PF mira Ciro Nogueira por mesada de Vorcaro, “Emenda Master” e viagem de quase R$ 2 milhões

A amizade do senador Ciro Nogueira, presidente do Progressistas (PP) com Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, resultou em uma investigação que aponta mesada, sociedade oculta, viagens de luxo, uso de imóveis e atos parlamentares sob suspeita. Com informações da Piauí, que teve acesso a relatório da Polícia Federal e a documentos do Coaf que embasam a apuração sobre a relação entre o senador e o banqueiro. A Polícia Federal vê na relação entre o Senador e o ex-banqueiro um “arranjo funcional e instrumental orientado por benefício mútuo, extrapolando relações de mera amizade”, nas palavras do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), ao autorizar nova operação no caso Master.Em março, após mensagens de WhatsApp ligarem seu nome ao banqueiro, Ciro tentou minimizar a relação. “Sem falsa modéstia, você sabe que eu me tornei um dos homens mais influentes da política nacional. Eu conheço todos os grandes empresários do nosso país. Todos”, disse em entrevista a um telejornal de Teresina.O senador também afirmou: “Não tem nenhum grande empresário nesse país que não já tenha me procurado em Brasília, ou me convidado para eventos, ou para palestra, ou para jantares”. Em outro momento, declarou: “Agora, você nunca vai ver nada de errado nesses diálogos. Ah, ‘foi convidado para jantar’. Ah, ‘botou um helicóptero à minha disposição’, que eu não usei. Poxa, mas, pelo amor de Deus. Isso é o fato de nós termos um homem influente que conhece todos os homens influentes do país”.A investigação mostra, porém, que a relação seria mais antiga e mais ampla. Um documento do Coaf aponta que, entre agosto de 2023 e agosto de 2024, a BRGD, empresa da família de Vorcaro, depositou R$ 902 mil na CNLF Empreendimentos Imobiliários, empresa ligada à família de Ciro. O órgão considerou as operações atípicas, e a PF suspeita de pagamentos de propina disfarçados de relação empresarial.Em abril de 2024, a CNLF comprou por R$ 1 milhão uma fatia de 30% da Green Investimentos que valeria R$ 13 milhões, segundo a reportagem. O negócio foi feito por contrato de gaveta e, conforme Mendonça, buscava “evitar a supervisão regulatória”. Três meses depois, a CNLF teria direito a cerca de R$ 720 mil em dividendos.Também foram reveladas mensagens que indicam pagamento de mesada ao senador. Em junho de 2025, Vorcaro cobrou o primo Felipe Cançado Vorcaro sobre atrasos: “Cara, eu no meio dessa guerra, atrasou dois meses Ciro?” O primo respondeu: “Vou ver se dou um jeito aqui” e perguntou: “Vai continuar os 500k, ou pode ser os 300k?”Outro trecho envolve o uso de imóvel de Vorcaro por Ciro. Em diálogo, o senador disse: “Não quero abusar da tua boa vontade, não. Tá bom, meu irmão?”O banqueiro respondeu: “Relaxa com isso”. Depois, Ciro escreveu: “Me avisa que eu dou um jeito se tu precisar. Abração, meu irmão. Saudade grande de você”. Vorcaro concluiu: “Irmãozão, já te falei desse apto. Zero estresse. Vamos conversar depois”.A investigação também aponta que a chamada “Emenda Master”, apresentada por Ciro em agosto de 2024 para elevar de R$ 250 mil para R$ 1 milhão a cobertura do Fundo Garantidor de Créditos, teria sido redigida pela assessoria do próprio banco. Segundo a PF, Vorcaro comemorou que o texto saiu “exatamente como mandei”. No “pacote” da amizade entre os ambos ainda tem o financiamento de viagens de luxo, como uma temporada em Courchevel, nos Alpes franceses, que teria custado R$ 1,849 milhão e sido paga por Vorcaro. Procurado, Ciro Nogueira não respondeu uma lista de 60 perguntas enviadas pela revista.
