Pastor de Flávio Bolsonaro defende fim de Nossa Senhora Aparecida como padroeira do Brasil

Responsável pela conversão do senador chama de “ilegal” a lei que instituiu o feriado de 12 de outubro e prega o “destronamento da Rainha” A relação entre Flávio Bolsonaro e o pastor J. B. Carvalho vai além da proximidade política e religiosa. O senador se converteu “pra valer” em 2022. O processo foi conduzido na Comunidade das Nações, fundada pelo bispo J. B. Carvalho, bolsonarista radical. O primeiro batismo de Flávio realizado de acordo com os ritos dessa igreja ocorreu em 2024, juntamente com a mulher Fernanda. Em novembro de 2025, quando Jair Bolsonaro estava preso na Superintendência da Polícia Federal no Distrito Federal, Flávio levou ao pai o livro “Metanoia – A Chave Está Em Sua Mente”, de Carvalho. Publicada pela Editora Chara em 2018, a obra apresenta uma proposta de transformação pessoal e interior. Na véspera do aniversário de 70 anos de Jair Bolsonaro, Carvalho participou de uma live com Flávio, Jair e Michelle, na qual fez uma oração pela família. “Minha solidariedade ao nosso eterno Presidente Jair Bolsonaro. Tenho certeza que ele fará a travessia desse momento difícil que está atravessando e que com certeza sairá do outro lado”, alegou. No livro “A Bomba”, publicado em 2001, Carvalho apresenta uma crítica ao catolicismo, à devoção a Nossa Senhora e à presença de símbolos católicos na vida pública brasileira. Num dos capítulos, contesta diretamente a legislação que reconhece Nossa Senhora Aparecida como padroeira do Brasil. “A lei que estabelece Aparecida como padroeira no Brasil é ilegal”, afirma. Na sequência, Carvalho sustenta que não haveria “amparo constitucional para determinar que a deusa mariana seja imposta a toda uma nação como padroeira” e argumenta que “o Brasil não possui mais ligação entre igreja e estado”. O texto também afirma que a separação entre Estado e religião teria sido estabelecida pela Constituição de 1891 e cita as Constituições de 1934, 1937, 1946, 1967/69 e 1988 para sustentar sua interpretação. A partir daí, Carvalho faz uma afirmação ainda mais ampla: “Por esta razão o feriado de 12 de outubro é ilegal”. A obra não se limita a questionar a validade jurídica do feriado. Carvalho defende que o Brasil deveria abandonar a referência a Nossa Senhora Aparecida como padroeira. “Já que o Brasil por lei não é mais um país católico, está na hora de destronarmos a Rainha em nossa nação e servir ao Deus verdadeiro”, escreve. Em seguida, convoca cristãos a se mobilizarem para que “Aparecida não seja mais Senhora em nossa nação” e para que “Jesus Cristo seja nosso Único Senhor no Brasil”. A afirmação de que a legislação seria “ilegal”, porém, aparece no livro como a interpretação teológica e jurídica de seu autor. A legislação federal efetivamente existente estabelece o dia 12 de outubro como feriado nacional e determina que a data seja consagrada a Nossa Senhora Aparecida, Padroeira do Brasil. Trata-se da Lei nº 6.802, sancionada em 30 de junho de 1980 pelo então presidente João Figueiredo. A Câmara dos Deputados registra que a Lei nº 6.802/1980 teve origem no Projeto de Lei nº 220/1979, apresentado pelo deputado Jorge Arbage, e consta atualmente como norma sem revogação expressa. Ele sustenta que a própria decisão do Estado brasileiro de reconhecer a santa como padroeira e estabelecer o 12 de outubro como feriado seria incompatível com a separação entre Igreja e Estado. “Maria não é senhora” O pastor diz que “Maria não é senhora, porque no cristianismo não existe senhora, só existe Senhor” e diz que “a igreja romana inventou a adoração a Maria para substituir a adoração da Mãe Pagã”. Segundo Carvalho, “no verdadeiro cristianismo Jesus está no centro, Ele está em evidência, tão somente Ele e mais ninguém”. Para ele, “na religião pagã a mãe tem a supremacia, como hoje também o tem no marianismo católico”. Carvalho também usa o número de orações do terço para sustentar sua argumentação. “No terço, a Ave Maria é repetida cinquenta e três vezes enquanto que o Pai Nosso seis vezes. Quem tem a centralidade neste culto é a mãe e não o filho”, escreve. Em seguida, afirma novamente que “a igreja romana inventou o culto a Maria para substituir o culto da Rainha dos Céus”. “A adoração à Maria é o paralelo da adoração pagã às divindades femininas”, escreve. Carvalho fala na “imagem escura de uma deusa”. O culto à chamada “Rainha dos Céus” provocaria a ira divina, garante. “Deus odeia o culto a Rainha dos Céus”, diz. “Uma das grandes razões para as pragas que estão por vir à terra é o culto à Rainha dos Céus”, detona ele. “Deus odeia a veneração a esta entidade. E por razão da insistência em cultuá-Ia, Deus fará o mesmo que fez com Israel no passado às nações” Por Kiko Nogueira

