Miliciano preso no Distrito Federal é tio de Michelle Bolsonaro

Envolvido com grilagem de terras, João Batista Firmo Ferreira, 1º sargento reformado, é irmão de Maria das Graças, mãe da primeira-dama Uma operação deflagrada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público do Distrito Federal, prendeu nesta quarta-feira (29) sete policiais militares por fazerem parte de uma milícia que atua na região do Sol Nascente, em Ceilândia. Um dos milicianos é tio de Michelle Bolsonaro, esposa do presidente e primeira-dama do Brasil. De acordo com informações de Ana Viriato e Helena Mader, do blog CB.Poder, do Correio Braziliense, João Batista Firmo Ferreira, 1º sargento reformado, é irmão de Maria das Graças, mãe de Michelle. A família dela reside no Sol Nascente. O miliciano foi um dos alvos da Operação Horus, que apura a participação de policiais militares em crimes de loteamento irregular do solo, extorsão e homicídio, relacionados à grilagem de terras. Policiamento ostensivo Todos os presos são lotados ou já atuaram no 8º e no 10º Batalhão da Polícia Militar, unidades responsáveis pelo policiamento ostensivo no Sol Nascente. Além do tio de Michelle Bolsonaro, foram presos e denunciados pelo MP os sargentos Jorge Alves dos Santos, Agnaldo Figueiredo de Assis, Francisco Carlos da Silva Cardoso, José Deli Pereira da Gama, Paulo Henrique da Silva e Jair Dias.
Compra de deputados: Governo sobe a oferta para aprovar a Reforma da Presidência

Bolsonaro aumenta oferta a deputados por reforma da Previdência: R$ 10 mi por semestre Segundo deputados e líderes ouvidos em condição de anonimato, nesta semana Onyx Lorenzoni iniciou uma ronda com líderes partidários para tentar selar acordo Segundo membros de partidos do centrão, o governo Jair Bolsonaro fez uma nova oferta de R$ 10 milhões extras por semestre de verbas do Orçamento, em troca de apoio à reforma da Previdência. No total, isso vai dar um acréscimo de R$ 40 milhões até 2020 na verba que os congressistas podem manejar no Orçamento. Segundo deputados e líderes ouvidos em condição de anonimato, nesta semana o ministro Onyx Lorenzoni (Casa Civil) iniciou uma ronda com líderes partidários para tentar selar acordo. A promessa de liberação de todo o dinheiro até 2020 visa atrair mais deputados, tendo em vista que esse é o ano das eleições municipais…. Você pode fazer o jornalismo da Fórum ser cada vez melhor A Fórum nunca foi tão lida como atualmente. Ao mesmo tempo nunca publicou tanto conteúdo original e trabalhou com tantos colaboradores e colunistas. Ou seja, nossos recordes mensais de audiência são frutos de um enorme esforço para fazer um jornalismo posicionado a favor dos direitos, da democracia e dos movimentos sociais, mas que não seja panfletário e de baixa qualidade. Prezamos nossa credibilidade. Mesmo com todo esse sucesso não estamos satisfeitos. Queremos melhorar nossa qualidade editorial e alcançar cada vez mais gente. Para isso precisamos de um número maior de sócios, que é a forma que encontramos para bancar parte do nosso projeto. Sócios já recebem uma newsletter exclusiva todas as manhãs e em julho terão uma área exclusiva.
Juízes criticam ministro Dias Toffoli por pacto com Bolsobaro

A Associação dos Juízes Federais do Brasil (Ajufe) afirmou, por meio de nota, estar “preocupada” com o “pacto” discutido na terça-feira (28) pelos presidentes do três Poderes. No texto, a Ajufe critica o apoio feito pelo presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Dias Toffoli, à reforma da Previdência, uma vez que pontos da proposta podem ter sua constitucionalidade questionada junto à Corte. “Sendo o STF o guardião da Constituição, dos direitos e garantias fundamentais e da democracia, é possível que alguns temas da reforma da previdência tenham sua constitucionalidade submetida ao julgamento perante a Corte máxima do país. Isso revela que não se deve assumir publicamente compromissos com uma reforma de tal porte, em respeito à independência e resguardando a imparcialidade do Poder Judiciário, cabendo a realização de tais pactos, dentro de um estado democrático, apenas aos atores políticos dos Poderes Executivo e Legislativo”, diz a Ajufe na nota. O pacto em prol da aprovação do pacto pela reforma da Previdência, cuja proposta do governo é rejeitada pela maioria da população, foi firmado entre o presidente Jair Bolsonaro, pelos presidentes da Câmara e do Senado, Rodrigo Maia (DEM-RJ) e Davi Alcolumbre (DEM-AP), respectivamente, além de Toffoli. A proposta original do pacto foi feita em outubro do ano passado pelo próprio presidente do STF. Na reunião desta terça-feira, foi discutido um “pacto de entendimento de metas, que incluiu as reformas tributária e da Previdência. A expectativa do governo é que o pacto seja plenamente formalizado por meio de uma cerimônia no Palácio do Planalto. A proposta original do pacto foi feita em outubro do ano passado pelo próprio presidente do STF.
Ciro vira “minion” de si mesmo – Por Fernando Brito, do Tijolaço