“Zema se precipitou”, diz Flávio ao negar pedido de recursos a Vorcaro

O senador Flávio Bolsonaro reagiu nesta segunda-feira (1º) às declarações do ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), sobre sua relação com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Durante participação no evento Eloos, promovido pela Rádio Itatiaia em parceria com a CNN Brasil, o parlamentar afirmou que Zema “se precipitou” ao comentar o caso e defendeu a união dos nomes da centro-direita para as eleições presidenciais.“Não tenho nenhuma preocupação com isso e acho, mais uma vez, que o Zema se precipitou. Tenho convicção de que tanto Zema quanto Caiado e qualquer outro candidato de centro-direita estarão unidos, porque temos que impedir que o Brasil quebre nas mãos do PT”, declarou o senador.As críticas de Zema ganharam força após a divulgação de informações sobre a relação entre Flávio e Vorcaro, ex-dono do Banco Master. Nos últimos dias, o político mineiro classificou o episódio como “imperdoável”, afirmou que “gambá cheira a gambá” e avaliou que uma eventual candidatura do senador poderia favorecer a reeleição do presidente Lula. Além de responder ao ex-governador, o pré-candidato da extrema direita comentou sobre o financiamento do filme “Dark Horse”, obra inspirada na trajetória de Jair Bolsonaro. O senador negou ter solicitado recursos ao ex-banqueiro para a produção do longa-metragem.“Não pedi dinheiro para ninguém. Era um dinheiro privado para um filme privado”, afirmou durante o encontro realizado em Belo Horizonte.Na sequência, ele reforçou que a produção não recebeu recursos públicos. “Não teve dinheiro público no filme. Foi investimento privado em um filme privado para contar a história do melhor presidente que este Brasil já teve, Jair Messias Bolsonaro”, disse.
Chegou a hora do Norte de Minas Gerais ocupar seu lugar de destaque, após mais de 300 anos de história

O ex-procurador-geral de Justiça do estado, Jarbas Soares Júnior, está determinado a reescrever os rumos de Minas, colocando os Gerais no centro das decisões e conquistas. O estado de Minas Gerais foi oficialmente criado em 2 de dezembro de 1720 por meio de um alvará assinado pelo Rei Dom João V de Portugal, que determinou o desmembramento da antiga Capitania de São Paulo e Minas do Ouro, originando a Capitania de Minas Gerais. Com uma geografia diversa e uma identidade histórica rica, essa pluralidade inspirou o renomado escritor Guimarães Rosa a dizer que “Minas Gerais são muitas. São, pelo menos, várias Minas.” Contudo, entre essas várias Minas mencionadas pelo Guimarães, o Norte do estado sempre teve papel secundário, sendo explorado principalmente para a extração de suas riquezas destinadas a Portugal e outras regiões. Durante seus mais de três séculos de existência, nenhum governante em Minas Gerais foi originário da região Norte. Jarbas Soares Júnior, natural de Montes Claros, parece disposto a mudar esse capítulo da história. Filho de Sebastião Jarbas Soares, de Taiobeiras e de Rosalice Caetano Soares, da cidade de São Francisco, Jarbas lançou sua pré-candidatura ao governo do estado pelo Partido Socialista Brasileiro (PSB). Ex-procurador-geral de Justiça em Minas Gerais, ele ingressou no PSB a convite do vice-presidente da República Geraldo Alkmin e do senador da República, Rodrigo Pacheco, com a intenção de compor a chapa majoritária que disputará as eleições estaduais. O nome de Jarbas vem ganhando destaque nas recentes negociações políticas, tornando-se uma das principais apostas no cenário político mineiro. Isso se intensificou após o senador Rodrigo Pacheco, também filiado ao PSB, anunciar que não disputará o governo estadual em 2026. Com esse cenário, o Norte de Minas busca conquistar um protagonismo há muito almejado na política estadual e, assim, contribuir para a construção de um novo capítulo na história de Minas Gerais. Neste fim de semana, durante sua participação na 43ª Expô Janaúba, Jarbas Soares Júnior oficializou sua pré-candidatura ao Governo do Estado. Em entrevista ao EM CIMA DA NOTÍCIA, Jarbas reforçou seu objetivo de governar com enfoque em todo o território mineiro, destacando especialmente o grande potencial dos Gerais, que ele acredita merecer maior reconhecimento e valorização. Jarbas também relembrou sua importante atuação no âmbito jurídico, como no caso do Acordo Judicial de Reparação firmado com a mineradora Vale após o rompimento da barragem em Brumadinho, que tragicamente resultou em mais de 200 mortes em janeiro de 2019. Sob sua liderança como procurador-geral de Justiça, esse acordo beneficiou os 853 municípios mineiros, com prioridade para os 26 territórios diretamente atingidos pelo desastre. O feito reforça seu discurso de compromisso com o desenvolvimento integral de Minas Gerais e a reparação histórica das regiões afetadas.
