PROCURADA  – Interpol inclui nome de Carla Zambelli em lista vermelha

Polícia Federal enviou ontem pedido para a inclusão da deputada. Mais cedo, o STF havia determinado a prisão da parlamentar que está nos Estados Unidos A Interpol incluiu, nesta quinta-feira (5/6), o nome da deputada federal Carla Zambelli (PL-SP), na lista de difusão vermelha. A ação ocorre um dia após o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes determinar a prisão imediata da parlamentar — que deixou o país por condenação na Corte. Estar na lista é um pedido às autoridades policiais em todo o mundo para localizar e prender provisoriamente uma pessoa enquanto aguarda extradição. O pedido brasileiro foi enviado pela Polícia Federal, ontem, para a sede da Interpol em Lyon, na França. Carla Zambelli informou que deixou o país nesta semana, quase um mês após ser condenada pela Primeira Turma da Suprema Corte por invasão ao sistema do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Ela está na Flórida, Estados Unidos, tem planos de seguir para a Europa. Moraes também marcou uma sessão da Primeira Turma da Corte, para esta sexta-feira (6/6), para julgar o recurso da defesa da deputada contra um pedido de prisão preventiva. O ministro do STF ordenou o bloqueio de todos os passaportes da deputada, inclusive, o diplomático, bem como de seus bens, contas bancárias, investimentos, veículos, imóveis, embarcações e aeronaves. As medidas visam garantir o pagamento das multas e a reparação dos danos, cujo valor mínimo foi fixado em R$ 2 milhões. Foi determinado também o bloqueio de todas as redes sociais utilizadas por Zambelli. O conteúdo das contas deverá ser preservado pelas plataformas, e os dados cadastrais enviados ao STF. A Câmara dos Deputados será notificada para bloquear salários e quaisquer verbas destinadas à parlamentar, redirecionando os valores ao pagamento integral da multa. Moraes atendeu a um pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR). O chefe do órgão, Paulo Gonet, afirmou que não se trata de antecipação de cumprimento de pena e que a prisão é necessária para a aplicação da lei penal. O ministro concordou com o argumento. “A jurisprudência do Supremo Tribunal Federal é firme no sentido da decretação da prisão em razão da fuga do distrito da culpa, quando demonstrada a pretensão de se furtar à aplicação da lei penal”, diz trecho da decisão. O ministro afirmou que, após a saída do país, Zambelli “declarou que pretende insistir nas condutas criminosas, para tentar descredibilizar as instituições brasileiras e atacar o próprio Estado Democrático de Direito”. “Lamentavelmente, o intuito criminoso de Carla Zambelli permanece ativo e reiterado, insistindo a condenada — mesmo que de modo atabalhoado e confuso — na divulgação de notícias fraudulentas, no ataque à lisura das eleições e nas agressões ao Poder Judiciário”, escreveu Moraes. Segundo a Polícia Federal, Carla Zambelli saiu pela fronteira terrestre com a Argentina em 25 de maio, por meio de Foz do Iguaçu (PR). Por meio de nota, Zambelli afirmou que a determinação do STF pela sua prisão preventiva é “ilegal, inconstitucional e autoritária”. “O ministro Alexandre de Moraes determinou o bloqueio da conta de Instagram do meu filho, João Zambelli, um jovem de apenas 17 anos que está iniciando sua trajetória na vida pública. Com isso, não atacou apenas a deputada ou a cidadã Carla Zambelli. Ele atacou uma mãe”, completou