Lula anuncia fim das bets e define prazo para saque de saldos

Medida provisória bloqueia novos depósitos, determina retirada voluntária até 5 de outubro e prevê devolução posterior dos valores; sites e aplicativos serão bloqueados no dia 6 O presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou nesta sexta-feira (25), em São Paulo, uma medida provisória (MP) que determina o fim das plataformas de apostas on-line, as chamadas bets, no Brasil. A partir da publicação da medida, ficam proibidos novos depósitos nas plataformas. O governo estabeleceu 5 de outubro, às 23h59, como prazo para que os apostadores retirem voluntariamente os saldos que ainda estiverem nas contas. A partir de 6 de outubro, sites e aplicativos deverão sair do ar. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que a decisão foi tomada diante dos impactos sobre a renda das famílias, o endividamento e a saúde pública. “A partir de hoje não se pode mais colocar dinheiro nos sites de apostas do país”, disse Durigan durante o evento que anunciou a medida. Lula: “o cassino está na cozinha, está na sala” Em seu discurso, Lula relatou conversas que manteve com pessoas endividadas pelas apostas. Entre os casos mencionados, citou um jovem que devia R$ 10 mil, embora recebesse R$ 4 mil por mês; um pequeno empresário que acumulou uma dívida de R$ 2,2 milhões; e uma mulher de 27 anos que, segundo o presidente, acumulou R$ 630 mil em dívidas. “Eu tomei a decisão por uma medida dura e drástica necessária”, afirmou. Lula comparou a situação ao avanço de uma doença grave e disse que a solução, em sua avaliação, exigia a retirada das bets do mercado. O presidente também destacou relatos de pessoas que enfrentaram sofrimento psicológico e tentativas de suicídio associados às dívidas. “Não é brincadeira. É uma coisa muito séria”, disse. Para Lula, o problema ganhou uma dimensão inédita porque as apostas passaram a estar permanentemente disponíveis nos celulares. “Esse país trouxe o cassino para dentro de casa. O cassino tá na cozinha, tá na sala”, afirmou, ao defender a necessidade de controle sobre a atividade. Outro eixo do discurso presidencial foi a crítica à publicidade das bets. Lula citou como exemplo uma propaganda em que uma mulher não consegue pagar uma compra no supermercado, aposta e, depois de ganhar, volta para quitar a conta. Para o presidente, esse tipo de mensagem cria uma expectativa de que as apostas possam funcionar como alternativa para resolver dificuldades financeiras. “Não dá para induzir as pessoas humildes e mais necessitadas de que vai receber a sua vida jogando”, afirmou. Como funcionará a devolução do dinheiro O governo montou um cronograma para os apostadores que não conseguirem retirar seus recursos diretamente até o prazo final. Confira as principais datas: A orientação do governo é que quem possui dinheiro nas plataformas faça o resgate diretamente antes do bloqueio. Para os valores que permanecerem nas contas, o mecanismo anunciado prevê a identificação dos apostadores pelo CPF e o encaminhamento das informações às instituições financeiras. O governo também informou que mecanismos de garantia e caução exigidos das empresas poderão ser utilizados para assegurar o cumprimento das obrigações. Publicidade e patrocínios também serão encerrados A MP também estabelece o fim da publicidade das apostas. Novos contratos de propaganda não poderão ser firmados após a publicação da medida. Contratos já existentes terão prazo até 5 de outubro para serem encerrados. Depois dessa data, segundo o governo, não deverão permanecer no país anúncios nem patrocínios legais vinculados às bets. A decisão atinge um mercado que, desde 2025, vinha funcionando sob autorização e fiscalização federal. Segundo o Ministério da Fazenda, desde 1º de janeiro daquele ano somente empresas autorizadas pela Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA) poderiam operar nacionalmente. Governo promete reforçar combate ao mercado ilegal Com a proibição das plataformas autorizadas, o governo prevê o reforço das ações contra sites clandestinos. A estratégia envolve Ministério da Fazenda, Ministério da Justiça, Receita Federal, Polícia Federal, Anatel e Advocacia-Geral da União. Entre as medidas anunciadas estão o bloqueio de sites e aplicativos irregulares e o rastreamento das movimentações financeiras relacionadas às apostas ilegais. O governo pretende também interromper transferências via Pix e TED destinadas a operadores clandestinos e utilizar mecanismos de identificação de transações para bloquear o fluxo financeiro. A ofensiva ocorre em um cenário no qual a fiscalização do mercado ilegal já vinha sendo ampliada. Em 24 de setembro, o Ministério da Justiça informou ter determinado a remoção de 1.367 páginas e perfis usados para divulgar plataformas irregulares de apostas — 1.274 páginas no Facebook e 93 perfis no Instagram. Da regulamentação à proibição A decisão representa uma mudança significativa na política federal para o setor. As apostas de quota fixa foram legalizadas no âmbito esportivo pela Lei 13.756/2018, durante o governo golpista de Michel Temer. Ficou sem qualquer regulamentação e sem pagar impostos durante o governo de Jair Bolsonaro. Em 2023, a Lei 14.790 ampliou o marco legal e incluiu os jogos on-line que regulamentou-os tributariamente. Durante o governo Lula, o Ministério da Fazenda criou, em 2024, a Secretaria de Prêmios e Apostas, responsável por regulamentar, autorizar e fiscalizar o mercado. O governo estabeleceu regras para publicidade, integridade, proteção dos apostadores e funcionamento das empresas. A partir de 2025, apenas operadores autorizados passaram a poder atuar legalmente em âmbito nacional. O governo também criou mecanismos para impedir que beneficiários de programas sociais realizassem apostas, diante da percepção de que beneficiários do Bolsa Família estavam perdendo os recursos destinados em bets. A decisão anunciada agora, portanto, substitui o modelo regulatório por uma política de proibição. Saúde pública entra no centro da justificativa Durante o anúncio, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, apresentou dados sobre os impactos sociais e sanitários associados ao jogo problemático. Segundo Padilha, o custo social relacionado aos danos provocados pelas apostas eletrônicas chega a R$ 38,8 bilhões por ano, incluindo custos associados a mortes por suicídio, perda de qualidade de vida e tratamento de depressão. O governo também destacou a utilização do mecanismo de autoexclusão criado para permitir que usuários solicitem seu afastamento das plataformas. Dados apresentados pelos ministros