Rodrigo Pacheco anuncia fim de ciclo na política e descarta candidatura ao governo de Minas

Em evento em São Paulo, senador informou que retornará à advocacia em tempo integral e rejeitou possibilidade de ocupar cargo em tribunais superiores O senador Rodrigo Pacheco (PSB-MG) afirmou nesta sexta-feira (29) que pretende encerrar sua trajetória política após concluir o atual mandato. A declaração foi dada durante um evento promovido pelo Grupo Lide, em São Paulo, e ocorre dez dias após o PT confirmar que o parlamentar não disputará o Governo de Minas Gerais nas eleições de 2026. Ao comentar a decisão, Pacheco disse que vive um “fechamento de ciclo”, tem “sentimento de dever cumprido” e não pretende se perpetuar na política.Ex-presidente do Senado e do Congresso Nacional, o parlamentar mineiro ressaltou que sua passagem pela vida pública foi marcada por realizações e que a decisão de deixar a atividade partidária vem sendo amadurecida há algum tempo.“Tenho 12 anos de vida pública, fui deputado e senador, presidente do Senado e do Congresso Nacional por quatro anos. Tenho uma vida plenamente realizada. Há sempre um momento de a gente avaliar ciclos. E há um fechamento de ciclo na política, que eu decidi fazer, com o sentimento de dever cumprido”, declarou durante o seminário sobre inovação e inteligência artificial realizado na capital paulista.Segundo Pacheco, a ideia de não permanecer indefinidamente em cargos públicos existe desde o início de sua carreira. “Quando eu entrei na política, eu dizia sempre que a gente tem uma data de entrada e uma data de saída. Que eu não me eternizaria na política. Eu tenho muito desapego ao poder”, afirmou.Decisão ocorre após desistência da disputa em MinasA fala reforça o cenário desenhado nas últimas semanas. No início de maio, Pacheco havia informado que definiria até o fim do mês se concorreria ao Palácio Tiradentes, após meses de articulações e incentivos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para que liderasse a chapa governista em Minas.No último dia 19, porém, o presidente nacional do PT, Edinho Silva, afirmou publicamente que o senador optou por não disputar o Governo de Minas, levando a legenda a retomar conversas com outras lideranças para a construção de uma candidatura ao Executivo estadual. Cotados para a sucessãoQuestionado sobre quais lideranças poderiam representar o seu grupo político na disputa pelo governo mineiro, Pacheco defendeu a construção de um projeto capaz de unir forças do chamado “campo democrático”. Entre os nomes citados por ele estão o empresário Josué Gomes da Silva e o ex-procurador-geral de Justiça de Minas Gerais, Jarbas Soares, ambos filiados ao PSB.O senador também elogiou publicamente a ex-prefeita de Contagem, Marília Campos (PT), apontada como um dos principais nomes para a disputa ao Senado. “Algo que me entusiasma muito, ter uma mulher no Senado, representando Minas Gerais, com a qualidade da Marília Campos”, concluiu.