Zambelli foge do Brasil após condenação e diz que vai pedir licença da Câmara

Deputada do PL foi condenada a dez anos de prisão por invasão aos sistemas do CNJ e afirma ter deixado o país para tratamento médico A deputada federal Carla Zambelli (PL-SP) revelou, em transmissão ao vivo nas redes sociais, que está fora do Brasil “há alguns dias” e que pretende formalizar um pedido de licença do mandato parlamentar, informa o g1. Condenada a dez anos de prisão por participação na invasão de sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), a parlamentar afirmou que viajou à Europa em busca de tratamento médico. “Queria anunciar que estou fora do Brasil já faz alguns dias. Eu vim a princípio buscando tratamento médico que eu já fazia aqui e agora eu vou pedir para que eu possa me afastar do cargo. Tem essa possibilidade da Constituição, acho que as pessoas conhecem um pouco mais essa possibilidade hoje em dia porque foi o que o Eduardo [Bolsonaro] fez também”, disse Zambelli na live. A decisão que condenou a deputada foi proferida em 18 de maio pela 1ª Turma do Supremo Tribunal Federal (STF), que também determinou a perda automática de seu mandato. No entanto, a efetivação dessa medida ainda depende de análise pela Câmara dos Deputados, onde há divergências sobre se a competência cabe à Mesa Diretora — como entendeu o STF — ou ao plenário da Casa. A localização exata da parlamentar permanece desconhecida inclusive para sua própria defesa, segundo relataram seus advogados à imprensa. Apesar de ser vista como um fator de desgaste dentro do PL, Zambelli deve receber apoio da bancada da legenda na Câmara. A deputada, no entanto, já foi apontada publicamente por Jair Bolsonaro (PL) como uma das principais responsáveis pelo desempenho eleitoral aquém do esperado em 2022. Desde então, sua relação com ele tem se mantido distante e marcada por tensões. Com a possível licença de Zambelli, seu suplente deverá assumir temporariamente a cadeira, enquanto prosseguem os desdobramentos judiciais e políticos do caso

Google é o ‘médico’ mais procurado para pesquisas sobre remédio e saúde

Farmacêuticos precisam saber orientar população para evitar uso indiscriminado de medicamentos, ressalta conselho Mais brasileiros estão recorrendo à internet para lidar com questões de saúde. É o que aponta um estudo recente do Instituto de Pesquisa e Pós-Graduação para o Mercado Farmacêutico (ICTQ), que revela que pelo menos seis em cada dez brasileiros utilizam a web para buscar informações sobre sintomas, tratamentos e medicamentos. Em 2022, 63% dos entrevistados afirmavam usar a internet para esse fim. E, em 2024, o índice oscilou para 68%. Já as buscas por informações especificamente sobre remédios saltaram de 47% para 53% no mesmo período. “Não há como impedir esse hábito. As pessoas têm liberdade para buscar informação onde quiserem. Mas, quando o paciente recebe uma orientação segura, baseada em protocolos clínicos e oferecida por um profissional capacitado, ele deixa de adotar práticas arriscadas e passa a usar medicamentos de forma mais consciente”, explica o farmacêutico Ismael Rosa, diretor do ICTQ. “Isso impacta diretamente a segurança do paciente, a prevenção de agravamentos e a eficiência do sistema de saúde”, completa. E se engana quem pensa que a automedicação é feita só por pessoas que usam medicamentos “mais leves”. O estudo do ICTQ aponta que entre os remédios mais usados sem prescrição estão os anti-inflamatórios, mas até os chamados “tarja preta”, como aqueles usados em tratamentos psiquiátricos – que exigem receita médica –, entram nessa lista, ainda que em menor escala. O risco, nesses casos, é ainda maior. “Esses medicamentos são controlados por um motivo. Uma dosagem incorreta ou o uso sem acompanhamento médico podem levar à intoxicação severa e até mesmo à morte, caso não haja um atendimento rápido”, alerta Antônio Geraldo, presidente da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP). Diante disso, para Waltovânio Cordeiro, farmacêutico e representante do Conselho Regional de Farmácia de Minas Gerais, é fundamental que os profissionais do setor sejam preparados para orientar as pessoas. “O farmacêutico é, muitas vezes, o profissional de saúde mais acessível à população. Por isso, ele deve orientar sobre o uso correto dos medicamentos. Além disso, os Conselhos Regionais promovem campanhas para incentivar o uso racional e consciente dos remédios”, destaca. Prescrição de remédio por farmacêuticos causa polêmica A Justiça Federal no Distrito Federal suspendeu a resolução número 5, de 20 de fevereiro de 2025, do Conselho Federal de Farmácia (CFF), que autorizava que farmacêuticos prescrevessem a clientes medicamentos categorizados como tarjados e que, em tese, exigiriam receita médica. A medida, tomada pouco mais de um mês depois de a resolução ter sido aprovada, aconteceu porque a decisão do CFF causou polêmica, e o Conselho Federal de Medicina (CFM) emitiu um pronunciamento contra a resolução. “Ao permitir que farmacêuticos assumam essa função, coloca-se em risco a incolumidade dos pacientes, expondo-os a diagnósticos errôneos, interações medicamentosas inadequadas e até mesmo ao agravamento de patologias não identificadas corretamente”, justificou a entidade médica. O que o farmacêutico pode realmente fazer, de acordo com o Conselho Regional de Farmácia de Minas Gerais (CRF-MG), é orientar por escrito sobre os famosos Medicamentos Isentos de Prescrição (MIPs). “Os não tarjados ou Medicamentos Isentos de Prescrição (MIPs) podem ser prescritos pelo farmacêutico, como forma de registro de seu atendimento, inclusive para orientação por escrito em relação ao uso desses medicamentos pelo paciente”, explica o CRF-MG em resposta ao Super Notícia. Pode vender sem receita? De acordo com André Vartuli, advogado criminalista, vender medicamentos sem receita, sem controle ou fora das farmácias é crime no Brasil. “O Código Penal prevê pena de até dez anos de prisão para quem faz isso. Já quem compra, mesmo sabendo que o remédio exige receita, pode não responder criminalmente, mas participa de uma prática ilegal e perigosa, é conivente com algo que põe em risco a saúde de todos”, afirmou.

