O fazendeiro e ex-prefeito de Unaí poderá esperar o recurso em liberdade; ele foi condenado pela morte de três fiscais do trabalho e um motorista

O fazendeiro e ex-prefeito de Unaí Antério Mânica foi condenado a 64 anos de prisão, em regime fechado, pela morte dos três fiscais e do motorista do Ministério do Trabalho no caso que ficou conhecido como Chacina de Unaí, em 2004.

A sentença foi lida pela juíza federal Raquel Vasconcelos Alves de Lima na tarde desta sexta-feira (27/5), no Tribunal do Júri que ocorre na sede da Justiça Federal, no Bairro Santo Agostinho, Região Centro-Sul de BH.

O conselho de sentença composto por sete jurados, sendo cinco mulheres e dois homens, entendeu que o réu é culpado por homicídio triplamente qualificado.

A juíza determinou que o cumprimento da pena seja feito em regime inicialmente fechado, mas concedeu o direito de Antério aguardar o julgamento do recurso em liberdade.

“Verifico que o sentenciado é primário, tem residência fixa, trabalho lícito, não havendo nos autos notícia de novos fatos relacionados com os homicídios ou com qualquer outro que indique periculosidade concreta. Ressalto ainda que ele respondeu o processo em liberdade, em face de ordens concedidas pelo Tribunal Regional Federal da 1a região. Isto posto reconheço ao sentenciado o direito de recorrer em liberdade”, disse em um trecho da decisão.

Os procuradores do Ministério Público Federal afirmaram que vão recorrer da sentença pleiteando aumento de pena e que o réu cumpra a decisão preso. Já a defesa também deve recorrer da decisão. Os advogados de Antério, porém, deixaram o prédio da justiça federal sem falar com a imprensa.

Relembre Chacina de Unaí

Em 28 de janeiro de 2004, Eratóstenes de Almeida Gonçalves, João Batista Soares Lage e Nelson José da Silva foram assassinados a tiros em uma emboscada quando investigavam condições análogas à escravidão na zona rural de Unaí, incluindo as propriedades da família Mânica. O motorista Ailton Pereira de Oliveira, que acompanhava o grupo, também foi morto.

Além de Antério Mânica, o irmão dele, Norberto, foi condenado como outro mandante da chacina. Ele, porém, está em liberdade. Outros condenados pelos crimes foram Hugo Alves Pimenta, José Alberto de Castro, Erinaldo de Vasconcelos Silva, Rogério Alan Rocha Rios e Willian Gomes de Miranda, que cumprem pena na prisão.

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