliação do advogado, o aviso colocado no vídeo não elimina a irregularidade.A resolução estabelece que o descumprimento da proibição configura abuso do poder político e uso indevido dos meios de comunicação social, podendo acarretar a cassação do registro ou do mandato, além de outras responsabilizações. A aplicação de qualquer punição, porém, depende da abertura de uma ação e de decisão da Justiça Eleitoral após a análise das circunstâncias e dos responsáveis pela produção e exibição da peça.A deputada federal Dandara Tonantzin, do PT de Minas Gerais, já anunciou que acionará a Procuradoria-Geral da República contra a utilização do vídeo. Ela também apontou possível descumprimento das normas do TSE e pediu a investigação do material apresentado durante o evento que oficializou Flávio como candidato do PL à Presidência.
PL vai ao TSE tentar censurar ICL por divulgação do documentário sobre Flávio Bolsonaro

Para o ICL, a ação revela “claro objetivo de intimidar e silenciar um veículo de comunicação que tem como missão o jornalismo responsável” O Partido Liberal (PL) ingressou com representação no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que pede a censura da divulgação do documentário “Flávio Bolsonaro: a verdadeira história sobre o filho zero um”, produzido pelo Instituto Conhecimento Liberta (ICL). O filme foi lançado nesta quinta-feira (23), no YouTube. A representação pede que o ICL “interrompa imediatamente a mobilização e a divulgação” do documentário.O partido quer também que o instituto informe o custo da produção e divulgação da obra, além de responder “se mantém contratos com o governo federal” e se recebe verbas “de partidos políticos, como o PT”. Por várias vezes o fundador do ICL, Eduardo Moreira, declarou que o instituto não tem patrocínios e nem recebe verbas de nenhuma empresa, partido ou governo, e se sustenta apenas da mensalidade dos alunos que fazem os mais de 300 cursos oferecidos pela instituição.Na ação, o PL alega que o instituto promove “propaganda eleitoral antecipada contra o senador e pré-candidato”.Em resposta, o ICL emitiu nota informando que é “uma plataforma de jornalismo reconhecida por sua dedicação à imprensa livre, independente e sem patrocínios de grupos políticos ou econômicos”. Diz o texto que “é justamente esse compromisso histórico com a apuração rigorosa dos fatos que sustenta a produção do documentário ‘Flávio Bolsonaro: a verdadeira história sobre o filho zero um’”.“Por isso, recebemos com indignação a representação eleitoral protocolada pelo Partido Liberal (PL) no Tribunal Superior Eleitoral. A ação revela, em nossa avaliação, o claro objetivo de intimidar e silenciar um veículo de comunicação que tem como missão o jornalismo responsável, livre e desvinculado de qualquer amarra partidária ou empresarial”, afirma a nota do ICL.E prossegue: “Criticar e questionar figuras públicas é função essencial da imprensa em qualquer democracia”.A ação do PL se refere à estratégia de divulgação do ICL, usada em várias oportunidades para dar conhecimento ao público do lançamento de seus produtos culturais e jornalísticos, como “complexa operação de mobilização político-eleitoral”. A nota do instituto rebate: “Tentar enquadrar a divulgação de uma produção jornalística como suposta ‘propaganda eleitoral ilícita’ é, antes de tudo, uma tentativa de deslegitimar o trabalho de apuração e transformar o exercício da liberdade de imprensa em objeto de perseguição judicial e censura.”O ICL reafirma no texto “seu compromisso com a verdade e com a informação de interesse público”, e confirma que “continuará nas trincheiras pela liberdade de expressão e pelo exercício do jornalismo livre, tal como garantido pela Constituição Federal”.
PP e União Brasil abandonam Flávio Bolsonaro e escancaram isolamento na corrida presidencial

Sem apoio da federação, o Zero Um perde espaço de articulação e enfrenta mais dificuldades para ampliar a base Crise interna e receio de novas acusações pesam contra a aliançaDirigentes de PP e União Brasil também demonstram pouca disposição para embarcar na candidatura de Flávio em meio a uma crise interna no campo bolsonarista. As siglas temem o surgimento de novas acusações de ligações do pré-candidato com o banqueiro Daniel Vorcaro.Uma fonte do Centrão resumiu o ambiente com a frase: “Expectativa de poder às vezes é maior do que o poder”. Em 2022, o PP se aliou ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), quando a relação de Ciro Nogueira com ele era considerada excelente.A relação de Ciro com Flávio azedou porque o presidente do PP reclama que o senador do PL não saiu em sua defesa quando a Polícia Federal realizou uma operação que o atingiu. A queixa entrou no cálculo político do Progressistas para evitar compromisso nacional com a candidatura.Flávio agora tenta abrir negociação com o Republicanos, partido que também esteve aliado a Jair Bolsonaro em 2022. A conversa enfrenta obstáculos: a sigla sinaliza neutralidade e reclama que o PL não quer apoiar seus candidatos a governador em alguns estados, como Mato Grosso, onde lançou o senador Wellington Fagundes (PL-MT) contra Otaviano Pivetta (Republicanos), que busca a reeleição; as tratativas também avançam com dificuldade em Roraima e no Acre.
