A Massa & Massa, constituída para explorar a imagem comercial do apresentador Ratinho, tem o governador do Paraná entre seus sócios e recebeu os repasses em quatro parcelas. É a primeira vez que Ratinho Jr. aparece vinculado a uma das empresas do pai com negócios no banco de Daniel Vorcaro.

O governador Ratinho Jr. e o apresentador Carlos “Ratinho” Massa (Charles Sholl Brazil Photo Press via AFP / Vanessa Carvalho Brazil Photo press Folhapress)

A empresa Massa & Massa, que tem entre seus sócios o apresentador Carlos “Ratinho” Massa, do SBT, a esposa dele, e três filhos, entre eles o governador do Paraná Ratinho Junior (PSD), recebeu R$ 1,68 milhão do Banco Master, do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, em quatro parcelas de R$ 420 mil.

Os pagamentos foram confirmados pela assessoria do Grupo Massa e vieram à tona a partir de documento anexado ao relatório da Polícia Federal divulgado pelo ministro do STF André Mendonça, que apontava uma das parcelas como pendente.

A Massa & Massa foi constituída com o propósito específico de explorar a imagem comercial do apresentador Ratinho. Seu quadro societário reúne o próprio apresentador, sua esposa, o governador Ratinho Junior e outros dois filhos do casal. Foi a essa empresa que o Banco Master, de Daniel Vorcaro, transferiu R$ 1,68 milhão em quatro parcelas de R$ 420 mil, conforme confirmado pela assessoria do Grupo Massa.

Segundo a Folha de S.Paulo, o comprovante de contas a pagar, encaminhado em 14 de julho do ano passado por um membro da tesouraria do Master ao ex-banqueiro Vorcaro, listava empresas com pagamentos pendentes. Entre os CNPJs da lista estavam o escritório Barci de Moraes, da esposa do ministro Alexandre de Moraes, com saldo pendente de R$ 3,4 milhões, e a Massa & Massa, com uma das parcelas em atraso. É a primeira vez que Ratinho Junior aparece como sócio de uma das empresas do pai com negócios registrados junto ao banco.

Em nota, o Grupo Massa confirmou os repasses e apresentou uma justificativa comercial para a relação. Segundo o conglomerado, Ratinho manteve contrato privado de publicidade para uso de sua imagem na promoção do CredCesta, o cartão consignado do Banco Master.

O grupo afirmou ainda que, após o pagamento das quatro parcelas, a relação foi encerrada por meio de distrato, motivado por atrasos e pelo “desencontro entre a prestação dos serviços e os respectivos pagamentos”.

A nota do Grupo Massa buscou também contextualizar o momento da contratação: “À época da celebração do contrato, o Banco Master operava regularmente e não havia questionamentos públicos sobre sua idoneidade que impedissem ou desaconselhassem uma relação comercial dessa natureza. A contratação teve caráter exclusivamente comercial e publicitário, vinculada ao uso da imagem do apresentador e à divulgação do CredCesta.” O argumento serve para distanciar o grupo das investigações que recaem hoje sobre o banco, mas não responde à questão central que a revelação coloca: a participação do governador do Paraná como sócio de uma empresa que recebeu pagamentos de uma instituição financeira agora investigada pelo Congresso. O Governo do Paraná, por sua vez, foi direto: afirmou que não vai comentar o caso.

Contexto das relações com o Banco Master

A Massa & Massa não é a única empresa do universo do Grupo Massa com registros de repasses do Banco Master. Documentos encaminhados pela Receita Federal à CPI do Crime Organizado indicam que outras duas empresas ligadas ao grupo, a Massa Intermediação e a Gralha Azul Empreendimentos e Participações, receberam ao menos R$ 24 milhões do banco entre 2022 e 2025. A Massa Intermediação teria recebido cerca de R$ 21 milhões no período, e a Gralha Azul, aproximadamente R$ 3 milhões.

A diferença relevante entre essas empresas e a Massa & Massa é societária: o Grupo Massa fez questão de informar que Ratinho Junior não integra o quadro de sócios da Massa Intermediação nem da Gralha Azul. Ainda assim, o volume total de negócios entre o Grupo Massa e o Banco Master, somadas todas as empresas, aponta para uma relação comercial de escala considerável com uma instituição que hoje é alvo de investigação parlamentar.

Ratinho também esteve diretamente associado à promoção do CredCesta em campanhas publicitárias: o produto chegou a ser oferecido a servidores públicos no Paraná, mas teve seu uso bloqueado no estado em novembro de 2025.

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