Dias atrás, ao comentar a visita de Carlos Lupi, presidente do PDT, a Lula, em Curitiba, disse que esta era a visita que deveria ter sido feita por Ciro Gomes. Tenho certeza que, a esta altura da crise nacional, Lula teria visitado Ciro, se pudesse. Não pode porque, como grosseiramente disse o irmão Cid Gomes, “está preso, ô babaca”. Hoje, Ciro Gomes fez a demonstração do quanto está correto o que disse e que evitei polemizar com aqueles companheiros que, com sinceridade, embora com razões menores, defendiam sua omissão. Diz, em entrevista, que “não visitaria o ex-presidente Lula na prisão se o petista pedisse“. Ciro, permita que desde a minha humildade eu te diga: política não é a arte de guardar rancores e frustrações. Se fosse, Brizola jamais o teria apoiado depois do que você disse dele, em 1993, como estampa esta manchete de O Globo. Quem me chamou a atenção para ela foi um companheiro de três décadas, do qual quase sempre divergi e com o qual isso jamais foi razão para romper a amizade e o respeito pessoal e político. Ninguém me contou: eu ouvi o apelo de Brizola a que você desistisse em favor de Lula em 2002 e soube de sua irada reação. Lupi, com quem tive as maiores divergências e a quem dirigi o meu pedido de desligamento do PDT, depois de mais de 20 anos de militância política, merece o meu respeito: como ex-ministro e integrante do governo de Lula, como você foi, não poderia ter deixado de emprestar sua solidariedade pessoal a Lula, ainda que convidado a visitá-lo. Agiu como um homem de bem, e você não. O que você espera ganhar com isso, os ex-bolsonaristas que ainda acham que ele foi um “mal menor” frente ao mais reconhecido presidente da história recente do país? Você a negaria a visita a um homem submetido à injustiça e ao martírio, como confessa, mesmo que houvesse um convite. Tomara que não tenha havido. Seria imerecido.
Dignidade abre as asas sobre nós – Por Lucreciano Rocha

No início do séc. XXI filósofos brasileiros iniciaram uma garimpagem na literatura em busca de uma filosofia nacional que não fosse apenas representação do discurso do colonizador, encontrara em Guimarães Rosa além da riqueza das prosas do sertanista, uma frase que os deixaram otimistas.” Moço, eu até sei que nada sei, mas desconfio de muitas coisas” viram ali o que podia significar uma antítese à tese socrática, ‘ Só sei que nada sei”. É como se colocasse entre saber e não saber, o DESCONFIAR. Pode se saber que sabe, ou que não se sabe, mas não pode desconfiar da desconfiança, Renê Descartes já colocava algo parecido sobre a dúvida. Outra antítese brasileira e bem recente vem de um presídio federal de Curitiba-PR quando um preso pronunciou a seguinte frase: “eu posso ficar cem anos preso, mas não troco minha DIGNIDADE por liberdade, Se Rosa colocou em cheque o valor do saber. Luis Inácio tira a liberdade do patamar superior colocando no lugar a DIGNIDADE, isso ainda não havia sido pautado. Com essa afirmação, perde força o valor da liberdade colocado por Hegel em A dialética do senhor e do escravo: “A diferença entre o homem livre e o escravo, é que o primeiro, troca toda sua comida por liberdade enquanto o segundo troca sua liberdade por um prato de comida”. Essa mesma liberdade que teve seu valor diminuído pelo presidiário de Curitiba vem além do filósofo alemão, vem desde as narrativas mitológicas da antiguidade. Dédalo e seu filho Ícaro foram presos numa torre acusados de ter furtado um bezerro de ouro alimentavam do mel de uma colmeia e bebia água da chuva. Dédalo economizava ao máximo o mel, para garantir a produção da cera, pois se do mel vinha o alimento para o corpo, da cera viria o alimento para seu sonho de liberdade. O artesão grego construía um par de assas usando penas de aves e a cera da colmeia. O artesão grego tinha a fixação pela liberdade via fuga, ou; seja sem dignidade, O metalúrgico brasileiro a tinha por DIGNIDADE. Dédalo e Ícaro conseguiram fugir do labirinto com uso das asas, Dédalo conseguiu êxito, mas seu filho teve diferente sorte, alçou voou mais alto do que devia, calor do sol derreteu a cera e as asas desmancharam. Dédalo fugiu para bem longe da sua terra, e lá viveu atormentado com as acusações de sido imprudente submetendo seu filho a uma aventura perigosa que veio lhe causar a morte. Ainda sofria com insinuações do tipo; e o bezerro de ouro? Ou seja, ganhou uma liberdade sem dignidade, é como se Lula ganhasse uma liberdade sem dignidade e livre tivesse que responder a perguntas incômodas, como: e o triplex? E o sitio de Atibaia. Não, “Eu prefiro ficar cem anos preso que sair sem minha inocência comprovada”. O que podemos extrair dessa polêmica Liberdade X dignidade? Talvez a possibilidade de uma Liberdade digna, dialogando com uma dignidade libertária. Dignidade sempre, LULA LIVRE. *Professor de filosofia e colaborador do ECN
Marcha do fascismo dos bolsominos pede o fim da educação