PF desmantela grupo “caça-comunistas” que mirava ministros do STF e outras autoridades

Militares da reserva e civis usavam fachada de segurança para realizar espionagem e execuções sob encomenda. Grupo operava com disfarces, drones e armas de guerra A Polícia Federal deflagrou nesta quarta-feira (28) a 7ª fase da Operação Sisamnes e revelou a existência de uma organização criminosa que operava como grupo de extermínio armado. A quadrilha era composta por militares da ativa e da reserva, além de civis, e mantinha uma empresa de fachada registrada como prestadora de segurança privada. Na prática, o grupo realizava espionagem e assassinatos por encomenda. Apelidado pelos próprios integrantes de “Comando C4 – Caça a Comunistas, Corruptos e Criminosos”, o grupo mantinha um planejamento detalhado, com estrutura hierárquica, divisão de tarefas, uso de disfarces, aluguel de imóveis, drones, iscas sexuais e armamento pesado. Segundo a PF, a organização possuía uma tabela manuscrita de preços, com valores para executar alvos conforme o cargo: Ministros do Judiciário: R$ 250 mil Senadores: R$ 150 mil Deputados: R$ 100 mil “Figuras normais”: R$ 50 mil Execução de advogado levou à descoberta da quadrilha A investigação teve início após o assassinato do advogado Roberto Zampieri, morto com dez tiros em dezembro de 2023, dentro do carro, em frente ao próprio escritório em Cuiabá (MT). O crime foi inicialmente tratado como motivado por uma disputa fundiária avaliada em R$ 100 milhões, mas a análise do celular da vítima revelou indícios de corrupção em instâncias superiores do Judiciário. As mensagens encontradas conectavam Zampieri a empresários, desembargadores e ao lobista Andreson de Oliveira Gonçalves, que dizia intermediar negociações de venda de decisões judiciais no Superior Tribunal de Justiça (STJ). Uma das empresas do lobista chegou a transferir R$ 4 milhões à firma da esposa de um assessor do STJ, segundo a PF. O caso resultou no afastamento de dois desembargadores do Tribunal de Justiça de Mato Grosso pelo CNJ. STF e Congresso estavam na mira da milícia armada Nos documentos apreendidos durante as buscas, a PF identificou registros com nomes de autoridades brasileiras como alvos do grupo. Entre eles, estão os ministros Alexandre de Moraes e Cristiano Zanin e o ex-presidente do Senado Rodrigo Pacheco (PSD-MG). Anotações mencionavam “vigilância armada” e datas de deslocamento dos alvos. Segundo a corporação, a estrutura indicava “motivação política, econômica e ideológica”. O grau de organização e os métodos de atuação aproximam o grupo de estruturas paramilitares, com capacidade operacional interestadual e uso de armamento de guerra. Prisões, arsenal e próximos passos da investigação A operação desta quarta-feira foi autorizada pelo ministro Cristiano Zanin, do STF, e resultou em cinco mandados de prisão preventiva, quatro de monitoramento eletrônico e seis de busca e apreensão em Mato Grosso, São Paulo e Minas Gerais. Foram também determinadas medidas cautelares como o uso de tornozeleira eletrônica, recolhimento noturno, entrega de passaportes e proibição de contato entre investigados. Entre os presos estão: Aníbal Manoel Laurindo, fazendeiro e mandante do homicídio Coronel Luiz Caçadini, da reserva do Exército, acusado de financiar o grupo Antônio Gomes da Silva, executor dos disparos contra Zampieri Hedilerson Barbosa, dono da arma e instrutor de tiro Gilberto Louzada da Silva, cúmplice na operação Durante as diligências, a PF apreendeu em Minas Gerais um arsenal com fuzis e pistolas com silenciadores, lança-rojão portátil, minas magnéticas, explosivos com detonação remota, placas frias e veículos adaptados para fuga. A PF afirma que a apuração continua e pode revelar novos mandantes, conexões políticas e outros alvos de espionagem armada. A defesa dos acusados nega os crimes. A advogada de Caçadini, Sarah Quinetti, afirma que “nenhum elemento ilícito foi encontrado” e que confia no “trabalho das instituições”

