Repórteres da Band Minas e do jornal O Tempo foram violentados por bolsonaristas nessa sexta-feira (6/1) (foto: Jair Amaral/EM/DA Press)

Por Ricardo Kertzman – EM

O comandante da Polícia Militar e, no limite, seu chefe, Governador Zema, devem, além da detenção dos selvagens, desculpas aos agredidos e à sociedade

Eu não vou cobrar de um chimpanzé que se comporte como uma gazela, nem vou exigir de um selvagem a civilização que a mãe não lhe deu, mas a partir do momento em que um animal descontrolado avança sobre a multidão, caberá ao domador do bicho retorná-lo sob vara e chicote à jaula de onde jamais deveria ter saído.

Essa digressão zoológica acima ilustra cabalmente o comportamento da seita bolsonarista, em sua maioria idosos e barrigudos e barrigudas de média idade, todos brancos, ricos ou de classe média, ninguém que precise, portanto, trabalhar para ganhar a vida, que tomou conta da Avenida Raja Gabaglia, em Belo Horizonte.

Sim, eu sei que o fenômeno não é exclusivo da capital mineira e que o perfil dos velhos adolescentes se repete por todo o País. Sei também que a maioria ali é de gente imperfeita como eu e você, leitor amigo, leitora amiga, que faz besteira, comete indelicadezas e até mesmo pequenas transgressões. A diferença é que não somos hipócritas.

Se você é, digamos normal, não irá para a porta de quartel pedir golpe em nome da… democracia! Não se dirá patriota pretendendo segregar nordestinos. Não dirá que é “cidadão de bem” corrompendo agentes públicos. Não falará que é “cristão” enquanto espanca um trabalhador. Não enaltecerá a família pagando prostitutas às escondidas.

Mas aquele bando de desocupados hipócritas fazem tudo isso e muito mais, ao mesmo tempo em que juram amor à pátria e fidelidade a Deus, bando de cretinos. E aproveitam a frouxidão moral e o “cagaço” de policiais para bater, sem dó nem piedade, na cara de jornalistas, causando ferimentos e estragos irreversíveis em equipamentos caríssimos.

A PMMG, em especial, cumpriu um papelão institucional digno de vexame histórico. Ao menos dois policiais assistiram, impassíveis, a três ou quatro bolsonaristas selvagens agredirem impiedosamente dois jornalistas nesta sexta-feira, dia 6 de janeiro, defronte às suas fardas e suas fuças. No mínimo, prevaricaram. Na realidade, se acovardaram.

Minha mais do que querida e competente colega de Rádio Itataia, Edilene Lopes, em excelente trabalho de reportagem e apuração, mostrou que, desde o início dos atos golpistas, cerca de 80 profissionais da imprensa foram agredidos por vândalos bolsonaristas que se dizem manifestantes pacíficos. Uma ova que são!

Historicamente, jornalistas e veículos de imprensa são atacados, no Brasil e no mundo, por gente autoritária, obscurantista, sem argumentos e sem modos. Porém, em países decentes, quem age assim é punido com o máximo rigor. No Brasil, leis rígidas existem para garantir a liberdade de imprensa, mas não são aplicadas, para não variar.

Nos últimos anos, então, a coisa degringolou de vez. Sob o bolsonarismo, autoridades policiais se renderam ao crime e permitiram, como ainda permitem, não apenas a violência contra trabalhadores e o impedimento do direito de ir e vir de cidadãos comuns, mas também a pregação golpista contra o Estado de Direito, crime previsto no código penal.

A maioria dos eleitores, gostemos ou não (e eu não gosto!), escolheu Lula da Silva o presidente da República Federativa do Brasil. Aos agentes e autoridade públicos cabe, pois, de acordo com a Constituição, garantir não apenas o cumprimento da vontade popular, mas a paz e ordem sociais, e estes senhores andam falhando miseravelmente nesta missão.

A responsabilidade pela agressão aos jornalistas é dos agressores, mas a prevenção é do Poder Público. Assim como, uma vez consumada, a identificação e prisão dos criminosos também. O comandante da Polícia Militar de Minas Gerais e, no limite, seu chefe, Governador Romeu Zema, devem, além da detenção dos selvagens, desculpas veementes e sinceras aos agredidos e à sociedade. Chega de conivência e omissão

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