Onde chegamos! Bestiagas do presidente Jair Bolsonaro pediram o fechamento do Congresso, o emparedamento do STF e até o fim da Educação. A imagem da “bolsomarcha”: abaixo a Educação! Assista Por Fernando Brito – Tijolaço Uma imagem símbolo do que é esta onda obscurantista e de como seus integrantes têm o cérebro deformado pela selvageria. Uma turba arranca, sob aplausos, uma faixa onde estava escrito um genérico “Em defesa da Educação”, fixada no prédio da Universidade Federal do Paraná, em Curitiba. Era, diziam, “ideologia”. Sim, meus caros, é um dejà vu daquilo mesmo que você pensou. Não se iludam sobre o que está se espraiando por este país. Não vai parar “espontaneamente”. Não vai “acalmar” se não for provocado. Não vai “se moderar” se cedermos. O que está em jogo é decidirmos se somos uma sociedade humana ou um coletivo de zumbis acéfalos. Assista e veja se exagero: JoRDS@jordssilva13 Arrancaram a faixa “em defesa da educação” do prédio histórico da UFPR. 4.176 15:37 – 26 de mai de 2019 · Curitiba, Brazil 2.157 pessoas estão falando sobre isso Informações e privacidade no Twitter Ads
Pesquisa revela: melhor momento da imagem do Brasil foi no governo Lula

A pesquisa I See Brazil, que leva em consideração reportagens de grandes veículos de imprensa em diversos países, mostra que a imagem do Brasil no exterior vive um de seus piores momentos, entre outros motivos pelo “presidente desconectado das pautas do século XXI”, enquanto que o melhor momento ocorreu há 10 anos, no governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva Pesquisa da Imagem Corporativa feita no primeiro trimestre de 2019 com 1.822 reportagens de grandes veículos de imprensa de onze países revela que a imagem do Brasil no exterior vive um de seus piores momentos, com 73% das notícias negativas. O melhor momento ocorreu há 10 anos, no governo Lula, quando 83% das reportagens retratavam o país de forma positiva, informa Lauro Jardim neste domingo (26) em O Globo. O levantamento I See Brazil deste ano mostra que apenas 27% das reportagem foram positivas. Os principais motivos para a péssima imagem do Brasil no exterior, segundo Lauro Jardim, são: Jair Bolsonaro, “o presidente desconectado das pautas do século XXI”, o acidente em Brumadinho (MG) e a economia em retração.
Antes tarde do que nunca: STF decide que homofobia agora é crime