TSE forma maioria para suspender campanha de Deltan Dallagnol

Favorito para o Senado do Paraná, ex-procurador da Lava Jato foi cassado em 2023 e agora será proibido de concorrer O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) formou maioria nesta segunda (21) para suspender a campanha de Deltan Dallagnol (Novo) ao Senado pelo Paraná. Quatro ministros acompanharam o entendimento de que o ex-procurador não pode manter atos de campanha enquanto a corte analisa sua elegibilidade. O ministro Floriano de Azevedo Marques, relator do caso, votou pela suspensão e recebeu o apoio de Dias Toffoli, Estela Aranha e Ricardo Villas Bôas Cueva. O julgamento ocorre no plenário virtual e segue aberto até as 23h59. Ainda faltam os votos dos ministros Kassio Nunes Marques, André Mendonça e Sebastião Reis. Embora já haja maioria no colegiado, o resultado será formalizado após o encerramento da sessão virtual. Floriano de Azevedo Marques criticou a decisão do Tribunal Regional Eleitoral do Paraná (TRE-PR), que havia autorizado o registro de Dallagnol para a disputa. Para o relator, a medida contrariou uma decisão anterior do próprio TSE. Dallagnol é um dos favoritos na disputa por vaga no Senado pelo estado. Segundo pesquisa Real Time Big Data divulgada nesta segunda (21), ele lidera numericamente as intenções de voto, com 19%, e está empatado tecnicamente com outros quatro candidatos, Alexandre Curi (Republicanos) e o deputado federal Filipe Barros (PL), que têm 18%; Gleisi Hoffmann (PT), com 16%, e Cristina Graeml (PSD), com 15%. Relator cita decisão que cassou mandato de Dallagnol Em 2023, o TSE cassou o mandato de deputado federal de Dallagnol, eleito no ano anterior. A Corte concluiu que ele deixou o cargo de procurador da República, em novembro de 2021, para evitar uma hipótese de inelegibilidade prevista na Lei de Inelegibilidade. À época da exoneração, Dallagnol respondia a 15 procedimentos administrativos no Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP). O entendimento do tribunal foi de que a saída do Ministério Público não afastava os efeitos jurídicos desses processos sobre sua condição eleitoral. Na decisão atual, o relator afirmou que o deferimento do registro pelo TRE-PR ocorreu em “afronta” ao julgamento anterior do TSE e sem “mínimo respaldo jurídico”. Ele avaliou que a manutenção da campanha pode provocar “efeitos disturbadores do processo eleitoral”. “Não que a candidatura sub judice seja patológica em si. Porém, no caso sequer tal candidatura reúne a condição de estar sob escrutínio judicial, patente que é sua inelegibilidade”, escreveu Floriano de Azevedo Marques. O pedido de suspensão partiu da Coligação Paraná Para Todos e da Federação Brasil da Esperança.

