A exoneração do número 2 da agência, Alessandro Moretti, investigado por  espionagem ilegal na gestão Bolsonaro, foi publicada em edição extra do “Diário Oficial”. Outros seis diretores são trocados em meio às investigações sobre “Abin paralela”

A Polícia Federal investiga evidências de que a Abin vinha sendo usada para fins pessoais e políticos do clã

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva demitiu ontem (30) Alessandro Moretti do cargo de diretor-adjunto da Agência Brasileira de Inteligência (Abin). A exoneração do número 2 da agência foi publicada na noite de ontem em edição extra do Diário Oficial da União (DOU).

A demissão ocorre após a Polícia Federal (PF) deflagrar operação que investiga suposto esquema de produção de informações clandestinas na Abin durante a gestão do então diretor e atual deputado federal Alexandre Ramagem (PL-RJ). Um dos alvos da investigação é o vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ), filho do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Apontado como bolsonarista, Moretti é suspeito de ter relações com Ramagem. Ele é egresso de posições estratégicas em órgãos comandados por bolsonaristas, incluindo o ex-ministro da Justiça Anderson Torres. Delegado da PF, o agora ex-diretor da Abin atuou como secretário-executivo da Segurança Pública do DF entre 2019 e 2021, na primeira gestão de Torres — que foi preso sob acusação de omissão nos ataques golpistas de 8 de janeiro. Moretti foi ainda diretor de Tecnologia da Informação e Inovação, entre 2021 a 2022, da PF na gestão Bolsonaro.

Presença contestada
Sua presença no cargo passou a ser contestada, contudo, após ele ser citado por agentes na Operação Vigilância Aproximada, deflagrada no último dia 25. De acordo com a Polícia Federal, ele participou de uma reunião com representantes de servidores da Abin, em março de 2023, e teria dito que a investigação sobre a agência tinha “fundo político” e iria passar. Para a corporação, a postura de Moretti não era a esperada para um delegado.

Ainda na terça, o presidente Lula havia dito, em entrevista, que se fosse comprovado o envolvimento de Moretti no monitoramento ilegal feito no governo passado e sua relação com o ex-diretor, não haveria condições de ele permanecer na instituição. O delegado federal Alessandro Moretti estava na Abin desde março de 2023 e continuou no órgão por ter relação de confiança com o diretor-geral Luiz Fernando Corrêa, nomeado pelo petista.

Trocas na Abin
Com a saída de Moretti, o segundo maior posto do órgão passará a ser ocupado por Marco Aurélio Chaves Cepik, conforme nota divulgada pela Casa Civil da Presidência da República. Cepik é professor universitário e o atual diretor da Escola de Inteligência da Abin.

Antes da Abin, Moretti ocupou direção de Inteligência Policial (2022 a 2023) e de Tecnologia da Informação e Inovação (2021 a 2022) da Polícia Federal. Ele também atuou como diretor de Gestão e Integração de Informações da Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp), em 2020 e foi secretário-executivo de Segurança Pública do Distrito Federal, entre 2018 e 2020.

Além dele, outros seis diretores foram exonerados em meio às investigações. Devido ao sigilo inerente à função, os nomes dos demais diretores dispensados e aqueles que assumem as vagas não foram publicados no Diário Oficial, apenas as matrículas. Quatro dos novos diretores são mulheres

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