MAIORIA DO STF DECIDE QUE HOMOFOBIA AGORA É CRIME Nesta quinta-feira (23), numa conquista histórica contra o obscurantismo, seis dos 11 ministros do Supremo Tribunal Federal votaram a favor de enquadrar a homofobia e a transfobia como crime de racismo; o julgamento foi suspenso faltando o voto de outros cinco ministros Seis dos 11 ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) votaram a favor de enquadrar a homofobia e a transfobia como crime de racismo. O julgamento foi interrompido em fevereiro e retomado nesta quinta-feira (23). Agora, faltam o voto de outros cinco ministros. Em fevereiro, os relatores das ações, os ministros Celso de Mello e Edson Fachin entenderam que o Congresso Nacional foi omisso e que houve uma demora inconstitucional do Legislativo em aprovar uma lei para proteger homossexuais e transexuais. Por isso, cabe ao Supremo aplicar a lei do racismo para preencher esse espaço. Os ministros Alexandre de Morais e Luís Roberto Barroso acompanharam o voto dos relatores. Na sessão desta quinta, a ministra Rosa Weber, também votou endossou o voto dos demais ministros. “Há temas em que a palavra se impõe, e não o silêncio. E este é um deles”, afirmou a ministra. O ministro Luiz Fux também votou a favor, formando maioria para reconhecer a omissão do Legislativo e enquadrar a homofobia como crime. “Delitos homofóbicos são tão alarmantes quanto a violência física”, afirmou Fux, citando “níveis epidêmicos de violência homofóbica”. “Depois do Holocausto, jamais se imaginou que um ser humano poderia ser alvo dessa discriminação e violência”, disse.
Dallagnol tem de provar que não fraudou currículo com falso mestrado em Harvard

“O mestrado do Deltan Dallagnol em Harward sumiu?”, questiona o colunista Jeferson Miola. “Deltan tem a obrigação de demonstrar, de maneira documentalmente incontroversa, que a formação acadêmica em Harvard não é uma farsa tal qual a farsa jurídica que ele e o Moro montaram para tirar Lula do caminho da instalação da barbárie no Brasil” O mestrado do Deltan Dallagnol em Harward sumiu? Por Jeferson Miola A resposta a essa pergunta vale mais que os R$ 2,5 bilhões que o Partido da Lava Jato do Deltan acertou com o Departamento de Justiça dos EUA para seu Estado paralelo. O mérito do perfil @bobjackk [foto] no twitter é, justamente, trazer a público a dúvida acerca do paradeiro do mestrado do Deltan Dallagnol em Harvard. No tweet de cerca das 5 da tarde [aqui], @bobjackk perguntou: “Alguém reparou que com essa onda de verificar currículos, Deltan @deltanmd mudou a Bio [biografia] e sumiu com o Mestrado em Harvard?”. A pergunta de @bobjackk se refere ao fato da descrição do perfil anterior do Deltan no twitter incluir no currículo o título de Mestre em Direito por Harvard e, na descrição atual do seu perfil, esse título de Mestre em Direito por Harvard ter sumido. Deltan está convocado a demonstrar, cabalmente, a existência do título de Mestre em Direito por Harvard. Se não provar a existência do título, cometeu crime que o faz incompatível com a função de procurador da República. Deltan tem a obrigação de demonstrar, de maneira documentalmente incontroversa, que a formação acadêmica em Harvard não é uma farsa tal qual a farsa jurídica que ele e o Moro montaram para tirar Lula do caminho da instalação da barbárie no Brasil. Integrante do Instituto de Debates, Estudos e Alternativas de Porto Alegre (Idea), foi coordenador-executivo do 5º Fórum Social Mundia
Órfãos na passarela, uma monstruosidade com patrocínio judicial