Estado de S. Paulo retrata Flávio Bolsonaro como mordomo de Trump

Editorial do jornal afirma que senador agiu de forma subserviente ao buscar foto na Casa Branca em meio ao escândalo Daniel Vorcaro O jornal O Estado de S. Paulo publicou um duro editorial contra o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), retratando o parlamentar como um “mordomo da Casa Branca” após sua visita ao atual presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. O texto afirma que a principal intenção do filho de Jair Bolsonaro era obter uma fotografia ao lado do líder norte-americano para tentar fortalecer sua imagem política junto à direita brasileira. No editorial intitulado “O mordomo da Casa Branca”, o Estadão sustenta que a imagem produzida durante o encontro expõe uma postura de “subserviência” de Flávio Bolsonaro em relação a Trump. Segundo o jornal, a fotografia teria sido usada como instrumento para tentar dar “sobrevida” a uma candidatura considerada fragilizada dentro do próprio campo bolsonarista, especialmente após os desdobramentos envolvendo sua relação com o banqueiro Daniel Vorcaro.“O que interessa, para o clã Bolsonaro, é que aconteceu e foi registrado numa imagem que pode dar sobrevida a uma candidatura questionada mesmo por alguns dos mais fiéis adeptos do bolsonarismo”, escreveu o jornal.O Estadão também afirma que, longe de transmitir imagem de liderança de Estado, Flávio apareceu em posição de submissão diante do presidente norte-americano. “Na pose de mordomo da Casa Branca, Flávio transpira subserviência a Trump”, diz o editorial.A publicação argumenta ainda que o comportamento do senador contrasta com aquilo que se espera de um chefe de Estado brasileiro nas relações internacionais. “Tal comportamento é o exato oposto do que se espera de um presidente da República, que representa o Estado brasileiro nas relações internacionais e, por isso, deve ser sempre altivo”, afirma o texto.O editorial amplia as críticas ao clã Bolsonaro ao associar a aproximação com Trump a interesses políticos familiares. Segundo o Estadão, Flávio não teria representado o Brasil no encontro, mas sim os interesses de sua família, especialmente os de Jair Bolsonaro, descrito pelo jornal como estando em prisão domiciliar após condenação relacionada à tentativa de golpe de Estado.A publicação também menciona a presença de Eduardo Bolsonaro na articulação da visita. O deputado licenciado, que vive atualmente no Texas, é acusado pelo jornal de atuar para deteriorar as relações entre Brasil e Estados Unidos com o objetivo de pressionar Trump a agir politicamente em favor de Jair Bolsonaro.O texto recorda ainda o episódio em que Trump impôs tarifas comerciais ao Brasil, movimento interpretado como tentativa de pressionar o País em relação à situação jurídica de Jair Bolsonaro. Segundo o Estadão, posteriormente o presidente norte-americano teria percebido vantagens em manter diálogo com o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a quem chamou de “dinâmico”.O editorial também questiona a versão apresentada por Flávio Bolsonaro sobre o encontro. O senador afirmou ter discutido com Trump temas como terras raras, crime organizado, tarifas comerciais e até a saúde de Jair Bolsonaro. No entanto, o jornal observa que nem o site oficial da Casa Branca nem as redes sociais de Trump registraram a reunião.“Todo esse esforço, contudo, resultou apenas numa foto que rapidamente serviu de matéria-prima para todo tipo de piada nas redes sociais”, conclui o Estadão.
Deputado do partido de Bolsonaro pede vista e votação do parecer do fim da escala 6×1 foi adiado