Lula será 2º brasileiro a ser homenageado por Academia Francesa em 390 anos

Fundada em 1635, instituição homenageou apenas 19 chefes de Estado. Primeiro brasileiro foi Dom Pedro II, em 1872. Lula cumprirá outras agendas na França no início de junho O presidente Luiz Inácio Lula da Silva receberá uma rara homenagem em junho, na França. Ele será o segundo brasileiro, depois de Dom Pedro II, em 1872, a ter sua importância reconhecida pela Academia Francesa, fundada em 1635 pelo Cardeal Richelieu. A perspectiva é que a homenagem ocorra no início do próximo mês, durante visita do presidente brasileiro à França. Segundo noticiou o jornal O Globo, a iniciativa partiu do escritor Amin Maalouf, secretário Perpétuo da Academia, que tem como patrono o presidente Emmanuel Macron. Em 690 anos de existência, apenas 19 chefes de Estado foram agraciados pela Academia, que serviu de inspiração a Machado de Assis para a criação da Academia Brasileira de Letras. Ainda conforme noticiado, Lula será recebido como membro da instituição. Até lá, será escolhida uma palavra sobre a qual ele e demais convidados debaterão e que pode entrar para o Dicionário da Academia Francesa, com a observação de que contou com a contribuição do presidente brasileiro. A agenda de Lula ainda está sendo fechada, mas ele deverá chegar ao país no dia 3 ou 4 de junho e será recebido por Macron. Em seguida, está previsto um jantar especial no Palácio do Eliseu, residência oficial do presidente francês. Também durante a visita, Lula receberá o título de honoris causa da Universidade Paris 8, que fica no subúrbio da capital francesa e é voltada a temas de âmbito social. No dia 7, Lula seguirá para Nice, onde será realizada a Conferência das Nações Unidas para os Oceanos. Seu retorno ao Brasil deverá ocorrer no dia 9

Lula defende regulação de redes sociais contra cyberbullying após suicídio de criança