A revolta nas redes com desfile de adolescentes para adoção no Mato Grosso Com o apoio do Poder Judiciário de Mato Grosso, a Ordem dos Advogados do Brasil em Mato Grosso (OAB-MT) e o Governo do Estado, o Pantanal Shopping de Cuiabá realizou-se o “evento” Adoção na Passarela. A ação, chamada de “Adoção na Passarela”, foi organizada pela Associação Mato-grossense de Pesquisa e Apoio à Adoção (Ampara), em parceria com a Comissão de Infância e Juventude (CIJ) da Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional Mato Grosso (OAB-MT) e outras entidades do Estado. No evento, conforme a organização, 18 adolescentes acima de 12 anos desfilaram em uma passarela criada em um shopping de Cuiabá. Conforme a entidade, cerca de 200 pessoas – muitas delas interessadas em adoção – acompanharam da plateia. Lojas de roupas e calçados auxiliaram no evento, por meio de doação de itens para que os adolescentes pudessem desfilar. No texto de divulgação do desfile, a presente da CIJ, Tatiane de Barros Ramalho, informou que o evento era uma das ações feitas durante a Semana da Adoção, que incluiu, entre outras atividades, palestras, seminários e recreações com as crianças. “Trata-se de uma noite para os pretendentes a adotar poderem conhecer as crianças e os adolescentes. A população em geral poderá ter mais informações sobre adoção e os menores em si terão um dia diferenciado, em que irão se produzir, fazer cabelo, maquiagem e usar roupa para o desfile”, disse Tatiane, dias antes do evento. Organização destaca respaldo na Justiça Nas redes sociais, o evento foi duramente criticado. “As crianças na passarela, para pretendentes ver o quão bonitas, simpáticas e desenvoltas são, parece-me uma antiga feira de escravo, onde os senhores viam os dentes e o corpo dos africanos para negociar o lance. Não acho legal, aliás, acho péssimo”, escreveu o advogado mato-grossense Eduardo Mahon, de Mato Grosso. Evento em MT gerou críticas nas redes sociais© Divulgação/OAB-MT Evento em MT gerou críticas nas redes sociais Em conversa com a BBC News Brasil, Eduardo Mahon afirma que o local escolhido para o desfile foi inadequado. “Se um desfile já pode dar azo a dupla interpretação, a ideia dos organizadores foi infeliz em fazer o ato em um shopping, que é, por essência, um local de consumo”, declara. Presidente da Ampara, Lindacir Rocha Bernardon, uma das responsáveis pelo evento, afirma que o desfile foi uma forma de ajudar os jovens que há anos esperam por uma família. “Somente crianças acima de 12 anos desfilaram. Todas já foram vistas por diversas famílias, em abrigos, mas ninguém adotou”, afirma, negando a informação de que crianças de quatro a 11 anos também participaram do evento em busca de uma família. Conforme a presidente da associação, as crianças menores que desfilaram já haviam sido adotadas anteriormente e estavam acompanhadas de suas famílias. “Ao todo, 16 famílias participaram do evento, com os filhos”, afirma. As famílias participaram do desfile para, conforme a organização, mostrar os benefícios da adoção. Lindacir afirma que o evento foi autorizado pela Justiça de Mato Grosso. “O juiz permitiu a realização do desfile. Nós somos uma instituição séria, não brincamos com crianças”, declara. Esta foi a segunda vez que o “Adoção na Passarela” foi organizado em Cuiabá. Na primeira, em 2017, conforme Lindacir, dois adolescentes, de 14 e 15 anos, foram adotados. ‘Como se fossem pets’ Apesar de afirmar que o evento teve o objetivo de ajudar os jovens que buscam um lar, inúmeros internautas criticaram a ação. A ex-deputada federal Manuela D’Ávila (PCdoB) lamentou o evento. “Acho que essa é uma das notícias mais tristes que li. Crianças em uma passarela, cheias de sonhos e desejos, buscando aprovação a partir de um desfile, como se parar amar um filho tivéssemos que admirá-los fisicamente”, disse, em publicação feita nesta quarta-feira em seu Instagram. “Triste. Feira de adoção? Como se fossem pets”, escreveu uma internauta. “Ficou parecendo leilão de boi, por essa eu realmente não esperava”, acrescentou outra. Na tarde desta quarta, a Defensoria Pública de Mato Grosso emitiu um comunicado repudiando o evento. “Corre-se o risco de que a maioria dessas crianças e adolescentes não seja adotada, o que pode gerar sérios sentimentos de frustração, prejuízos à autoestima e indeléveis impactos psicológicos”, diz a instituição. A Defensoria declara ainda que a exposição dos menores pode levar à objetificação e “passar uma ideia de mercantilização, fato que não coaduna com os princípios norteadores da Constituição da República Federativa do Brasil (CF/88) e do Estatuto da Criança e Adolescente (ECA).” “É importante verificar que, não se pode, sob o pretexto de facilitar a adoção, usar práticas que atentem e violem a integridade psíquica e moral, conforme expressa o artigo 17 do ECA. Existem limitações éticas à busca de voluntários dispostos à adoção, e elas devem ser verificadas, como já diz o adágio popular: ‘os fins jamais poderão justificar os meios’”, acrescenta a instituição. Também por meio de nota, o Pantanal Shopping, onde ocorreu o evento, afirmou que “repudia a objetificação de crianças e adolescentes”. A entidade ainda diz que o objetivo do desfile foi contribuir com a promoção e conscientização sobre adoção e direitos da criança e adolescente. O comunicado dos representantes do shopping ressalta que a ação teve o apoio de da Associação Nacional do Grupo de Apoio à Adoção e de instituições de Mato Grosso como o Ministério Público Estadual, Secretaria de Estado de Assistência Social e Cidadania, Sindicato dos Oficiais de Justiça, Conselho Estadual dos Direitos da Criança e do Adolescente e do Tribunal de Justiça.