Represas usadas para abastecimento de água e de energia elétrica no Norte de Minas têm capacidade ampliada, aliviando longo período de seca

Barragem de Juramento – responsável por 40% do abastecimento de Montes Claros, ganhou em volume de água nas últimas semanas: reservatório estava, na última quarta-feira, com 54,86% da capacidade contra 33,47% no mesmo período do ano passado
Barragem de Juramento – responsável por 40% do abastecimento de Montes Claros, ganhou em volume de água nas últimas semanas: reservatório estava, na última quarta-feira, com 54,86% da capacidade contra 33,47% no mesmo período do ano passado

As fortes chuvas que têm caído no Norte de Minas nas últimas semanas causaram inundações e prejuízos para moradores e municípios, como Salinas e Rio Pardo. Mas também trouxeram alívio para a região por meio do aumento do nível de reservatórios de água, tanto para abastecimento hídrico quanto elétrico.

Responsável pelas barragens de Juramento e Viamão, a Copasa informou que o volume de água nessas represas melhorou consideravelmente nas últimas semanas.

Viamão, por exemplo, que abastece Mato Verde e Catuni, está com 100% da capacidade de armazenamento. Já a Barragem de Juramento não chegou a um nível tão confortável, mas também apresentou elevação.

“No dia 5 de janeiro, a barragem de Juramento, responsável por 40% do abastecimento de Montes Claros, encontrava-se com 54,86% da capacidade de armazenamento. No mesmo período do ano passado, o nível da represa estava em 33,47%”, informa a Copasa.

A lentidão para que Juramento recomponha o nível de água levanta questionamentos e até especulações sobre as causas. Nas redes sociais, há quem diga que “a barragem deve ter um sumidouro”. Outros atribuem a situação à monocultura do eucalipto: “irrigações clandestinas nas redondezas, represas para reter água nas imediações e as lavouras de eucaliptos que são irrigadas quando não está chovendo”.

Tem morador que sugere até mesmo que T. F chega a sugerir que “o Ministério Público deveria investigar o sumiço das águas”.

A Copasa informou que o sistema de abastecimento de água de Montes Claros é operado por meio de quatro fontes de produção: a barragem de Juramento, com captação no rio Juramento; no sistema Morrinhos; no rio Pacuí, em Coração de Jesus; e por meio de captação em poços artesianos.

ENERGIA E CONTENÇÃO DE CHEIAS
O acúmulo de água de chuva nas barragens que alimentam sistemas hidrelétricos também sinaliza o baixo risco de desabastecimento. E quem sabe até mesmo redução no preço da conta de luz.

No Norte de Minas, a Cemig opera com dois reservatórios: a Usina Irapé, entre os municípios de Berilo e Grão Mogol (rio Jequitinhonha) e a Pequena Central Hidrelétrica Machado Mineiro, entre Águas Vermelhas e Ninheiras (rio Pardo).

De acordo com a companhia, além de gerar energia, essas represas ajudam a manter o nível dos rios, evitando inundações nos períodos de chuva.

Na bacia do rio Jequitinhonha, por exemplo, o reservatório de Irapé tem sido uma grande proteção para as comunidades ribeirinhas. Segundo a Cemig, foi possível atenuar bastante o nível do rio a partir da liberação mínima de vazão pela usina, uma vez que havia um grande volume vazio do reservatório resultado de um período seco crítico.

No último dia 5, as vazões que o rio Jequitinhonha entrega ao reservatório ocorreram em um patamar de 640 m³/s. “Considerando que estamos com apenas 61,8% do volume útil, é possível que a usina libere apenas 50 m³/s, guardando esse excedente para o próximo período seco”, afirma a empresa em nota.

O reservatório funciona como uma poupança, aproveitando o excesso do período chuvoso para auxiliar a regularização de vazões ao longo do período seco. Esse efeito, de acordo com a Cemig, foi fundamental para “segurar” as chuvas dos dias 29 e 30 de dezembro, quando as águas que chegam ao reservatório atingiram patamares de 1.400 m³/s.

Para a bacia do rio Pardo, as vazões seguem em queda na região, segundo a empresa. A PCH Machado Mineiro tem acompanhado essa redução para também diminuir o vertimento nas comportas. A barragem está com o reservatório cheio e a operação da usina foi dada de maneira que as vazões que o rio produz naturalmente são repassadas sempre em patamares iguais ou menores que o que chega ao reservatório.

Fonte: O Norte

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