Presidente critica falta de controle sobre empresas de aplicativos e defende debate no Congresso sobre o PL das Fake News, que enfrenta resistência da oposição e pressão de gigantes da tecnologia. Durante evento em Campo Verde (MT), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) reforçou a necessidade de regulamentar o uso das redes sociais no Brasil, destacando os efeitos devastadores do cyberbullying e da desinformação. “É preciso discutir com o Congresso a responsabilidade de regular essas empresas. Não pode ser que tudo no país tenha controle, exceto as plataformas digitais”, afirmou, em referência ao chamado PL das Fake News , que tramita no Congresso desde 2024. O presidente mencionou, sem revelar detalhes, o caso de uma menina que cometeu suicídio após sofrer perseguição virtual por colegas . “Esses dias vi uma menina que se matou porque foi acusada e torturada pelos amiguinhos pela internet. Vocês sabem quantas ofensas e provocações uma pessoa recebe online?”, questionou, destacando o “malefício” da propagação de violência e ódio nas plataformas. PL das Fake News: aprovado no Senado, mas travado na Câmara A proposta de regulação das redes sociais, que inclui medidas para combater desinformação e responsabilizar plataformas por conteúdos ilegais, foi aprovada no Senado em 2023 , mas enfrenta obstáculos na Câmara dos Deputados. Em abril de 2024, o texto chegou a ser incluído na pauta com regime de urgência, mas não houve acordo entre partidos devido à pressão de gigantes tecnológicas (como Google, Meta e X) e à resistência da oposição, que considera a proposta uma ameaça à liberdade de expressão. Lula criticou a falta de prioridade do tema no Legislativo: “Precisamos cuidar do povo brasileiro com mais carinho. Se não regulamentarmos isso, vamos continuar vendo tragédias como a da menina, que não suportou a pressão virtual”. Combate às fake news: Lula anuncia viagem pelo país para divulgar ações do governo Além da regulação digital, o presidente anunciou planos de retomar viagens pelo Brasil para combater “mentiras, canalhices e fake news” que, segundo ele, distorcem a imagem de seu governo. “O mês que vem vou começar a andar o país para mostrar a verdade. Chegou a hora de não permitir que a mentira ganhe espaço e que a verdade seja soterrada”, afirmou, dirigindo-se a uma plateia de agricultores familiares. A estratégia busca reforçar o diálogo direto com a população, especialmente em regiões onde a desinformação tem maior alcance, e contrapor narrativas críticas à gestão petista. Investimento no campo: lançamento do Programa Solo Vivo em Mato Grosso Paralelamente à agenda digital, Lula participou do lançamento do Programa Solo Vivo , com investimento de R$ 42,8 milhões para recuperar áreas degradadas destinadas à agricultura familiar em Mato Grosso. A iniciativa visa promover práticas sustentáveis e aumentar a produtividade em pequenas propriedades rurais. O presidente destacou a importância de políticas públicas para o desenvolvimento regional: “O agronegócio precisa seguir avançando, mas com justiça social e respeito ao meio ambiente. Este programa é um exemplo de como o Estado pode transformar realidades”. Desafios na regulação e aposta na educação digital Enquanto o PL das Fake News permanece empatado no Congresso, o governo aposta na mobilização social e na conscientização sobre os riscos das redes sociais. Para especialistas, a regulação equilibrada entre liberdade de expressão e proteção de usuários é essencial para evitar tragédias como a mencionada por Lula. Enquanto isso, programas como o Solo Vivo reforçam o compromisso do Executivo com o desenvolvimento rural, consolidando uma pauta ampla de transformações