Votação do relatório que prevê redução gradual da jornada para 40 horas semanais e garantia de dois dias de descanso, deve ser retomada na quarta-feira (27) Após pedido de vista apresentado pelo deputado Maurício Marcon (PL-RS), a votação do parecer da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que prevê o fim da escala 6×1 e a redução da jornada semanal de trabalho de 44 para 40 horas foi adiada. A análise do texto deve ser retomado na próxima quarta-feira (27), na comissão especial da Câmara dos Deputados. Pelo regimento da Casa, o pedido de vista concede automaticamente prazo de duas sessões para análise da proposta antes da votação.O pedido foi feito após a leitura do relatório do deputado Leo Prates (Republicanos-BA), apresentada na noite desta segunda-feira (25). O presidente da comissão, Alencar Santana (PT-SP), aceitou a solicitação, prevista no regimento da Câmara.O parecer apresentado por Prates prevê a redução gradual da jornada semanal para 40 horas, sem redução salarial, além da garantia de dois dias de descanso remunerado por semana, preferencialmente aos domingos. O texto altera o artigo 7º da Constituição Federal e estabelece que a duração do trabalho não poderá ultrapassar oito horas diárias e 40 horas semanais, permitindo compensações e ajustes por meio de acordos e convenções coletivas.A proposta prevê uma transição em duas etapas que foi acordada com o governo. Sessenta dias após a promulgação da emenda constitucional, a jornada cairá de 44 para 42 horas semanais, já com a adoção da escala 5×2. Após 12 meses, haverá nova redução de duas horas, chegando ao limite de 40 horas semanais.O relator argumenta que a implementação gradual busca reduzir impactos econômicos e permitir adaptação das empresas. Durante o período de transição, o texto autoriza a ampliação da duração diária da jornada, mediante negociação coletiva, para viabilizar a redistribuição das horas trabalhadas ao longo da semana.O relatório também estabelece exceções para trabalhadores considerados “hipersuficientes”. Fazem parte dessa categoria profissionais com diploma de nível superior e remuneração acima de duas vezes e meia o teto do INSS, atualmente em cerca de R$ 21 mil. Nesses casos, a redução da jornada não será automática, embora a escala 5×2 permaneça obrigatória. Segundo Prates, a medida busca enfrentar a “pejotização” entre trabalhadores de alta renda.Outra previsão do texto trata dos contratos da administração pública com empresas privadas. Nesses casos, a aplicação das novas regras dependerá de aditamento contratual para garantir o equilíbrio econômico-financeiro dos contratos, com prazo máximo de até 12 meses para adequação. Manifestação cobra redução imediata da jornadaEnquanto a comissão especial discutia o parecer em Brasília, trabalhadores e movimentos populares realizaram uma manifestação na Avenida Paulista, em São Paulo (SP), em defesa do fim da escala 6×1 e contra o período de transição previsto no relatório.Com palavras de ordem como “transição não”, os manifestantes caminharam do Museu de Arte de São Paulo (Masp) até a Praça Roosevelt, reivindicando a implementação imediata da jornada de 40 horas semanais e da escala 5×2. Participaram do ato sindicatos, movimentos populares e organizações como o Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto (MTST) e o Movimento VAT (Vida Além do Trabalho).Durante a manifestação, lideranças sindicais e populares criticaram a adoção gradual da medida e defenderam que a redução da jornada seja aplicada logo após a aprovação da PEC. O presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, Wellington Damasceno, afirmou que a redução da jornada “sem redução de salário e sem transição” é uma reivindicação histórica do movimento sindical brasileiro.
“Preconceito fantasiado de opinião”: Ana Paula Renault detona Huck após críticas ao Bolsa Família

A jornalista e campeã do BBB 26 Ana Paula Renault usou suas redes sociais neste domingo (24) para defender o programa Bolsa Família, que foi atacado pelo apresentador Luciano Huck durante um evento para empresários. De acordo com o global, muitos beneficiários estão acomodados no programa, engessando a economia e atrasando o país. “O Bolsa Família talvez seja uma das políticas públicas mais mal interpretadas do Brasil. Durante anos, repetiram a ideia cruel de que o brasileiro recebe o benefício e ‘se acomoda’. Mas os dados contam outra história”, afirmou Ana Paula. Ela citou estudo da FGV segundo o qual, em dez anos, mais de 60% dos beneficiários deixaram o programa. Entre jovens que eram adolescentes quando recebiam o benefício, o índice passa de 70%.
