Com mais de 91% das atas processadas, Keiko Fujimori mantém vantagem estreita sobre Roberto Sánchez; votos das regiões rurais ainda podem alterar resultado

O Peru segue sem definição sobre quem será o próximo presidente do país após um segundo turno marcado por diferença apertada entre a candidata da extrema direita Keiko Fujimori e o candidato de esquerda Roberto Sánchez.
Com 91,5% das atas processadas pela Oficina Nacional de Procesos Electorales (ONPE) até a manhã desta segunda-feira (8) Keiko aparecia com 50,329% dos votos válidos, contra 49,671% de Sánchez. A diferença entre os dois candidatos era de cerca de 113 mil votos.
Apesar da vantagem da candidata do Fuerza Popular, o cenário segue aberto no país andino porque parte significativa dos votos ainda pendentes vem das regiões rurais e andinas, onde Sánchez concentra sua principal base eleitoral
Os votos já contabilizados pertencem majoritariamente a Lima e às grandes cidades da costa peruana, redutos históricos do fujimorismo. Nas regiões rurais, conhecidas no país como “Peru profundo”, o candidato de Juntos por el Perú, de esquerda, obteve desempenho superior ao da adversária.
A cautela também é alimentada pelo fato de que a contagem rápida divulgada pela Ipsos após o fechamento das urnas projetou Sánchez numericamente à frente, com 50,3% dos votos, contra 49,7% de Keiko.
A disputa repete um padrão observado nas eleições de 2021, quando Pedro Castillo derrotou Keiko Fujimori por margem apertada após a chegada dos votos do interior. Naquele pleito, o resultado foi seguido por semanas de disputas judiciais, pedidos de anulação de atas e acusações de fraude sem provas apresentadas pelo fujimorismo.
O secretário-geral da associação Transparencia, Omar Awapara, afirmou que ainda não é possível declarar um vencedor e alertou que o resultado oficial poderá demorar semanas para ser concluído.
Após a divulgação dos primeiros números, Roberto Sánchez afirmou que aguardará o resultado oficial da ONPE e defendeu o peso eleitoral das regiões historicamente marginalizadas do país.
“Nós estamos em condições de respeito irrestrito aos resultados oficiais”, declarou o candidato de Juntos por el Perú. Segundo ele, os votos do “Peru profundo” ainda estão subrepresentados na contagem parcial.
Sánchez também comemorou o desempenho de sua candidatura nas regiões indígenas e rurais. “Nossos povos quéchuas, aimaras e amazônicos decidiram recuperar o governo para o povo”, afirmou.
Do lado de Fujimori, dirigentes do Fuerza Popular pediram mobilização dos fiscais partidários para acompanhar a validação das atas eleitorais e a defesa dos votos da candidata.
Mais de 27 milhões de peruanos foram convocados às urnas para escolher o presidente que governará o país entre 2026 e 2031.
O próximo mandatário assumirá em meio a uma década de forte instabilidade política, marcada por sucessivas destituições presidenciais, confrontos entre Congresso e Executivo e aumento da desigualdade social no país andino.
A votação deste domingo ocorreu de forma relativamente tranquila em comparação com o primeiro turno realizado em abril, quando houve atrasos na entrega de material eleitoral e necessidade de ampliação da votação em algumas regiões.
Autoridades eleitorais e observadores internacionais afirmaram que não houve incidentes graves durante a jornada eleitoral e pediram respeito aos resultados oficiais da ONPE.
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