Flávio Bolsonaro repete o pai e ataca urnas eletrônicas com mentira

Em evento com diplomatas, senador busca pretextos golpistas ao associar sistema de votação à fraude; TSE reitera que alegação é falsa Em evento com diplomatas nesta terça-feira (21), em Brasília, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) voltou a atacar a lisura do sistema eleitoral brasileiro ao associar, sem provas, as urnas eletrônicas do país à empresa Smartmatic, de origem venezuelana.A declaração foi feita durante o fórum “Debatendo o Brasil”, promovido pelas plataformas The Brazilian Report e Novo Selo Comunicação. Diante de representantes de cerca de 40 países, o parlamentar cobrou o envio da “maior quantidade de observadores possível” para acompanhar o pleito de outubro, reeditando a estratégia discursiva do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro.A fala do senador resgatou uma narrativa desqualificada em sucessivas ocasiões pela Justiça Eleitoral. Segundo relato veiculado pelo jornal O Globo, Flávio afirmou que “uma das suspeitas é que uma empresa chamada Smartmatic, de origem venezuelana, é que tenha uma programação para alteração das votações naquele país” e sustentou que “muitas dessas máquinas que são utilizadas nas eleições brasileiras têm a mesma origem dessa empresa”. Numa clara tentativa de criar condições para pretextos golpistas.Posteriormente, a assessoria do congressista declarou que ele não questionava o processo eleitoral, mas a manifestação pública alinhou-se aos recorrentes questionamentos levantados por setores da extrema direita contra as urnas. Flávio Bolsonaro ataca urnas eletrônicas com mentira desmentida pelo TSEReagindo às declarações no mesmo dia, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) reiterou a inexistência de qualquer vínculo entre as urnas eletrônicas brasileiras e a Smartmatic. A posição oficial do tribunal, registrada em esclarecimentos prestados nos anos de 2017, 2020 e 2022, destaca que todo o projeto, a arquitetura de software e a gestão do sistema de votação são desenvolvidos inteiramente e sob domínio exclusivo do Poder Judiciário brasileiro.Conforme os registros públicos da Justiça Eleitoral, a Smartmatic nunca produziu ou programou urnas eletrônicas no Brasil. A atuação da empresa no país restringiu-se ao fornecimento de serviços de transmissão de dados e voz em localidades isoladas durante os pleitos de 2012, 2014 e 2016, além do treinamento pontual de equipes de suporte técnico. Em 2020, a empresa disputou a licitação promovida pelo TSE para a fabricação dos novos modelos de urna, mas foi derrotada pela brasileira Positivo Tecnologia. Tecnologia nacional sob controle exclusivo da Justiça EleitoralAs urnas eletrônicas em uso no país — incluindo os modelos UE2020 e UE2022 — são fabricadas pela Positivo Tecnologia na planta industrial de Ilhéus (BA), sob rigorosa fiscalização presencial de técnicos e engenheiros do TSE. A alegação de vínculo tecnológico com sistemas externos é classificada como falsa pelo serviço Fato ou Boato, mantido pela Justiça Eleitoral, e por diversas agências independentes de checagem de fatos.A investida contra o sistema de votação repete o padrão adotado pela família Bolsonaro em eleições anteriores, pautado na contestação das urnas e na tentativa de criar ambiguidades perante organismos internacionais. Em 2022, o uso reiterado de alegações improcedentes contra a integridade do processo eleitoral integrou os fundamentos jurídicos que culminaram na declaração de inelegibilidade do ex-presidente Jair Bolsonaro pela Justiça Eleitoral.