Flávio mandou R$ 200 mil em emenda a miliciano condenado no caso Marielle

Em 2023, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) destinou uma emenda parlamentar de R$ 200 mil a um projeto localizado em uma área com atuação de milícia.   Segundo as informações divulgadas no Estadão e na Revista Piauí, a verba foi solicitada por Robson Calixto, conhecido como Peixe e condenado por organização criminosa armada no processo sobre o assassinato da vereadora Marielle Franco. O dinheiro seguiu para o Instituto de Formação Profissional José Carlos Procópio (Ifop), entidade investigada no Rio de Janeiro. Mensagens extraídas do celular de Calixto mostram que Maria de Fátima Bezerra Castro, assessora parlamentar de Flávio, tratou da liberação dos recursos e o convidou para um evento com o senador. A PF apontou que ele poderia cobrar pessoalmente o repasse durante o encontro. Calixto pressionou pela liberação das emendas em conversas de outubro e novembro de 2023. O Portal da Transparência registra o pagamento de R$ 200 mil ao Ifop em 29 de novembro daquele ano. No ano seguinte, ele voltou a pedir recursos do gabinete, mas não há outros pagamentos identificados para a instituição. Uma auditoria do Tribunal de Contas da União, incorporada à investigação, detectou que parte do dinheiro transferido ao instituto pagou um escritório de advocacia pertencente aos próprios donos da entidade. A movimentação aparece como indício de desvio de recursos públicos sob apuração. A investigação indica que a assessora orientou Calixto a procurar Flávio diretamente para pedir a emenda. A PF também registrou que ela solicitou quatro ingressos para um camarote no Sambódromo, no desfile das escolas campeãs do Carnaval do Rio, descritos pelos investigadores como uma forma de “vantagem indevida”. Calixto pediu os ingressos a um empresário fluminense, que os forneceu para atender ao pedido da assessora. No telefone apreendido pela PF em março de 2024, o contato de Maria de Fátima estava salvo como “Fafá Flávio Bolsonaro”. O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, autorizou a Operação Emendatio, deflagrada em julho para investigar suspeitas de desvios em emendas destinadas a entidades vinculadas ao ex-deputado Chiquinho Brazão e ao ex-conselheiro do Tribunal de Contas do Estado Domingos Brazão. Flávio Bolsonaro não foi alvo de mandados na operação. Em nota, Flávio afirmou que a emenda seguiu a legislação e os critérios técnicos do Ministério do Esporte, e disse que a entidade apresentou notas fiscais e devolveu valores não usados. O senador não comentou as conversas entre a assessora e Calixto; Maria de Fátima não respondeu, enquanto as defesas de Calixto e de Chiquinho Brazão também não se manifestaram sobre o caso.