Após levar ‘pito’ de Moraes e quase ser preso, Aldo Rebelo ataca STF

Veja o que o ex-comunista que virou defensor de extremistas bolsonaristas retrucou. Ele foi fazer gracejos durante julgamento no Supremo e por pouco não foi para a cadeia Por Henrique Rodrigues – Revista Fórum Durante seu depoimento como testemunha de defesa do almirante Almir Garnier Santos, no Supremo Tribunal Federal, nesta sexta-feira (23), o ex-ministro Aldo Rebelo protagonizou um momento de ânimos exaltados ao tentar fazer ironias e gracejos diante do ministro Alexandre de Moraes e do procurador-geral da República, Paulo Gonet, em plena audiência sobre a tentativa de golpe de Estado articulada pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). A postura provocadora quase lhe rendeu voz de prisão por desacato, já que Moraes precisou o interromper e advertir que a oitiva não era palco para interpretações ou gracinhas, sinalizando que o comportamento poderia ter consequências legais imediatas. Na manhã seguinte, neste sábado (24), em tom de revanche, Rebelo publicou vídeos nas redes sociais atacando diretamente o STF. Acusou a Corte de “legislar” e de “tomar gosto por arbitrar disputas” no Congresso Nacional, afirmando que os ministros agora escolhem “delegados e ministros”, em referência à atuação institucional do Judiciário. “É uma situação quase sem limite”, declarou. “Qual a função do Legislativo, se o Supremo legisla?”, questionou em outro trecho. Aldo Rebelo, que militou por quatro décadas no PCdoB e ocupou postos estratégicos nos governos Lula e Dilma, incluindo os ministérios da Defesa, Ciência e Tecnologia, Esportes e a chefia da Secretaria de Assuntos Institucionais, abandonou completamente sua trajetória histórica à esquerda. Hoje atua como aliado político da extrema direita bolsonarista. No julgamento em questão, ele prestou depoimento como testemunha de defesa do almirante Almir Garnier Santos, ex-comandante da Marinha no governo Bolsonaro e que teria participado de articulações golpistas colocando suas tropas à disposição do então presidente derrotado que não queria deixar o cargo. A tentativa de Rebelo de bancar o intérprete da língua portuguesa ao responder perguntas do advogado Demóstenes Torres escancarou seu novo papel: o de figura pública que repete o tom e as táticas do bolsonarismo, inclusive com confrontos institucionais e desacato ao Judiciário

