O alto comissário da ONU, Volker Turk, afirmou já terem sido registrados “muitos incidentes que podem ser considerados crimes de guerra pelas forças israelenses”

Criança palestina sentada no local de um ataque israelense a uma casa em Rafah, no sul da Faixa de Gaza (Foto: Reuters/Ibraheem Abu Mustafa)

Em uma reunião especial dedicada a abordar a crise humanitária na Faixa de Gaza, a Organização das Nações Unidas (ONU) lançou um alerta: mais de 17 mil crianças em Gaza perderam seus pais ou estão separadas de suas famílias, relata Jamil Chade, do UOL. O cenário descrito pela ONU ocorre em meio a um trágico marco, com o número de mortes em Gaza ultrapassando 30 mil pessoas.
O alto comissário da ONU, Volker Turk, durante um discurso no Conselho de Direitos Humanos, enfatizou a gravidade da situação, descrevendo o horror presenciado em Gaza como algo difícil de ser traduzido em palavras. “Parece não existir palavra que capture o horror visto em Gaza”, disse
A reunião testemunhou tensões entre as diferentes delegações, com o governo de Israel acusando a ONU de negligenciar a construção de uma operação terrorista em Gaza e minimizar as vítimas israelenses. Por sua vez, a diplomacia palestina acusou Israel de genocídio.
Além disso, a ONU destacou os desafios humanitários enfrentados pelos habitantes de Gaza, incluindo desaparecimentos, restrições à ajuda humanitária e destruição de infraestruturas civis. “Pelo menos 17 mil crianças ficaram órfãs ou foram separadas de suas famílias, e muitas outras carregarão as cicatrizes do trauma físico e emocional por toda a vida”, alertou Turk.
A organização também apontou os ataques do Hamas contra os israelenses como “chocantes” e “profundamente traumatizantes”, mas igualmente condenou a resposta israelense, caracterizando-a como brutal e desproporcional. Turk enfatizou a necessidade urgente de paz, investigação e responsabilização, chamando atenção para as violações dos direitos humanos e das leis humanitárias cometidas por todas as partes envolvidas no conflito.

Por fim, a ONU destacou as condições de vida desesperadoras enfrentadas pela população de Gaza, incluindo fome iminente, escassez de água potável e um sistema de saúde à beira do colapso. O bloqueio e o cerco impostos à região foram equiparados a punição coletiva e ao uso da fome como método de guerra, ambos considerados crimes de guerra pela comunidade internacional. “A guerra em Gaza precisa acabar. Todas as partes cometeram violações claras dos direitos humanos internacionais e das leis humanitárias, incluindo crimes de guerra e possivelmente outros crimes de acordo com a lei internacional. Chegou a hora – e já passou da hora – da paz, investigação e responsabilização”, disse Turk, que ressaltou as violações cometidas por Israel contra os palestinos. “Em 56 anos de ocupação israelense, sistemas de controle profundamente discriminatórios foram impostos aos palestinos para restringir seus direitos, inclusive o direito de locomoção, com grande impacto sobre sua igualdade, moradia, saúde, trabalho, educação e vida familiar. Um bloqueio de 16 anos na Faixa de Gaza manteve a maioria de seus 2,2 milhões de habitantes em cativeiro e destruiu a economia local. As vidas de gerações de palestinos na Cisjordânia foram marcadas por assédio, controle, arbitrariedade – inclusive prisões e detenções arbitrárias – e aumento da violência militar e dos colonos israelenses. Enquanto isso, os assentamentos ilegais continuaram a crescer, levando, de fato, a uma maior anexação das terras dos palestinos. Imagine a humilhação e a repressão intermináveis sofridas”.
Turk assinalou que já foram registrados “muitos incidentes que podem ser considerados crimes de guerra pelas forças israelenses, bem como indícios de que as forças israelenses se envolveram em alvos indiscriminados ou desproporcionais que violam o direito internacional humanitário”.

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