“Turma do Kassio Nunes” tem contrato de R$ 427 milhões ligado a Vorcaro

Valor seria de honorários, em caso de vitória, para ações que liberariam R$ 8,5 bilhões em precatórios de interesse do banqueiro Um contrato de advocacia com menção a “KN”, sigla associada ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Kassio Nunes Marques, e previsão de R$ 427 milhões em honorários integra o arquivo que a Polícia Federal enviou ao Supremo Tribunal Federal (STF) no Caso Master. O documento trata de ações relacionadas a precatórios adquiridos por Daniel Vorcaro, que poderiam render R$ 8,5 bilhões caso os pagamentos avançassem nos tribunais, segundo a coluna de Andreza Matais no Metrópoles. Mensagens extraídas do celular de Vorcaro usam a expressão “Turma do KN” para se referir ao desembargador Newton Ramos, do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1), e à advogada Camilla Ramos, mulher dele. A PF encaminhou o HD ao gabinete do ministro André Mendonça, relator do Caso Master, em julho. Na última semana, os ministros Cristiano Zanin, Flávio Dino e Gilmar Mendes pediram acesso à íntegra do arquivo após questionamentos sobre a análise de referências a integrantes da Corte. Mendonça nega ter direcionado a apuração. O contrato envolve o escritório Queiroga, Vieira, Queiroz & Ramos Advocacia, de Camilla Ramos. O acordo previa pagamento de 5% líquidos sobre valores recebidos pelo Banco Master em 12 processos ligados ao setor sucroalcooleiro, com quitação em até cinco dias após eventual êxito. Mensagens tratam de julgamento e pedidos de hospedagem As ações discutem indenizações ligadas ao controle de preços exercido pelo extinto Instituto do Açúcar e do Álcool. Os documentos apontam o Banco Master como credor ou cessionário dos créditos e autorizavam o escritório a receber diretamente da União a parcela dos honorários e inscrever precatórios em seu próprio nome. Em uma conversa sobre julgamento na Segunda Turma do STF, Camilla Ramos escreveu a Vorcaro: “É um excelente voto do Min. Nunes Marques fazendo a distinção dos casos em que o título judicial trouxe os critérios da indenização”. Nunes Marques, Dias Toffoli e Edson Fachin votaram pelo reconhecimento do débito; Gilmar Mendes e André Mendonça ficaram vencidos. Kassio Nunes Marques declarou que inicialmente constava como impedido porque havia decidido o caso quando atuava como vice-presidente do TRF-1, mas pediu retificação após concluir que a discussão envolvia uma tese ampla. O ministro afirmou que nunca votou a favor do Banco Master e que seu filho não recebeu dinheiro de Vorcaro. Outras mensagens registram pedidos de reservas no hotel Fasano Itaim atribuídos a Newton Ramos para “KN”. Em uma delas, uma assessora reproduz pedido de uma diária com “tarifa promocional” para Nunes Marques; Vorcaro respondeu: “Pode botar na minha conta”. As conversas também mencionam solicitações de camarote e reservas em nome de Newton Ramos. Veja as mensagens: Nunes Marques se declarou impedido de julgar mensagens entre Moraes e Vorcaro O magistrado se declarou impedido de votar na sessão extraordinária da última terça (15) sobre o pedido de abertura de investigação contra Alexandre de Moraes por mensagens trocadas com o banqueiro. “Eu nunca julguei nenhum processo relacionado ao Master. Meu filho nunca prestou nenhum serviço ao banco ou foi remunerado pelo banco. Isso é fato, porque o sigilo bancário já foi quebrado. Não adianta especular de outra forma”, afirmou. Na ocasião, ele negou qualquer troca de mensagens com Vorcaro ou envolvimento no caso Master, e alegou que não votaria por sua condição de presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e a possibilidade de impactar no resultado da eleição. “Não me sinto confortável para participar desse julgamento e afirmo o meu impedimento”, disse o magistrado, afirmando que tentou “assegurar o equilíbrio nas eleições de 2026”. A relação entre o ministro e o banqueiro envolve pagamentos a Kevin Marques, advogado e filho dele. A PF encontrou no celular de Vorcaro conversas de Luiz Rennó, então diretor jurídico do Master, conversas em que cita repasses mensais de R$ 500 mil a ele. A investigação também apontou que o Master transferiu R$ 6,6 milhões ao longo de um ano para a empresa Consult Inteligência Tributária, que pertence a um contador de Teresina (PI) amigo de longa data da família de Nunes Marques. Kevin recebeu R$ 281,6 mil da mesma consultoria.

Cármen Lúcia deve desculpas a si mesma por tantos votos desastrosos

“Peço desculpas ao povo brasileiro que talvez tenha esperado de mim uma posição diferente.” Foi assim que Cármen Lúcia encerrou nesta terça-feira (15) um voto em que se declarou em “profunda consternação e tristeza” com a crise no Supremo Tribunal Federal (STF). Publicado por Kiko Nogueira, no DCM A ministra disse se sentir “um pouco até envergonhada” e reconheceu que a Corte provocou um “mal-estar cívico” no país. “O Poder Judiciário existe para tranquilizar o povo, e nós geramos intranquilidade”, afirmou. Cármen votou para manter separados os processos relacionados a Alexandre de Moraes e André Mendonça no caso Master. Acompanhou Edson Fachin, Mendonça e Luiz Fux. Gilmar Mendes, Cristiano Zanin e Moraes defenderam a tramitação conjunta. Flávio Dino também se posicionou pela reunião dos casos, mas pediu vista, e seu voto não entrou no placar provisório de 4 a 3. Em abril de 2018, Cármen Lúcia deu um dos seis votos que rejeitaram o habeas corpus preventivo de Lula. A decisão, tomada por 6 a 5, abriu caminho para a prisão do petista, que ficou fora da eleição presidencial daquele ano. Jair Bolsonaro venceu a disputa.Anos depois, as condenações de Lula em Curitiba foram anuladas pelo STF e Sergio Moro foi considerado parcial no caso do tríplex.No impeachment de Dilma Rousseff, Cármen integrou a maioria que manteve o rito estabelecido pelo Supremo para o processo. Também votou contra uma tentativa de suspender a votação do afastamento na Câmara.Na área trabalhista, integrou a maioria que considerou constitucional a terceirização, inclusive da atividade-fim das empresas. Também votou pela validade do fim da contribuição sindical obrigatória, uma das principais medidas da reforma trabalhista do governo Michel Temer. Cármen presidiu o TSE durante as eleições municipais de 2024, quando a disseminação de desinformação e conteúdos manipulados nas redes voltou a desafiar a capacidade da Justiça Eleitoral de conter abusos. Não fez absolutamente nada.Cármen gosta de citar Clarice Lispector e Emicida e de cantar com Alcione, mas não consegue escapar de si mesma quando se trata de defender a democracia. Está sempre se fingindo acima do bem e do mal.Quando a Justiça passa a se orientar pelo aplauso de ocasião, ou para não decepcionar os amigos na Globo, perde justamente aquilo que deveria protegê-la das circunstâncias: a independência.Na “Orestia”, de Ésquilo, o voto de Minerva é contramajoritário porque ela não reproduz a vontade predominante do júri ou da sociedade. Minerva intervém para romper a lógica coletiva da vingança e inaugurar uma nova forma de Justiça, fundada no julgamento institucional.Cármen é parte do problema, e não solução. Deve desculpas a si mesma por tantos votos desastrosos. Kiko Nogueira é diretor do Diário do Centro do Mundo. Jornalista e músico. Foi fundador e diretor de redação da Revista Alfa; editor da Veja São Paulo; diretor de redação da Viagem e Turismo e do Guia Quatro Rodas.