Sebastião Salgado, ícone da fotografia, morre aos 81 anos

  Morreu nesta sexta-feira (23), aos 81 anos, o fotógrafo Sebastião Salgado, um dos nomes mais respeitados da fotografia mundial. Segundo informações divulgadas pela Folha de S.Paulo, Salgado sofria complicações de uma malária adquirida nos anos 1990. Salgado vivia em Paris, onde passou boa parte de sua vida profissional. Nascido em Aimorés, no interior de Minas Gerais, em 1944, Salgado iniciou sua carreira na fotografia em 1973, após abandonar uma promissora trajetória como economista. Desde então, percorreu mais de 100 países registrando imagens que marcaram o fotojornalismo pelas fortes dimensões humanas e sociais. Salgado ganhou reconhecimento internacional por projetos de longa duração que documentaram temas como migrações, trabalho, fome, conflitos e a relação do homem com o meio ambiente. Seu olhar, sempre empático e tecnicamente impecável, influenciou gerações de fotógrafos e provocou reflexões profundas sobre a condição humana. Em 2014, sua vida e obra foram retratadas no documentário O Sal da Terra, codirigido por Wim Wenders e por seu filho, Juliano Ribeiro Salgado. O filme foi premiado no Festival de Cannes e indicado ao Oscar de Melhor Documentário, consolidando o legado do fotógrafo também fora do universo da fotografia. Sebastião Salgado deixa dois filhos Sebastião Salgado na prosa sobre o diabo e a extrema direita *  Por Xico Sá Além de gênio da fotografia, o artista mineiro era contador de histórias de personagens do Brasil Real “O que dizer desse metal amarelo e opaco que leva homens a abandonar seus lares, vender seus pertences e cruzar um continente a fim de arriscar suas vidas, seus corpos e sua sanidade por causa de um sonho?”, perguntava, em momento de reflexão sobre suas aventuras no Brasil, o fotógrafo Sebastião Salgado, em 2019, ao inaugurar uma exposição, no Sesc Paulista, com fotografias inéditas sobre o garimpo de Serra Pelada. Indignado com o festival de notícias sobre devastações de partes da Amazônia durante o governo Bolsonaro, o fotógrafo blasfemava contra o presidente da época. No seu mineirês imbatível ­ — mesmo depois de tantos anos fora do Brasil —, Salgado dizia um rosário de adjetivos impublicáveis contra o então ocupante do Palácio do Planalto. Para completar o escárnio, coisa na linha dos resmungos de Riobaldo (no livro “Grande sertão: veredas”, de Guimarães Rosa), o artista recitava os apelidos do demo, referindo-se ao mesmo todo-poderoso da extrema direita naquele período: “O Arrenegado, o Cão, o Cramulhão, o Indivíduo, o Galhardo, o Pé-de-Pato, o Sujo, o Homem, o Tisnado, o Coxo, o Temba, o Azarape, o Coisa-Ruim, o Mafarro, o Pé-Preto, o Canho, o Duba-Dubá, o Rapaz, o Tristonho, o Não-sei-que-diga, O-que-nunca-se-ri, o Sem-Gracejo.” Desabafos à parte contra Bolsonaro, voltemos a subir os barrancos de Serra Pelada. Esse era um dos seus assuntos prediletos em entrevistas e nas raras mesas de bares nas quais dei sorte de tê-lo como companheiro de prosa. Foi uma foto do formigueiro do garimpo que o ajudou a consagrar no mundo. O New York Times colocou a imagem entre as 25 que definem a ideia de era moderna. Não é pouca glória. Salgado preferia, no entanto, relembrar das sagas fantásticas de personagens que saíram em busca do ouro na Amazônia. Histórias como a do garimpeiro José Mariano dos Santos, conhecido como “Índio”, que extraiu 1.183 quilos de ouro dos barrancos de Serra Pelada, no Pará. Uma fortuna do tamanho de um prêmio da Mega-Sena especial da Virada. Em uma das tantas aventuras vividas por Índio, a mais conhecida é essa, segundo lembrava o fotógrafo. Um dia ele sentiu discriminado pela aparência no balcão de uma empresa aérea em Marabá, enquanto tentava adquirir uma passagem. No momento de revolta, não teve dúvida: pegou três sacas de dinheiro e fretou um boeing da Transbrasil para viajar sozinho com a tripulação até o Rio de Janeiro, onde encontraria uma paixão amorosa, Terezinha — dançarina que havia se apresentado em um show no garimpo com o cantor Sidney Magal. Poucos tiveram a sorte deste aventureiro que se tornou personagem de programas de TV e documentários de cinema, mas Serra Pelada ficou na memória do país com a sua imagem única de um formigueiro humano por onde passaram cerca de 100 mil brasileiros. Somente no primeiro ano de funcionamento, foram 30 mil homens em busca de riqueza. Trinta mil homens e raríssimas mulheres. Elas eram proibidas de buscar o sonho dourado. Isso não impediu que Raimunda Conceição se fantasiasse de “cabra macho”, com bigode e tudo, na tentativa de encontrar a fortuna. O eldorado brasileiro acabou juntando os destinos de Índio e de Raimunda. Depois de uma vida de extravagância, incluindo uma temporada no hotel Copacabana Palace, no Rio de Janeiro, ele casou com a ex-garimpeira infiltrada, e que viria a ser sua décima terceira mulher na vida. Raimunda pegou um Índio sem um grama de ouro, mas sustentou o marido até a sua morte, em 2015, vítima de um derrame aos 61 anos de idade. Ela segue firme sobre a mesma terra onde arriscou a própria pele na corrida pela riqueza. O maior garimpo a céu aberto do mundo começou com uma pepita de ouro encontrada, ao acaso do acaso, por um morador da fazenda Três Barras, no final de 1979. A notícia se espalhou de boca em boca e começou a atrair milhares de pessoas. Em pouco tempo, a vegetação havia sido destruída pelos aventureiros — daí se deu o nome de Serra Pelada ao lugar. O fenômeno da mineração durou de 1980 a 1992. Diante da invasão de garimpeiros, o governo federal determinou que outro Sebastião, o major Curió, fosse o comandante do pedaço, responsável pela organização e disciplina. O cargo representava um prêmio pelos serviços prestados na Guerrilha no Araguaia (1967-1974) — ele ficara famoso pela perseguição, tortura e morte de militantes do PC do B. A primeira ordem de Curió foi proibir a presença de mulheres e de bebida alcóolica na área. O motivo: evitar que o lugar virasse uma zona, segundo suas palavras. O trabalho do mandachuva lhe rendeu ouro e o mandato de deputado federal, em 1982. Com

Depois de duas décadas, inicia-se a execução de R$ 2,6 milhões contra Jairo Ataide