Tarifaço de Trump contra o Brasil entra em vigor; veja as respostas do governo Lula

Medida alcança 18% das exportações brasileiras aos EUA e leva Planalto a fechar pacote de apoio às empresas A cobrança recairá sobre importadores estadunidenses quando os produtos brasileiros entrarem nos EUA, o que encarece as compras e pode reduzir a demanda por itens nacionais. A lista de exceções deixou fora mais de 2 mil produtos, incluindo petróleo bruto, café em grão, aeronaves, carne bovina, celulose, sucos de laranja, ferro-gusa e ferro-nióbio.Entre os produtos atingidos estão máquinas industriais, pneus, açúcar, etanol, tabaco, madeira, calçados e alguns itens de alumínio. O ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, disse que a medida alcança 18% das exportações brasileiras aos EUA tomando 2024 como base, o equivalente a US$ 7,4 bilhões. Governo prepara crédito e evita retaliação imediataCom base nos embarques de 2025, a fatia afetada cai para 15%, ou US$ 5,8 bilhões, enquanto 57% dos produtos vendidos pelo Brasil aos EUA seguem sem tarifa. No agronegócio, a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil estima impacto de R$ 4,6 bilhões por ano, o equivalente a 36,5% das vendas do setor ao mercado estadunidense.Dario Durigan, da Fazenda, afirmou que o governo deve concluir nos próximos dias medidas para reduzir efeitos do tarifaço e da alta dos fertilizantes. Uma das ações prevê linha de crédito para empresas misturadoras de fertilizantes; outra envolve investimentos como complemento ao Plano Brasil Soberano, com crédito a empresas atingidas pela sobretaxa e exigência de preservação de empregos.O Plano Brasil Soberano oferece linhas de crédito e outras formas de apoio a empresas afetadas por crises externas, com eixos voltados ao setor produtivo, aos trabalhadores e à diplomacia comercial. A ApexBrasil também prepara um programa de diversificação de mercados, previsto para o início de agosto, com investimento de R$ 130 milhões e parceria com o setor privado.O Planalto anunciou que iniciaria os trâmites para acionar a Lei da Reciprocidade Econômica, mas ainda não apresentou medidas concretas com base na legislação. Lula orientou aliados a evitar radicalismos, enquanto o vice-presidente Geraldo Alckmin classificou a tarifa como “injusta e descabida” e disse que o Brasil “não saiu da mesa de negociação”.Setores afetados também defenderam cautela em reuniões com o governo na terça-feira (21), e empresários de máquinas pediram resposta pela via diplomática e empresarial. Especialistas apontam negociação técnica, uso da reciprocidade como pressão e atuação junto a empresas, Congresso e governos locais nos EUA como caminhos para tentar reduzir o impacto.O governo brasileiro ainda trabalha com a possibilidade de os EUA aplicarem uma sobretaxa adicional de 12,5% por supostas falhas na fiscalização de importações produzidas com trabalho forçado. Se a cobrança acumular com os 25% desta quarta, alguns produtos brasileiros podem enfrentar tarifa total de 37,5%; o representante comercial estadunidense, Jamieson Greer, disse à CNBC que novas medidas serão anunciadas “em breve”
Lula diz que Vargas foi o presidente de maior envergadura da história e exalta legado de Brizola

Durante convenção do PDT, presidente enaltece legado de Vargas e defende a expansão nacional da escola em tempo integral O presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez uma enfática defesa dos legados de Getúlio Vargas e Leonel Brizola ao participar, na segunda-feira (20), da Convenção Nacional do PDT, que oficializou o apoio do partido à sua candidatura à reeleição. Lula afirmou que nenhum outro presidente brasileiro teve a mesma envergadura de Vargas e reconheceu que o PT errou ao não apoiar o projeto dos Centros Integrados de Educação Pública, os Cieps, implantado por Brizola no Rio de Janeiro.As declarações foram feitas durante o encontro nacional do PDT. A cerimônia também foi marcada pela entrega a Lula de um quadro com a Carta-Testamento de Getúlio Vargas e por discursos em defesa da soberania nacional e da democracia.Ao falar sobre a trajetória do ex-presidente, Lula afirmou que sua avaliação sobre Vargas mudou ao longo dos anos. O petista relatou que, no início de sua vida política, tinha uma visão crítica do líder trabalhista, mas passou a reconhecer sua importância depois de estudar sua atuação no governo.