Em editorial, Folha aponta que Flávio Bolsonaro não tem a menor condição de ser presidente

Em editorial, Folha aponta que Flávio Bolsonaro não tem a menor condição de ser presidente O desempenho eleitoral de Flávio Bolsonaro (PL) ampliou o debate sobre sua experiência, seu compromisso democrático e as relações políticas construídas ao longo da vida pública. As informações são da Folha de S.Paulo, que, em editorial, questionou as credenciais apresentadas pelo senador para disputar a Presidência da República. Segundo o jornal, a indicação de Flávio Bolsdonaro por seu pai surpreendeu segmentos da direita não alinhados diretamente ao bolsonarismo, que defendiam um nome com maior experiência administrativa e reconhecimento político, como o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos). Polarização aumenta competitividade eleitoral Embora não conte com apoio entusiasmado do centrão, Flávio tornou-se competitivo em meio à polarização política. Pesquisas mencionadas pelo editorial indicam empate técnico entre o senador e o presidente Lula em eventuais cenários de segundo turno. Para a Folha, o desempenho eleitoral não elimina as dúvidas sobre o candidato. O avanço nas pesquisas, na avaliação do jornal, torna ainda mais necessária uma análise rigorosa de sua trajetória, de suas propostas e do projeto de poder que representa. O editorial sustenta que Flávio não acumulou experiência significativa na administração pública nem construiu uma atuação parlamentar capaz, isoladamente, de demonstrar preparo para comandar o país. O ponto central da crítica, entretanto, está na herança política reivindicada pelo senador. Promessa de indulto entra no centro das críticas A Folha relaciona a candidatura ao legado de Jair Bolsonaro, condenado pelo STF (Supremo Tribunal Federal) por tentativa de golpe de Estado. Flávio promete conceder indulto ao pai caso seja eleito e mantém uma retórica de confronto com instituições, segundo a avaliação do jornal. O editorial ressalta que o senador não deve responder por atos praticados por seus familiares. A questão colocada pelo periódico é outra: qual compromisso efetivo com a democracia pode ser oferecido por uma candidatura que se apresenta como continuadora desse projeto político. Na visão do jornal, Flávio precisa assumir uma posição inequívoca sobre os limites constitucionais impostos ao exercício do poder. A promessa de beneficiar o pai e a preservação de um discurso de enfrentamento institucional alimentam dúvidas sobre essa disposição. Relação com Donald Trump também preocupa Outro aspecto destacado é o alinhamento de Flávio Bolsonaro ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. A Folha considera arriscada a postura do senador em temas estratégicos para o Brasil, entre eles tarifas comerciais, exploração de terras raras e políticas relacionadas à mudança climática. O editorial classifica essa relação como uma postura de subserviência diante de interesses estrangeiros. A crítica se concentra nos possíveis efeitos desse alinhamento sobre decisões que envolvem soberania nacional, política econômica e recursos estratégicos. Trajetória política é submetida a escrutínio A biografia pública de Flávio Bolsonaro também ocupa espaço relevante na análise. O jornal recorda as relações mantidas por integrantes de seu círculo político com personagens posteriormente associados a atividades criminosas. Quando exercia mandato de deputado estadual no Rio de Janeiro, Flávio concedeu a mais alta honraria da Assembleia Legislativa do estado a um policial que estava preso sob acusação de homicídio. Mais tarde, esse policial seria identificado como integrante de milícia. O editorial também menciona a investigação sobre o esquema de “rachadinhas” no antigo gabinete parlamentar de Flávio. A expressão se refere à suspeita de devolução de parte dos salários de assessores. A Folha pondera que esses episódios não autorizam atribuir ao senador crimes que não tenham sido comprovados. Ainda assim, considera que os fatos integram sua trajetória política e devem ser examinados no processo eleitoral. Contato com Daniel Vorcaro O texto ainda cita o diálogo amistoso entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro, ligado ao Banco Master. Também menciona um pedido de milhões de reais para financiar um filme em homenagem a Jair Bolsonaro. Esses elementos são apresentados pelo editorial como parte do conjunto de questões que cercam a candidatura, e não como provas de prática criminosa. Para o jornal, a relevância está na necessidade de transparência e esclarecimento sobre as relações cultivadas pelo senador. Ao reunir dúvidas sobre experiência administrativa, atuação parlamentar, compromisso democrático e vínculos políticos, a Folha defende que Flávio Bolsonaro precisa demonstrar preparo para ocupar a Presidência e reconhecer, sem ambiguidades, os limites estabelecidos pela Constituição