A sabotagem que Luciano Huck queria manter em conversa reservada

Em evento para Empresários Luciano huck ataca o programa “Bolsa Família” dizendo que benefício não ajuda pessoas a saírem da pobreza, em 2025Por Moisés Mendes Por Moisés MendesO trecho mais chocante, mais cínico e por isso mesmo mais importante do vídeo em que Luciano Huck tenta dizer que não detonou o Bolsa Família, em evento no sábado em São Paulo, é esse aqui:“Eu tive uma fala num evento fechado, fora do Domingão, não era nas minhas redes sociais, não foi uma entrevista que eu dei”.O sujeito alega, como eles sempre dizem, que suas declarações vazadas ficaram ‘fora do contexto’. E faz essa confissão: sua fala deveria ter ficado lá naquele evento fechado, o Fórum Esfera, no Guarujá, no litoral paulista Como a fala vazou, fica claro que, em eventos fechados com empresários e todo tipo de reaça, eles dizem o que pensam para sabotar o Bolsa Família. Não era para ter vazado. Mas nem todos os que estavam ali eram da mesma turma.Também é assim quando vaza foto de juízes em banquete com empresário milionário que tem interesse em processos julgados por esses mesmos juízes.A situação só é revelada porque a foto saiu de dentro do banquete e chegou à imprensa. Alguém de dentro da festinha decidiu: agora chega. Um outro juiz?Mas, para a maioria dos colegas dos juízes, claro que não era para ter vazado. Se a foto não tivesse sido divulgada, o banquete dos juízes com o milionário ficaria só entre eles.Quantos banquetes aconteceram antes e continuam acontecendo por todo o Brasil? E assim é todos os dias em algum lugar em que eles fazem encontros fechados, comem e bebem e dizem coisas que a gente não deveria ficar sabendo.Para Huck, Fora do Domingão, vale tudo. Mas cada vez mais haverá alguém, dentro desses locais aparentemente só com gente deles, que irá vazar falas e fotos E depois do estrago vem a conversa da coisa fora do contexto. Parte da direita se esforça para ter duas caras o tempo todo, mas nem isso consegue mais. Luciano Huck é um direitoso fofo sabotador de programas sociais básicos.* Moisés Mendes é jornalista em Porto Alegre, autor de “Todos querem ser Mujica” (Editora Diadorim) – https://www.blogdomoisesmendes.com.br/
Luciano Huck critica Bolsa Família e diz que beneficiários enganam governo para ficar no programa

Declaração do apresentador, carente de embasamento, contraria estudos que mostram que 70% dos adolescentes deixaram o programa, indicando quebra do ciclo de pobreza O apresentador Luciano Huck participou neste sábado (23) do Fórum Esfera, que aconteceu no Guarujá, cidade localizada no litoral sul de São Paulo. O evento se apresenta como um espaço de interlocução entre os poderes público e privado.Durante a sua fala, Luciano Huck, que tem aspirações políticas, fez duras críticas ao programa Bolsa Família e, ao contrário do que apontam uma série de estudos, disse que a política social não permite a quebra do ciclo de pobreza. O apresentador ainda insinuou que beneficiários enganam o Estado para permanecer na política social.“[O Brasil] é muito ineficiente em todas as frentes. É a conversa de ontem. O prefeito da cidade de Senhor do Bonfim tem 56% da sua economia no Bolsa Família. O que acontece? Você não gera nenhum tipo de estímulo para que as famílias queiram sair do Bolsa Família. Na verdade, elas [beneficiários do programa] criam atalhos pra ficar no programa de distribuição de renda, de proteção social, ad eternum. A gente precisa criar um estímulo.” O apresentador continua:“Como é que você motiva a família que precisa, que necessita do Bolsa Família, a ter vontade de querer sair desse programa… mobilidade social no Brasil. Pega estudo da OCDE: uma família no Brasil, pra sair da base da pirâmide social pra chegar na média da classe média brasileira, são nove gerações. Isso quer dizer que você não tem esperança, nem o seu filho, nem o seu neto, nem o seu bisneto vai ter uma vida melhor que a sua? Você fica sem estímulo. Essa não mobilidade social, essa loteria do CEP que a gente vive no Brasil, que o lugar em que você nasce determina o número de oportunidades que você vai ter na vida.” Adolescentes deixam Bolsa Família Ao contrário do que falou o apresentador Luciano Huck, o Bolsa Família tem sido, nos últimos 12 anos, um dos principais responsáveis pela quebra do ciclo de pobreza no Brasil: desde 2014, 70% dos adolescentes que estavam em lares que recebiam o benefício deixaram de depender dele. É o que aponta o estudo “Filhos do Bolsa Família: uma análise da última década do programa”, apresentado pelo Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS) e pela Fundação Getulio Vargas (FGV). Em média, independentemente da idade, 60,68% dos beneficiários de 2014 deixaram o programa até 2025. A saída mais elevada foi entre os adolescentes: 68,8% na faixa de 11 a 14 anos e 71,25% na faixa de 15 a 17 anos. A pesquisa revelou ainda que 52,67% dos jovens entre 15 e 17 anos que recebiam o Bolsa Família em 2014 também deixaram o Cadastro Único, que inclui faixas de renda mais elevadas do que a do programa. Desse total, 28,4% têm emprego com carteira assinada em 2025. Entre os jovens de 11 a 14 anos, 46,95% saíram do CadÚnico e 19,10% possuem vínculo formal atualmente.