“Hoje, depois de ler tanto sobre Getúlio, acho que em nenhum momento da história o Brasil teve um presidente da envergadura de Getúlio e que pensasse no Brasil do jeito que ele pensou”, disse. Lula destacou que Vargas foi responsável por medidas que estruturaram a proteção social e trabalhista no país. Entre os exemplos, mencionou a criação do salário mínimo, em 1936, e a instituição da Consolidação das Leis do Trabalho, a CLT, em 1943. “Tem gente que critica a CLT, mas imagina o que era o Brasil antes”, afirmou.O presidente também homenageou Leonel Brizola e ressaltou a importância dos Cieps, concebidos para oferecer educação pública em tempo integral, alimentação e atividades complementares a crianças e adolescentes.Ao tratar do projeto educacional, Lula reconheceu que o PT errou ao não apoiar a iniciativa de Brizola naquele período. Para o presidente, a experiência dos Cieps antecipou uma política que hoje deveria ser adotada em todo o território nacional. “Hoje, todo mundo sabe que esse país não terá solução se a gente não nacionalizar a escola de tempo integral para todas as crianças” PDT oficializa apoio à reeleição de LulaA Convenção Nacional do PDT confirmou o apoio da legenda à candidatura de Lula à reeleição. O presidente do partido, Carlos Lupi, afirmou que a sigla não poderia se aliar a grupos políticos vinculados ao legado da ditadura militar. “PDT jamais poderia estar com os filhotes da ditadura”Lupi apresentou a disputa eleitoral como um confronto entre forças que defendem o país e setores que, segundo ele, agem contra os interesses nacionais.“De um lado está Tiradentes — ao qual nós nos filiamos. Do outro está Silvério dos Reis. Quem quiser escolher o lado de Silvério dos Reis, que pague o preço da história”O dirigente também classificou Lula como um patriota e fez críticas ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, cuja atuação associou à família Bolsonaro no Brasil.Trump é o grande rival da sociedade moderna. É o que persegue, que faz guerra por interesse financeiro, que está fazendo pelo mundo uma destruição permanente dos princípios democráticos”Segundo Lupi, Lula representa uma posição política oposta à defendida pelo governo norte-americano.“Trump é o atraso, o ódio. Tudo o que ele representa é representado aqui pela família Bolsonaro. Lula pode representar a antítese de Trump. Vai representar, com a sua vitória. Lula é um patriota” Lula defende soberania e democraciaAlém de homenagear as principais referências do trabalhismo brasileiro, Lula afirmou que a defesa da soberania nacional e da democracia estará no centro da disputa eleitoral.“Não há nada mais sagrado neste momento histórico do que a defesa da soberania nacional e a questão da democracia”O presidente criticou políticos brasileiros que viajam aos Estados Unidos para defender sanções e medidas contra autoridades e instituições do Brasil. Lula não mencionou nomes durante o discurso.“Antigamente, traidor era enforcado porque trair a pátria é algo muito grave. Hoje, temos não um, mas vários traidores que vão aos Estados Unidos pedir para impor punição ao Brasil”Lula afirmou ainda que não aceitará novos ataques ao regime democrático e disse que observadores e autoridades estrangeiras poderão acompanhar o processo eleitoral brasileiro.“Não há possibilidade de a gente permitir que a democracia sofra mais um arranhão”O presidente citou o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, uma das principais autoridades do governo Trump envolvidas nas pressões contra o Brasil.“Se o secretário de Estado americano, Marco Rubio, quiser vir acompanhar meu adversário, que venha, que monte um comitê. A gente vai derrotar todos em nome da defesa da democracia” Lideranças do PDT defendem frente progressistaA convenção reuniu parlamentares, dirigentes partidários e pré-candidatos do campo progressista. A ex-deputada Marília Arraes, pré-candidata ao Senado por Pernambuco, defendeu a eleição de uma maioria democrática na Casa para preservar a soberania nacional.Segundo Marília, o bolsonarismo se associou ao imperialismo “de forma escancarada”.A pré-candidata ao governo do Rio Grande do Sul, Juliana Brizola, afirmou que os partidos progressistas construíram uma “aliança histórica” no estado. De acordo com ela, a coligação reúne mais de oito partidos e lidera as pesquisas eleitorais.A senadora Leila do Vôlei, pré-candidata à reeleição pelo Distrito Federal, comparou os anos do governo Jair Bolsonaro com a atual gestão de Lula. Ela afirmou que, durante o governo anterior, o país viveu “inúmeros retrocessos”, enquanto a administração petista buscou reconstruir políticas públicas.O ex-senador Roberto Requião, candidato a deputado, destacou que a frente de apoio a Lula reúne forças políticas distintas, unificadas pela defesa da democracia. Ele também defendeu que o governo discuta a reestatização da Eletrobras.“Não é possível que o mundo inteiro reverta privatizações, estatizando empresas, e nós fiquemos tranquilamente acompanhando esse processo de liberalização da economia”Representando o PCdoB, João Goulart Filho afirmou que as forças democráticas precisam impedir o avanço da extrema direita e cobrar mudanças estruturais de um novo governo Lula.“Temos, principalmente, que ir contra esse sistema financeiro que aí se encontra judiando do nosso país e dos nossos trabalhadores”