Dino faz golaço e salva as eleições; Mendonça afunda Kassio e Fux

Ao pedir vista do processo de Moraes, Flávio Dino protege o processo eleitoral, que foi intencionalmente contaminado por André Mendonça Por: Renato Rovai – Revista Fórum Estamos diante de um processo eleitoral muito complicado, com riscos democráticos concretos. O Supremo Tribunal Federal não pode se sobrepor aos interesses da democracia brasileira.Por isso, o debate sobre o próprio Supremo terá que ser feito. E todos, sem exceção, precisam ser investigados quando houver elementos que justifiquem uma investigação.Alexandre de Moraes, por exemplo, está no centro de questionamentos relacionados ao contrato de sua esposa, Viviane Barci. Dias Toffoli também aparece em acusações que precisam ser esclarecidas, envolvendo suposta lavagem de dinheiro e desvio de recursos para paraísos fiscais na venda de um resort.Kassio Nunes Marques, o Kassio com K, também precisa ser investigado diante das informações mencionadas no caso. Seu filho Kevin, de 25 anos, teria acumulado contratos vultosos durante o período em que o pai está no Supremo. Há ainda uma decisão de Kassio envolvendo R$ 10 bilhões que teria beneficiado Vorcaro. E existem mensagens atribuídas ao tesoureiro do banqueiro mencionando pagamentos de R$ 500 mil ao mês para o filho do ministro, por meio de uma consultoria chamada Consult, investigada pelo Coaf.E Fux também não pode ficar fora desse debate.Ele rebateu Flávio Dino dizendo que não tinha relação com Daniel Vorcaro. Mas há mensagens de seu filho chamando o banqueiro de “irmãozão” e falando em “tapete vermelho”. Também aparece uma articulação envolvendo sua secretária Patrícia para receber um convite para que Fux fosse a Londres com Vorcaro. Tudo isso está no celular de Vorcaro.O Supremo inteiro precisa ser investigado. Mas não agora, no meio de uma eleição.Não estou defendendo Alexandre de Moraes, Toffoli, Kassio, Fux ou Mendonça, que também se encontrou com Vorcaro às escondidas no seu Instituto num dia e no outro tomou uma decisão no STF que favoreceu o banqueiro.Se houver irregularidade, todos devem responder. O que não se pode aceitar é que uma investigação sobre integrantes do Supremo seja utilizada de maneira a interferir no processo eleitoral de uma eleição presidencial decisiva para o país.Ao pedir vista, Dino permite que esse debate seja feito com mais responsabilidade.De novo Dino foi o craque do jogo. Como também o foi no dia 8 de janeiro de 2023.