Lula abre 9 pontos sobre Flávio Bolsonaro após escândalo com Vorcaro, aponta Datafolha

Caso Dark Horse repercute e pode tirar Flávio Bolsonaro do páreo em 2026 O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ampliou a vantagem sobre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) na corrida presidencial para as eleições de 2026, aponta a nova pesquisa Datafolha divulgada nesta sexta-feira (22). O resultado consolida o impacto político imediato do caso “Dark Horse”, que envolve o vazamento de conversas do parlamentar e investigações sobre supostos desvios em produções cinematográficas ligadas ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Na simulação de primeiro turno, Lula aparece isolado na liderança com 40% das intenções de voto, abrindo uma distância confortável em relação a Flávio Bolsonaro, que recuou para 31%. O cenário representa uma mudança expressiva em comparação ao levantamento realizado em meados de maio, quando o petista registrava 38% contra 35% do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, configurando um empate técnico no limite da margem de erro. No cenário de segundo turno, o atual presidente também superou a situação de igualdade anterior e assumiu a liderança por 47% a 43%. Os demais candidatos testados aparecem distantes, com Ronaldo Caiado registrando 4%, seguido por Romeu Zema, Renan Santos e Samara Martins, todos com 3%. Brancos e nulos somam 9%, enquanto 3% não souberam responder. A análise detalhada do levantamento revela que a queda nas intenções de voto do pré-candidato do PL foi impulsionada por perdas significativas em segmentos específicos do eleitorado, onde a repercussão das denúncias encontrou maior eco. A desidratação do parlamentar foi puxada sobretudo pelas mulheres, segmento no qual o senador registrou queda de 4 pontos percentuais, recuando de 32% para 28%, e pela população eleitores com renda de até 2 salários mínimos) em que Flávio apresentou queda de 3 pontos percentuais. Nesse estrato, que historicamente compõe a base mais sólida de apoio ao presidente Lula, o senador do PL oscilou de 24% no levantamento de meados de maio para 21% na pesquisa divulgada hoje.de classe média baixa. O recuo também foi expressivo entre os eleitores que se declaram independentes ou de centro – estrato que se posiciona de forma neutra na polarização nacional -, em que Flávio Bolsonaro encolheu 5 pontos percentuais, caindo de 30% para 25% na intenção de votos, interrompendo a tolerância à imagem de moderação econômica que tentava consolidar. Os dados consolidados indicam que o avanço do atual mandatário se sustentou na estabilização de suas bases tradicionais, enquanto a oposição conservadora viu minguar o apoio nesses estratos moderados e flutuantes que vinham flertando com a candidatura da direita. Segundo o Datafolha, 64% dos entrevistados afirmaram ter tomado conhecimento das conversas gravadas, e o mesmo percentual considerou inadequada a conduta do senador ao solicitar recursos para o financiamento do longa ficcional Dark Horse. Segundo o Datafolha, 64% dos entrevistados afirmaram ter tomado conhecimento das conversas gravadas, e o mesmo percentual considerou inadequada a conduta do senador ao solicitar recursos para o financiamento da obra cinematográfica baseada na trajetória familiar. O desgaste sofrido pelo pré-candidato do PL também se reflete no índice de rejeição medido pelo instituto. Flávio Bolsonaro passou a liderar o quesito rejeição, com 46% dos eleitores afirmando que não votariam nele de jeito nenhum, enquanto Lula ficou em 45%. O levantamento do Datafolha foi realizado entre os dias 20 e 22 de maio, ouvindo 2.004 eleitores em todo os país. Diante do abalo na candidatura do senador, o instituto testou um cenário alternativo com a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL). Na simulação de primeiro turno sem Flávio, Lula lidera com 41% das intenções de voto, enquanto Michelle assume o segundo lugar com 22%. Nesse desenho, Romeu Zema sobe para 6%, Ronaldo Caiado alcança 5%, enquanto brancos e nulos saltam para 12%. Já em um eventual segundo turno entre o atual presidente e Michelle Bolsonaro, o petista aparece na vanguarda com 48% contra 43% da representante do PL