O ex-prefeito de Montes Claros recebeu salários acima do teto constitucional e superior à de ministros do STF entre 1998 e 2000, durante seu primeiro mandato (1997–2000). Mais de 21 anos depois de ajuizada, uma Ação Popular movida contra o ex-prefeito de Montes Claros, Jairo Ataíde Vieira, chega a uma fase decisiva: o cumprimento de sentença. O processo, que tramitou durante mais de duas décadas na Justiça mineira, resultou na condenação do ex-prefeito por ter recebido remuneração acima do teto constitucional e superior à de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) entre 1998 e 2000, durante seu primeiro mandato (1997–2000). A execução foi requerida pelo Município de Montes Claros em março de 2025, com a apresentação de planilha de cálculo atualizada que aponta um valor a ser ressarcido de R$ 2.674.557,43. A Justiça determinou a citação de Jairo Ataíde para pagamento voluntário, sob pena de bloqueio de bens. Mais de duas décadas entre a denúncia e a cobrança A Ação Popular foi proposta em novembro de 2003 pelo advogado Antonio Adenilson Rodrigues Veloso. Ele faleceu antes de ver a ação terminar. Segundo ele, o então prefeito vinha recebendo valores acima do teto constitucional, entre R$ 8 mil e R$ 12.720, fixado à época com base na remuneração dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). Apesar da clareza das provas e da concordância do Ministério Público quanto à ilegalidade, o processo se estendeu por mais de duas décadas, passando por instrução, sentença de mérito, manifestações do MP, recursos e, por fim, a fase de execução, que se iniciou apenas em 2025. Remuneração do prefeito era superior à de ministro do STF Conforme demonstrado nos autos, Jairo Ataíde recebia, mensalmente, R$ 13.500,00, além de ajudas de custo semestrais de R$ 6.750,00. Em meses como outubro de 1998 e dezembro de 1999, os valores pagos ao prefeito ultrapassaram em muito o teto constitucional, chegando a mais de R$ 33 mil em um único mês. A sentença reconheceu que houve violação frontal ao artigo 37, XI, da Constituição Federal, que estabelece o teto remuneratório no serviço público. Com isso, a Justiça determinou o ressarcimento integral dos valores recebidos indevidamente, com correção monetária e juros legais. MP corroborou a tese da ilegalidade O Ministério Público de Minas Gerais atuou como fiscal da lei e se manifestou pela procedência da Ação Popular, apontando que o recebimento acima do teto constitucional configura enriquecimento ilícito e lesão ao erário, independentemente de dolo ou má-fé do agente público. Processo nº 1040200-55.2003.8.13.0433

Alckmin entrega ao Papa convite para visitar o Brasil durante a COP30

Vice-presidente assistiu à missa que celebrou pontificado do novo Papa O vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, entregou ao Papa Leão XIV, uma carta na qual o presidente Luiz Inácio Lula da Silva o convida para uma visita ao Brasil, em especial para a COP30, a ser realizada em Belém (PA), no mês de novembro. De acordo com a assessoria da Vice-Presidência, a entrega da carta foi neste domingo (18), após Alckmin ter assistido à missa que celebrou o pontificado do novo Papa. Na carta, Lula também lembrou que as relações entre Brasil e Santa Sé completarão 200 anos em 2026. A COP30 é a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP). É um encontro anual onde líderes mundiais, cientistas, organizações não governamentais e representantes da sociedade civil discutem ações para combater as mudanças climáticas. Neste ano, a COP30 será sediada no Brasil será na capital paraense. “Quero destacar a honra de representar o governo brasileiro no início do pontificado do Papa Leão XIV, trazer os cumprimentos do presidente Lula ao chefe de Estado do Vaticano e ao líder espiritual da Igreja Católica Apostólica Romana. E trouxe o convite do Presidente Lula para o Papa Leão XIV para visitar o Brasil, especialmente, na COP30 em novembro em Belém”, disse Alckmin durante o encontro. Segundo o vice-presidente, que está em Roma desde sábado (17), ao promover a paz, o Papa Leão XIV traz uma “grande esperança para toda a humanidade”. O vice se reuniu com os cardeais brasileiros e com o arcebispo Paul Richard Gallagher, secretário para as relações com os Estados e Organizações Internacionais da Santa Sé, na embaixada do Brasil da Santa Sé. Alckmin retorna ao Brasil ainda neste domingo