Pedetista suspende candidatura e diz que só volta se deputados mudarem sua posição. Dos 21 deputados do PDT, 15 votaram a favor da PEC dos Precatórios

– Ciro Gomes divulgou pouco depois de 8h desta quinta-feira (4) uma sequência de tuítes nos quais comunica a suspensão de sua candidatura presidencial em reação à votação da bancada do PDT na Câmara pela aprovação da PEC dos Precatórios, na noite desta quarta: “Há momentos em que a vida nos traz surpresas fortemente negativas e nos coloca graves desafios. É o que sinto, neste momento, ao deparar-me com a decisão de parte substantiva da bancada do PDT de apoiar a famigerada PEC dos Precatórios. A mim só me resta um caminho : deixar a minha pré-candidatura em suspenso até que a bancada do meu partido reavalie sua posição. Temos um instrumento definitivo nas mãos, que é a votação em segundo turno, para reverter a decisão e voltarmos ao rumo certo. Não podemos compactuar com a farsa e os erros bolsonaristas. Justiça social e defesa dos mais pobres não podem ser confundidas com corrupção, clientelismo grosseiro, erros administrativos graves, desvios de verbas, calotes, quebra de contratos e com abalos ao arcabouço constitucional”.

Os deputados do PDT traíram um acordo feito com a oposição e votarem com Bolsonaro. Dois 21 deputados pedetistas, 15 votaram a favor da PEC, que foi aprovada por apenas cinco votos. As bancadas do PT, PSOL e PC do B votaram integralmente contra a PEC.

Veja a sequência postada por Ciro Gomes na qual ele anuncia a suspensão da candidatura:

PCdoB: ‘firme e corajosa posição de Ciro contra a PEC do Calote’

O deputado Orlando Silva, do PCdoB, classificou com firme e corajosa a posição de Ciro Gomes (PDT) contrária à PEC do Calote aprovada na Câmara.

Ciro suspendeu sua pré-candidatura à Presidência da República até que a bancada do PDT na Câmara reveja seus votos dados à proposta do presidente Jair Bolsonaro na PEC 23/21, que foi aprovada por apenas 4 votos a mais do quórum necessário.

“A firme e corajosa negativa de Ciro Gomes à PEC do Calote contribui imensamente para derrotar o projeto”, homenageou Orlando Silva, em nome do PCdoB, que não deu nenhum voto à PEC do Calote.

“Além disso, pode inspirar outros presidenciáveis a se engajarem pela reversão de votos. Se acontecer, viraremos o jogo, mais uma vez apostando na frente ampla antibolsonaro”, completou o deputado vermelho.

O presidente nacional do PDT, Carlos Lupi, informou na manhã desta quinta (04/11) que ingressou com uma ação no STF contra a autorização do Presidente da Câmara, Arthur Lira, para que 23 parlamentares, em viagem, votassem remotamente na PEC dos Precatórios.

O diabo é que em meio nessa confusão, em que Ciro suspendeu a candidatura, criou-se a tempestade perfeita para a bancada do PDT. Os parlamentares pedetistas há muito já tinham abandonado o projeto presidencial próprio porque ele não decolou. Ciro Gomes não consegue os dois dígitos nas pesquisas de intenção de voto e não empolga a bancada no Congresso.

Em síntese, a votação do PDT com o governo é a janela que Ciro precisava para sair da disputa de 2022. Ele agora tem a desculpa ideal para fugir do fiasco eleitoral que se avizinha. (Esmael Morais)

Haddad: PDT deu cheque de R$ 90 bilhões para a reeleição de Bolsonaro

O ex-prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT), indignado, disse que o PDT deu um cheque de R$ 90 bilhões para a reeleição do presidente Jair Bolsonaro ao votar favoravelmente à PEC do Calote.

“Em 2018, 3 dos 4 candidatos do PDT a governador que foram para o 2° turno declararam voto no Bolsonaro”, recordou o petista, que vai disputar o governo de São Paulo no ano que vem.

Segundo Haddad, o partido de Ciro Gomes assinou um cheque de R$ 90 bilhões para viabilizar a reeleição de Bolsonaro.

“Não sei se tem conserto. Estrago monumental!”, criticou Fernando Haddad.

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