Dino cita novas conexões de Mendonça com Vorcaro e pede investigação

Ministro do STF aponta encontro do colega com o banqueiro bandido e contratos suspeitos do Instituto Iter, fundado pelo bolsonarista O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), pediu ao presidente da Corte, Edson Fachin, uma investigação sobre a relação entre o Banco Master e o Instituto Iter, fundado pelo ministro André Mendonça. O pedido ocorre após a divulgação de informações sobre um encontro entre Mendonça e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Mendonça confirmou em 2 de setembro que recebeu Vorcaro em março de 2025 no Instituto Iter, na região da Avenida Paulista, em São Paulo. O encontro ocorreu às 17h de 14 de março e durou entre 20 e 30 minutos, segundo o ministro. O advogado Ciro Rocha Soares e o deputado federal Cezinha de Madureira (PL-SP) articularam a reunião. Vorcaro comandava o Banco Master à época do encontro. Mendonça afirmou ao Estadão que não conversou sobre o Banco Master com Vorcaro. Em nota, seu gabinete disse que os dois trataram da Suspensão de Tutela Provisória 976, processo sobre o pagamento de precatórios ligados a prejuízos adquiridos da Agroindustrial Tabu, usina do setor sucroalcooleiro. Áudio indica que encontro poderia tratar do Banco Master Um áudio localizado no celular de Vorcaro indica que os envolvidos esperavam abordar a situação do Banco Master. A mensagem foi enviada por Ciro Rocha Soares ao então banqueiro em 8 de fevereiro. “O André Mendonça disse que quer te receber junto comigo. (…) Ele sabe, soube da situação do Banco Central toda. Eu contei. Ele já sabia, que o Cezinha já tinha falado com ele”, disse Soares no áudio divulgado inicialmente pela newsletter Noites Húngaras, do jornalista Paulo Motoryn. Após a divulgação do conteúdo, Mendonça afirmou, em nota, que “se limitou a ouvi-lo”. O ministro não detalhou na manifestação o conteúdo da conversa com Vorcaro. Fundado em novembro de 2023, o Instituto Iter oferece cursos de educação executiva, formação de lideranças e capacitação profissional para os setores público e privado. Em pregação publicada no Instagram em fevereiro, Mendonça disse que destinaria 10% de eventuais lucros e resultados de sua participação no instituto ao dízimo e os outros 90% a obras sociais e educação.

Ministros do STF ameaçam expor “podres” de colegas se Moraes for julgado sozinho

Ala da Corte defende que André Mendonça também se torne investigado por abuso de poder na sessão de 15/9 Ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) defendem que a Corte vote, na mesma sessão de 15 de setembro, pedidos de investigação envolvendo Alexandre de Moraes e André Mendonça. Integrantes do tribunal elevaram o tom nesta sexta-feira (11) diante da possibilidade de o colegiado analisar apenas a solicitação contra Moraes. Com informações da coluna da Mônica Bergamo na Folha de S. Paulo.Um dos magistrados afirmou que, se a discussão ficar restrita a Moraes, “não sobrará pedra sobre pedra” no debate. A avaliação entre esses ministros é que denúncias e questionamentos envolvendo outros integrantes da Corte também devem entrar na discussão, caso o STF decida examinar a conduta de um de seus membros.A proposta defendida por esses magistrados prevê que o presidente do STF, Edson Fachin, coloque em votação tanto o pedido para investigar Moraes por sua relação com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro quanto a solicitação de investigação de Mendonça por abuso de autoridade.Os ministros também sugerem que Fachin assuma a relatoria das apurações relacionadas a Vorcaro, afastando Mendonça do caso. Para o grupo, a medida poderia criar um acordo interno mínimo e conter a crise aberta no tribunal. Na eventual sessão, André Mendonça deve enfrentar perguntas sobre um encontro que teve com Daniel Vorcaro, em março do ano passado, após pedido de um advogado. O ministro afirma que a iniciativa partiu do ex-banqueiro, que ele apenas o ouviu e que votou contra posições defendidas por Vorcaro em processos no STF.Os magistrados que defendem a votação conjunta também querem esclarecimentos sobre o Iter, instituto educacional inaugurado por Mendonça depois de sua posse no STF. A instituição faturou R$ 4,8 milhões em contratos públicos em 2025, quando tinha um ano de funcionamento, e também mantém contratos com empresas privadas. Mendonça deixou a sociedade do instituto neste mês, e o Iter afirma que nunca distribuiu lucro.Entre os assuntos citados pelos integrantes da Corte estão denúncias sobre supostas relações financeiras de Dias Toffoli com Vorcaro e os repasses a um escritório do filho de Kassio Nunes Marques. A Consult Inteligência Tributária recebeu R$ 18 milhões do Banco Master e da JBS e contratou o escritório de Kevin de Carvalho Marques por R$ 281,6 mil, conforme informou a Folha.Rodrigo Fux, filho do ministro Luiz Fux, também foi mencionado por sua relação social com Vorcaro, após ir ao Sambódromo do Rio a convite do ex-banqueiro e participar de uma degustação de uísque com ele. Rodrigo Fux declarou que nunca advogou para Vorcaro; Kassio Nunes Marques disse não ter relação com o ex-banqueiro, enquanto Toffoli negou manter recursos no exterior ou ter realizado operações nas Ilhas Virgens Britânicas.