O risco iminente de rompimento da barragem da Mina de Gongo Soco, em Barão de Cocais (MG), tem deixado cada vez mais tensos os moradores da região.

Se na última quinta-feira (15) a Vale anunciou que, caso o deslocamento de cerca de três a quatro centímetros diários fosse mantido, o talude norte se romperia até o próximo sábado (25), agora, a previsão é que o colapso da estrutura, que pode derrubar a barragem e inundar parte de Barão de Cocais, na região Central de Minas, aconteça a qualquer momento. Nesta terça-feira (21), a Vale informou ao Hoje em Dia que o deslocamento do talude já se encontra entre seis e dez centímetros diários, mais do que o dobro da média divulgada inicialmente.

Na segunda-feira (20), ainda de acordo com a mineradora, o diretor de operações da empresa, Marcelo Barros, fez um sobrevoo na mina de Gongo Soco, onde fica a barragem em risco. Segundo ele, a Vale trabalha com a hipótese mais grave, que é da barragem Sul Superior se romper com o abalo provocado pela queda do talude, sendo que o desabamento da estrutura já é considerado um fato pela empresa.

Ainda na segunda, o secretário de Meio Ambiente de Minas Gerais, Germano Vieira, admitiu que as chances da barragem se romper com a queda do talude são de 10 a 15%. A informação teria sido obtida pelo chefe da pasta a partir de um estudo realizado por uma auditoria externa.

O talude é um plano de terreno inclinado que limita um aterro e tem como função garantir a estabilidade da estrutura. A parede em risco está localizada na face norte da cava da mina, que está desativada.

A queda da estrutura em si não afeta a barragem, que está a 1,5 km de distância, entretanto, existe a possibilidade dela causar um abalo sísmico que pode ser o gatilho para o rompimento da barragem, que tem mais de 6 milhões de m³ de rejeitos de minério.

Estrago pode ser maior que o previsto

Apesar dos dois treinamentos feitos pelos moradores de Barão de Cocais sobre as rotas de fuga com base na mancha de inundação do relatório de dam break apresentado pela Vale, um grupo de pesquisadores defende que o estrago no município pode ser ainda maior do que o apresentado pela empresa.

A informação foi divulgada pelo grupo Política, Economia, Mineração, Ambiente e Sociedade (PoEMAS), núcleo composto por pesquisadores e alunos com formações diversas, que se utiliza de conhecimentos econômicos, geográficos, sociológicos e de políticas públicas para analisar e avaliar os impactos que as redes de produção associadas à indústria extrativa mineral geram para a sociedade e para o meio ambiente.

Segundo o engenheiro e integrante do grupo Bruno Milanez, as projeções apresentadas no relatório da Vale subestimaram a capacidade destrutiva da onda, por não levar em consideração o aumento de sua densidade por conta dos objetos de médio e grande porte que seriam arrastados ao longo do percurso.

“O modelo que usaram foi baseado em onda de água, considerando a altura do rejeito e a velocidade. No entanto, o rejeito terá uma densidade maior, porque ao longo do trajeto a onda carregará também os objetos que estiverem pelo caminho, como troncos ou até caminhões. Com isso, o potencial destrutivo nas áreas que o estudo diz que não serão atingidas pode ser ainda maior”, disse o professor do Departamento de Engenharia da Produção da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) Bruno Milanez.

Procurada sobre a contestação feita pelo grupo, a Vale manifestou apenas seu posicionamento com relação ao prazo de 72 horas, dado pela juíza Fernanda Machado, da Vara de Barão de Cocais, para que apresentasse o estudo dos impactos relacionados ao eventual rompimento das estruturas da Mina de Congo Soco. “A Vale, no prazo fixado pela determinação judicial, apresentou o relatório mais atualizado de dam break da Barragem Sul Superior, explicando naquela oportunidade a adequação dos critérios técnicos”, diz a nota.

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